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2. PROBLEMİN TANIMI

2.3. Veri Edinimi

Considerando que nos anos de 1970 e 1980 a mesorregião viveu, de forma mais acentuada, um processo de reordenamento espacial, o qual foi imposto pela geopolítica do Estado brasileiro, que firmava, de um lado, a incorporação de terras, e, de outro, a mobilização de mão de obra que atendesse à necessidade de força de trabalho para o capital que se expandia, entendo que tal processo ocasionou um intenso crescimento populacional, alcançando índices elevados.

Com isso a mobilização social desencadeada a partir dos anos de 1990, favoreceu a criação de assentamentos e uma série de políticas públicas, como por exemplo, a construção de estradas vicinais, habitação nos assentamentos, demarcação dos lotes e acesso ao crédito produtivo subsidiado como o Programa Nacional de Fortalecimento a Agricultura Familiar (PRONAF)30.

30 Estudos feitos sobre o PRONAF têm apresentado potencialidades e limitações quanto aos seus impactos

econômicos (renda agrícola, produção e produtividade, uso de tecnologias, viabilidade do crédito para o estado e arrecadação de impostos), sociais (nível de vida e ocupação no meio rural), ambientais (uso de agrotóxicos e ações de conservação) e políticos (institucionalidade e fortalecimento do poder de reivindicações pela sua existência e operacionalização).

Embora ainda exista uma precária condição quanto à infra estrutura nesta mesorregião, principalmente com relação às estradas e à eletrificação rural, percebo avanços, de forma que o seu contexto é outro, e, segundo a avaliação da Universidade Federal do Pará (UFPA), mais favorável à estabilização da agricultura familiar. Atualmente, a mesorregião Sudeste do Pará se destaca tanto pelo potencial produtivo em diversos segmentos quanto por um sistema diversificado de produção familiar.

A respeito do potencial produtivo, segundo Costa (2000) tem destaque a produção pecuária bovina31 com a criação da cadeia produtiva do leite que abastece o mercado internacional, o extrativismo madeireiro, a produção agrícola baseada na cultura de subsistência e na fruticultura, como também no extrativismo vegetal (produtos não madeireiros) muito presente em áreas de colonização recente, em que a floresta ocupa espaço significativo (IFPA, 2009).

Em relação ao sistema diversificado de produção familiar, encontra se nos lotes dos agricultores a presença de culturas anuais e semi anuais como a banana, o arroz, a mandioca e o milho. Estes produtos se destacam como componentes relevantes no cultivo agrícola, porque respondem as necessidades imediatas das famílias.

Encontram se também, embora em menor escala, as culturas como o coco, o café, o mamão, cacau o abacaxi e o maracujá, que são transformados em polpas, cujo beneficiamento é feito por indústrias ligadas às cooperativas de agricultores, fábricas e despolpadoras de fundo de quintal. Percebe se uma disponibilidade dos agricultores em aumentar a produção de frutos regionais, devido a sua aceitação no mercado (IFPA, 2009).

A criação de pequenos animais é comum nos lotes dos agricultores familiares e são de responsabilidade das mulheres, além do investimento na piscicultura e na apicultura. Tal produção contribui significativamente na renda familiar (IFPA, 2009). Estudos realizados por Hurtienne (1999) dão conta que existe uma predominância da

31 As mesorregiões Sudeste e Nordeste, juntas, somam 60% do valor bruto da produção animal e vegetal

do Estado. Ambas se tornando as mais importantes na produção agropecuária. A produção de leite originária da agricultura familiar soma 249.500 litros oriundos se nove lacínios formais e dezenas informais, além de quijoarias, constituindo se em significativa fonte de renda das famílias (COSTA, 2000).

agricultura familiar no estado do Pará, cujos dados demonstram sua importância em relação à região Norte: 82% do total são estabelecimentos familiares; 76% do total do pessoal é ocupado pela agricultura na região; 58% do valor total da produção agrícola advém da agricultura familiar; 32% da área ocupada por atividades agropecuárias podem ser identificadas como agricultura familiar; gêneros alimentícios como mandioca (84%), milho (63%), feijão (59%) e arroz (46%) são produzidos pela agricultura familiar; 544.000 dos 5,8 milhões de estabelecimentos agrícolas no Brasil (10%) e 446.000 dos 4,4 milhões estabelecimentos familiares (10%) se encontram na região Norte. Dados de estudo realizados pela FAO/INCRA (1995), ressaltam que cerca de 85% dos estabelecimentos agrícolas existentes no Pará são da agricultura familiar camponesa, a qual detém 77% da mão de obra ativa no Setor Agrícola e participa com 58% da produção estadual.

O Projeto Político Pedagógico do Campus Rural de Marabá/IFPA elaborado no ano de 2009 expressa o potencial produtivo da agricultura familiar camponesa nessa mesorregião e evidencia a falta de valorização dessa potencialidade por parte do poder público do Pará, o que se reflete no tímido investimento no desenvolvimento de políticas públicas no campo e na ausência de uma política de comercialização local. A prioridade de investimentos tem sido a pecuária pela exportação da carne bovina e os produtos derivados do leite, enquanto que a agricultura familiar não possui infra estrutura básica (estrada, energia e financiamento adequado) para que os produtos sejam comercializados nas feiras livres urbanas dessa mesorregião. O ponto crítico encontra se nas condições de escoamento da produção, pois boa parte desses produtos não tem sido escoado, devido ausência (ou péssimas condições) de estradas.

Outro tipo de produção agrícola camponesa se encontra nas áreas desmatadas, especialmente no Vale do Tocantins, onde os babaçuais totalizam 290.000 ha de terra (ALMEIDA, 1995), e que, de um lado, são classificados como ‘praga’ ou ‘peste’ por aqueles que têm o pasto, porque o gado é visto como única estratégia econômica; e, de outro lado, é compreendido como meio de sobrevivência, pelas populações tradicionais, principalmente as comunidades descendentes de escravos

(ALMEIDA, 2001), tendo sua extração, ocupado o trabalho feminino desde a época do Império.

Segundo Costa (2000), os produtos do extrativismo como castanha do Pará, mogno, cedro, ipê, entre outras espécies, sofreram com o impacto da exploração da floresta, a extração da madeira e a implantação de fazendas de gado, chegando quase a extinção. A exploração desordenada com vista apenas ao lucro, em detrimento da mata primária e sua geração de oportunidades econômicas sustentáveis, tem ampliado a transformação das áreas de floresta densa em pastagem, provocando perda da cobertura vegetal na mesorregião Sudeste do Pará.

1.4 A REALIDADE EDUCACIONAL DO CAMPO DO PARÁ E A BUSCA PELA EDUCAÇÃO NA

Benzer Belgeler