• Sonuç bulunamadı

A pesquisa que desenvolvemos durante o curso de Doutorado teve como objetivo principal descrever e analisar, com base na Gramática Discursivo-Funcional, as aposições restritivas no português brasileiro escrito contemporâneo, levando em conta as propriedades pragmáticas, semânticas e morfossintáticas, analisadas de forma integrada. Para isso, propomos uma representação da aposição restritiva da nossa língua formada por construções contendo dois ou mais elementos nominais separados ou não por preposição.

5.1.1 Procedimentos

No início de nossa análise, trouxemos os principais traços pragmáticos, semânticos e morfossintáticos sugeridos por Keizer (2007) para a caracterização da aposição

restritiva no inglês. A partir daí, passamos a analisar as ocorrências de aposições restritivas do português brasileiro contemporâneo, buscando observar os traços pragmáticos, semânticos e morfossintáticos sugeridos por Keizer.

Analisando as aposições restritivas com base nos níveis do Componente Gramatical da GDF, verificamos, no primeiro nível, o Interpessoal, os subatos que caracterizam uma aposição restritiva (Subato de Referência (R) e Subtato Atributivo (T)) para, em seguida, distinguir qual a função pragmática dos elementos principais que a constituem: Tópico ou Foco. Verificamos também se há ou não a exigência de um marcador de definitude na caracterização da aposição restritiva do português brasileiro.

Para a análise do segundo nível, o Representacional, averiguamos se a relação semântica que ocorre entre o primeiro e o segundo elemento que formam a aposição restritiva é de dependência ou não, como também averiguamos qual dos elementos é o restringido (núcleo) e qual o restritivo. Ainda nesse nível, identificamos as categorias semânticas de cada elemento da aposição restritiva: Indivíduo (x), Lugar (l), Propriedade (f), Tempo (t) etc.

No último nível de nossa análise, o Morfossintático, examinamos, inicialmente, a possibilidade de ocorrer ou não a omissão sintática entre os elementos que formam a aposição restritiva do português brasileiro. Em seguida, identificamos a classe e a subclasse (substantivo próprio, substantivo comum contável e substantivo comum não contável) dos elementos que formam uma aposição restritiva no português brasileiro.

Já com base tanto na análise do nível Representacional como do Nível Morfossintático, delimitamos a fronteira entre uma construção apositiva restritiva do português brasileiro e construções assemelhadas, como as construções com a função sintática de adjunto adnominal.

Analisamos, também, as funções discursivas, dentro de um contexto, que podem ser assumidas pelas aposições restritivas no português brasileiro escrito contemporâneo.

Depois de definirmos os tipos da aposição restritiva no português brasileiro, passamos a tratar da aposição restritiva com a preposição de. Para isso, seguimos os mesmos passos da análise da construção apositiva sem preposição, analisando nossas ocorrências dentro de três dos quatro níveis do Componente Gramatical da GDF.

5.1.2 Constituição, caracterização e delimitação do corpus

As ocorrências para análise foram obtidas do mesmo recorte utilizado por Nogueira (1999) do banco de dados no Centro de Estudos Lexicográficos da Faculdade de Ciências e Letras, Campus da UNESP de Araraquara-SP, constituído de 36 (trinta e seis) textos escritos, sendo 12 (doze) do gênero oratória, 12 (doze) do gênero dramático e 12 (doze) do gênero técnico.

5.1.3 Caracterização dos textos constituintes do corpus

Segundo Nogueira (1999), a sua escolha dos textos de literaturas técnica, oratória e dramática teve como base o fato de que exibem características formais e funcionais que os particularizam, de modo inequívoco, enquanto gênero textual.

Conforme Nogueira (1999, p. 118), os textos técnicos utilizados em sua pesquisa formaram um subgrupo do subgênero técnico-didático da área de humanidades. Esses textos se caracterizam por seu caráter introdutório, de divulgação de conhecimentos, o que os distingue de textos técnico-científicos, marcadamente mais complexos e abstratos e de linguagem bastante especializada. Em sua maioria, de acordo com a autora, tais textos foram extraídos de livros como os da série Princípios e Fundamentos, da Editora Ática, e da coleção Primeiros Passos, da Editora Brasiliense.

Quanto aos textos de oratória, segundo Nogueira (1999, p. 119), consistem de discursos políticos, sermões e discursos proferidos na Academia Brasileira de Letras:

Esses textos parecem identificar-se com os discursos preparados descritos por Biber. Embora sejam distintos quanto ao fato de os textos de oratória serem previamente escritos, ao passo que os discursos preparados são um gênero de fala caracterizado por rigorosas restrições de tempo real, eles se aproximam segundo alguns parâmetros situacionais, relacionados, principalmente, aos propósitos primários de comunicação. Pode-se dizer que, no caso dos textos de oratória, o contexto de produção e o contexto de uso, ou seja, a situação de recepção (Nystrand, 1986, apud Nystrand e Wiemelt, 1991), não coincidem, enquanto nos discursos preparados tais contextos são coincidentes, ou seja, produção e uso ocorrem simultaneamente. São as características associadas ao contexto de uso que parecem aproximar os textos de oratória dos discursos preparados que Biber descreve.

Já os textos dramáticos escolhidos pela autora foram formados por peças teatrais que se constituem de diálogos entre os personagens, em conversações face-a-face:

Os textos dramáticos constituem-se de peças teatrais em que foram consideradas apenas as passagens relativas aos diálogos entre os personagens. Esses textos se

aproximam das conversações face-a-face descritas por Biber. Embora sejam textos escritos, eles traduzem a concepção de um autor sobre os padrões da modalidade oral, tipicamente representados em uma conversação (NOGUEIRA, 1999, p. 119). 5.1.4 Descrição e análise dos dados

A descrição das ocorrências do nosso corpus ocorreu à luz das categorias de cada nível e camada da Gramática Discursivo-Funcional.

As ocorrências com propriedades comuns a esses níveis e camadas constituíram tipos ou padrões de aposições restritivas para os quais propomos formalizações com as representações de cada nível existente, ou seja, de acordo como as opções do Nível Interpessoal, Representacional e Morfossintático, dando, assim, condições de se verificar, durante a análise, as particularidades de nossas ocorrências.

5.1.5 Categorias de análise

a) Nível Interpessoal:

- tipos de Subato: Referencial ou Atributivo;

- funções discursivas: Identificação por meio de uma informação mais específica, Identificação por meio de uma descrição, Identificação contextualmente nova e Identificação por contraste de propriedades ou papéis diferentes.

b) Nível Representacional;

- categorias semânticas: Indivíduo (x), Localização (l), Lugar (l), Tempo (t) e Propriedade (f).

c) Nível Morfossintático; - categoria morfossintática;

- presença da preposição: Sim ou Não;

- tipo de elemento principal: substantivo comum ou substantivo próprio; - tipo de restritivo: substantivos comuns ou próprios;

- presença de marcadores de definitude: Sim ou Não; - tipo de marcadores: artigos definidos;

- presença de modificadores: Sim ou Não;

5.1.6 As convenções de notações da Gramática Discursivo-Funcional usadas para as formalizações

Embora já tenhamos trabalhado com formalizações antes do capítulo de análise do corpus, achamos conveniente, para o melhor entendimento do leitor, trazer, para o capítulo de metodologia, as convenções de notações específicas utilizadas na formalização das aposições restritivas da língua portuguesa.

a) Nível Interpessoal (NI)

No Nível Interpessoal, os Subatos Referencias e Atributivos são representados, respectivamente, como (R) e (T). De acordo com a GDF, a sequência deles é marcada por letras maiúsculas (RI) e (TI). Exemplo:

(1) o mar Jônico

NI: + def (RI: (TI) (TJ))

Neste exemplo, o Nível Interpessoal é formado por um único Subato Referencial (RI), o mar Jônico. Contudo, dentro do Subato Referencial há dois Subatos Atributivos mar (TI), Jônico (TJ) que dão suporte ao Subato Referencial. Além disso, há a presença do artigo definido que é marca de definitude (+def).

b) Nível Representacional (NR)

No Nível Representacional, as categorias semânticas, como Indivíduo (x) e Propriedade (f), são representadas por letras minúsculas e têm a sua sequência marcada por letras minúsculas. Usam-se os colchetes [], nessa formalização, para representar o núcleo das categorias de primeira ordem, como o Indivíduo em (xk: [Marques Rebelo (xk)]), contudo esse núcleo pode ser expandido por outras propriedades e/ou modificadores, como os pronomes possessivos e os demonstrativos. Dentro de um núcleo expandido, o que está à direita do núcleo é ou são o(s) modificador(es), e este(s), quanto mais distante(s) do núcleo, maior o seu escopo, vejamos este exemplo: “meu inesquecível amigo” (xi:[(fi: amigo (fi)): (fj: inesquecível (fj)): (xj: eu (xj))Pos (xi)] (xk: [Marques Rebelo (xk)])).

c) Nível Morfossintático (NM)

No Nível Morfossintático, trabalhamos com o Np (Sintagma Nominal) e as seguintes categorias que podem compô-lo: Gw (Palavra gramatical), no caso o artigo definido e o indefinido, a preposição e os pronomes possessivos e demonstrativos; Api (Sintagma Adjetival) que tem como núcleo a Awi (Palavra adjetiva) e a Nw (Palavra nominal), que pode ser o substantivo próprio ou o substantivo comum. Vejamos o seguinte exemplo:

(2) o rótulo convencional de crônica Npi: o rótulo convencional de crônica (Npi: [(Gwi: o (Gwi))

rótulo convencional

(Nwi: rótulo) (Api: (Awi: convencional)

de crônica

(Adppi: (Adpwi: de (Adpwi) (Nwj: crônica) (Adppi))] Npi)

A partir da próxima seção, passamos a tratar diretamente da análise da aposição restritiva no português brasileiro escrito contemporâneo. Para tanto, voltaremos a falar da proposta de Keizer (2007) para as aposições restritiva no inglês.

Benzer Belgeler