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2. İLGİLİ ALANYAZIN

2.1. Kuramsal Çerçeve

2.1.3. Edebi Gelenek

36 Nesse caso, refiro-me, especificamente aos meus contatos relativos à própria atuação na Educação Física, seja

em nível de escola e/ou de DE. Com exceção dessas situações, o texto está redigido na primeira pessoa do plural, o que significa que se relaciona tanto às reflexões da Orientanda quanto às reflexões da Orientadora.

37 Nesse caso, refiro-me, especificamente aos meus contatos.

38 Por meio do TCLE, os professores permitiram a gravação em áudio, o acesso a registros e fotos da época da

Neste tópico, apresentamos os professores participantes deste estudo com base na reconstituição de suas histórias de vida, com foco em elementos dessas histórias para o entendimento do processo de construção de seus saberes docentes.

O professor Antônio Carlos (ANDRADE, 2015), nascido em 1947 e criado em Bernardino de Campos, apresentou-se39 como uma pessoa de origem “humilde” (condição

econômica modesta, com ausência de posses). Filho de pai alfaiate e mãe dona de casa, analisou a educação que recebeu de seus pais como algo “irreparável”.

Com um sentimento de saudosismo, relatou, durante as entrevistas, a forte presença/influência do pai em sua formação e o zelo da mãe para com todos os filhos e amigos que frequentavam a sua casa. Considerou-se um vencedor, pois atendeu, assim como os irmãos, aos planos de seu pai ao cursar o Ensino Superior, condição que permitiu superar “[...] certo grau de pobreza [...]” (ANDRADE, Entrevista 1, 2015). As Figuras 2 e 3 retratam o professor recentemente e, em particular a Figura 3 retrata-o ao final das entrevistas em 2015, em sua residência em Bernardino de Campos.

Figura 2: Perfil do WhatsApp do professor Antônio Carlos.

Fonte: Acervo do professor Antônio Carlos.

39 Optamos pelo tempo verbal no pretérito em razão do falecimento do professor Antônio Carlos durante a

Figura 3: Professor Antônio Carlos em 2015.

Fonte: Acervo da pesquisadora.

Terceiro filho de uma família de seis irmãos (cinco homens e uma mulher), disse que todos os irmãos, assim como ele, receberam do pai nomes compostos. Também contou sobre o falecimento do irmão mais velho: “[...] hoje nós somos quatro homens e uma mulher [...]” (ANDRADE, Entrevista 1, 2015).

Em virtude da origem “humilde”, ele e a família residiram, por muito tempo, em uma casa muito simples em Bernardino de Campos. Ao longo do tempo, realizaram, com muitas dificuldades, várias reformas nessa casa. Todos os filhos, incluindo ele, nasceram nessa casa: “[...] nós fomos nascidos de parteira [...]” (ANDRADE, Entrevista 1, 2015).

Realizou os estudos em sua própria cidade. Quando finalizou o “ginásio40

(antiga 5ª. a 8ª. séries e atuais anos finais do Ensino Fundamental), iniciou o “colegial41

(antigo Ensino de 2º. Grau e atual Ensino Médio), com opção pela vertente do Magistério, conforme suas narrativas. Segundo o professor, sua trajetória escolar na Educação Básica aconteceu nas décadas de 1950 e 1960, na rede de ensino pública.

40 Expressão utilizada conforme o professor a pronunciou. 41 Expressão utilizada conforme o professor a pronunciou.

Concluiu o Magistério em 1966 e, no ano seguinte, mudou-se para São Paulo junto com seus dois irmãos mais velhos em razão da inexistência de emprego em Bernardino de Campos. Esses irmãos ingressaram como professores de 1ª. a 4ª. séries em uma escola cuja tia “Élia” era a diretora e Antônio Carlos trabalhou em uma empresa chamada São Paulo Alpargatas, onde exerceu as funções de escriturário, diretor e chefe do departamento fiscal enquanto cursava Administração de Empresas em Mogi das Cruzes.

Posteriormente, transferiu o curso para Santo André, porém o abandonou, pediu demissão da empresa (na qual trabalhou no período de 1967 a 1970) e iniciou a formação inicial em Educação Física (1970-1973). De forma paralela ao curso de Educação Física, lecionou como professor eventual no curso de contabilidade em uma escola de comércio na Lapa por quase quatro anos, na rede estadual e em uma escola particular. Essa escola pertencia ao “Seu Gilberto”, um amigo de seu pai, que o aceitou apesar de não ter concluído o curso de Administração de Empresas.

Conheceu sua esposa desde a época de criança em Bernardino de Campos. Namoraram por nove anos e estavam casados, até o momento de realização das entrevistas, há quarenta e um anos (desde 1974). Por residirem na mesma cidade, estudaram na mesma escola, mas em classes diferentes em virtude da faixa etária. “Eu estava um ano na frente dela ... eu tinha dezessete ... ela tinha dezesseis” (ANDRADE, Entrevista 3, 2015).

Quando se casaram, a esposa foi residir com ele em São Paulo e cursar faculdade de Letras. O casal teve duas filhas (“Camila” e “Bruna”), nascidas em 1976 e 1978 respectivamente, duas netas e um neto. As filhas são formadas em Ciências, mas apenas uma exerce a docência. Disse que a esposa sempre gostou de trabalhar em banco e, que quando iniciaram a vida de casados em São Paulo, levou-a, sem sucesso, para lecionar aulas em uma escola particular.

[...] Depois ela foi para lá ... foi fazer a faculdade ... a gente nunca se encontrou ... o negócio dela era trabalhar em banco ... né? ... ela gostava de trabalhar no banco ... eu fui levar ... inventar de levar para fora ... porque ela estava fazendo Português ... eu fui inventar de levar ela para aquela escola do Alfredo ... do Juca Peralta ... né? ... escola particular e de elite ... classe A ... achando que ia ganhar bem ... como de fato ganhava ... mas desconjurou ... não gostou ... não gostou ... não gostou ... saiu ... nunca mais se animou. (ANDRADE, Entrevista 3, 2015).

Após treze anos lecionando em São Paulo, concomitantemente, nas redes de ensino pública e privada, o professor retornou para o interior, onde assumiu, em épocas diversas, o exercício da função como especialista em educação na DE, o exercício da docência, coordenação pedagógica em escola estadual e as aulas no curso de Pedagogia em

uma IES privada. Aposentou-se no início da década de 2000 na rede de ensino estadual e, no final dessa mesma década, na faculdade.

A professora Romilda Augusta (RIBEIRO, 2015), conforme esboça a Figura 4, nascida em 1948 e criada em Piratininga, descende de pai espanhol e avós maternos portugueses, os quais vieram para o Brasil em busca de melhores condições de vida. Seus pais cursaram apenas o “primário” (antigas 1ª. a 4ª. séries e atuais anos iniciais do Ensino Fundamental) e exerceram as funções de secretário e costureira e, posteriormente, sua mãe foi servente em uma escola na cidade.

Figura 4: Professora Romilda em 2016.

Fonte: Acervo da professora Romilda.

Sexta filha de sete irmãos, também contou sobre os nomes compostos que receberam: “[...] era o ‘José Carlos’ ... depois ‘Maria Beatriz’ ... ‘João Roberto’ ... ‘Antônio Celso’ ... ‘Aristeu Luís’ ... daí eu ... depois o ‘Fernando Marcos’” (RIBEIRO, Entrevista 1, 2015, grifo nosso). Sua mãe também possuía nome composto: “[...] minha mãe também ... ‘Maria Augusta’ ... então ela pôs ... ela teve uma professora chamada ‘Romilda’ e ela ...

gostava da professora ... daí ela pôs em mim ... ‘Romilda’” (RIBEIRO, Entrevista 1, 2015, grifo nosso).

Romilda perdeu o pai aos quatro anos de idade. Apesar das dificuldades financeiras, que não chegavam a privar a família das necessidades básicas, sua mãe, viúva, assumiu a responsabilidade pelos sete filhos e mais três sobrinhos, filhos de uma tia que também havia falecido. Foi em uma casa de madeira sem forro construída pelo pai, em um terreno adquirido pela mãe mais tarde por usucapião42, que seus três primos foram recebidos.

A mãe dividiu a sala com uma cortina para delimitar espaço para mais um quarto, separando os meninos das meninas. Depois do casamento da irmã mais velha, Romilda passou a dividir o quarto com a mãe. Conforme a professora, viviam uma vida simples, contudo não passavam necessidades.

Segundo Romilda, toda a sua trajetória escolar na Educação Básica aconteceu na rede de ensino pública. Cursou o “primário” (1956-1960) e o “ginásio” (1962-1965) - antiga 5ª. a 8ª. séries e atuais anos finais do Ensino Fundamental - em sua cidade natal e os primeiros anos do Magistério nos municípios vizinhos. O curso tinha a duração de três anos e foi concluído em Piratininga no ano de 1968. Ao contrário de Antônio Carlos, o processo de escolarização de Romilda iniciou-se no “jardim de infância”, em 1955.

Mencionou a educação materna “rígida”, a vida humilde, a constante presença da mãe na vida escolar dos filhos e dos sobrinhos e a amizade e colaboração entre eles. De acordo com a professora, a educação “rígida” e a exigência materna em relação aos estudos eram provenientes de uma preocupação com o futuro profissional dos filhos e sobrinhos.

[...] Minha mãe sempre achava que ... a gente tinha que [...] ter alguma profissão ... então [...] ela exigia que a gente estudasse e ... na escola mesmo ela ia participava das reuniões ... é de pais né? ... que tinha ... porque ela queria saber ... se como a educação como os filhos tratavam os professores ... se era malcriado ... e daí se falasse alguma coisa ... em casa lá puxavam-se as orelhas mesmo sabe? (risos). (RIBEIRO, Entrevista 1, 2015).

Essa preocupação materna encaminhou Romilda ao Magistério, opção possível na época e que, posteriormente, também se tornou sua opção, pois julga como bem-sucedida a trajetória no curso e no exercício da docência. Em virtude da convicção desenvolvida durante o Magistério, optou pelo vestibular em Educação Física. “[...] Então eu achei ... que ... daí eu ia dar sequência ... nisso daí ... do Magistério ... para ... para frente né? ... daí acabei fazendo

42“Modo de adquirir propriedade móvel ou imóvel pela posse pacífica e ininterrupta desta, por certo tempo”

Educação Física ... porque ... eu também gostava da Educação Física [...]” (RIBEIRO, Entrevista 2, 2015).

As primeiras paqueras começaram na época do “ginásio” e o primeiro relacionamento, com o futuro esposo (também de Piratininga), aconteceu aos vinte e um anos. Romilda está casada há trinta e oito anos. Descreveu, nas entrevistas, o namoro de dez anos enquanto lecionava em Fartura, cidade onde se iniciou na docência em 1972, logo após a conclusão do curso de Educação Física (1969-1971). Em Fartura (na época, DE de Ourinhos), atuou como professora de Educação Física na rede de ensino estadual via Admissão em Caráter Temporário (ACT). Com o casamento em 1978, a aprovação no concurso para o exercício da docência na qualidade de professora generalista também da rede de ensino estadual e a realização do curso de Pedagogia (1980-1981), regressou para Piratininga, onde nasceram os filhos (“Julis” em 1979, “Deivis” em 1981 e “Greicis” em 1982). A primeira neta (filha de “Deivis”, já falecido), nasceu em 2000, a segunda neta (filha de “Greicis”) em 2015 e a terceira neta (filha de “Julis”) em 2016.

Em Piratininga, Romilda atuou como professora generalista com aulas de Educação Física como carga suplementar e, posteriormente assumiu o cargo de professora especialista, o qual exerceu até a aposentadoria, no final da década de 1990.

A professora Dinalva Aparecida (PARDO, 2015), nascida em Guarantã em 1942, se emocionou ao relatar o falecimento de seu pai logo no início da entrevista, fato que narrou por meio da expressão “truncada”. O pai, comerciante e delegado de Guarantã via indicação), faleceu de Tifo43 quando ela tinha dois anos incompletos, deixando-a com a mãe

“Carolina”, a irmã “Sidnei” (seis anos mais velha) e os avós maternos, os quais ofereceram todo o apoio necessário e possível a partir do ocorrido. A Figura 5, a seguir, retrata a professora Dinalva ao término das entrevistas em 2015.

43 “Grupo de doenças infecciosas agudas, causadas por rickéttsias, e relacionadas entre si clinicamente, mas que

Figura 5: Professora Dinalva em 2015.

Fonte: Acervo da pesquisadora.

A mãe de Dinalva, uma dos dez filhos de pais italianos (sete mulheres e três homens), passou a residir com as filhas na casa dos pais, local em que permaneceu por um período de oito anos, até se casar novamente e mudar-se para uma fazenda próxima de Bauru. Em razão de já ter ingressado na escola, Dinalva permaneceu morando com os avós por um período de, aproximadamente, quatro anos. Contou que o avô materno era barbeiro e teve todo o cuidado com a filha viúva e as netas após a morte do pai. Os irmãos de sua mãe também trabalharam na barbearia do avô por um tempo. Além de Dinalva e sua irmã, os avós também adotaram uma prima, a “Nadir”.

Dinalva ingressou na escola aos sete anos e, após concluir a 4ª. série, foi residir com a mãe, o padrasto44 e a irmã. Depois de algum tempo, a mãe teve um terceiro filho com o

novo esposo, o qual é sete anos mais novo que Dinalva. Com o adoecimento dos avós maternos, a irmã mais velha retornou para Guarantã para cuidar deles.

Assim como a dos demais participantes desta pesquisa, a trajetória escolar de Dinalva na Educação Básica também foi realizada na rede de ensino pública (exceto pela realização do curso de secretariado). De acordo com as suas narrativas, a professora realizou o “primário” (1950-1953) em Guarantã, o “ginásio” (1957-1960) em Piratininga (tendo residido

com uma tia em parte desse período) e os cursos de secretariado (1962-1964) e de Magistério (1967-1968) em Bauru, onde residiu durante todo o período de realização do Magistério. O padrasto e a mãe residiram em várias fazendas, em razão da função de administrador exercida por ele.

De Guarantã, a professora se recordou dos bailes, das inúmeras amizades dos avós e dos tios, das festas religiosas e da intensa participação da comunidade local. Foi em uma dessas festas que sua mãe conheceu seu padrasto: “[...] ‘meu pai45’ ... era uma pessoa de

roça ... mas assim ... bem letrado ... bem assim ... aquele tempo até 3ª. série ele foi ... mas ele fazia toda escritura ... escri ... é ... é ... as escritas das ... da fazenda ... sabe? ... ele era bem ... sempre foi muito inteligente” (PARDO, Entrevista 1, 2015, grifo nosso).

Dos avós paternos, não possui muitas lembranças. Descreveu a origem portuguesa do avô e indígena da avó, dos dois filhos trazidos pelo avô - viúvo - de Portugal e dos dez filhos frutos do relacionamento com sua avó no Brasil, do qual nasceu seu pai46. Já

sobre os pais do padrasto, afirmou que não os conheceu.

A mãe da professora e as irmãs, com exceção da irmã mais nova, não estudaram em virtude da proibição dos avós. No entanto, um dos tios as ensinou a escrever seus respectivos nomes. “[...] Ele ensinou todas elas a e ... a assinar e fazer ... escrever o nome delas ... direitinho ... para ... para poder ... é ... não fazer feio na hora do casamento né? ... por o dedo ... né? [...]” (PARDO, Entrevista 1, 2015). Relatou que a educação na casa dos avós maternos era marcada por rigor, respeito, amor e religiosidade.

Em Piratininga, por volta dos quinze anos de idade, a professora Dinalva conheceu seu esposo “João Pardo”, um ano mais velho que ela (nascido em 1941). Casaram- se em 4 de julho de 1965 (após nove anos de namoro) e tiveram um casal de filhos (“Lúcia Fernanda”, em 1966, e “Paulo”, em 1972), nascidos em Bauru e registrados em Piratininga. Em razão dessa situação, alegou que os filhos diziam: “[...] mãe ... por que não registrou nós em Bauru? ... a gente podia ser bauruense (risos) [...]” (PARDO, Entrevista 2, 2015). Os filhos já são casados, mas apenas “Lúcia Fernanda” possui um casal de filhos (“Guilherme”, nascido em 1989, e “Fernanda”, nascida em 1998).

Quando se casou, aos quase vinte e três anos, havia concluído o curso de Técnico de Secretariado no Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC). Já casada, prestou o vestibular para ingresso no Magistério em Duartina, foi aprovada e realizou o 2º. e 3º. ano do curso no “Liceu Noroeste”, em Bauru. “[...] Eu prestei o vestibular lá ... para

45 Referiu-se ao padrasto. 46 Referiu-se ao pai.

a gente ganhar um ano ... e ... e daí meu marido vendeu a padaria [...] e nós fomos para Bauru ... ele comprou uma mercearia em Bauru [...] por isso que eu fui fazer no ‘Liceu’” (PARDO, Entrevista 2, 2015, grifo nosso). Em razão da conclusão do curso de secretariado, Dinalva pôde ingressar no Magistério a partir do 2º. ano e o concluiu em dois anos.

Com a conclusão do curso, o deslocamento do esposo à outra cidade em virtude do trabalho e a filha pequena, venderam a mercearia e retornaram para Piratininga, para que Dinalva e “Lúcia” ficassem próximas dos cuidados dos familiares do esposo, pois “João Pardo” regressava do trabalho em Cabreúva para casa apenas a cada quinze dias.

Em Piratininga, Dinalva lecionou no Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL). Posteriormente, começou a trabalhar como secretária e professora generalista substituta na Escola Estadual “Plínio Ferraz”, paralelamente ao curso de Educação Física (1970-1972) na ITE, ambos em Bauru. Após a conclusão do Ensino Superior, exonerou-se do cargo na escola e inscreveu-se para atribuições de aulas em mais de uma DE (Bauru, Santa Cruz do Rio Pardo e Araçatuba).

Em seu primeiro ano como professora de Educação Física, Dinalva lecionou em diferentes escolas e cidades (Santa Cruz do Rio Pardo, Bariri, Bauru e Barra Bonita). No entanto, a partir do ano seguinte, reassumiu as aulas em Bariri, onde lecionou até sua aposentadoria, incluindo as atuações docentes nas cidades vizinhas, como, por exemplo, Boracéia e Itaju ao longo de sua trajetória profissional. Assim, mudou-se com o esposo e os filhos para Bariri em 1973 e, posteriormente, cursou Pedagogia (1979-1980) na Faculdade de Ciências e Letras de Avaré.

Simultaneamente à atuação docente na rede de ensino estadual, Dinalva também atuou como professora de Educação Física no “ginásio” do Serviço Social da Indústria, SESI (1976-2001), e na Educação Infantil da rede de ensino municipal (1985- 1991). Com exceção das aulas na SEE-SP, as atuações no SESI e na rede municipal aconteceram em Bariri. Na SEE-SP, a professora lecionou em diferentes cidades ao longo de sua carreira, sendo a maior parte dessa trajetória em Bariri.

O falecimento do esposo ocorreu no mesmo ano em que “Lúcia” iniciou o Ensino Superior. Para a continuidade do estudo da filha, a professora Dinalva também pode contar com o apoio financeiro dos sogros. Nessa época, o curso de Ciências na atual UNESP era pago, porém, no ano seguinte, a instituição tornou-se pública. No final do curso, “Lúcia” trancou a matrícula e somente foi concluí-lo em Itumbiara, Goiás (GO).

No dia das entrevistas (30 de maio de 2015), Dinalva afirmou que está viúva há trinta anos. Assim, presumimos que o esposo faleceu no ano de 1985, por volta dos quarenta e

quatro anos de idade. Nessa época, a professora estava com quarenta e três anos aproximadamente.

Dias após as entrevistas, a professora entrou em contato para saber se havia correspondido às finalidades da pesquisa. Tranquilizando-a, dissemos que sim. Preocupada, pediu para que acrescentássemos, nas informações a seu respeito, o fato de ter sido sempre “uma mulher temente a Deus”. Disse, ainda, que foi em Deus que encontrou forças para passar por todas as adversidades em sua vida, sobretudo quando ficou viúva.

Para compor a apresentação dos perfis dos professores supracitados e confirmar o atendimento aos critérios definidos em sua seleção, construímos o Quadro 4, o qual mostra os anos dos seus nascimentos, os períodos de escolarização na Educação Básica, informações sobre a formação profissional (inicial e continuada), as diferentes diretorias e os períodos de atuação profissional na rede de ensino estadual (com foco nas décadas de 1980 e 1990) e, em especial a atuação nos anos iniciais do Ensino Fundamental, no contexto do CB das escolas estaduais paulistas.

Quadro 4: Perfis dos participantes.

PARTICIPANTES ANTÔNIO CARLOS

FERRAZ ANDRADE ROMILDA AUGUSTA DOS SANTOS

RIBEIRO

DINALVA APARECIDA DANTAS PARDO Data e Local do

Nascimento 23 de julho de 1947, em Bernardino de Campos. 6 de maio de 1948, em Piratininga. 7 de setembro de 1942, em Guarantã.

Educação Básica Décadas de 1950 e 1960. Décadas de 1950 e 1960. Décadas de 1950 e 1960.

Formação

Profissional Magistério Licenciatura Plena(1964-1966), 47 em

Educação Física (FEFISA48, 1970-1973), Pedagogia (Faculdade de Educação “Campos Salles49”, 1978-1979), Especialização em Metodologia e Didática do Ensino (FAFIJA50, 1997- 1998) e Mestrado em Educação (UENP, 2010). Magistério (1966-1968), Licenciatura Plena em Educação Física (ITE51,

1969-1971) e Licenciatura Plena em Pedagogia (UNIFRAN52, 1980-1981). Técnico de Secretariado (1962-1964), Magistério (1967-1968), Licenciatura Plena em Educação Física (ITE, 1970-1972), Licenciatura Plena em Pedagogia (FCLA53, 1979-

1980) e Especialização em Voleibol (Fundação Educacional São Carlos, Escola de Educação Física de São Carlos, 1976).

DE Ourinhos e Região. Bauru e Região. Jaú e Região.

Período de Atuação Profissional na rede de ensino da SEE- SP 1968-2003. 1972-1997. 1973/1974-1996. Tempo e Período de Atuação Profissional na rede de ensino da SEE- SP com os anos iniciais do Ensino Fundamental

Quatro anos, décadas de 1980 e 1990 e também durante o CB, no período de 1983 a 1994, conforme Palma Filho, Alves e Duran (2003).

Durante todo o tempo que durou o CB (1ª. e 2ª. séries).

Durante um período de aproximadamente quatro anos e, também, de 3ª. e 4ª. séries, a pedido da direção da escola.

Fonte: Acervo da pesquisadora.

Consideramos importante mencionar que esse Quadro, após sua elaboração, foi enviado a cada um dos participantes54, no intuito de confirmamos as informações coletadas

por meio das entrevistas em profundidade e abertas.

Os participantes também selecionaram, em momento antecedente às entrevistas (as quais foram previamente agendadas), fotografias, documentos, livros e registros relativos às suas trajetórias pessoais, escolares, formativas e profissionais. Essa seleção, com base em nossa solicitação anterior via telefone, foi feita pelos próprios professores. Assim, afirmamos que os professores não participaram apenas com suas narrativas, mas com dados iconográficos e outros registros, como, por exemplo, cartas de alunos.

47 Não encontramos essa informação no diploma apresentado pelo professor Antônio Carlos, porém, a afirmamo-

na com base em suas narrativas.