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EBU’L-ABBÂS EL-MUBERRED VE BELÂĞAT

I. EBU’L-ABBÂS EL-MUBERRED HAYAT

10. EBU’L-ABBÂS EL-MUBERRED VE BELÂĞAT

A arte de informar e contar uma história por meio de imagens fotográficas. É essa a finalidade maior da prática do fotojornalismo. Essa tarefa se coaduna com o texto noticioso, tornando o relato jornalístico mais rico em sentido para o leitor. Para Vilches (1987), as imagens, quando bem produzidas, conseguem evocar o acontecimento representado e sua atmosfera. “Uma imagem fotojornalística, para ter sucesso, geralmente precisa juntar a força noticiosa à força visual. Só assim conseguirá, no contexto da imprensa, unir uma impressão de realidade a uma impressão de verdade”(VILCHES, 1987, p.19).

Sousa (2001) reflete que o fotojornalismo não se refere exclusivamente à fotografia e sim à junção fotografia - texto. “A fotografia é ontogenicamente incapaz de oferecer determinadas informações, daí que tenha de ser complementada com textos que orientem a construção de sentido para a mensagem” (SOUSA, 2001, p.442).

O autor ainda afirma que o fotojornalismo é uma atividade, no âmbito da produção de notícias (newsmaking), sem fronteiras bem definidas. Nesse sentido, o termo “fotojornalismo” pode se referir às fotografias de notícias, bem como aquelas de projetos documentais, passando ainda por ilustrações fotográficas, entre outros tipos de produções visuais.

Em todo o caso, fazer fotojornalismo ou fazer fotodocumentalismo é, no essencial, sinónimo de contar uma história em imagens, o que exige sempre algum estudo da situação e dos sujeitos nela intervenientes, por mais superficial que esse estudo seja (SOUSA, 2001, p.441, grifos do autor).

Atributos como sensibilidade, capacidade de avaliar as situações e de pensar na melhor forma de fotografar são algumas das qualidades que um fotojornalista deve ter, na visão de

Sousa. O autor ainda acrescenta que instinto, rapidez de reflexos e curiosidade são traços pessoais indispensáveis a esse tipo de profissional. Roland Barthes (1984) também credita grandes atributos ao fotojornalista, a quem ele trata por fotógrafo. Para Barthes, é o fotógrafo o intermediário visual entre a notícia e o público.

O fotógrafo, como um acrobata, deve desafiar as leis do provável ou mesmo do possível; em última instância, deve desafiar as do interessante: a foto se torna ‘surpreendente’ a partir do momento em que não se sabe por que ela foi tirada. [...] Em um primeiro tempo, a Fotografia, para surpreender, fotografa o notável; mas logo, por uma inversão conhecida, ela decreta notável aquilo que ela fotografa. O ‘não importa o quê’ se torna então o ponto mais sofisticado do valor (BARTHES, 1984, P.57).

O trabalho do fotojornalista, ou fotógrafo, também pode ter funções pedagógicas, além do intuito principal de informar. Sousa (2001) acredita que o fotojornalismo pode ajudar a educar para práticas conducentes à resolução de problemas que afetam a humanidade, bem como educar para o debate público. Além da função pedagógica, Sousa também enxerga o fotojornalismo como dotado de funções afetivas, emotivas, sensíveis e integradoras.

É preciso perceber que, apesar de ser uma prática já consolidada no âmbito do jornalismo impresso, o fotojornalismo está constantemente se renovando. Isso se dá devido às diversas inovações tecnológicas de impressão e àquelas advindas da internet, que influenciam os jornais impressos. Antigamente, no período tipográfico, o texto escrito predominava e os elementos visuais nada mais eram que adereços. Naquele momento, os leitores tinham como referencial os livros e era normal que os jornais apresentassem textos densos.

Com a melhoria na produção gráfica, as imagens passaram a ser reproduzidas com mais qualidade. Fotografias, infográficos e cores trouxeram novas possibilidades enunciativas. Cunha e Freire (2009) partem da mesma perspectiva e acrescentam que os jornais hoje procuram adaptar suas enunciações e design aos hábitos de leitura atuais. “Assim, o design apresenta-se como elemento de organização que articula conteúdos para atrair e conduzir o leitor neste percurso” (CUNHA E FREIRE, 2009, p.01).

Sousa (2001) elenca alguns fatos e faz considerações importantes. Para ele, a fotografia nasceu em um ambiente positivista, o que fazia com que fosse encarada como o registro visual da verdade. Visão essa que também foi adotada pela imprensa. Porém, atualmente entende-se a fotografia, assim como as notícias, não como o espelho da realidade, mas apenas como um registro de uma parte dela.

Sousa (2001) também aponta que o nascimento do fotojornalismo moderno se deu na Alemanha, após a Primeira Guerra Mundial. Foi neste período, que aconteceu um momento de florescimento das artes que se refletiu na imprensa. O estabelecimento de rotinas de produção da fotografia levaram a uma banalização do produto jornalístico, que, segundo Sousa, é a produção em série de fait-divers. Ao mesmo tempo, também houve o desenvolvimento da fotografia jornalística e documental que encontrou novas e mais profundas formas de expressão (SOUSA, 2001).

Outra mudança importante observada no âmbito do fotojornalismo se deu na década de oitenta do século XX, quando o domínio das câmeras já era registrado em todo o globo. Sousa (2001) reflete que é nessa época que se intensificam os problemas do direito à privacidade, bem como, cresce a dificuldade para delimitar as fronteiras do trabalho fotojornalístico, já que houve uma invasão de novos gêneros fotográficos e temas antes não trabalhados.

As agências de notícias tiveram um papel fundamental no desenvolvimento da qualidade do trabalho fotográfico, Sousa analisa bem a questão:

A concorrência entre as grandes agências noticiosas – AFP, AP e Reuters – deu um novo sentido à batalha tecnológica que iria permitir a melhoria significativa das condições de transmissão e edição de imagem, especialmente devido às tecnologias digitais. Todavia, não se notou uma alteração substancial dos padrões de qualidade do ato fotográfico, pois o fotojornalismo tradicional das agências noticiosas permaneceu pouco criativo (SOUSA, 2001, p.431).

O autor ainda reflete que os fotojornalistas de agências são apenas funcionários da imagem e que não possuem autonomia frente à escolha de temas. Pelo contrário, apenas executam trabalhos já previamente encomendados. Entretanto, há uma mudança acontecendo nesse sentido. Sousa (2001) afirma que o modelo praticado por agências como as norte- americanas Contact e JB Pictures, além da francesa Vu está contribuindo para ampliar o mundo da fotografia.

Juntamente com as revistas, as quais o autor classifica como de “qualidade”, está se observando um rompimento com rotinas e critérios de noticiabilidade dominantes no fotojornalismo. Essas mudanças são vertiginosas, tendo início nos anos noventa do século XX e se acentuando na primeira década do século XXI. É algo que ainda está em progresso.

Apesar das tensões, é provável que o mercado da imagem fotográfica se alargue e se continue a diversificar: continuam a surgir novas publicações, frequentemente especializadas. Mesmo nos jornais electrónicos e interactivos, algumas imagens já são pequenos filmes de vídeo e não imagens fixas, as fotos continuam (ainda?) a ter lugar (SOUSA, 2001, p. 435).

Benzer Belgeler