5. TARTIŞMA
5.2. Ebeveynlere Đlişkin Bulguların Đncelenmesi
5.2.3. Ebeveynlerin YYBÜ Anne-Baba Stres Ölçeği Puan Ortalamalarına Etk
134 Os trechos da entrevista com Matheus, em que emergem as metaforização do investimento em 'aposta', encontram- se transcritos no capítulo anterior.
Mas o investimento em bolsa não é associado ao universo dos jogos somente a partir de referências e metaforizações que o aproximem de um 'jogo de azar'. A outra concepção de jogo evocada, muitas vezes, para se falar da bolsa de valores é a noção de que ela corresponde a uma espécie de 'jogo de estratégia' entre seus participantes.
Tal concepção emerge quando os investidores buscam explicar que a atuação na bolsa de valores exige a internalização de uma lógica, de uma rationale, particular e distinta daquela que governa os demais mercados econômicos. A particularidade de tal lógica, que supostamente singulariza a bolsa face a outros mercados, é comunicada justamente pelo conceito - que desenvolvemos desde os primeiros capítulos - de 'racionalidade interdependente'.
Em outras palavras, a particularidade do 'jogo de estratégias' que caracterizaria, segundo os entrevistados, o funcionamento das bolsas corresponde ao fato de que, na bolsa, os investidores devem fundar suas análises e decisões única, ou 'pelo menos', principalmente, nos comportamentos e expectativas dos demais investidores com os quais se confrontam, e não em tendências ou dados objetivos, como ocorreria em outros mercados: deste modo, a bolsa é retratada como um 'mercado especial' justamente porque ele desenvolve e exige um 'jogo de estratégias' entre seus participantes.
Como se nota, este 'jogo de estratégia', que enreda todos participantes em uma situação que denominamos de 'racionalidade interdependente', implica em uma visão absolutamente social da bolsa de valores, na medida em que, nela, o que de fato valeria não seriam dados e tendências econômicas, mas sim os comportamentos e as expectativas que os demais agentes desenvolvem a partir destes dados e tendências.
Já houve quem dissesse que o 'inferno são os outros', para o investidor em bolsa, contudo, vemos que os outros acabam por representar tanto o 'inferno', quanto o 'paraíso': de qualquer modo, os 'outros' sempre se revelam como a referência central para a ação e a tomada de decisão, certa ou errada, neste mercado ou neste 'jogo'..
Ao longo do trabalho, observamos que a 'racionalidade interdependente' é exercida - este 'jogo de estratégias' é jogado – a partir da tela dos computadores que equipam os investidores e os conectam aos mercados financeiros.
As telas são os 'artefatos apresentacionais' do mercado - como bem argumentaram Knorr-
Cettina e Brueger ( 2002) – uma vez que reúnem, tornam presentes e visíveis as decisões efetivas de todos participantes do mercado, através, por exemplo, dos lances de compra e venda, do movimento dos preços e dos volumes financeiros movimentados para cada ativo negociado, e as notícias e dados que impactam estas decisões, como a divulgação do PIB de um país, do balanço financeiro de uma grande empresa etc.
empíricas de exercer esta 'racionalidade interdependente': entre os conservadores, vimos as técnicas espontâneas e intuitivas de análise dos gráficos e acompanhamento do IBOVESPA, em Alberto e Carlos, o uso dos conceitos de análise fundamentalista, em Matheus e Flávio, o uso da análise grafista e, em Ricardo, a formulação de técnicas de day trade com 'micos' a partir da análise do comportamento dos outros investidores no book de negociações.
É verdade que nem todos entrevistados comparavam o exercício desta forma de racionalidade a um 'jogo', contudo, o que vemos é que todos representavam-na como a característica que singulariza a bolsa de valores face aos demais mercados.
O entrevistado que associa clara e diretamente esta 'racionalidade interdependente' a um 'jogo de estratégias' é o professor de bolsa, e investidor há cerca de quarenta anos no mercado, Márcio Noronha. Abrindo nossa entrevista, sem que eu lhe houvesse feito qualquer pergunta, ele já se adiantou:
Olha, pra começar, posso dizer que eu não acho que a análise fundamentalista seja
útil pra esse jogo, porque hoje em dia eu realmente tendo a ver o mercado como um jogo. Eu acredito que o preço das ações não tem nada a ver
com os fundamentos das empresas. Se eu fosse um empresário e fosse
comprar um frigorífico, como eu li hoje no jornal que a Friboi comprou, eu ia querer saber quantos bois há no estoque, quanto valem as fazendas, os ativos da empresa que eu estou comprando, porque este seria o negócio que eu teria que gerir, mas aqui [bolsa de valores] não se trata disso! O mercado simplesmente não responde dessa forma. Os investidores têm essa ilusão de que ao comprar ações da empresa X, eles dependerão do destino da empresa X, mas as coisas não funcionam dessa maneira.
Certa vez, em 2005, saiu a notícia de que a Vale tinha negociado um aumento de 70% no preço de exportação de seu minério de ferro com um de seus maiores clientes. Quem visse aquilo, pensaria:“ Bem a receita aumenta em praticamente 70%, se todos custos permanecerem inalterados, o lucro da empresa, também saltará cerca de 70%.” Ou seja, comprar ações da Vale pareciam, naquele momento, um excelente negócio. No entanto, ocorreu que, nos meses seguintes a esse anúncio, as ações da Vale
desvalorizaram-se em quase 50%! Então quem colocou 20 mil reais [em Vale] com base naquela notícia, no fim de alguns meses, retirou 10 mil! Depois disso, é lógico que a Vale voltou e até ultrapassou em muito aquele valor. Mas o fato é que o mercado não respondeu, como se esperava, àquele dado, ele funciona de outra forma Para ganhar dinheiro no mercado, você não precisa ficar olhando pra P/L, calculando o 'preço teórico' da ação, nada disso. Você precisa precisa perceber um ponto a partir do qual a ação pode dar uma boa subida e um em que essa subida provavelmente vai perder força, vai inverter, e para isso, você só precisa de um gráfico.
A partir do relato, a bolsa é vista como um 'jogo', diferente dos outros mercados ( diferença expressa no exemplo introduzido por “ Se eu fosse um empresário e fosse comprar um
Este jogo nem sempre responde a fundamentos objetivos - note-se o exemplo da queda das ações da Vale, logo após, entretanto, um reajuste de seu preço de exportação – porque, como afirma Noronha, ' ele[ o mercado de ações] funciona de outra forma.' Segundo o relato, a maneira mais adequada de apreender este funcionamento singular do mercado, e nele se orientar, é a análise dos gráficos e principalmente, como já vimos na análise sobre Noronha, através da identificação de 'suportes' e 'resistências' destes gráficos.
O entrevistado Matheus era, como vimos, também adepto da análise grafista. Ele representava o mercado como 'irracional', 'emotivo', um negócio mais para 'psicanalistas' e 'psiquiatras' do que para 'economistas', como ironizava, uma vez que ele sempre 'exagera, tanto pra cima, quanto pra baixo'. Neste sentido, Matheus também acreditava que os gráficos eram a melhor forma de tomar decisões no mercado. Não obstante, ele não deixava de notar que os gráficos não eram uma 'ciência', ou seja, eles eram os melhores instrumentos para encarar o mercado, mas não podiam ser reputados como infalíveis.
Noronha também trata desta incerteza inerente e incontornável à atuação em bolsa, associando novamente a bolsa a um jogo:
Tudo se resume a probabilidades. No mercado, infelizmente não há o 'absolutamente certo', o 'absolutamente seguro'. Quer dizer, não é infelizmente, porque se houvesse todos ganhariam e então o jogo não seria possível. O jogo não pode ser uma coisa em que todos ganhem. Tem que ser poucas pessoas ganhando de muitas para que faça sentido.
Realmente, todo jogo supõe 'vencedores' e 'perdedores' para que 'faça sentido'. Na bolsa de valores, esta exigência é, além de simbólica, também de ordem monetária e material, pois, como já dissemos, a bolsa não é uma fábrica – que acrescenta e/ou produz 'valor' – nem uma banco central, que tem poder de emissão de moeda, ou seja, o lucro do 'vencedor' é sempre e necessariamente o dinheiro que um ou muitos 'perdedores' tiveram como prejuízo, em suas operações mal-sucedidas.
Além da 'racionalidade interdependente', o caráter social da bolsa também é expresso por este fato. No fim das contas, ela se revela como um espaço de constante e dinâmica redistribuição de riqueza entre seus participantes, conforme erros e acertos dos mesmos neste mercado: o dinheiro não se cria, ele se transfere dos bolsos daqueles que erraram, para as mãos daqueles que acertaram.
Mas a visão do mercado como um 'jogo de estratégias', a consagrar a 'racionalidade
interdependente' entre seus participantes não existe apenas para os investidores que usam análise grafista, como Noronha e Matheus.
No capítulo 5, vimos o entrevistado Alberto afirmar que, dependendo da idade, o sujeito deve decidir se ele pode ou não 'jogar' na bolsa. Ao explicar como ele próprio desempenha este jogo, Alberto defende a análise dos fundamentos das empresas, expressas em seus balanços financeiros. Não obstante, Alberto enfatiza, como vimos, que de nada adianta uma empresa ter bons
fundamentos se o mercado não reconhece tal situação. Logo,como nos explicou, mesmo quando encontra bons fundamentos, ele ainda espera a ação subir um pouco, tomando a subida de preços como um sinal de que o 'mercado', ou seja, os demais investidores, também estão
'vendo', 'enxergando' estes fundamentos.
Assim sendo, a despeito das disputas entre adeptos dos gráficos e adeptos dos fundamentos, vemos que ambos buscam exercer a 'racionalidade interdependente': neste sentido, análise grafista e a fundamentalista são apenas, como sustentamos no capítulo anterior, diferentes 'linguagens de sinais' para a interpretação e a tomada de decisões na bolsa a partir da análise dos comportamentos e expectativas dos demais investidores, análise esta muitas vezes comparada a um 'jogo de
estratégias'.
Conclusão do capítulo.
Vimos, neste capítulo, que a associação do investimento em bolsa ao universo dos jogos emerge a partir dos três contextos ou situações argumentativas acima descritos, evocando o ato de investir em ações ora nos termos de um 'jogo de azar', ora nos termos de um 'jogo de estratégia'.
Ao longo deste capítulo, buscamos delinear os sentidos exatos que a invocação destas duas concepções de jogos assumem para cada um dos três contextos argumentativos descritos. Neste momento, como conclusão do capítulo, arriscaremos uma interpretação sobre o status geral da associação do investimento em bolsa ao universo dos jogos, a partir da célebre análise de Lévi- Strauss sobre o totemismo. Esta interpretação foi desenvolvida e também pode ser acompanhada em um artigo recentemente publicado ( BONALDI, 2010b)135.
Como buscaremos demonstrar, ao encarar a associação do investimento ao universo dos jogos, a partir das lentes de Lévi-Strauss, evitamos o erro de tomar os investidores como 'ingênuos' que não sabem distinguir um 'mercado' de um 'jogo': se o totemismo, como evidencia Strauss, traduzia o mundo social nos termos do mundo natural, sem a ingenuidade, contudo, de confundir estes
mundos, argumentaremos que os investidores também traduzem o investimento na linguagem dos
jogos, sem serem ingênuos ao ponto de não os perceberem como realidades distintas.
No célebre “Le Totemisme aujourd'hui”, Lévi-Strauss (1962a) argumenta que o totemismo toma a linguagem e o quadro de relações a partir dos quais o mundo natural é percebido, mobilizando-os para a estruturação da reflexão sobre o mundo social e para o processo de constituição das
identidades clânicas. Em outras palavras, esta operação mental, inscrita nas formas do totemismo, toma o vocabulário e as relações que tornam inteligíveis o mundo natural para desenvolver e organizar sua compreensão sobre o mundo social, percebendo e elaborando, no dizer de Lévi- Strauss, 'as similitudes entre as diferenças', observadas entre estes dois mundos eminentemente diversos.
Portanto, como o antropólogo fortemente insiste, o totemismo não confunde natureza e sociedade, ele não toma uma pela outra, não sendo, portanto, incapaz de reconhecer as distinções entre estes dois níveis de realidade. Ao contrário, o totemismo agiria como uma 'bricolagem intelectual' que toma a linguagem e as relações do mundo 'natural' como recurso para explicar, organizar e tornar inteligível o mundo 'social'.
Logo, como argumenta Lévi-Strauss, a bricolagem do pensamento selvagem não é ingênua, pois ela assume não uma relação de 'metonímia' entre natureza e sociedade – isto é, não confunde estes dois níveis de realidade – mas sim uma relação de 'metáfora', a partir da qual as formas de
classificação da natureza são apropriadas para se constituir formas de classificação da sociedade, sem que se confunda natureza e sociedade. Daí, a clássica formulação de Lévi-Strauss neste estudo: o totem não é bom para se comer, mas certamente é bom para se pensar136.
Uma operação cognitiva análoga parece se processar toda vez em que investidores evocam o mercado nos termos de um jogo. Ao associar o investimento em bolsa ao universo dos jogos, os investidores estão recorrendo a uma dimensão cultural presente, constante e familiar – justamente a dimensão dos jogos, sejam eles 'jogos de azar', 'jogos de estratégia' ou esportes de competição – para organizar sua visão e compreensão sobre um espaço sócio-econômico altamente complexo e pouco acessível aos não-iniciados, ou seja, o espaço das bolsas de valores.
Assim, em uma operação cognitiva similar à tradução, uma 'língua' com a qual se tem pouca familiaridade - a língua das bolsas de valores - é traduzida para uma 'língua' muito comum e familiar, a língua dos jogos.
Dois níveis de realidade traduzem-se uns aos outros, sem que se confundam. Neste sentido, a assertiva o 'mercado é um jogo' não pode ser encarada como uma metonímia, mas sim na condição
136 A célebre formulação visa comunicar que os interditos alimentares ao consumo da espécie que representa o clã não emanam de uma suposta crença ingênua de que haveria 'continuidade' entre as pessoas do clã e a espécie animal que o representa, pois, ao comparar e denominar grupos humanos a espécies animais, o totemismo está apenas
organizando sua intelecção e classificação da sociedade a partir de sua compreensão e representação do mundo natural.
de uma metáfora: ou seja, ela é justamente uma das operações cognitivas mais comuns e banais que empregamos, sempre que se faz necessário esclarecer e ilustrar uma experiência com referência a outra que lhe seja distinta, porém aproximável.
Deste modo, esta operação cognitiva, a partir da metaforização do investimento sob os termos oriundos do universo dos jogos, auxilia os investidores a tornarem inteligíveis uma esfera altamente complexa e a orientar suas ações e escolhas nesta esfera. Pois, como vimos, a associação aos 'jogos de azar' leva alguns investidores a definirem que quantia de dinheiro devem destinar ao
investimento em ações e como devem encarar este dinheiro ( 'um dinheiro que pode desaparecer, ou pode virar uma grana ferrada', como uma das entrevistadas dizia). A mesma associação aos 'jogos de azar' também pode servir para se definir quais operações ou tipos de ações o investidor não
negociará: operações e ações que relembrem 'jogos de azar' são estigmatizadas como tais e não são adotadas pelos entrevistados, que acionam tal estigmatização. Por fim, a associação do investimento em bolsa a um 'jogo de estratégia' desenvolve ou reforça a percepção de que a bolsa é um mercado singular, no qual o investidor deve tomar suas decisões em função dos comportamentos e das expectativas dos outros.
Concluí-se, do que acabamos de dizer, que a associação do investimento em bolsa ao universo dos jogos também é uma instância de modelação da ação econômica dos pequenos investidores, tanto como as demais instâncias que trabalhamos nos capítulos anteriores. Isto é, ela opera e se inter-relaciona com as redes sociais, as instâncias e agentes educacionais, as predisposições identitárias ao risco e os artefatos de 'performatividade' que equipam o pequeno investidor.
Um exemplo desta interação é encontrado no caso do entrevistado Mauro. Nele, a associação do investimento no 'lixão' da bolsa parece se coadunar a sua alta predisposição identitária ao risco, modelando seus investimentos, decididos sob a lógica de 'apostas'. Já para a entrevistada Sílvia que 'naturaliza' seu comportamento conservador ao relacioná-lo a sua condição de gênero, a metáfora de jogos opera de outro modo: como vimos, ao afirmar que a bolsa é como um 'cassino', uma 'roleta' , ela afirma restringir o dinheiro que investe em ações como forma de reduzir sua exposição aos riscos da bolsa, ao contrário de Mauro que prefere não se subtrair dos riscos deste mercado aproximável de um 'jogo de azar'.
Em suma, a metaforização do investimento em bolsa sob os termos do universo dos jogos é a última instância de modelação da ação econômica que apresentamos e exploramos na dissertação. No capítulo seguinte, de conclusão da pesquisa, buscaremos sintetizar que modelo de 'teoria da ação econômica' pode derivar da operação e das inter-relações entre estas instâncias, que apresentamos ao longo de todo o trabalho.
Capítulo 7 – Conclusão e síntese do argumento: Um modelo de explicação descritiva da ação e da cognição econômica.
Quando apresentamos a 'hipótese dos mercados eficientes' no capítulo 2, vimos que ela
sintetizava tudo o que o paradigma ortodoxo das ciências econômicas, aplicado à esfera financeira, tinha a dizer sobre bolsa de valores e os investidores que nela atuavam.
Partindo da defesa axiomática de que os agentes do mercado sempre e infalivelmente mostravam-se capazes de realocar seus capitais e alterar o preço das ações de acordo com as
notícias e eventos pertinentes, de um lado, os economistas ortodoxos estabelecem que os preços das ações seguem um 'caminhar aleatório' ( random walk) – ou seja, como não há qualquer lógica de preditibilidade sobre quando e como emergem notícias e eventos pertinentes ao mercado, também não haveria possibilidade lógica de conhecer o 'caminhar' dos preços de antemão. De outro lado, os mesmos economistas estabelecem, partindo do pressuposto sobre a perfeita eficiência do mercado, que um bom investidor é simplesmente aquele que persegue e alcança a rentabilidade média do mercado.
Ter uma rentabilidade sistematicamente maior que a média do mercado, 'bater o mercado', como se diz no jargão das bolsas, regularmente é visto como impossível ou algo que só se deixaria
explicar a partir da sorte137, na ótica da economia financeira neoclássica desenvolvida na academia a partir da segunda metade do século XIX. Deste modo, os economistas ortodoxos dedicaram-se, como vimos no capítulo 2, ao desenvolvimento de instrumentos e produtos financeiros que permitissem a qualquer investidor seguir a média dos mercados: um deles eram os fundos com as ações que representavam a maior parte da variação média do mercado e o outro era o 'beta' das ações.
Assim sendo, para os economistas ortodoxos, o problema do investidor na bolsa de valores estaria resolvido a partir do investimento nestes fundos, ou da administração de uma carteira de ações que possuísse um 'beta' equilibrado. Na ótica neoclássica, portanto, não haveria muito mais o que dizer sobre bolsas de valores, já que todas as tentativas de 'bater um mercado' eficiente e perfeito tem pouca chance de sucesso e, assim, todas as modalidades de análise desenvolvidas e
137 Mackenzie ( 2003) relata um interessante debate entre o festejado investidor Warren Buffet e um economista ortodoxo, no qual este economista compara o sucesso de Buffet na bolsa ao sucesso de indivíduo que, em uma hipotética competição de 'cara ou coroa' – na qual quem perdesse uma partida sai da competição e quem ganha avança até que sobrem apenas dois competidores - com outras 600 pessoas em uma sala, sagra-se campeão. O economista afirma que embora as chances estatísticas de ganhar 300 partidas seguidas de 'cara ou coroa', fossem pequenas, ao colocar 600 indivíduos em uma competição, um sempre deve sair como campeão. Face à
desqualificação de seu sucesso, Buffet foi irônico afirmando que talvez ele jogasse 'cara ou coroa' melhor do que outras pessoas.
adotadas por praticantes do mercado – como a análise grafista e fundamentalista – representariam meras ilusões pseudo-científicas.
Neste sentido, é possível afirmar que o paradigma ortodoxo da economia financeira nega o problema da ação e da cognição econômica entre investidores em bolsa de valores, na medida em