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E-Modülü Değerinin Elde Edilmesinde Kullanılan Değişik Yöntemler

2 BETONDA ELASTİSİTE KURAMI

2.1 E-Modülü Değerinin Elde Edilmesinde Kullanılan Değişik Yöntemler

O setor privado tem sido o maior promotor dos projetos implantados pelo PMCMV. Seus agentes têm mantido uma íntima relação com o Estado, que ao desempenhar seu papel com a elaboração, a aprovação e a legitimação do programa em esfera nacional, bem como facilitando a sua implantação nas demais escalas espaciais (estadual e municipal), vem oferecendo garantias de viabilidade e lucratividade dos projetos para esse setor.

Desde quando passou a participar do PMCMV, em 2009, a Prefeitura Municipal de Patos (PMP), através da SEDEHAB, vem realizando o cadastro das famílias que buscam

59Essa informação sobre a intenção da construtora JGA de propor a construção da terceira etapa do Vista da Serra foi obtida em entrevista com o engenheiro residente responsável pela obra. Data da entrevista: 27 de setembro de 2013.

obter a casa própria através do programa. De acordo com essa Secretaria, atualmente, existe cerca de 9 mil cadastros. Contudo, segundo o atual secretário de habitação, esse número não corresponde à realidade, porque foram identificados vários casos de famílias duplamente ou multiplamente cadastradas, pois, na ânsia de ser contemplados, todos os componentes da família se cadastravam supondo aumentar as possibilidades de receber a casa mais rápido. Assim, com o intuito de evitar esses problemas e gerir melhor essas informações, a SEDEHAB passou a investir na informatização e na modernização do cadastro, o que possibilitará mais precisão sobre qual é a real demanda habitacional de Patos.

Além do cadastro, a PMP tem tentado atrair um número maior de empreendimentos por parte das construtoras para conjuntos populares pelo PMCMV, fato que levou o governo municipal a elaborar e instituir o Programa Municipal de Desoneração Tributária, através da Lei nº 4.055/2011. Em entrevista com o atual secretário de habitação, observamos que um dos principais motivos por que a própria prefeitura não apresenta projetos é o fato de não dispor de terrenos para a construção das casas nem de recursos para adquiri-los, tendo em vista os elevados preços. Questionado sobre a possibilidade de utilização do instrumento jurídico da desapropriação de terrenos vazios que não têm cumprido sua função social, o secretário não apresentou nenhuma proposta concreta60.

Nesse sentido, cabe questionarmos sobre qual tem sido o papel do governo municipal na implantação do PMCMV em Patos. Sabemos que o programa pode ser acessado através de diversas modalidades. Cardoso e Aragão (2011, p. 91) mostram que

[...] existem linhas de crédito para construtoras, para cooperativas (o MCMV Entidades), para produção em áreas rurais e para cidades com menos de 50 mil habitantes. Os recursos do programa destinados às famílias com renda entre zero e três salários mínimos são concentrados no Fundo de Arrendamento Residencial (FAR) e distribuídos pela Caixa Econômica Federal, a partir de avaliação dos projetos submetidos pelas empresas ou entidades. Cabe ao poder público municipal, nesse modelo, a aprovação dos projetos e organização da demanda, para as faixas de 0-3 SM, através da realização de cadastros com o estabelecimento de prioridades de atendimento. Os cadastros são encaminhados à Caixa que faz a distribuição das unidades dentro dos empreendimentos aprovados para aquela faixa de renda.

Os autores apontam, ainda, que há uma exceção e nesse modelo quando os governos municipais ou estaduais doam o terreno ao FAR, o que contribui para que o poder público

60Entrevista realizada com o Secretário de Desenvolvimento Econômico e Habitação de Patos, em 13 de setembro de 2013.

defina, entre outros elementos, a localização do projeto. Às construtoras cabe, meramente, executar a obra. No caso de Patos, o governo local tem se limitado a organizar a demanda e a aprovar os projetos, com ressalva para o que foi proposto pela CEHAP que, dispondo de um terreno, elaborou um projeto e lançou edital de licitação para a seleção da construtora executora da obra. No entanto, não é porque o governo estadual foi o promotor do projeto, nesse caso, que o conjunto habitacional terá uma localização melhor do que os demais, visto que, da mesma forma que os outros, ele também será construído em área periférica da cidade, carente, principalmente, da oferta de serviços básicos, principalmente transporte público.

Uma das exigências do PMCMV é a priorização de projetos cuja localização das unidades seja a mais próxima possível de áreas urbanas já consolidadas e/ou contenham as condições mínimas necessárias à moradia. Contudo, já vimos que, na prática, isso não acontece. Em Patos, a infraestrutura mínima exigida pela CEF para a aprovação e a execução dos projetos é disponibilizada, em sua maioria, com recursos do governo do estado, através da CEHAP, que se propõe a construir os equipamentos comunitários, obras complementares de pavimentação, drenagem, abastecimento de água, reservatórios elevados, adutoras ou esgotamento sanitário etc. É o que expressa um funcionário da Companhia:

Assim, aconteceu, recentemente, com a implantação da Adutora que alimentará o Conjunto Residencial Nossa Senhora da Penha em Mamanguape (597 casas – PMCMV); está acontecendo em Campina Grande, com a implantação de uma Adutora e de um Reservatório Elevado que abastecerão as 1.948 unidades habitacionais em construção nos loteamentos Acácio Figueirêdo e Raimundo Suassuna (PMCMV). Além disso, nesses mesmos loteamentos serão construídos dois centros de saúde e duas escolas. Também, na cidade de Patos, onde foi implantada a Pavimentação de acesso e das vias internas do conjunto Residencial Vista da Serra (132 casas), acontecerá, com a construção de um reservatório elevado e a implantação de uma Adutora, para beneficiar o Conjunto Residencial Itatiunga, onde estão sendo construídas 770 casas, através do Programa MCMV, dentre outras cidades. (parte de um texto enviado por um funcionário da CEHAP em outubro de 2013)

Sabemos, no entanto, que essas obras são muito mais onerosas do que deveriam ser, porque aquela exigência acerca da localização dos conjuntos não vem sendo cumprida, o que gera a necessidade de se implantar não uma infraestrutura complementar, mas uma infraestrutura até então inexistente. Além das obras de infraestrutura, a CEHAP está promovendo projetos de conjuntos habitacionais, doando terrenos próprios do governo do Estado ou adquirindo esses terrenos e lançando editais de licitação para o chamamento de

empresas interessadas em realizar as obras. Essa necessidade de produzir habitação, que é regida ora pela convergência ora pela divergência de interesses político-partidário, dissociada de uma efetiva política de desenvolvimento urbano e de um controle e regulação da expansão territorial da cidade, somando-se à legitimidade que assumiu o PMCMV em nível nacional, “fizeram com que as administrações locais se tornassem meros coadjuvantes desse processo, atuando mais no relaxamento dos controles do que de uma regulação efetiva” (CARDOSO e ARAGÃO, 2011, p. 91).

A Constituição de 1988 conferiu aos municípios um papel muito importante, que é o de conduzir a política territorial e urbana, através da elaboração de planos diretores e leis de uso e ocupação do solo. Posteriormente, com o Estatuto da Cidade, foram criados os instrumentos necessários para promover mais equidade social e territorial nas cidades, e a PNH, através do SNHIS e do FNHIS, construiu a estrutura institucional e financeira necessária para consolidar uma política habitacional que atendesse realmente à demanda existente. Contudo, todas essas estratégias previstas e muito bem construídas foram pouco consideradas na implantação do PMCMV. Se, de um lado, foram aceleradas as decisões do governo federal sobre as propostas lançadas no PlanHab no eixo financeiro (BONDUKI, 2009), de outro, não foram adotadas as medidas consideradas indispensáveis na implantação de uma política habitacional, ou seja, não foi promovida a integração dessa política com as políticas fundiárias e de desenvolvimento urbano. Não por acaso, tem-se observado uma intensificação do processo de periferização na maioria das cidades em que o PMCMV foi/está sendo implantado.