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BÖLÜM 2: II. DÜNYA SAVAŞI SONRASI AVRUPA’YA AMERİKAN YARDIMI AMERİKAN YARDIMI

2.2. Marshall Planı

2.2.9. E.C.A.’nın Kuruluşu ve İşlevi

Uma das políticas prioritárias do governo italiano na época da transição analógico- digital da TV foi investir em projetos de t-Government. A justificativa utilizada era que esta seria uma maneira para permitir às pessoas, através da interatividade, conhecerem melhor a administração pública e os serviços oferecidos por ela. Em quase todo o país foram experimentados diferentes projetos nesse sentido, realizados graças a cofinanciamentos governativos oferecidos através do Centro Nacionale per l'Informatica nella Pubblica

Amministrazione (CNIPA)150. A execução dos mesmos contou com parcerias entre universidades, radiodifusores e centros de informática.

Somente em 2004, a primeira chamada pública do CNIPA151, denominada Sviluppo di

Servizi di E-Gov sulla Piattaforma Digitale Terrestre152, destinou 7 milhões de euros para propostas de aplicações interativas para a TV, dedicadas a serviços de utilidade pública. Para esta chamada foram classificados 29 projetos153 de quase todas as regiões da Itália. Dentre eles, em segundo lugar na classificação geral, estava o PROgetto Digitale Terrestre (PRODIGIT), proposto pela Prefeitura e Província de Roma e pela Região do Lácio, por meio do LAit S.p.A, uma sociedade para a informática regional, que recebeu a colaboração do

Dipartimento de Sociologia e Comunicazione da Università "La Sapienza", da Rai e da

empresa Telespazio154. O PRODIGIT, que teve um custo total de execução estimado em 2.570.000 euros, conseguiu o cofinanciamento do CNIPA no valor de 525 mil euros e, como resultado, gerou o aplicativo T-Informo. O público-alvo do projeto eram pessoas de 45 a 65 anos, com pouca familiaridade com o computador, por isso uma das exigências do CNIPA era que a interface do aplicativo fosse amigável e de simples acesso. Para a sua execução foram distribuídos quatrocentos conversores às famílias participantes. Toda a experiência foi

150 O CNIPA foi mais tarde extinto e substituído pela Agenzia per l'Italia Digitale (AgID). 151 A chamada foi publicada em 21 de junho de 2004, na Gazzetta Ufficiale, n. 143.

152 CNIPA. La Televisione Digitale Terrestre - Progetti per la Pubblica Amministrazione. Disponível em: <http://archivio.cnipa.gov.it/site/_files/Opuscolo_DTV.pdf>. Acesso em 27 ago. 2014.

153 Os temas explorados pelas propostas eram, em sua grande maioria, dedicados ao trabalho e emprego

(pesquisa de centros de formação profissional, de orientação profissional e Bolsa Trabalho), à saúde

(agendamentos de consultas médicas e serviços de emergência por telefone), à assistência social (Unidade Móvel de Atendimento ao Cidadão, serviços de orientação e informação aos idosos e assistência doméstica), ao turismo, a eleições e a atividades institucionais relacionadas à administração pública. O público-alvo era, principalmente, idosos, pessoas com deficiência, trabalhadores desempregados, alunos, pais com crianças em idade pré-escolar e turistas.

154 A Rai, enquanto broadcaster, projetava, desenvolvia e transmitia as aplicações. O Telespazio, por sua vez, disponibilizou o seu Centro de Serviços para arquitetar o canal de retorno, fundamental para a execução de alguns serviços na plataforma. A Sapienza, sob a coordenação do professor Alberto Marinelli, ficou à frente do plano editorial, da interface do aplicativo e fez o monitoramento do seu uso.

monitorada e acompanhada por pesquisadores, que verificaram junto a quatrocentos participantes a eficácia da usabilidade das interfaces do aplicativo e o índice de satisfação gerado pelo T-Informo, através de questionários aplicados e da realização da técnica de pesquisa Focus Group (através da qual poderiam trocar experiências vivenciadas com o uso do aplicativo e confrontar suas opiniões), e testes de usabilidade em laboratório. Os seis temas escolhidos para os serviços oferecidos foram: Atualidade, Saúde e Sociedade, Escola e Trabalho, Turismo e Cultura, Mobilidade e "O que fazer para", este último era um guia prático para conhecer melhor os serviços da Prefeitura de Roma, como a emissão de identidade e a coleta de lixo pesado. Com o T-Informo era possível ter acesso, por meio do canal Rai 3, a informações meteorológicas regionais, notícias sobre espetáculos teatrais e eventos culturais de forma geral e sugestões para atividades turísticas; ter acesso a ofertas de cursos profissionalizantes, a informações sobre os postos de trabalho existentes na região do Lácio e a informações sobre horários de expediente de farmácias e notícias institucionais do governo local. Também se podiam conhecer fatos curiosos sobre o cotidiano de Roma. O projeto alcançou na época um grande êxito, obtendo um bom nível de uso e satisfação da parte dos participantes, chegando, inclusive, a ganhar um prêmio pelos quesitos interface, conteúdos e linha editorial155. Era possível agendar consultas médicas, ser atualizado sobre a lista de espera para vagas em creches e maternais do município e localizar hospitais e centros de idosos de Roma.

155 O prêmio intitulado LA P.A. Che si vede - la TV che parla con te foi oferecido pela associação Formez P.A.

em colaboração com a Associazione Italiana della Comunicazione Pubblica e Istituzionale, durante o Salone Europeo della Comunicazione Pubblica, dei servizi al cittadino e alle imprese, realizado em Bolonha, em 2006.

Figura 235 – Interface principal do T-Informo Figura 246 – Serviço de informação turística

municipal

Fonte: Dipartimento di Comunicazione e Ricerca Sociale – Sapienza (2006)

Figura 257 – Serviço de assistência sanitária Figura 268 – Serviço de mobilidade urbana Fonte: Dipartimento di Comunicazione e Ricerca Sociale – Sapienza (2006)

Dos 400 participantes entrevistados no final do projeto, 71,3 % consideraram o T- Informo "bom" e 10% "suficiente", quando a avaliação era sobre a utilidade das informações e dos serviços ofertados. Sobre o quesito facilidade de uso, 59,4% disseram que o nível também era "bom" e 27,1% "suficiente". Além disso, 45% informaram ter usado o aplicativo, e desta parcela somente 23% utilizaram os serviços interativos considerados mais complexos, ou seja, aplicativos que exigiam canal de retorno, porque, para acessá-los, era necessário conectar o conversor à tomada do telefone (LOCCI, 2006). Algo a se concluir do resultado do processo de avaliação do T-Informo é que nas preferências e expectativas quanto ao serviço de transmissão digital terrestre, numa escala de dez opções, em primeiro lugar estava o

interesse por uma melhor qualidade de vídeo, em segundo um interesse por um maior número de canais, em terceiro, o interesse por serviços da administração pública, em quarto, o interesse pelo guia de programação eletrônico, e somente em quinto lugar, o interesse por serviços interativos. Na pesquisa Focus, os envolvidos pediram mais rapidez de resposta dos serviços pelo canal de retorno e um feedback imediato quando o controle remoto fosse acionado.

Apesar desses projetos-pilotos, a interatividade na televisão não vingou na Itália e, até onde pesquisei, em nenhum outro país da Europa, nem mesmo no Reino Unido. Tanto a equipe do T-Informo quanto tantas participantes de outros projetos cofinanciados pelo CNIPA, pesquisadores e profissionais da TV entenderam que esse não era o melhor caminho para se alcançar a inclusão digital. Muitos problemas foram enfrentados no decorrer do processo, seja de cunho tecnológico, seja de cunho prático, pelas próprias limitações da televisão. O canal de retorno156 escolhido e o próprio middleware MHP traziam limitações ao processo. O ato de desplugar o telefone da tomada para conectar a TV foi em si um grande empecilho, ainda que as pessoas pagassem um custo simbólico para acessar a plataforma interativa, o equivalente a uma chamada telefônica local. A resposta do canal de retorno era lenta. A oferta de interatividade requeria a reserva de parte da banda para isso, e na época os

broadcasters preferiram alugar o espaço ou criar novos canais a investir em serviços de

aplicações interativas. O Instituto Piepoli, em 2007, realizou uma pesquisa encomendada pelo CNIPA, e constatou que, dos 10% dos italianos que usavam a televisão digital terrestre, na época, 2% acessavam os serviços da Administração Pública e, quando o faziam, no máximo procuravam alguma informação (PATTI, 2007). Uma pesquisa semelhante também foi aplicada no Reino Unido, na época, e chegou à mesma conclusão, segundo os professores Richard Griffiths e Lyn Pemberton (2014)157, da Universidade de Brighton.

No final, nem as aplicações interativas oferecidas pelos órgãos públicos nem aquelas dos canais privados relacionadas à programação conseguiram atingir um nível de audiência que justificasse a continuidade da proposta, nem mesmo aquelas de publicidade. Essa onda interativa via canal de retorno da TV permaneceu na Itália até o ano de 2009. O que sobreviveu, e é bastante acessado pelas pessoas atualmente, foi o Guia Eletrônico de Programação (EPG). Isso porque ele aumenta a liberdade de escolha dos canais e permite o

156 "Os serviços experimentais usam a interatividade síncrona - relacionada com o conteúdo transmitido no

momento; e interatividade assíncrona – independente. A assíncrona exigia um canal de retorno, ou seja, uma conexão entre o decoder e o fornecedor da aplicação ou serviço. Ela poderia se realizar de uma única forma: conectando o decoder à linha telefônica." (SIGISMONDI, 2014).

agendamento e gravação de programas, ou seja, acompanha este novo momento em que o público tem exigências cada vez mais não lineares. Uma nova tendência na Itália, assim como em vários países do mundo, é a utilização de aplicativos de segunda tela, que vieram com as

Smart TVs, muito recentemente, e o acesso a conteúdos das Over-the-top TVs (OTT TVs),

que têm conquistado cada vez mais público, como um modelo que proporciona maior liberdade no ato de assistir TV.

Figura 279 – Guia de Programação Eletrônica da Rai 5 Fonte: Elaboração da autora. Data: 26 dezembro de 2014

Acessar serviços interativos por meio da transmissão televisiva, principalmente numa época em que a banda larga ainda estava chegando, além de ser algo extremamente oneroso, era inconveniente, quando a internet conseguia realizar esses serviços de forma rápida, simples e com um baixo custo. Viabilizar um sistema como esse exigia uma grande mão de obra e altos investimentos, equipes multidisciplinares precisavam ser mobilizadas para pensar e desenhar as interfaces dos aplicativos, programá-los, transmiti-los, alimentar os seus conteúdos e atender às mensagens do canal de retorno, se fosse preciso. Com a chegada do

Smarthphone ao mercado, e a sua massificação, essa tem sido a alternativa para se fazer a

inclusão digital defendida por muitos especialistas, inclusive por aqueles com quem conversei. Abaixo, trago alguns trechos de profissionais da área de televisão e pesquisadores italianos que acompanharam a fase de implantação do projeto da TV interativa em seu país.158

O controle remoto como único dispositivo de input era extremamente limitado, isto é, não adaptado para a digitação e, além disso, a interatividade no STB fornecia uma experiência pobre, lenta e complexa. Tínhamos um

STB ainda pouco maduro tecnologicamente para fazer aplicações interativas. E aos problemas de ordem tecnológica foram adicionados outros aspectos, mais ligados ao mundo televisivo. (BALBONI, 2014, entrevista apêndice G- 6, tradução nossa).

A televisão interativa na Itália com o digital terrestre nunca teve sucesso. [...] Além disso, a internet estava alavancando-se muito rapidamente, então para tantas famílias era muito mais cômodo sentar-se diante de um monitor, com um teclado e um mouse para acessar os serviços bancários, de cartórios e da prefeitura. Era muito melhor do que estar num sofá com um controle remoto nas mãos e um televisor a dois metros de distância para conseguir digitar o próprio nome e sobrenome num formulário. [...] Os anciãos preferiam levantar o telefone e ligar para um número, mesmo a pagamento, para falar com uma voz humana que lhes oferecesse o mesmo serviço. [...] Havia um cálculo feito em 2008/2009, ou seja, na metade da passagem entre o analógico e o digital, de uma pesquisa que dizia que na Itália a televisão interativa era utilizada mais ou menos por 2 ou 3 por cento de todos aqueles com decoder. Literalmente todo o dinheiro investido nisso estava sendo jogado fora. [...] A TV digital interativa pode ser útil a regiões agrícolas, onde é difícil chegar a internet, mas não traz milagres. Um smartphone é muito mais eficiente do que um controle remoto. Eu não acredito que a interatividade se sustente enquanto tal, mas somente se pensada numa ótica de sistema televisivo integrado, onde haja o decoder que se conecte diretamente via broadband à internet para levar serviços sobretudo televisivos, inovativos. Conteúdos OTT, sim, naquele caso é útil, mas se você pensa em fazer serviços interativos com t-banking e home shopping no televisor, não irá a nenhuma parte. O fato de a limitação tecnológica ter sido importante levou ao falimento do projeto. Não conseguimos segurar até a chegada do broadband, uma vez que a conexão contínua da banda passante muito mais ampla chegou a partir de 2010. A interatividade se tornou serviço de vídeo sob demanda, basicamente. (GARDIN, 2014, entrevista apêndice G-3, tradução nossa).

Aqui as instituições investiram pouco, mas investiram alguma coisa, faltou a tecnologia que sustentasse a operação, que era realmente muito lenta, teria funcionado se tivesse sido feita quatro ou cinco anos depois, em 2011. Os STBs e os televisores Smart teriam permitido um uso mais robusto. E depois devo dizer uma outra coisa: tablets e smartphones prestam-se muito a esse serviço de interatividade, as pessoas têm a possibilidade de usar o teclado, que é muito mais cômodo. Tivemos barreiras também de usabilidade. A gente tentou de tudo, fez experimentos com o teclado na tela e não deu certo. Essa é uma barreira importante. Para o serviço de vídeo sob demanda a gente pode dizer que esse tipo de interatividade no televisor deu certo e ainda está indo muito bem. Mas se você olha para o widget e o gadget da Smart TV, ainda são muitas as aplicações não usadas de forma significativa, ainda é pequena a cota porque os televisores devem se tornar mais potentes e possuir interfaces mais amigáveis para os usuários. Por exemplo, uma coisa que se faz agora é ter uma APP que comanda o televisor, e você usa um teclado para dar comandos ao televisor, funciona bem, mas ainda estamos no início. (SIGISMONDI, 2014, entrevista apêndice G-4, tradução nossa).

Tudo dependia de uma janela de oportunidades, e a TV digital interativa deveria chegar logo, pois no momento em que chegasse a banda larga arriscava-se a que não houvesse mais serventia. Na União Europeia a inclusão social era um tema fundamental. Existem documentos datados de

2001 e 2002 que são muito inclinados a esse tema. Além do mais, essa escolha de levar os serviços aos cidadãos através da TVD terrestre tornava- se também um tipo de justificativa para poder financiar ou cofinanciar publicamente o decoder. [...] Quantas são as aplicações que você encontra na internet? Tantas! O número de sites que oferecem serviços para o número de serviços que existem em cada site é potencialmente ilimitado, seja em número de provedores de serviços, seja em número de serviços. Então, no momento em que você leva para a casa dos telespectadores a rede de internet, esse modelo quebra, porque é limitado quanto aos serviços que oferece e você, tendo internet à disposição, tem uma plataforma onde se pode ver tudo. (TRIGILA, 2014, entrevista apêndice G-1, tradução nossa).

Antes, na Itália, tínhamos a ilusão e a ambição de usar a transição para o digital como a alfabetização digital, e então descobrimos que a primeira coisa que as famílias queriam era conectar o STB à TV para que funcionasse como antes. Depois se davam conta de que a televisão funcionava um pouco melhor do que antes, porque a qualidade era um pouco melhor e porque começavam a surgir novos canais. [...] Existem famílias que têm uma TV e não têm um smartphone ou um tablet, mas essas são realmente as mais difíceis de convencer a usar um serviço interativo. Digo isso com base na experiência da Itália e em minha opinião – alguém que foi presidente da associação que fazia a transição. [...] Os serviços interativos oferecidos aos cidadãos têm uma boa história para contar, mas não produzem resultados porque existe coisa melhor. Se você quiser oferecer um serviço interativo para o cidadão, invista no smartphone, no tablet ou no computador, são muito mais amigáveis para o usuário. (DE CHIARA, 2014, entrevista apêndice G-2, tradução nossa).

Todos esses desafios foram enfrentados não somente na Itália, mas em todos os países que experimentaram a ferramenta na época. O próprio Reino Unido, com toda a estrutura que tem a BBC, o seu canal público, deixou de investir na ferramenta. A BBC hoje em dia oferece pela TV somente uma plataforma, sem canal de retorno, com guia de programação e serviços de videotexto159, como veremos mais adiante. Mas, antes disso, vou falar rapidamente de outra tentativa frustrada experimentada na televisão digital italiana, que são os canais Rai Utile e DOC Futura. Eles foram lançados pela Rai para experimentar as possibilidades da multiprogramação e interatividade da TV digital. Nasceram como propostas abertas para proporcionar um espaço alternativo ao público jovem (Rai DOC/Futura) e ao cidadão comum (Rai Utile), de forma diferenciada dos canais tradicionais. Rai Doc-Futura foi lançado em 2005, com uma grade de programação dedicada à alta cultura (literatura, festivais, música alternativa), à criatividade juvenil e aos jovens talentos. O canal foi fechado e acabou sendo substituído, apenas dois anos depois, pelo Rai Gulp, um canal infantil.

159 Inclusive, muitas pessoas com quem conversei na própria Itália e Inglaterra me afirmaram que nunca acessam os serviços de videotexto ou interatividade, pois preferem procurar na internet (no tablet, computador pessoal ou

Figura 28 – Serviço de Interatividade na Rai Utile

Fonte: CENTRO RICERCHE E INNOVAZIONE TECNOLOGICA (2005)

O canal Rai Utile, por sua vez, foi ao ar no dia 25 de outubro de 2004160 como o canal da cidadania italiana. Explorava temáticas de utilidade pública: trabalho, família, consumo, meio ambiente e cultura (tempo livre) e sociedade civil (que incluía, também, política e segurança pública, trânsito e problemas urbanos).161 Oferecia um espaço para agentes da administração pública e, em sua programação diária, três vezes por dia exibia um jornal produzido pela Tele P.A. que trazia notícias de interesse dos funcionários públicos. Em 31 em dezembro de 2007, o canal também parou de transmitir162. Ambos os canais não conseguiram atingir um índice de audiência que justificasse a sua existência. A Rai Utile, por exemplo, estava sempre com zero163 ou próximo de zero164, nas estatísticas da Auditel165. Como esses canais experimentais não conseguiram atingir as expectativas da emissora, não foram mantidos no ar, por um motivo simples: para as grandes empresas de comunicação, a existência de um canal de TV está condicionada à audiência, mesmo em se tratando de uma emissora pública, pelos altos custos que a produção de programas e a construção de uma

160 REGIONI.IT. Presentato il progetto “Utile T-Gov” alla presenza del responsabile dell’Uoa Fondi Vincenzo Falcone. 29/11/2005. Disponível em: <http://www.regioni.it/dalleregioni/2005/11/29/presentato-il- progetto-utile-t-gov-alla-presenza-del-responsabile-delluoa-fondi-vincenzo-falcone-200138/>. Acesso em: 2 nov. 2014.

161 CENTRO RICERCHE E INNOVAZIONE TECNOLOGICA (CRIT). Elettronica e Telecomunicazioni. La Televisione Digitale Terrestre a Due Anni dall'avvio, n. 3. dez. 2005. MB&NS. Disponível em:

<http://www.crit.rai.it/eletel/2005-3/53-3.pdf>. Acesso em: 2 nov. 2014.

162 DIGITAL.SAT. Rai Utile chiude, nascono un canale giovane e RAItalia. 19/10/2007. Disponível em: <http://www.digital-sat.it/ds-news.php?id=12069>. Acesso em: 2 nov. 2014.

163 IL GIONALE.IT. Rai Utile, la rete record da zero spettatori. 26/10/2007. Disponível em: <http://www.ilgiornale.it/news/raiutile-rete-record-zero-spettatori.html>. Acesso em: 2 nov. 2014. 164 MILLECANALI. TV digitale interattiva: un libro dei sogni. 19/12/2007. Disponível em: <http://www.millecanali.it/TV-digitale-interattiva-un-libro-dei-sogni/>. Acesso em: 2 nov. 2014. 165 Auditel é a empresa que contabiliza e analisa os índices de audiência na Itália, assim como a Barb (Broadcasters' Audience Research Board), na Inglaterra, e o Ibope, no Brasil.

grande de programação demanda. Assim, ficou entendido que internet seria um caminho mais eficaz e econômico para se levar informações de utilidade pública e divulgar a cultura alternativa, principalmente com a chegada da banda larga, que ampliaria o acesso dos cidadãos a essa plataforma por meio de diferentes dispositivos.

Apesar da desventura da Rai DOC/Futura e da Rai Utile, muitos formatos conseguiram sobreviver na televisão ao longo dos últimos trinta anos, como aqueles dos programas de auditório, telenovelas e de telejornalismo, mas também posso falar de uma ferramenta que sobreviveu na TV italiana, e em outras praças, mesmo sem grande destaque, à "evolução" da televisão: o teletexto. Ele conseguiu sobreviver, inclusive, à chegada da interatividade, e só ganhou com isso, graças a uma especificação chamada Superteletext. Com a TV digital interativa, o serviço ganhou um formato mais dinâmico, uma melhor resolução