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Staj Eğitiminin Öğrencilerin Mezuniyetleri Sonrasında Geleceğe Bakışlarına Etkisi İle İlgili Bulgular

BÜRO YÖNETİMİ ÖNLİSANS PROGRAMLARINDA STAJ EĞİTİMİNİN ÖNEMİNE İLİŞKİN ARAŞTIRMA

2.10. Elde Edilen Bulgular Ve Yorumlar

2.10.7. Staj Eğitiminin Öğrencilerin Mezuniyetleri Sonrasında Geleceğe Bakışlarına Etkisi İle İlgili Bulgular

A título de conclusão desta tese, reafirmo o desejo de poder contribuir com as investigações acerca da construção da figuratividade, especialmente de metáforas e de metonímias, a partir da leitura integrada de textos verbal e não verbal de histórias em quadrinhos. Para tanto, à luz da TNL, propus um modelo de descrição e análise dessas construções figurativas a partir da leitura de fragmentos da HQ V de vingança. Nesse percurso, busquei alcançar objetivos que, por sua vez, foram construídos a partir de algumas questões norteadoras desta pesquisa, as quais busco responder nos próximos parágrafos com base no referencial teórico e na análise dos dados.

A primeira pergunta motivadora desta pesquisa diz respeito à natureza dos mecanismos cognitivos envolvidos no processo de construção da figuratividade durante a leitura de HQ e também ao modo como essas estruturas mentais são ativadas. Ratifico que os mecanismos cognitivos envolvidos no processo de construção da figuratividade durante a leitura de HQ são os esquemas – que podem ser imagéticos e/ou de ação, a depender da natureza da simulação (que pode ser perceptual e/ou motora) – e os frames. Nesse ponto, é importante ressaltar que Lakoff e Johnson (1999), por exemplo, já chamavam a atenção para a participação dessas estruturas na construção de metáforas e metonímias, e que Narayanan (1997) já mencionava a ativação dos esquemas-X como parte integrante de processos de construção de sentido. Quanto ao modo como esses mecanismos cognitivos são ativados, penso que, a partir da leitura concomitante dos textos verbal e não verbal, o leitor simula experiências pelo fato de ativar esquemas e frames a elas concernentes, e o resultado dessa simulação são espaços mentais compostos pelos circuitos neurais em questão. Essa hipótese da simulação também não é novidade, e algumas considerações sobre ela podem ser vistas no trabalho de Bergen (2005). Faltava, porém, um refinamento em termos de descrição dos espaços mentais e dos circuitos que os compõem, objetivo que, a meu ver, foi alcançado nesta tese.

Outra questão se concentrava na maneira como ocorre a construção de metáforas e de metonímias a partir da leitura integrada das imagens e das palavras que compõem uma HQ. Quanto a isso, chamo a atenção para a importância que a ativação dos circuitos de ligação parece ter quando se trata da integração de pistas textuais, bem como das estruturas mentais envolvidas em um processo de construção de sentidos, sejam eles figurativos ou não. Lakoff (2008) defende que esses circuitos estão na base, inclusive, dos mapeamentos metafóricos e

metonímicos, e penso que a análise aqui apresentada reforça a plausibilidade dessa premissa. O que tenho a acrescentar com relação a essas ligações é a aparente tendência à ativação de esquemas específicos, guiada por certas particularidades – especialmente as de natureza gráfica – das HQ. Sobre isso, tecerei algumas considerações durante a retomada dos aspectos mais importantes da análise.

A terceira questão norteadora da pesquisa tratava dos mecanismos envolvidos na construção da figuratividade: seriam eles os mesmos acionados durante a compreensão do não figurativo? Apoiada nos trabalhos de Gibbs (1994), Lakoff e Johnson (1999) e Bergen (2005), reafirmo que as mesmas estruturas cognitivas são ativadas em ambos os casos. Metáforas e metonímias são fenômenos concernentes às práticas cotidianas da linguagem e, assim como outros construtos linguísticos, refletem o que se constrói e o que se ativa, na cognição humana, a partir das experiências físicas e socioculturais que vivenciamos. Com base nesse entendimento, que norteia a análise apresentada nesta tese, é plausível a compreensão de que os processos de simulação mental se relacionam com a construção de sentidos figurativos do mesmo modo que ocorre com os não figurativos.

Esta pesquisa buscou, ainda, dar conta da seguinte pergunta: até que ponto os processos envolvidos na construção de metáforas e de metonímias se assemelham uns aos outros ou se distinguem? Penso que a compreensão, explicitada no parágrafo anterior, de que há similaridades nos processos de construção da linguagem em decorrência de eles se fundamentarem nas mesmas vivências que experienciamos enquanto seres dotados de certa configuração física e participantes de determinadas práticas sociais e culturais é suficiente para se concluir que os processos envolvidos na construção de metáforas e metonímias são os mesmos. Ademais, esses processos ocorrem concomitantemente, posto que os circuitos metafórico e metonímico se interligam e são ativados à medida que o contato com as pistas textuais conduz o leitor à ativação dos circuitos neurais concernentes às experiências evocadas durante a leitura. Cabe, porém, lembrar que, embora ensejadas pelos mesmos mecanismos mentais, metáfora e metonímia são processos diferentes. Na metáfora há, necessariamente, a presença de dois domínios distintos, um de natureza mais concreta e outro de natureza mais abstrata; esses domínios contêm atributos entre os quais ocorrem mapeamentos, de modo que o domínio mais abstrato é conceptualizado em termos do mais concreto. Já a metonímia se caracteriza pela relação assimétrica (em que um atributo é

identificado em termos de características do outro) entre dois atributos que fazem parte de um único domínio.

Por fim, a pesquisa culminou com a proposição de um modelo de análise de textos multimodais baseado na observação e na descrição dos mecanismos envolvidos na construção de metáforas e de metonímias. Trata-se de uma importante contribuição, posto que a área da TNL ainda carece de trabalhos que se debrucem sobre a descrição dos circuitos metonímicos e metafóricos construídos durante a leitura de textos compostos por imagens e por palavras. Ademais, a análise reafirma certos pressupostos norteadores da LC, reforça algumas contribuições decorrentes da visão sobre o fenômeno investigado a partir das lentes da TNL e sinaliza a possibilidade de extensão das investigações aqui apresentadas, em decorrência da possibilidade de aplicação do modelo em tela a outros corpora e fenômenos linguísticos, conforme comentarei a seguir, com maior detalhamento.

A análise dos dados corrobora a ideia de que os processos de construção de sentidos estão diretamente relacionados à simulação de experiências de natureza corpórea, de caráter motor e também de raiz sociocultural. A ativação conjunta dessas estruturas – esquemas-I, esquemas-X e frames, respectivamente – está na base da construção dos EM e decorre da leitura tanto dos recursos gráficos típicos das HQ quanto das pistas verbais, bem como do conhecimento prévio acerca de questões socioculturais relacionadas à obra.

A respeito do corpus escolhido para esta tese, as pistas textuais possibilitaram a ativação dos esquemas-I CENTRO/PERIFERIA, PARTE/TODO, LIGAÇÃO, CONTÊINER, ORIGEM/CAMINHO/META e ESCALA, conforme o quadro a seguir:

Fragmentos Esquemas imagéticos

1 CENTRO/PERIFERIA; PARTE/TODO; LIGAÇÃO

2 CENTRO/PERIFERIA; PARTE/TODO; CONTÊINER; LIGAÇÃO

3 CENTRO/PERIFERIA; PARTE/TODO; CONTÊINER; LIGAÇÃO

4 CENTRO/PERIFERIA; PARTE/TODO; OCM; ESCALA; LIGAÇÃO

Quadro 28: ocorrências de ativações de esquemas-I

O quadro 28 aponta para um aspecto importante quanto à evocação de certas experiências corpóreas quando estamos diante de determinadas pistas. No caso das HQ, os

recortes feitos com fins de focalização levam o leitor a perceber os elementos enquadrados como os mais importantes e a simular os que não foram evidenciados.

Assim, o esquema-I PARTE/TODO, por exemplo, é ativado quando, diante das representações parciais de personagens, de objetos e de cenários – tanto nos recursos gráficos empregados quanto em descrições e/ou diálogos apresentados no texto verbal –, é possível ―visualizar‖ esses elementos em sua totalidade por meio das informações linguísticas e das não linguísticas, incluindo o conhecimento prévio acerca da configuração de ambientes, objetos e pessoas.

De modo semelhante, a ativação do esquema-I CENTRO/PERIFERIA ocorre nas ocasiões em que se focalizam certos elementos em detrimento de outros que poderiam compor as cenas graficamente representadas nos quadrinhos ou verbalmente relatadas nos balões. Essa focalização está atrelada à importância do(s) personagem(ns) ou do(s) objeto(s) em foco para a construção do EM em determinados momentos da história. A percepção desses elementos é guiada tanto pelo uso de recursos gráficos, a exemplo da ênfase em certas ilustrações no centro do quadro,aliada a pouco ou nenhum destaque de outros componentes, quanto pela condução do texto verbal a partir do foco em determinados elementos em vez de outros que acabam não sendo enquadrados porque sua ausência parece não ter relevância à construção do sentido que se pretende evidenciar.

Quanto ao esquema-I LIGAÇÃO, ele é apontado como componente de todos os EM por causa da hipótese de que sua ativação está na raiz da associação não só entre estruturas mentais distintas, como também entre as pistas do texto verbal e as do não verbal. Ademais, a integração entre esses recursos textuais é concomitante à ativação do aparato cognitivo do leitor, que prescinde também de elementos para além das pistas textuais. Afinal, estas apenas direcionam o acesso às estruturas cognitivas construídas com base no que o leitor experimenta tanto em termos de interação corpórea com o ambiente que o cerca, quanto das vivências socioculturais a partir das quais se constituem os frames.

Os frames, conforme se pode verificar no referencial teórico e na análise dos dados, têm um papel muito importante nos processos de construção de sentidos. A exemplo do que foi feito com relação aos esquemas-I, a ativação de certos atributos dos frames foi evidenciada na análise, como pode ser visto no quadro a seguir.

Fragmentos Atributos dos frames

1 Categorias e Taxonomia

2 Categorias e Taxonomia

3 Categorias e Taxonomia

4 Categorias, Taxonomia, Roteiro e Cenário

Quadro 29: ocorrências de ativações de atributos de frames.

A recorrência de Categorias e Taxonomia já era esperada. Afinal, se os frames vêm de experiências sociais, necessariamente há ativação desses dois atributos, posto que a categorização de elementos com os quais nos deparamos nas nossas experiências é a função básica da linguagem. Em sendo assim, diante de dois domínios ativados durante a leitura, é natural que se busque categorizá-los em níveis e estabelecer analogia ou hierarquia entre eles. O que de fato merece destaque com relação aos frames é a ratificação da influência que o contexto sociocultural da produção da obra tem sobre o leitor. No caso de V de Vingança, criam-se expectativas a partir de acontecimentos comumente associados às consequências da implantação de regimes totalitários, tais como a repressão a manifestações e a manipulação dos cidadãos por meio de ameaças e de propagandas enganosas. É fato que há referências a esses acontecimentos no texto de V de vingança; porém, limitar a ativação desses frames às informações contidas no texto verbal e a certos recursos não verbais é desconsiderar o papel, no processamento discursivo, dos frames construídos pelo leitor a partir das suas próprias experiências no mundo. O corpus analisado nesta tese contém relatos sobre acontecimentos inseridos em um contexto social e historicamente relevante; diante da exibição desses eventos, um indivíduo minimamente informado sobre regimes políticos opressores é capaz de evocar memórias sobre depoimentos, notícias e experiências ouvidas, vistas ou vividas em outras situações além da leitura de V de vingança, e essas informações somam-se aos demais elementos envolvidos na construção dos sentidos. Assim, os domínios construídos e associados estão, em maior ou menor grau, relacionados a elementos concernentes a ações anárquicas, ao incômodo de se sentir preso, à tristeza por ter de disfarçar a própria dor, entre tantos fatores importantes à construção da figuratividade em V de vingança.

Ressalto, mais uma vez, que esquemas-I e frames são ativados em conjunto, e que estes são os responsáveis pelo enquadramento de certos papéis dos primeiros; as observações

em separado sobre esses elementos têm objetivo exclusivamente didático. Se o aparato cognitivo humano é totalmente integrado, não há como conceber um processo de construção de sentidos em que porções da nossa cognição sejam ativadas, cada uma, em um momento distinto. Assim, ratifico o fato de a simulação conjunta das nossas experiências corpóreas e socioculturais estar na raiz da (re)elaboração dos sentidos construídos em contato com um texto. Seguindo a mesma linha, relembro que os esquemas-X não devem ser percebidos como constructos elaborados à parte dos demais esquemas e dos frames. A título de exemplo, vale revisitar os fragmentos 2 e 4, nos quais, respectivamente, a ação de ―apagar‖ e as de ―rasgar‖ e ―devorar‖ evocam não só o trabalho de redes neurais e de efetores relacionados à motricidade, mas, também, a percepção da figuratividade nos atos de ―apagar‖ algo de caráter abstrato como a dor; de ―rasgar‖ um ―pano de fundo‖ que, na verdade, é bem mais do que mero elemento cenográfico; e de ―devorar‖ um ―elenco‖ que não se trata, simplesmente, de um grupo de atores.

Concluo, ainda, que os dados apontam para uma tendência, na construção das metáforas apresentadas no capítulo destinado à análise, de os domínios-alvo, mais abstratos, serem evidenciados no texto verbal, e os domínios-fonte, de natureza mais concreta, corresponderem às imagens, ou seja, ao não verbal. As pistas que levam a essa conclusão são retomadas no quadro 30.

Domínios-alvo Domínios-fonte

Fragmento 1 O PANORAMA DE LONDRES O ROSTO DE EVEY

Fragmento 2 DOR ROSTO TRISTE DISFARÇADO POR

MAQUIAGEM

Fragmento 3 TRABALHO PRISÃO

Fragmento 4 ANARQUIA ESPETÁCULO TEATRAL

Quadro 30: domínios-alvo e domínios-fonte das metáforas analisadas

No fragmento 1, O PANORAMA DE LONDRES é evocado no relato do radialista que apresenta o programa do governo e, após fazer uma síntese dos principais acontecimentos do dia em Londres, diz: ―este é o rosto de Londres esta noite‖; enquanto isso, O ROSTO DE EVEY é focalizado no quadrinho final da sequência em que se constrói a primeira metáfora analisada no capítulo 4. No fragmento 2, o domínio DOR é destacado na fala de V, que, após

apagar a maquiagem de Evey, afirma que ―a dor sumiu‖; já ROSTO TRISTE DISFARÇADO POR MAQUIAGEM está diretamente atrelado à apresentação da face de Evey, outrora triste e maquiada e, depois, limpa e com expressão mais tranquila. Quanto ao fragmento 3, o TRABALHO do policial é detalhado no texto verbal, no qual se lê que o investigador Finch ―revista rapidamente os restos rotos de uma impressão digital ou mancha escarlate‖, ao passo que a percepção da PRISÃO, embora evocada na menção verbal aos ―grilhões‖ que acorrentam Finch, ganha força quando o leitor visualiza o policial sozinho dentro de um ambiente cuja configuração exterior lembra as grades de uma prisão. Já no fragmento 4, tanto ANARQUIA quanto ESPETÁCULO TEATRAL são fortemente evocados por meio das pistas verbais, a partir das quais o leitor não só simula o Roteiro e o Cenário de uma peça de teatro, como (re)constrói aspectos concernentes às ações anárquicas de Evey e V. Trata-se, porém, do único caso, entre os quatro analisados, em que o domínio-fonte não é fortemente ancorado em imagens. Penso que isso é suficiente para considerar que, em se tratando de metáforas ancoradas na leitura de mecanismos verbais atrelada à de recursos não verbais, pode haver uma tendência específica em termos de construção de domínio-alvo e domínio-fonte que, talvez, mereça ser objeto de uma investigação mais específica.

Para encerrar a retomada dos aspectos mais importantes desta tese, ratifico a possibilidade de aplicação do modelo de análise aqui proposto a outras HQ ou mesmo a outros textos que se caracterizam pela multimodalidade – tais como peças publicitárias e charges –, bem como a outras manifestações de figuratividade – a exemplo da ironia. Penso que a extensão do modelo apresentado nesta tese a outros corpora e fenômenos é importante. Afinal, possibilitaria a checagem da sua condição de ferramenta analítica para outros linguistas que pretendem se debruçar sobre as bases neurais dos fenômenos concernentes à construção de sentidos a partir da leitura de textos constituídos tantos por recursos verbais quanto por mecanismos não verbais.

Aproveito para ressaltar que, em momento algum, tive a pretensão de defender a proposta aqui apresentada como o modelo definitivo de análise de ocorrências de figuratividade em textos multimodais. Não à toa, todos os processos descritos na análise dos dados foram apresentados como possíveis, e não de maneira categórica. Em sendo assim, espero que seja possível, em breve, a testagem dessas hipóteses para que as contribuições desta pesquisa se tornem mais efetivas, seja na forma de confirmação das conclusões apresentadas nesta tese, ou de uma refutação que torne necessária uma nova investigação, a qual torne possível elucidar pontos que ainda venham a ser considerados obscuros.

Nesse sentido, é importante ter em mente que, embora a introspecção possa ser tomada como ponto de partida para investigações de fenômenos da alçada da linguagem, ela não deve motivar a dispensa de outras metodologias, a exemplo da realização de testes. Nesse caso, cabe ao investigador, com base nas suas questões de pesquisa, nos seus objetivos e na natureza do seu corpus, optar ou não pela complementação do modelo apresentado, que, conforme já ressaltei, só tem a ganhar com a adoção de outras ferramentas metodológicas.

Concluo esta tese ressaltando o fato de que minhas investigações não se dão por encerradas neste material. As considerações aqui apresentadas como finais são, na verdade, apenas o ponto de partida para novos estudos que, pautados em metodologias além da introspecção, possam fornecer mais subsídios ao trabalho aqui apresentado. Portanto, motiva- me não só a elucidação pontual de um fenômeno ainda merecedor de estudos científicos, mas, principalmente, a possibilidade de continuar contribuindo com um campo de investigações em franco desenvolvimento.

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Benzer Belgeler