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KAVRAMSAL ÇERÇEVE

2.7. Eğitim Yönetiminin YerelleĢmesiyle Birlikte Yerel Yöneticilerin Eğitimdeki Olası Yönetim Alanları

2.7.5. Eğitimde Para Kaynağının Yönetim

O problema de pesquisa desta tese é: como a psicologia social, no que se refere à produção brasileira, tem compreendido o político em suas análises desde a crise da psicologia social, mais especificamente, entre os anos de 1986 e 2011? Nosso foco é o modo de compreensão do político e as implicações deste para a construção democrática, tendo por preocupação o momento de emergência do sujeito político, isto é, o modo de “politização” das relações sociais e a utopia de sociedade proposta nos artigos analisados.

O referencial teórico da tese é a teoria democrática radical e plural. Nesta medida, para se conceber o político, é necessário refletirmos sobre a distinção fundamental ao político – o antagonismo; a condição possibilitadora da emergência do político – a contingência; a instituição (impossível) da sociedade – a hegemonia (articulação).

O material de análise é composto por artigos publicados entre os anos de 1986 e 2011 que apresentam uma discussão sobre a dinâmica política, coletados a partir de três fontes: revista Psicologia & Sociedade, Grupos de Pesquisa do CNPq, Grupos de Trabalho da ANPEPP. Os artigos selecionados foram publicados por 78 autores a partir de diferentes perspectivas teóricas e em torno de temáticas distintas.

Diante desses aspectos, realizamos a análise dos artigos tendo como guia quatro categorias gerais, as quais, apesar de separadas, não se encontram completamente desvinculadas:

Caráter político do artigo: nesta categoria nos centramos na temática do

artigo e na vinculação daquela temática à discussão sobre a dinâmica política, isto é, a processos de sedimentação e/ou de politização das relações sociais e de utopia de sociedade.

Conceito do político/política: nesta categoria nos centramos na concepção dos

autores sobre a noção de político e/ou de política. Observe-se que nem todos os artigos apresentavam uma definição sobre estes termos.

Emergência do sujeito político: nesta categoria nos centramos nos conceitos

de contingência e de antagonismo, buscando apreender a existência ou não de um fundamento último da realidade e o modo de politização das relações sociais.

Constituição da unidade política: nesta categoria nos centramos nos

conceitos de hegemonia e de pós-fundacionalismo, buscando apreender o modo de instituição do social (sedimentação das relações sociais) e a utopia de sociedade (concepção de democracia).

A partir dessas categorias gerais, construímos uma ficha sobre cada um dos 90 artigos selecionados. Para tanto, fizemos a leitura completa de cada artigo, bem como os categorizamos em torno das citadas categorias a partir do uso do programa Nvivo, o qual permite selecionar trechos dos documentos (artigos) e vinculá-los a categorias, possibilitando, desta forma, a visualização dos trechos dos documentos por categoria. Os artigos foram fichados a partir da ordem cronológica das publicações.

Em relação à categorização feita no programa Nvivo, cabe-nos salientar que este programa foi utilizado por nós em pesquisa anterior (Costa, 2010), na qual tínhamos como material de análise entrevistas semiestruturadas. O programa foi de grande utilidade para a organização dos dados em categorias e para a comparação entre as entrevistas. No caso do uso do programa para esta pesquisa, tivemos maior dificuldade com a categorização, uma vez que artigos, diferente de entrevistas semiestruturadas, não só não possuem uma configuração semelhante de formato, mas também os elementos referentes a cada uma das categorias encontram-se muito mais articulados na argumentação dos autores, principalmente, quando os aspectos a serem categorizados apresentam um foco específico, como é o caso desta pesquisa. Nesta medida, a leitura integral dos artigos em conjunto com os trechos categorizados foi fundamental para a elaboração das fichas.

A partir das fichas foi possível organizar os artigos por categorias temáticas e por categorias analíticas54. As primeiras dizem respeito à temática geral debatida no artigo,

54

centralizando-nos no foco principal da discussão. Os artigos foram divididos em quatro categorias temáticas:

Desenvolvimento histórico-conceitual: artigos que focam a análise de

conceitos/teorias e/ou o desenvolvimento histórico sobre a análise de determinados objetos de investigação (movimentos sociais, formas de desigualdade social, atuação do psicólogo, etc.), de maneira a abordarem modos de conceber a discussão sobre o objeto analisado.

Ações coletivas e comportamento político: artigos que focam a discussão

sobre pesquisas empíricas relativas à atuação e ao posicionamento político de

indivíduos e/ou grupos (participação política, estratégias políticas,

representações sociais).

Política governamental: artigos que focam a análise de políticas

governamentais, seja em termos da avaliação, construção ou atuação nestas políticas.

Experiência comunitária: artigos que descrevem trabalhos realizados junto a

comunidades. Ainda que alguns recorram a conceitos, não se propõem a construir uma discussão teórica, buscando, sobretudo, apresentar uma descrição dos trabalhos.

Ressaltemos que essas categorias não são excludentes, na medida em que, por exemplo, um mesmo artigo pode, ao mesmo tempo, tratar de uma pesquisa empírica sobre movimentos sociais e propor uma mudança conceitual no estudo de movimentos sociais. Deste modo, deve ser ressaltado que a categorização temática se pautou no foco considerado principal da discussão.

As categorias analíticas referem-se ao modo de politização das relações sociais tendo por orientação as noções de antagonismo, contingência, hegemonia, pós- fundacionalismo, sobretudo, a noção de antagonismo. Os capítulos analíticos da tese foram construídos em torno destas categorias analíticas, denominadas na discussão dos capítulos como vertentes analíticas.

Na análise da dinâmica política, em cada um dos artigos, focamos em determinados aspectos neles presentes, centrando-nos em elementos que se encontravam explícitos na discussão e que nos permitiam desenvolver o debate sobre a concepção do político. Desta maneira, três apontamentos são fundamentais para a compreensão da análise.

O primeiro é que, de maneira alguma, intencionamos avaliar o pensamento teórico de cada um dos autores, uma vez que, para isto, nossa metodologia seria inadequada, pois foi pensada a fim de possibilitar uma análise específica de um recorte amplo da produção em psicologia social brasileira no período entre 1986-2011. Avaliar o pensamento de cada um dos autores exigiria outros procedimentos metodológicos, entre os quais um foco aprofundado na produção destes autores, uma discussão específica sobre a apropriação dos referenciais teóricos que eles utilizam.

O segundo aspecto remete-se aos referenciais teóricos utilizados nos artigos analisados. No processo de análise pautamo-nos no que os artigos apresentavam sobre a compreensão dos referenciais teóricos utilizados, ou seja, não recorremos aos textos originais neles utilizados, uma vez que isso implicaria analisar a apropriação dos textos originais nos artigos, o que não é objetivo desta pesquisa, já que nosso objeto são os artigos selecionados. Deste modo, com exceção de alguns autores que apontamos na construção dos capítulos da Parte I da tese, não recorremos aos autores citados nos artigos selecionados, baseamo-nos no que era explícito na discussão sobre a dinâmica política nestes realizada.

O terceiro aspecto fundamental a se destacar é que o objetivo da análise não foi desconsiderar ou rejeitar as propostas teóricas e analíticas presentes nos artigos. Nesta medida, se utilizamos a expressão “negação” do político ao longo da tese, o fazemos tendo por referência o conceito de político nela abordado, portanto, no sentido de diferenciar modos distintos de se conceber a dinâmica política, defendendo um posicionamento específico no interior deste campo.

Nosso interesse foi então, a partir da crise da psicologia social – e, assim, da crítica a perspectivas individualistas e da afirmação de um caráter político na produção do conhecimento – e de uma concepção de político e de uma teoria democrática específica (teoria democrática radical e plural), construir análises que buscassem visibilizar determinados aspectos da compreensão do político nos artigos e as implicações desta compreensão para a constituição democrática.

Nossa leitura, ao mesmo tempo em que, por um lado, buscou apresentar a discussão proposta em cada artigo, tendo como direção os modos de politização, a sedimentação das relações sociais e a utopia de sociedade, por outro lado, visou evidenciar estes elementos a partir dos aspectos fundamentais à noção do político na teoria democrática radical e plural, focalizando, sobretudo, o elemento definidor do político: o antagonismo. Elemento este

que está diretamente relacionado nesta tese aos outros três elementos considerados: contingência, hegemonia, pós-fundacionalismo, na medida em que só é possível de ser concebido diante da radicalidade da contingência e, assim, no interior de um terreno pós- fundacionalista, além de ser uma condição para compreendermos a constituição da unidade política como hegemônica.

Consideramos quatro categorias analíticas tendo por foco o elemento definidor da politização das relações sociais:

Fundamento último da realidade: artigos que indicam as relações de produção como um fundamento último da realidade na análise da dinâmica política. Assim, ainda que afirmem a construção histórico-social dos sujeitos e defendam uma expansão do proletariado como sujeito histórico em direção às forças populares, apontam para uma determinação, em última instância, da economia, sendo a constituição dos sujeitos políticos entendida em torno de duas estruturas hegemônicas afirmadas a priori – burguesia e forças populares.

Deste modo, ressaltamos a impossibilidade de afirmar o caráter radical da

contingência, pois a luta política é concebida em torno da noção de contradição e não da noção de antagonismo.

Sujeito racional: artigos que compreendem a politização das relações sociais em torno da noção de consciência, mas não abordam, ao menos explicitamente, a ideia de um fundamento último da realidade. Têm por foco o processo do indivíduo tornar-se consciente das relações de subordinação (perceber as injustiças sociais), opondo seus interesses pessoais e grupais aos interesses de um outro grupo, pautado na reflexividade e/ou intencionalidade dos indivíduos. Nesta medida, ressaltamos a impossibilidade de se afirmar a noção do antagonismo, pois a emergência do sujeito político, em termos antagônicos, não se faz pela politização de identidades constituídas anteriormente ao conflito e que se opõem à estruturalidade da estrutura dominante, a partir de uma mediação racional. O sujeito político se constitui no próprio momento da decisão, através da identificação com discursos alternativos que possibilitam visibilizar a contingencialidade de qualquer objetividade, só podendo se afirmar como presença enquanto antissistema e não através de uma positividade politizada. A luta política nestes artigos pode ser entendida em

Sujeito ético-político: artigos que compreendem a politização das relações

sociais a partir de uma junção entre ética e política, desarticulando o político do seu caráter de hostilidade/violência ao privilegiarem o aspecto da alteridade entre os indivíduos. Nestes artigos ressaltamos a invisibilidade da constituição de um nós e de um eles em termos antagônicos, ou seja, da divisão necessária à constituição do sujeito político. A luta política é também concebida a partir de uma atitude crítica (reflexividade) relativa à sedimentação do social, sem explicitar de maneira clara o momento da articulação, aproximando-se de um terreno da multiplicidade e não de um terreno do antagonismo e da hegemonia.  Antagonismo: artigos que, na discussão sobre a dinâmica política, remetem-se

a obras de Laclau e/ou de Mouffe. Nestes artigos ressaltamos o modo como a teoria democrática radical é utilizada e, assim, como se concebe a noção de antagonismo na compreensão sobre a politização das relações sociais e a utopia de sociedade.

Todos os artigos selecionados distanciam-se da concepção de um sujeito abstrato e a-histórico e todos afirmam um posicionamento político em direção à mudança social. Nestes aspectos, ainda que de modos distintos, encontram-se vinculados à crítica realizada pela psicologia social na emergência de sua crise.

Nem todos os artigos selecionados na pesquisa focavam a constituição do sujeito político, mas apontavam para a organização da unidade política, no sentido de tratarem da sedimentação das relações sociais, ou para aspectos mais gerais ou macroestruturais da dinâmica política. Nossa decisão foi de abranger o maior número de artigos possível no debate da tese. Desta forma, analisamos estes artigos apontando para os elementos que eram visíveis em relação à dinâmica política. Na maior parte deles buscamos articulá-los no interior de uma vertente analítica, considerando a presença de conceitos teóricos semelhantes a outros artigos desta vertente.

Contudo, decidimos analisar quatro artigos separadamente, os quais, por utilizarem referenciais distintos daqueles presentes nas vertentes analíticas, não puderam ser articulados a conceitos teóricos presentes em outros artigos destas vertentes. Ademais, um artigo selecionado, ainda que apresente a discussão sobre a constituição do sujeito político, aborda a dinâmica política tendo por foco uma perspectiva analítica que não se conjuga com as vertentes analíticas. Estes cinco artigos são analisados no penúltimo capítulo da

Apesar da decisão de analisarmos o maior número de artigos possível, doze artigos não foram analisados em decorrência de não nos permitirem construir uma análise específica e mais aprofundada sobre a dinâmica política. Estes artigos foram aqueles localizados na categoria temática “Experiência comunitária”, mas também em outras categorias temáticas55.

Além disso, seis artigos não foram analisados em decorrência de não termos tido acesso a eles, ou seja, não conseguimos encontrá-los nem através do Portal de Periódico Capes56 ou do site da revista no qual eles se encontravam publicados (para os casos em que encontramos o site), nem através da consulta em bibliotecas, localizadas na cidade de Belo Horizonte, da Universidade Federal de Minas Gerais e da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Cabe-nos considerar que os autores destes artigos também apresentavam outros artigos selecionados para a pesquisa, aos quais tivemos acesso.

Diante disso, dos 90 artigos selecionados para a pesquisa, analisamos 72 artigos publicados em 21 periódicos57. Buscamos no interior de cada capítulo analítico articular, entre os artigos localizados na vertente analítica, os que apresentavam semelhança em relação à temática discutida ou à perspectiva teórica, e também consideramos a ordem cronológica das publicações.

Antes de passarmos à próxima seção, cabe-nos salientar que não nos propusemos a produzir uma história da ciência, esta tese é menos um trabalho histórico e mais uma investigação teórica sobre publicações de um período da história da produção em psicologia social. Ainda que concebamos que a produção científica encontra-se atrelada a uma determinada sociedade e a um determinado momento histórico, nosso debate não trata de analisar a relação entre as vertentes analíticas e as condições tanto internas à produção científica quanto externas a ela, no desenvolvimento da psicologia social58.

55

Ver novamente o Apêndice F (Quadro 15), no qual demonstramos quais foram estes artigos.

56

Portal organizado pela CAPES, que possibilita acesso a periódicos científicos. Disponível em: http://www.periodicos.capes.gov.br/.

57

Três periódicos deixaram de integrar a análise em razão dos 18 artigos não analisados: Anuário do Laboratório de Subjetividade e Política, Praia Vermelha, Universidade e Sociedade.

58

O livro de Bomfim (2003) e a dissertação de mestrado de Cruz (2008) apresentam uma discussão histórica sobre o desenvolvimento da psicologia social brasileira, remetendo-se a aspectos externos e internos a este desenvolvimento.

Benzer Belgeler