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2.3. İLETİŞİM VE EĞİTİMDE İLETİŞİMİN ÖNEMİ

2.3.5. Eğitimde İletişim

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3.1 A gerência do espaço: carcereiros da prisão

Personagens pouco lembrados pela historiografia que trata do tema das prisões, carece que se perceba os carcereiros como figuras fundamentais, para se entender o funcionamento do sistema prisional. Por eles passou todo o gerenciamento das cadeias pelo Império a fora, e, como tentarei mostrar neste subcapítulo, com autonomia muitas vezes, fazendo destes trabalhadores protagonistas de lugares mal vistos e somente lembrados pela sociedade e autoridades quando da construção de elementos de retórica, como a filantropia, por exemplo.

Para percorrer este mundo da carceragem, escolhi os dois indivíduos, que trabalhando na cadeia civil de Pelotas, ficaram o maior tempo à frente destes espaços na conjuntura desta pesquisa. São eles, Manoel Antonio Paroba e João Ignacio de Souza. O primeiro já aparece no ano de 1869 e ficou no cargo até 1878, enquanto que o segundo permaneceu na carceragem durante os anos de 1880 e 1886. Abaixo, se pode observar, no quadro, os carcereiros encontrados e os determinados períodos em que ficaram responsáveis pelo gerenciamento da prisão.

Quadro 5– Carcereiros da Cadeia Civil de Pelotas 1869-1889

Ano Carcereiro

1869-1878 Manoel Antonio Paroba

1878 Tenente Mario Menna Machado386

1880-1886 João Ignacio de Souza

1886 José Maria Braga

1889 Cypriano Ribeiro

Fonte: Dados obtidos na pesquisa

386 Na lista de votantes de 1880, o Tenente Mario Menna Machado aparece com 35 anos, casado, com profissão carcereiro (ocupou o posto de 1878 a 1880), filho de João A. da S. Menna Machado, morador da rua Paisandú (prisão), elegível e com renda de 400 réis.

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A primeira questão que procurei estabelecer foi se o cargo carcereiro trazia algum tipo de status social e se ele era disputado para o caso da construção de alguma carreira política, mesmo que fosse pequena, dentro da elite local. Para ser Carcereiro era preciso ser indicado pelo Delegado e Chefe de Polícia, posteriormente, preferidos os que pudessem votar nas assembleias paroquiais, os casados aos solteiros e os que tivessem servido a qualquer ofício de Justiça387. Percebi que os carcereiros listados enfrentavam muitas dificuldades, como, aliás, os trabalhadores da Polícia em geral. Quando recebiam seus rendimentos, eram modestos. Durante todo o final do século XIX o Ministério da Justiça registrou em seus relatórios as reivindicações das províncias para o aumento do número de carcereiros e respectivos proventos.

Tidos como “empregados da Justiça”, alguns carcereiros recebiam por mês o equivalente a um jornaleiro, trabalhador comum, refletia o Ministro da Justiça388. Em

1871, o governo imperial propôs o aumento do orçamento de pagamento dos trabalhadores da carceragem em 53:191$000 réis, sendo que o menor ordenado ficaria em 120$00 réis389. A proposta foi aprovada no ano de 1873390.

Por meio de relatório do Ministério da Justiça descobrimos que em 1875 havia no Brasil 602 carcereiros, sendo que o Rio Grande do Sul possuía o número de 34 destes trabalhadores em prisões. Seu vencimento total, no Brasil, somava a quantia de 126:320$00 réis391.

Quadro 6– Número de carcereiros por província no Brasil em 1875

Posição Província Nº de Carcereiros

1 São Paulo 87

387

Regulamento Nº 120 de 31 de janeiro de 1842. Regula a execução da parte policial e criminal da Lei Nº 261 de 3 de dezembro de 1841. Artigos 46 e 47. Acessado em 26 de dezembro de 2012 no site: http://www.prpe.mpf.gov.br/internet/Legislacao/Criminal/Regulamentos/REGULAMENTO-N.-120- DE-31-DE-JANEIRO-DE-1842.

388 CRL. RMJ. Manoel Antonio Duarte de Azevedo. 1871. 389 Idem.

390

CRL. RMJ. Manoel Antonio Duarte de Azevedo. 1873. Decreto nº 3.572 de 21 de março de 1873. 391

196 2 Minas Gerais 72 3 Bahia 64 4 Pernambuco 40 5 Ceará 39 6 Pará 36 7 Maranhão 35

8 Rio Grande do Sul 34

9 Rio de Janeiro 32

10 Paraíba 22

11 Goiás 22

12 Alagoas 20

13 Piauí 20

14 Rio Grande do Norte 19

15 Espírito Santo 13 16 Mato Grosso 13 17 Santa Catarina 11 18 Sergipe 10 19 Paraná 9 20 Amazonas 4 Total 602

Fonte: CRL. RMJ. Diogo Velho Cavalcanti de Albuquerque. 1875.

No ano de 1879, pode-se encontrar a continuação da demanda do aumento dos vencimentos. A província de São Pedro do Rio Grande do Sul propunha um aumento nos ordenados, 4:210$000 réis, de 8:280$000 para 12:520$000. Um aumento considerado médio se comparado aos 24:260$000 réis pedidos por Minas Gerais, que propunha saltar de 13:680$000 para 37:950$ réis392.

Em 1882, seguiam os pedidos de aumento tanto do número de carcereiros quanto de seus vencimentos, e declarava o Ministro a dificuldade em encontrar pessoas que servissem sem remuneração. Outro agravante era o fato de que os

392

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carcereiros interinos não recebiam honorários. A situação da carceragem era de total precariedade. Muitos carcereiros no país não recebiam ordenados e as províncias pressionavam o Império para que assim pudesse se ter maior regularidade neste tipo de serviço. No mesmo ano, dentre as cidades que pediam o aumento dos vencimentos, encontramos Pelotas393.

Já no final do período imperial, em 1888, encontra-se no relatório ministerial uma informação interessante, que já mostra o Rio Grande do Sul com o maior gasto de carceragem, com 28:080$000 réis. O quadro abaixo demonstra os gastos.

Quadro 7 – Despesa com Carcereiros nas províncias do Brasil em 1888

Carcereiros - Despesas Províncias Total Amazonas 1:200$000 Pará 7:380$000 Maranhão 7:600$000 Piauí 4:620$000 Ceará 9:150$000

Rio Grande do Norte 4:380$000

Paraíba 4:740$000 Pernambuco 8:220$000 Alagoas 4:260$000 Sergipe 2:400$000 Bahia 10:600$000 Espírito Santo 2:880$000 Rio de Janeiro 8:920$000 São Paulo 16:680$000 Paraná 2:280$000 Santa Catarina 2:760$000 São Pedro do Rio Grande do Sul 28:080$000

Minas Gerais 13:680$000

Goiás 4:380$000

Mato Grosso 3:000$000

393

198 Despesa Total 147:230$000

Fonte: CRL. RMJ. Francisco D’Assis Rosa e Silva. 1888.

Além disso, a Província de São Pedro era a que pedia o maior aumento nos vencimentos, como podemos observar no quadro abaixo. A condição fronteiriça da província parecia ainda demandar atenção às autoridades.

Quadro 8 – Proposta de aumento nos vencimentos dos carcereiros nas províncias do Brasil em 1888 Províncias Total Amazonas 1:320$000 Pará 240$000 Piauí 1:080$000 Maranhão 480$000 Ceará 3:700$000 Rio Grande do Norte 630$000

Paraíba 1:560$000 Pernambuco 3:000$000 Alagoas 1:680$000 Sergipe 600$000 Bahia 3:160$000 Rio de Janeiro 780$000 São Paulo 3:360$000 Paraná 2:880$000 Santa Catarina 960$000 Rio Grande do Sul 4:320$000

Minas Gerais 3:740$000 Goiás 2:460$000

Total Províncias 35:950$000

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Seguindo a estratificação da sociedade oitocentista proposta por Ivan Vellasco, situo os carcereiros no limite do que ele chamou de camadas médias394.

Eram funcionários públicos de baixo escalão que não dependiam apenas dos vencimentos pagos pelo Estado. De fato, a profissão de carcereiro era precária e estes deveriam criar provavelmente outras formas de ganhar a vida, tanto em serviços particulares e em outros ramos, como também dentro da própria instituição prisional.

Em 1883, o jornal Onze de Junho trazia denúncias de que haveria um conluio entre o Delegado e o Carcereiro. Dizia assim um pedaço da notícia:

É realmente condenável o procedimento do Sr. major delegado de policia, e autoriza a pensar o que já há muito se diz – que entre S. S. e o carcereiro da cadeia civil existe qualquer concordata sobre lucros de carceragem.

O que é verdade é que o Sr. major delegado de policia tem cometido diversas vezes tais arbitrariedades e o governador da casa amarela acompanha-o devidamente exigindo 3, 5 e 6 mil réis de carceragem conforme o grau da miséria da vitima.395

Em 1885, o jornal Correio Mercantil traria outra denúncia que vale a pena ser reproduzida abaixo pela forma como é descrito o fato:

Cousas da policia – O delegado de policia deste termo continua a confirmar por fatos as acusações que em forma lhe temos dirigido e a dar em todo os atos que pratica a mais triste copia de seu critério e moralidade.

Ontem apresentou-se em nosso escritório o Sr. Virgilio de Campos, cavalheiro conceituado, negociante estabelecido á rua S. Miguel, que nos referiu o seguinte acontecimento para darmos á publicidade:

Reside com sua família á rua Santa Barbara, esquina Sete de Abril. Um pardo, malfeitor, vagabundo de nome Joaquim ou Dantas

394 Ivan Vellasco propôs a seguinte divisão, que considero mesmo esta sendo projetada para outra realidade provincial, Minas Gerais: “A- elites locais: por indicação de ocupação, títulos, cargos, patentes que conferiam renda, status e/ou prestígio social, negociantes de porte, grandes e médios proprietários rurais, fazendeiros e lavradores; B- camadas médias; funcionários públicos de menor escalão, profissionais liberais (professores, boticário, etc.), oficiais mecânicos, militares de baixa patente, pequenos comerciantes (presumidos), artesãos, produtores rurais independentes, pequenos lavradores; C- livres pobres: assalariados sem profissão específica, irregulares ou de ocupação incerta, jornaleiros, roceiros e agenciadores, agregados, capitães do mato, serviços domésticos, lavadeiras, etc.; D- escravos.” Ver: VELLASCO, Ivan de Andrade. O labirinto das ocupações. Uma proposta de reconstrução da estrutura social a partir de dados ocupacionais. VARIA HISTORIA, nº 32, Julho, 2004. p.197.

200 Soares, o que ao certo ninguém sabe, costumava pular-lhe os muros do quintal e andava por ali sempre com fins sinistros.

No domingo á noite, foi encontrado a querer arrombar uma porta. O Sr. Virgilio surpreendeu-o na empreitada e o fez desistir á força. Na mesma noite, o pardo voltou com outros de sua igualha, no propósito de consumar qualquer atentado. Nada conseguiram ainda e retiraram-se prometendo voltar á carga. Efetivamente voltaram na noite de segunda feira.

O Sr. Virgilio tinha dado as providencias necessárias e o desordeiro a que nos referimos foi preso em flagrante, munido de armas proibidas. No dia seguinte, o Sr. Virgilio de Campos apresentou-se ao delegado de policia, que já estava inteirado do ocorrido, e comunicou-lhe que ia dar queixa contra o referido pardo.

-Não é preciso, lhe replicou a autoridade. – Deixe ver CINCO MIL RÉIS, para tapar a boca do carcereiro, que eu prometo fazer com que o tal pardo assine termo de bem viver e sofra tinta dias na cadeia. – É assim (textual) que procede o major Caldeira.

O Sr. Virgilio de Campos aceitou o negocio por mais econômico e entregou os CINCO MIL RÉIS ao delegado de policia!

No dia seguinte, quarta-feira, com surpresa do Sr. Virgilio, o pardo passeava fracamente pelas ruas da cidade e preparava-se para continuar a incomodá-lo e a sua família. Provavelmente, dobrou a parada em troco de liberdade.

“É assim que procede o major Caldeira”.

Limitamo-nos á narração do fato. O publico que o comente e os homens sérios que vejam a quantas vergonhas e calamidades está exposta a vida do cidadão, a sua família e a sua propriedade na administração do major José Joaquim Caldeira.396

A notícia é ilustrativa para se pensar a respeito de algo que é conhecido como prática no contexto do Brasil imperial, mas pouco trabalhado pela historiografia: das formas de os carcereiros redimensionarem seus vencimentos. Uma das formas poderia ser a carceragem, ou seja, o valor pago pela estadia do indivíduo no prédio da cadeia. Muitas prisões correcionais, como as de embriaguês, vadiagem, acabavam também fazendo retornar pequenos valores ao gerenciador da prisão. No artigo 153 do Regulamento 120, de 1842, são arroladas as outras formas de vencimento dos carcereiros e lá está a carceragem e o valor a ser pago. Dizia assim o respectivo artigo:

Art. 153. Os Carcereiros, além dos ordenados, ou gratificações, que atualmente vencem, ou que lhes forem para diante marcados, perceberão os emolumentos seguintes:

Carceragem pela soltura de qualquer preso em geral = 1$800

Dita pela soltura de pessoas recolhidas em custódia, ou presos por infração de postura = $900

Dita por mudança da prisão = $900

396

Benzer Belgeler