• Sonuç bulunamadı

2.5. Eğitim Geliştirme Süreci

2.5.1. Eğitim ve Geliştirmenin Planlanması

O que se pode notar é que desde o surgimento do Programa Bolsa Família houve estímulos crescentes para o atingimento da meta de se estar presente em todos os municípios brasileiros, como demonstrado no gráfico abaixo.

Fonte: MDS/ IBGE/ IPEA

O Programa tem como foco o atendimento às famílias que se encontram em situação de pobreza e extrema pobreza, neste sentido, a sua abrangência acaba por não atingir de forma regular todo o território nacional, dado a diversidade econômica de cada região e a pobreza nela encontrada.

Nota-se que a região Nordeste fica com 50,47% da distribuição total do Programa, Sudeste com 25,79%, região Norte 9,79%, região Sul 8,66% e região Centro Oeste 5,29%. Segundo o relatório de Gestão do Programa Bolsa Família de 2007, desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, os nove estados nordestinos concentram mais de 45% da população pobre do Brasil.

Quanto ao perfil dos titulares do programa, segundo a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Análises Sociais (IBASE) em junho de 2008, sobre as repercussões do Programa Bolsa Família na segurança Alimentar e Nutricional das famílias beneficiadas. O perfil dos (as) titulares do programa é:

• composto em sua maioria por mulheres (94%);

• a maior parte dos titulares são pretos ou pardos (64%);

• a maior parte dos (as) mulheres titulares tem entre 15 e 49 anos (85%);

• 78% das famílias residem em área urbana e 22% em áreas rurais, sendo que a maior concentração das famílias em áreas rurais se concentram no Nordeste (50%) e

• 81% dos titulares sabem ler e escrever, sendo que (56%) estudaram até o ensino fundamental.

Ainda segundo a mesma pesquisa, no que se refere ao uso dos recursos proporcionados pelo Programa, seus beneficiários chegam a gastar 87% dos recursos com alimentação, sendo que no Nordeste chega a 91%, enquanto no Sul chega a 73%.

O que se pode notar é que um dos objetivos do Programa Bolsa Família, que é estar presente nas regiões mais necessitadas, é atingido, na medida em que as famílias mais necessitadas se encontram na região Nordeste. O Programa também atinge seu objetivo quanto a combater a fome, pois a maioria de seus titulares acabam por utilizar o recurso para a compra de alimentos. Isto revela que o programa está focado inicialmente no atendimento das necessidades mais urgentes dos indivíduos que dele fazem parte.

Uma crítica a ser ressaltada é que, ao focalizar as famílias exclusivamente baseadas na renda familiar e composição familiar, o Programa acaba por não considerar as famílias que se encontram acima do limite demarcado, mas que também permanecem em situações de precariedade. Isto acontece devido à rotatividade que se dá em cima da linha de pobreza demarcada, como a velhice, doença ou perda de trabalho.

Outro ponto a ser considerado é que ao se permitir o acesso diferenciado do beneficiado a partir do quesito renda, o Programa, trabalha com a idéia de ter acesso ao

benefício não por direito de cidadania, mas pela distinção de que um indivíduo será escolhido porque é um mínimo mais pobre do que o outro. Desse modo, ao trabalhar o Programa com medidas de focalização e condicionalidades, este acaba por esquecer noções de direito, cidadania e universalidade que uma política pública deve ter.

Nessa perspectiva, o problema dos Programas de Transferência de Renda com Condicionalidades, como é o caso do Programa Bolsa Família, é a falta de referência a direitos a todos os indivíduos sem distinção. Isso ocorre pelo fato do acesso ao Programa Bolsa Família não ser garantido de forma incondicional. Em outros termos, o Programa Bolsa Família não assegura o acesso ao benefício a todos os indivíduos, já que existe uma limitação da quantidade de famílias a serem beneficiadas em cada município. A partir do momento em que a quota do município for preenchida, fica “impossibilitada” a inserção de novas famílias, mesmo que sejam extremamente vulneráveis e, portanto, sujeitas desse direito.

Em virtude disso, o Programa Bolsa Família não adota a concepção universal de acesso a todos que do Programa necessitam para garantir pelo menos uma alimentação de qualidade. A conseqüência do acesso limitado é que famílias e cidadãos pobres acabam sendo excluídas do Programa, mesmo que sejam vulneráveis e tenham a necessidade urgente de serem atendidas por programas governamentais. Se fosse baseado em um direito justiciável, todos que se enquadrassem nos critérios de seleção deveriam ter a possibilidade de exigir esse direito, inclusive pela via judicial.

Neste sentido, a Renda Básica da Cidadania constitui-se mais facilmente como um direito justiciável e, portanto, de fácil distribuição e acessível a todos os cidadãos. Na Renda Básica da Cidadania não existe a necessidade de realizar a seleção de beneficiários, sendo o único critério de distribuição desse direito o pertencimento a um determinado território. Para Van Parijs (VAN PARIJS, 2006, p. 83), a taxa de acesso aos benefícios seria muito mais alta em um sistema universal e mais pessoas entre os pobres estariam informadas sobre seus direitos e fariam uso dos benefícios a que têm direito. Para essa concepção, a um direito humano não pode haver a imposição de condicionalidades e de contrapartidas, uma vez que um direito humano tem como base o fato de um indivíduo existir, ou seja, sua condição humana.

Considera-se, nessa acepção, que o Estado não deve punir e, em hipótese alguma, excluir os beneficiários do Programa quando do não cumprimento das condicionalidades estabelecidas e/ou impostas. Na perspectiva dos direitos, o Poder Público tem a obrigação de garantir, especialmente em bairros carentes e zonas rurais, os serviços de escolas e postos de saúde. Por outro lado, a Renda Básica de Cidadania tem como princípio atender a todos os

cidadãos do país, ou seja, é incondicional e individual, baseada no princípio de que a condição de pessoa é o único requisito para a titularidade de direitos.

Há que se ressaltar a dificuldade de países pobres como o Brasil em criarem Programas com tal abragência como a Renda Básica da Cidadania, mas é de ser salientada a insuficiência do Programa Bolsa Família no que se refere às garantias da cidadania e da universalização de direitos sociais.