Na segunda metade da década de 1980 houve a implantação do sistema de transportes da cidade com base nos estudos feitos pelo escritório do GEIPOT e a efetivação da Superintendência de Transportes Públicos – STP, como órgão gestor dos serviços de transportes por ônibus e táxis do município.
O Governo do Estado da Paraíba, representado pelo Governador Wilson Braga e o ex- prefeito da capital Hermano Almeida, então Secretário de Transportes e Obras, criou através Decreto Nº 10.159, de 07 de Fevereiro de 1984, a Unidade de Gerência do Sub-Projeto AGLURB-JPA, integrante do Projeto EBTU/BIRD. Logo em seguida, o Governo do Estado expediu o Decreto Nº 10.164, de 13 de fevereiro de 1984, instituindo a área metropolitana formada pelos municípios de João Pessoa, Bayeux, Santa Rita, Cabedelo e Conde.
O Ato do Poder Executivo Estadual definiu os transportes coletivos na região como de características urbana e suburbana. Enquanto isso, a Prefeitura Municipal de João Pessoa publicava o Decreto Nº 1334, de 15 de março de 1984 criando o Núcleo de transportes Públicos NTP/JP, órgão de coordenação vinculada à Secretaria de Serviços Urbanos - SESUR. O órgão era responsável pela formulação e execução da política municipal de transportes públicos, além de outorgar a exploração e com prerrogativa de controlar a operação de transportes públicos na cidade.
gerência de transportes. Entretanto, por imposição do Ministério dos Transportes, da EBTU e do GEIPOT, ele foi obrigado a criar a STP, o que de fato ocorreu através da Lei Nº 4.601, de 26 de dezembro de 1984, que criava a Superintendência de Transportes Públicos – STP. A estrutura organizacional incluía o Conselho de Transportes Urbanos como órgão deliberativo tendo como membros representantes de órgãos dos governos estadual e municipal, câmara municipal e entidades civis.
A estrutura organizacional da STP incluía a criação do Conselho de Transportes Urbanos como órgão deliberativo tendo como membros representantes de órgãos dos governos estadual e municipal, câmara municipal e entidades civis.
O prefeito Wilson Braga transferiu para o Superintendente de Transportes Públicos de João Pessoa, a competência de fixar as tarifas dos serviços de transportes coletivos, táxis e estacionamentos, no âmbito do município através de Decreto Nº 1.788 de 20 de abril de 1989. Logo em seguida, Wilson Braga promove modificação na Lei N° 5493/87, vinculando a STP ao prefeito, aumentando o número de membros no Conselho de Transportes Urbanos incluindo representantes de associações comunitárias, estudantes secundaristas, planejamento da Prefeitura e dos servidores municipais através da Lei N° 6.016, de 16 de junho de 1989.
No início da década de 1990, já estava definido o desenho da organização institucional de gerência do sistema de transportes e trânsito de João Pessoa, embora não havia sido estabelecida uma prioridade política para do programa de investimentos de modernização do setor de transportes públicos da capital paraibana.
Os corredores e eixos estruturais de transportes formado pelas avenidas Cruz das Armas (27.000 pass/mês) e Epitácio Pessoa (35.700 pass/mês) atendiam 60% do total da demanda de passageiros que utilizam ônibus da cidade, depois vinham os corredores das avenidas Dom Pedro II (18.000 pass/mês), 2 de Fevereiro (11.000 pass/mês), Tancredo Neves (10.000 pass/mês) e José Américo de Almeida (2.700 pass/mês) (Figura 79).
A malha viária principal da cidade se caracterizava por uma estrutura rádio- concêntrica que interligava centros locais menores com a área central da cidade. Excetuando às linha circulares, todas as linhas de ônibus convergiam para os bairros do Centro e Varadouro, passando em frente à Prefeitura Municipal indo até o terminal de ônibus na frente do Terminal Rodoviário de Passageiros.
Ocorria na área central uma dupla concentração tanto de atividades econômicas como de circulação de ônibus e de veículos particulares. Havia no trecho central dos itinerários uma
superoferta de lugares nos ônibus das linhas em duplicidade.
O sistema de transportes públicos funcionava com 54 linhas de ônibus operadas por seis empresas privadas que possuíam uma frota de 255 ônibus realizando 104.400 viagens/mês.
Figura 79 – Mapa de reconstituição do arruamento 1992 com itinerários de ônibus. 2005.
Havia ainda por parte dos empresários certo conformismo com a situação de confinamento espacial de suas linhas e a descrença de que os poderes públicos não podiam intervir diretamente e nem tinham condições financeiras para ampliar a sua presença no setor e na operação de linhas através de uma empresa pública com atuação restrita a cidade de João Pessoa.
No início dos anos noventa, a Superintendência de Transportes Públicos – STP, criada na década anterior, encontrava-se atuando de maneira isolada sem ajuda do DETRAN-PB. As ações dos órgãos eram pontuais, não existia planejamento estratégico e o descrédito era geral em relação à administração do Município.
Mesmo assim, houve avanços na área de transportes públicos, a STP modificou as linhas em duplicidade visando melhorar o funcionamento do sistema, regularizou e disciplinou os estacionamentos no Centro e Varadouro e, pôs em funcionamento a Zona Azul com os estacionamentos rotativos.
A gestão do setor de transportes públicos João Pessoa se enquadrava na categoria em que as autoridades se restringiam a supervisionar os serviços dos operadores existentes, ou provar novas estruturas tarifárias propostas pelos operadores e, quando muito ainda controlar as freqüências dos serviços.
As operadoras privadas concessionárias do serviço de transporte coletivo de passageiros promoveram uma renovação em torno de 20% do total da frota de ônibus, ampliando a frota para 305 ônibus.
Enquanto isso, o crescimento da Cidade em direção a Zona Sul da Cidade tornou-se irreversível, houve um adensamento populacional acelerado na região formada pelos conjuntos habitacionais. As áreas de expansão possuíam dois pólos de geração de tráfego: UFPB e UNIPE.
Segundo depoimento dado pelo Superintendente da STP, na época, Engenheiro Carlos Batinga, em palestra dada aos alunos do Curso de Arquitetura da UFPB, em 1991, os principais problemas do setor de transportes públicos de passageiros da capital paraibana eram os seguintes:
• Superposição de linhas e um sistema de transporte público caro e ineficiente; • Compartilhamento por todas as linhas do trecho Lagoa/Terminal;
• Dificuldade de realizar deslocamentos transversais e tangenciais pelos bairros da cidade;
• Conflito de competências e atribuições na gerência do sistema de circulação entre DETRAN-PB e STP-JP;
• Inexistência uma programação contínua de investimentos no setor de transportes; • Os loteamentos novos e os conjuntos habitacionais são implantados sem acessos viários pavimentados;
• A área de transportes não é prioritária tanto no governo estadual como municipal, e não sendo criado um ambiente propício à expansão do setor enquanto; e
• A estrutura de planejamento da cidade fica irremediavelmente comprometida com a separação do planejamento, fiscalização, controle do uso do solo e o licenciamento de atividades da área de transportes.