Após a realização do enquadramento teórico e para continuar com a prossecução dos objectivos específicos inicialmente elencados, segue-se o trabalho de campo. Este tem em vista a verificação dos conceitos teóricos apresentados na parte I aplicados à realidade da GNR. Neste capítulo são expostas as hipóteses de resposta às questões de investigação, é apresentada a metodologia adoptada na realização do trabalho de campo e é feita a caracterização do universo de análise e da amostra escolhida.
5.1 HIPÓTESES
Um trabalho de investigação assenta em hipóteses, que segundo M. Hill e A. Hill (2002, p.250) ―derivam directamente dos objectivos da investigação‖. Assim, face às perguntas de investigação levantadas em 1.1.5 e aos conceitos apresentados na parte I, formularam-se as seguintes hipóteses:
H1: A reestruturação da GNR proporcionou uma melhor coordenação entre a DI e a DIC
ao colocá-las na dependência do mesmo comando funcional.
H2: Face ao atraso na implementação do SIIOP, a coordenação é mantida através da partilha de informações entre as Direcções. Ao nível dos CTer o Oficial responsável terá que garantir a coordenação entre as duas vertentes.
H3: Estão claramente definidos os procedimentos relativos aos locais para onde devem ser encaminhadas as informações que chegam ao CTer (SOIIRP).
H4: Ao nível das Direcções a análise de informações é feita por elementos especializados em gabinetes de análise, ao nível dos CTer a análise é feita na SOIIRP.
H5: A distância geográfica entre as Direcções constitui um obstáculo à sua coordenação.
H6: A actividade da DI está vocacionada para a prevenção criminal, a actividade da DIC está vocacionada para o combate á criminalidade (após a ocorrência).
Capitulo 5 – Metodologia do Trabalho de Campo
AS INFORMAÇÕES E INVESTIGAÇÃO CRIMINAL NA GNR 23
5.2 MÉTODOS E TÉCNICAS
A realização de um trabalho de investigação pressupõe uma metodologia baseada em métodos e técnicas de recolha de informação, que após serem aplicadas permitem responder ao problema inicialmente apresentado e traduzido em hipóteses.
De acordo com Lakatos e Marconi (2003, p.105) ―a metodologia é o caminho para o desenvolvimento e concretização de um trabalho de investigação e permite a orientação necessária para percorrer e alcançar os objectivos definidos‖.
No início do trabalho o investigador depara-se com um desafio que é a forma de abordar o seu problema. Atendendo a que nem todos os objectos de estudo permitem a obtenção de dados quantificáveis, torna-se necessário optar por outra abordagem que seja cientificamente correcta – a abordagem qualitativa.
Neste trabalho, uma vez que se pretende saber quais os meios de coordenação necessários entre a DI e a DIC, a abordagem qualitativa é a mais adequada para responder ao problema em questão. A referida resposta não se obtém pelo registo de dados que possam ser quantificáveis mas sim através da compreensão da realidade da instituição GNR.
A aproximação à realidade que se está a estudar foi possível com a realização de entrevistas semi-directivas28 a Oficiais da GNR, com funções e cargos relacionados com o tema. Segundo Fortin (2003, p.245) ―a entrevista é um modo de comunicação verbal entre o investigador e o entrevistado com o objectivo de colher dados relativos às questões de investigação formuladas (…) e pode servir de principal instrumento de medida de uma investigação‖.
Os dados recolhidos através das entrevistas constituem a sustentação da parte prática do trabalho, permitem confirmar, ou não, as hipóteses e tirar as conclusões finais da investigação. As entrevistas foram realizadas tendo por base dois guiões29 previamente elaborados de forma a garantir o rigor científico na aplicação do instrumento, no decurso dos meses de Janeiro e Fevereiro de 2009. As entrevistas foram gravadas e transcritas30 com a autorização dos entrevistados. Após a aplicação das mesmas o seu conteúdo foi alvo de uma criteriosa organização para posteriormente se construírem quadros de análise para cada questão.
28
Tipo de entrevista, também designada de semidirigida, caracteriza-se por ser tendencialmente longa, ter um número de perguntas reduzido, dirigidas predominantemente sobre a experiência do entrevistado no assunto em questão (Quivy & Campenhoudt, 2008).
29
Ver Apêndices B, C – Guiões das Entrevistas
30
Capitulo 5 – Metodologia do Trabalho de Campo
A escolha dos entrevistados levou à constituição de dois grupos distintos de oficiais aos quais foi aplicado um guião de entrevista diferente. Isto com o objectivo de obter respostas a questões de âmbito estratégico (relacionadas com as Direcções) e questões de âmbito operacional (relacionadas com a actividade de informações e IC nos CTer).
5.3 CARACTERIZAÇÃO DO UNIVERSO DE ANÁLISE E DA
AMOSTRA
Para este tema o universo de análise é constituído pelos Oficiais da GNR que desempenham funções de comando ou direcção ou chefia directamente relacionadas com a área de informações e a área de IC. Perante este universo foi escolhida a amostra de acordo com o método de amostragem por conveniência31 e tendo em consideração os seguintes critérios:
Cargos que os entrevistados ocupam;
Conhecimento dos entrevistados sobre as áreas que compõem o tema; Experiência profissional relacionada com a realidade em questão;
Quadro 5. 1: Caracterização da amostra.
Grupo Entrevistados Posto Função Unidade
A
1 Major Chefe da Divisão de Informações Direcção de Informações/CO 2 Major Chefe da Divisão de Análise e Investigação Criminal Direcção de Investigação Criminal/CO 3 Major Oficial de Informações e
Investigação Criminal
Comando Territorial de Lisboa 4 Major Oficial de Informações e Investigação Criminal Comando Territorial de Bragança 5 Major Oficial de Informações e Investigação Criminal Comando Territorial de Vila Real
B
1 Coronel Director de Informações Direcção de Informações/CO 2 Tenente - coronel Director de Investigação Criminal Direcção de Investigação Criminal/CO 31
AS INFORMAÇÕES E INVESTIGAÇAO CRIMINAL NA GNR 25