• Sonuç bulunamadı

4. DENEYSEL BULGULARI DEĞERLENDĠRME VE TARTIġMA

4.1. Eğilme Deneyi Sonuçları

No ano de 1965, quando Bori saiu do Departamento de Psicologia da UnB, a psicologia na USP ainda estava dividida nas cadeiras de Psicologia e Psicologia Educacional. Os problemas entre os professores das duas cadeiras eram grandes e um grupo de professores, segundo Walter Hugo da Cunha, não estava querendo renovar o contrato da professora Annita Cabral até que ela fizesse o concurso de livre docência ao mesmo tempo em que “Vinha gente do Brasil inteiro querendo saber como que fazia um curso de psicologia, (...) que livros devia ter, o que que devia fazer, quem devia contratar, quem devia levar. Então era assim. Ela perdia um tempo enorme” (Walter Hugo da Cunha). O depoente contou que, na ocasião, elaborou um abaixo assinado a favor da permanência de Annita Cabral e, em suas palavras: “E para minha surpresa, a Carolina assinou. E o Rodolpho Azzi também assinou. Então, gente... o Dante assinou, eu procurei esse pessoal todo e eles todos: ‘Não, dona Annita é muito importante, defendendo a psicologia, fazendo’ e tal”. Foi nesse momento em que Annita Cabral abre o curso de pós-graduação em Psicologia Social e Experimental e, para o curso, precisava contratar professores. Afirmou: “ai ela resolveu abrir o curso de pós- graduação em Psicologia Social e Experimental e para parte de social ela pensou em umas contratações e na parte de experimental conversando lá, nós chegamos à conclusão de que seria ótimo trazer a Carolina, trazer o Rodolpho também, não?”. Assim, Bori é recontratada para a USP.

Maria do Carmo Guedes também comenta sobre o retorno de Bori para São Paulo. A depoente era professora da PUC-SP em 1965 quando o diretor do Instituto de Psicologia da PUC, Enzo Azzi, pergunta a ela se a professora Carolina Bori poderia ministrar Psicologia Experimental durante o primeiro semestre de 1966. Ela afirmou: “Então foi no primeiro [semestre] de 66 que eu conheci Carolina de perto”. E descreve um pouco a participação de Bori neste primeiro semestre de 1966, na PUC:

a Carolina deu aula para duas turmas. Ficava aquela fila no pátio da cruz de gente para ser atendido... porque ela era professora, sozinha. Na verdade, ela tinha a Herma. Ela trouxe a Herma... Então, Carolina e Herma, no primei... acho que no primeiro semestre de 66. Eu não tinha nem... estava longe de imaginar que eu ia fazer tese em Psicologia. Depois em 67 a Herma ficou com a gente. Ou 66, segundo semestre, não sei. A Herma, eu consegui contratar a Herma.

Contudo, após a participação durante um semestre na PUC-SP e de volta à USP, inicia-se um período de reformulação na educação brasileira. Walter Hugo descreve o momento de “rebeldia dos estudantes” insatisfeitos com o sistema de cátedras e que buscavam uma representação maior dos estudantes nas decisões do curso. Na avaliação dele, os alunos

Queriam criar os departamentos, que era uma ideia simpática, eu acho uma ideia interessante porque o catedrático sempre foi uma pessoa importante demais, mas centralizadora demais, também. Se o catedrático fosse bom, a cadeira dele era ótima. Mas se o catedrático fosse ciumento, fosse uma pessoa enjoada, era difícil.

Era muito difícil. Então, a gente, no geral, os professores e os assistentes todos eram a favor de criar departamento. E o nosso curso de psicologia tinha até uma coisa boa. Que ele tinha uma coordenação de professores que eram todos os departamentos que... todas as cadeiras que lecionavam no curso mandavam aquela pessoa que lecionava lá para essa reunião para resolver problemas de horário, de programa, de contratação, de verba de compara de material, etc. Então, estava se criando um departamento. Mas com a rebeldia dos alunos, eles investiram contra os catedráticos e o único catedrático que nós tínhamos era o Arrigo. Então eles investiram contra o Arrigo... e contra a Annita, que não era catedrática era interina. Catedrática interina.

Walter Hugo afirmou que em todas as disciplinas da cadeira de Psicologia, regida por Annita Cabral incluia experimentos em alguma parte. A experimentação que Bori ensinava acabou se tornando análise experimental do comportamento. Num certo momento, ele avalia que a catedrática tinha a intenção de dividir a cadeira de Psicologia em duas: uma Social e outra Experimental. Por isso, a criação da pós-graduação em Psicologia Social e Experimental, em 1967, já era uma mudança nesta direção. O ambiente na Psicologia da USP

era muito instável: tinha a rivalidade entre as duas cadeiras, a contratação de novos professores, o movimento contra a renovação do contrato de Annita Cabral, a criação de uma pós-graduação. Walter Hugo afirmou que neste momento, “a dona Annita começou a ficar um pouco paranoica. Ela começou a se sentir um pouco perseguida inclusive pelos assistentes dela” até que houve o “movimento dos alunos, ocuparam o pavilhão e exigiram a saída dela. Eles só voltavam à aula se ela saísse. Procuraram então, o apoio dos professores. É um episodio meio chato”. Dentre os professores da pós-graduação, neste momento, estavam o próprio Walter Hugo, Arno Engelmann, Cesar Ades28, Carolina Bori e Rodolpho Azzi.

No curso de pós-graduação, Carolina Bori ministrava as disciplinas ‘Táticas de Pesquisa Científica” e “Ensino Programado”. Muitos dos depoentes fizeram estas disciplinas com ela e alguns deles comentaram algumas dessas disciplinas. Maria do Carmo Guedes, por exemplo, afirmou:

com ela eu fiz Táticas, eu fiz Programação de Ensino, acho que só. [Táticas] Era leitura do livro do Sidman, junto com Maria Amélia. Dava confusão. (...) Táticas era um curso que me ajudava aqui [na PUC] em Metodologia da Pesquisa, sem dúvida. E Programação do Ensino porque era isso que me interessava, quando falo que estava interessada em educação, não era educação em geral, era ensino.

João Bosco Jardim fez a disciplina “Táticas” pouco tempo depois de Maria do Carmo Guedes e comentou tanto a metodologia utilizada na disciplina quando o que isso representou para ele:

O que marcou a todos nós, a toda nossa geração foi o curso de táticas da pesquisa científica. Era um curso muito difícil de ser dado, porque era novidade, o livro não era traduzido e então ela tinha um sistema. Ela dava o Sidman de uma maneira muito curiosa, ela reunia o grupo e pedia que cada um fizesse a ela um número de perguntas, se eu não me engano três. Então, ela dispensava o grupo, ia para a sala dela, estudava as perguntas e voltava e, então, a gente discutia pergunta por pergunta com ela, e era muito interessante, e era muito, muito, muito interessante. É curioso que ela tenha feito assim, de uma maneira tão aberta um curso que, tão explícito, sem esconder um curso que implicitamente... É curioso que ela usasse o método de forma tão explícita e dizia que “eu quero estudar antes de conversar com vocês”. É muito, é muito interessante isso. Agora, é claro que Sidman naquelas alturas era um suparassumo. Aquele livro é um marco extraordinário, então ela precisava mesmo, ela trancava na sala dela, ela pegava pergunta por pergunta, estudava, depois vinha.

       

28

César Ades (1943 – 2012), psicólogo, professor do Instituto de Psicologia da USP, foi diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP, fundador e vice-presidente da Sociedade Brasileira de Etologia. Trabalhou na área de etologia, comportamento animal e cognição animal.

Silvio Botomé foi aluno na disciplina de Ensino Programado e descreve o impacto que na formação dos alunos que ela teve e na sua própria formação. Para ele, uma linha de pesquisa foi desenvolvida a partir das discussões de Bori no tema, gerando uma visão diferenciada de aplicação do método em relação à utilização estadunidense:

tem uma história de desenvolvimento de conhecimento que teve Carolina como alma, como inspiração, como origem, como orientação, como o caminho, como orientadora de direções para vários de nós e essa foi uma delas. Como teve no ensino programado, outras pessoas em vários lugares do Brasil, também tiveram isto com ela. Nem todos tomaram isto como um campo de investigação. Eu tomei.

Estas descrições ajudam a compreender o comentário de Walter Hugo sobre o momento de alunos da USP querendo a demissão de Annita Cabral e um mal-estar entre os professores da pós-graduação em Psicologia Social e Experimental:

os alunos de 68, da turma de 68, era uma turma muito rebelde, era uma turma que queria reformar as coisas, que queria tomar o poder de baixo para cima, não? Queriam começar pela universidade, modificar as coisas... logo eles se aborreceram com isso, mas naquela ocasião, os alunos achavam que a Carolina, ela tinha ideias sobre o que se ensinava nas outras universidades, o que deveria ser ensinado, não é? Sobre pessoas que ela conhecia, e tal, e achavam que ela realmente podia ser a chefe, organizar as coisas. Então, a dona Annita pessoalmente, achou que a Carolina e o Rodolpho tinham feito a cabeça dos alunos contra ela. Não me parece que... na verdade eu acho que era um entusiasmo dos alunos pelo entusiasmo da Carolina.

Arno Engelmann aponta a dificuldade de relação com Annita Cabral e menciona este mesmo movimento dos alunos que Walter Hugo menciona: “houve um momento que todos os assistentes não aguentavam mais a Annita. Ela era uma pessoa muito inteligente, muito. Mas... Então, no fim era um movimento contra ela”.

Com isso, em 1968 o sistema de cátedras acabou e a cadeira de Psicologia, regida por Annita Cabral se tornou Departamento de Psicologia Social e Experimental até o surgimento do Instituto de Psicologia, quando este Departamento foi dividido em dois: Departamento de Psicologia Experimental e Departamento de Psicologia Social e do Trabalho. Carolina Bori se tornou chefe do Departamento de Psicologia Social e Experimental, e, como vice-chefe, Walter Hugo da Cunha.

Neste momento de reformulação daquilo que se tornará o Instituto de Psicologia em 1969, Bori lutou pelo desenvolvimento de um curso que prezasse a experimentação. Walter

Hugo lutou, neste momento, junto com Bori. Ele afirmou que, do ponto de vista deles, um curso de psicologia não poderia enfatizar a aplicação porque

não pode haver uma aplicação que preste sem uma ciência por trás. Se não houver ciência, não houver investigação, essa aplicação vai ser conversa de comadre como você vê por ai. Psicologia virou isso. São comadres. Da palpite na vida de todo mundo, o psicólogo quer colocar a cabeça dele no lugar da cabeça dos outros. “Abandona a sua cabeça e põe a minha que euestoucerto.

Na avaliação de Walter Hugo da Cunha, quando o curso de psicologia foi criado, em 1958, ele não tinha condições para permanecer com a mesma estrutura por muito tempo. Apesar disso, o curso continuava sendo oferecido em condições muito semelhante às condições iniciais. Afirmou: “Quando os alunos começaram a pedir uma reforma para o curso de psicologia, é porque o curso de psicologia era uma bagunça mesmo. Ele foi criado sem condições suficientes para isso. (...) algumas matérias eram dadas em duplicidade de uma maneira que irritava os alunos”.

Os alunos pretendiam instituir o curso em departamentos, com discussão entre os pesquisadores que os integravam e que as decisões fossem tomadas em grupo. Lutavam, em tempos de ditadura militar, por um departamento cujas decisões não fossem tomadas de modo vertical. Nas palavras de Walter Hugo: “nosso departamento funcionava desse jeito. Ele era um departamento democrático. Em grande parte, isso foi obra da Carolina”. Neste momento, mais uma vez, percebe-se a contribuição de Bori marcando o desenvolvimento de uma postura diante dos problemas que um departamento precisa enfrentar.

Em 1969, outro episódio teria gerado grande desparazer em Bori e foi avaliado por Walter Hugo como “uma perseguição” e “uma coisa muito desagradável, muito triste” por Luiz Edmundo de Magalhães, que explica: “Eu acho que por esse período, infelizmente, injustamente até eu posso dizer, ela teve um mal, um insucesso em obter a livre-docência”. Diversos entrevistados comentaram este episódio porque, segundo os relatos, a banca avaliadora teria sugerido à ela que retirasse a tese ou ela seria reprovada. Deisy de Souza, por exemplo, comentou que, após o falecimento de Bori, recebeu um telefonema da secretária que trabalhava com Bori comunicando que todo o material dela estava sendo jogado no lixo. Deisy teria ido até o local e localizado a tese de livre docência. Afirmou: “eu tenho uma cópia, uma cópia de uma tese dela, que ela fez, que ela nunca defendeu na USP que era para ser um, era para ser uma Tese de Livre docência e... e essas coisas políticas da USP, eu sei que ela retirou a tese e nunca defendeu. Eu tenho a tese”.

Outro a comentar este episódio foi Arno Engelmann. Ele destaca que ela era chefe do departamento e que, uma banca formada por cinco pessoas decidiram que ela não deveria se submeter ao concurso. Disse: “No fim ela não fez. (...) É, depois foi organizado uma banca. Umas pessoas, um professor de zoologia, um professor de... realmente eles não aceitaram. (...) Havia dois professores de sociologia”.

Um ponto importante para compreender este episódio da livre-docência é a luta política que existia na psicologia da USP. Este ponto foi enfatizado por Walter Hugo que disse que a de Bori se submeter ao concurso de livre-docência foi tomada pelo grupo da psicologia experimental da USP para poderem criar o Departamento. Disse: “Ela estava mais adiantada, mais perto. Então, começamos a pressioná-la para fazer a livre docência”. Assim ele descreveu o episódio:

Só que ela estava numa tensão enorme, porque tinha o problema de chefia, a luta política, aquela coisa. Ela estava numa tensão enorme, Então, nós a dispensamos da chefia, eu assumi a chefia para que ela fizesse a livre docência. E para que ela pudesse andar um pouco mais, ela me pediu para ler a tese dela e comentar e... fazer comentário mesmo, por escrito, sugerir reforma e mudança e tal. A tese dela estava um pouco descosida, com alguns... tinha alguns dados interessantes, mas ela estava com dificuldade de expressão. Então eu tive um bocado de trabalho para entender o que ela estava querendo fazer e fazer ela colocar, mas ela estava lá colocando. Eu não vi todo o trabalho dela pronto. Eu sei que quando ela apresentou, eles fizeram uma reunião, era uma reunião do Arrigo, o Sawaya, um professora que era de antropologia, Maria Isaura, que ela achava que era muito amiga dela. (...) E não sei quem era o outro, eu sei que eles fizeram uma reunião e propuseram ela, se não me engano foi o Sawaya que propôs, que retirasse a tese porque senão ela ia ser reprovada. E nós achamos muito injusto aquilo porque, talvez a tese dela não fosse perfeita, não fosse... foi feito meio às pressas, meio ajambrada lá, sei lá. mas, conhecendo certas teses que foram produzidas no departamento do Arrigo, era um... havia umas pessoas lá que se botassem as mãos nos chão, não levantava mais. Era... era... havia teses fraquíssimas lá. e foram aprovadas. E aprovadas com notas altas. Então, eu tenho a impressão que foi mesmo uma perseguição. (...) [Ela] devia ter defendido a tese. Ora, que reprovassem em público.

Com isso, nunca mais voltou a tentar o título. Acabou se envolvendo cada vez mais com atividades de política científica. Por causa desse envolvimento político, alguns dos depoentes questionaram a contribuição de Bori como uma cientista. Outros criticaram esta visão da contribuição de Bori, afirmando que ela continuou fazendo pesquisa, mesmo com a atuação política. Este assunto é o que gerou mais discordância entre os entrevistados. Nove deles discutiram diretamente o assunto. Alguns avaliam que Bori fez muito pelo

desenvolvimento da ciência no Brasil, mas, ainda sim, ela não pode ser considerada uma pesquisadora. Walter Hugo, por exemplo, afirmou: “Ela não era pesquisadora. Você não consegue apontar uma grande descoberta que ela tenha feito, não? Alguma contribuição grande, assim”. Luiz Edmundo avaliou as condições de trabalho de Bori para falar de suas limitações e contribuições como pesquisadora:

Primeiro, eu acho que psicologia, infelizmente, ela foi uma área, e não sei hoje como está, mas seguramente ela foi uma área que não tinha o desenvolvimento, a qualidade necessária dentro da USP. Então isso é grave. E é responsável porque as pessoas também não se desenvolvem lá dentro. E eu considero que as limitações, que as eventuais limitações da Carolina são decorrentes daquele ambiente que você não pode superar sozinho. Você precisa forças maiores para... você precisa trazer gente de fora, você precisa ter um reitor ou um diretor que tome a peito essa tarefa. Então, você tem problemas institucionais e que a responsabilidade não é dela. Então como eu te disse, eu acho que ela como profissional, ela foi extremamente dedicada, ela foi extremamente honesta, investiu, procurou trab... dentro da filosofia dela com certas limitações do que forneceram para ela. Ela tinha uma visão... era uma pessoa muito tranquila, eu acho. Ela demonstrava uma certa tranquilidade. Ela encarava as coisas, ela procurava estudar, ela procurava avaliar, mas ela... ela queria que os alunos fizessem pesquisa, ela se apegou ao problema da metodologia, ela incentivava muito o desenvolvimento dessa área, mas ela mesma ficou tão assoberbada de trabalho causa alunos e a sociedade de uma certa forma que não permitiu que ela desenvolvesse mais.

Na mesma linha de análise de Luiz Edmundo de Magalhães, Isaias Pessotti afirmou: “Engraçado, muito militante em favor da pesquisa, da formação de pesquisadores, mas ela pesquisou muito pouco”.

Um ponto de vista diferente quando à contribuição de Bori como pesquisadora foi apresentada por Eduardo Moacyr Krieger, que também separou a atuação como pesquisadora da atuação no contexto da política científica: “a Carolina teve uma atuação paraticamente nos dois setores com grande intensidade e com grande sucesso”. Para ele, apenas quem é reconhecido como liderança aqueles que, primeiro, tem um reconhecimento como pesquisador em uma área específica.

Ela nunca deixou de ser pesquisadora e nunca deixou de atuar politicamente em sociedades, SBPC, Estação Ciência. Tudo que envolvia, digamos, problemas de educação, problema de ciência e tecnologia, estrutura do sistema. Ta certo que estava tudo para ser construído. O Ministério de Ciência e Tecnologia foi criado em 1985 e começou a passar por momentos de turbulência de que não era mais Ministério, virava Secretaria e virava Ministério de novo. Então, esse é o depoimento que eu poderia dar. Não é? É uma pessoa que teve um

envolvimento muito ativo, mas com legitimidade, não é? Porque você... na nossa área, para você ter liderança, digamos na área universitária, acadêmica, é preciso você ser reconhecido pelos pares dentro do seu setor, dentro da sua competência. Isso é muito importante, que você legitima a sua liderança se você é reconhecido pelos pares na sua... Isso ela era! Quer dizer, ninguém duvidava da competência dela na psicologia experimental. Então, isso dava suporte.

João Cláudio Todorov preferiu dividir a atuação de Bori como pesquisadora em outros duas áreas: desenvolvimento de pesquisa e publicação de pesquisa. “É, isso Então,, eu acho que ela foi uma grande cientista, ela não publicou muita coisa”. Justifica-se dizendo que a pesquisa era feita junto aos vários mestrados e doutorados que orientou.

Outro ponto que gerou divergências é o que diz respeito às publicações de Bori. João Claudio Todorov afirmou que “os doutorandos [de Bori] não publicavam”. Rachel Kerbauy, por outro lado, também separou as duas atividades em dois setores mas apontou a contribuição de Bori apenas no setor de política científica. No que diz respeito à publicações, Bori nunca incentivou:

Na realidade, eu tenho impressão que ninguém foi incentivado por ela a publicar, ou porque ela não tinha publicado, isso Freud explica e não eu. Eu sou incapaz de explicar isso dela ou porque ela estava muito mais interessada no papel político de abrir campos e formar gente e de dar condição de ter doutores na área e de desenvolver laboratórios. E ela achava que era irrelevante publicar.

Dois dos depoentes justificaram o número de publicações de Bori a partir do contexto em que viveu. Geraldina Witter afirmou que

no auge da vida dela lá na USP, [publicar] não era tão valorizado. É

Benzer Belgeler