Em seu artigo de 1970, Halliday argumenta que descrever os usos lingüísticos sem se
olhar para a estrutura tenderia a algum estudo sociológico, e não de linguagem. Por outro
lado, o exame apenas da estrutura das línguas, prescindido de seu uso, carece de instrumental
8
Whereas we see the significant progress towards empirical testing which has been made through this kind of research, we also see the potential, and even the necessity, of further methodological development to gain further insights into the phenomena involved (...). In the first place, the linguistic phenomena in terms of which the
necessário na explicação do motivo pelo qual a organização se deu de uma forma
determinada, e não de outra. Com o objetivo de postular uma teoria capaz de entender a
língua em uso e, conjuntamente, capaz de examinar sua estrutura, esse autor propõe que se
olhe ao mesmo tempo para as funções e para o sistema da língua. A partir destas afirmações,
três conceitos fundamentais para a teoria se apresentam: sistema, língua e função.
Para a elaboração do modelo do sistema lingüístico, Halliday (2002), além de
entender que deveria lidar com o potencial funcional da produção de significado, teria,
igualmente, de apresentar uma proposta abrangente de forma que a descrição de cada
fenômeno pudesse contribuir para a descrição do sistema como um todo. Halliday e
Matthiessen (2004, p. 19) afirmam: “uma característica da abordagem aqui adotada, a da
teoria sistêmica, é ser abrangente: ocupa-se da linguagem em sua totalidade de modo que o
que se diz sobre um aspecto deve sempre ser compreendido relativamente ao quadro geral”.9
A justificativa de um modelo da linguagem como sistema é dada pelos autores a partir da sua
relação natural com o mundo externo:
São muitas as razões para a adoção de uma perspectiva sistêmica. Uma delas é que as línguas evoluem; elas não são projetadas. Além disto, os sistemas evolutivos não podem ser explicados simplesmente como uma soma de partes. Nosso pensamento tradicional sobre a linguagem, que é composicional, deve ser, se não substituído, pelo menos complementado por um pensamento ‘sistêmico’, por meio do qual buscamos compreender a natureza e a dinâmica do sistema semiótico como um todo (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004, p. 20).10
Nestes moldes, a lingüística sistêmico-funcional propõe que o sistema seja concebido
a partir das dimensões necessárias para que o mesmo seja explicado, bem como os princípios
9
(...) a characteristic of the approach we are adopting here, that of systemic theory, is that it is comprehensive: it is concerned with language in its entirety, so that whatever is said about one aspect is to be understood always with reference to the total picture.
10
There are many reasons for adopting this systemic perspective; one is that languages evolve – they are not designed, and evolved systems cannot be explained simply as the sum of parts. Our traditional compositional
pelos quais se organiza, além das ordens nele constituídas. O QUADRO 1, reproduzido de
Halliday e Matthiessen (2004, p. 20) e traduzido∗∗ apresenta as dimensões do sistema
lingüístico.
QUADRO 1
As dimensões da linguagem e seus princípios de organização
dimensão princípio ordens
1 estrutura (ordem
sintagmática)
ordem oração ~ grupo ou frase ~ palavra ~ morfema
2 sistema (ordem
paradigmática)
delicadeza gramática ~ léxico [lexicogramática]
3 estratificação realização semântica ~ lexicogramática ~ fonologia ~ fonética
4 instanciação instanciação potencial ~ subpotencial ou tipo de instância ~ instância
5 metafunção metafunção ideacional [lógica ~ experiencial] ~ interpessoal ~ textual
Fonte: HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004, p. 20.
A seguir são apresentadas com mais detalhes as dimensões e seus princípios
organizadores. Busca-se também elucidar a forma como estas dimensões se relacionam no
sistema como um todo.
Estrutura
A primeira dimensão apresentada, a estrutura, é a dimensão que responde pelo
aspecto composicional da linguagem. A organização desta dimensão pressupõe, portanto,
hierarquia entre as ordens que a compõem. Segundo Halliday e Matthiessen (2004, p. 20) “o
∗∗
princípio ordenador, tal qual se define na teoria sistêmica, é o da ordem: algumas poucas
camadas composicionais organizadas pela relação ‘uma parte de’ ”.11
Pelo fato de a composição dos itens de uma ordem constituírem a ordem
imediatamente superior, é a dimensão da estrutura que estabelece a ordem sintagmática. As
escalas de ordens pertencem a quatro domínios: ao som, à escrita, ao verso e à gramática. Se a
gramática for tomada como exemplo, a hierarquia composicional de sua escala de ordens,
para muitas línguas, é: [oração ~ grupo ou frase ~ palavra ~ morfema]. O limite entre as
ordens se estabelece por esgotamento. Como exemplo, Halliday e Matthiessen (2004, p. 21)
apresentam como funciona a exaustão no sistema da escrita: “no sistema da escrita, uma
palavra é composta de uma quantidade total de letras, uma sub-sentença é composta de um
número total de palavras, uma sentença de um número total de sub-sentenças”.12
Sistema
Na dimensão do sistema, a linguagem é organizada a partir de uma opção realizada
em oposição a outras opções que poderiam ter sido realizadas, mas não foram. Neste sentido,
se comparada com a dimensão da estrutura pode-se dizer que: “um sistema é um conjunto de
opções com uma condição de entrada, de forma que exatamente uma opção deve ser
selecionada caso a condição de entrada seja satisfeita. As opções são realizadas como
construtos sintagmáticos, ou estruturas”13 (HALLIDAY, 2002, p. 262). A relação entre os
itens na dimensão do sistema não é hierárquico-composicional (“uma parte de”), mas, cada
opção por um termo do sistema realiza uma parte específica de todo o sistema. Assim, a
11
(...) the ordering principle, as defined in systemic theory, is that of rank: compositional layers, rather few in number, organized by the relationship of ‘is a part of’.
12
(...) in the writing system, a word consists of a whole number of letters, a sub-sentence of a whole number of words, a sentence of a whole number of sub-sentences.
relação estabelecida entre um termo pelo qual se opta frente aos outros termos pelos quais não
se optou é “um tipo de” (HALLIDAY e MATTHIESSEN, 2004).
Um ponto importante a ser destacado é que a grande maioria dos sistemas possui
mais de dois termos e, conseqüentemente, mais de duas seleções consecutivas são necessárias
para a instanciação de um item. Isto porque o termo pelo qual se optou abre novas alternativas
e o procedimento se repete. Em um primeiro momento, uma opção estabelece a relação “um
tipo de”, já para a segunda opção, a relação é “um tipo de um tipo de”, e assim por diante.
Desta forma, verifica-se que há um princípio de delicadeza organizando a dimensão do
sistema, ou em outras palavras, a cada seleção por um termo, os itens se tornam mais distintos
entre si.
No sistema lingüístico, os sistemas apresentam entradas bastante indistintas, com
termos que encerram opções genéricas para os itens, podendo ser distinguidos uns dos outros
por uma oposição de exclusão simples. Por exemplo, no sistema de polaridade: [negativo =
não-positivo e positivo = não-negativo]. Já na proximidade do outro pólo, os itens são
bastante mais delicados, assim, a opção não é apenas de exclusão simples, pois leva em conta
outros fatores funcionais.
Assim, dada a apresentação de dois itens, é possível observar como funciona o
princípio de delicadeza em uma rede do sistema. Se for escolhida como exemplo a rede do
Ente simples, no qual se encontra a oposição de tipos de Ente simples, em um nível alto de
delicadeza, Entes bastante semelhantes semântica e lexicogramaticalmente podem ser
distinguidos. Por exemplo, os itens ‘mulher’ e ‘menina’. Em casos como este, no qual o
princípio de delicadeza opera em um nível bastante alto, não é possível afirmar que [mulher =
não-menina e menina = não-mulher], porque a opção por um destes itens requer uma
Ente Simples consciente humano adulto não-humano antropomorfizado masculino criança feminino não- consciente
FIGURA 1 – Opções em alto nível de distinção no sistema para os itens ‘mulher’ e ‘menina’
mulher
menina
masculino
feminino
Ao pólo mais delicado do sistema dá-se o nome de lexical. Este é o motivo pelo qual
sistemicamente o léxico e a gramática formam um contínuo e não são dimensões separadas do
sistema. Operações desta natureza ocorrem para todos os itens instanciados pelo sistema
lingüístico, cujo conjunto, dado o contexto, determina os textos. Como conseqüência,
Halliday e Matthiessen (2004, p. 23) afirmam que
o texto é o produto de uma seleção contínua em uma rede enorme de sistemas (...). A teoria sistêmica tem este nome devido ao fato de a gramática das línguas ser representada na forma de redes do sistema, e não como uma lista de estruturas (...). As línguas são recursos para a produção de significado, e o significado está nos padrões sistêmicos de escolhas.14
Estratificação
A próxima dimensão apresentada, a estratificação, se relaciona com os estratos
componentes do sistema lingüístico. Halliday (2005) identifica os fenômenos conhecidos
14
A text is the product of ongoing selection in a very large network of systems (...). Systemic theory gets its name form the fact that the grammar of a language is represented in the form of system networks, not as an
pelas pessoas (seres humanos socializados no contexto de um sistema semiótico de ordem
superior) desde uma perspectiva científica em uma tipologia que organiza a totalidade dos
fenômenos de maneira hierárquica. São quatro as ordens de sistemas. Matthiessen (2001, p.
49) os apresenta assim:
(i) Sistemas de primeira ordem são sistemas físicos, variando em tamanho desde as partículas ou cadeias subatômicas até o universo inteiro, contudo, estão todos sujeitos às leis da física. (ii) Sistemas de segunda ordem são biológicos. São sistemas físicos com o acréscimo da propriedade “vida”: são capazes de se reproduzir. (iii) Os sistemas de terceira ordem são sociais. São sistemas biológicos e, portanto, também sistemas físicos, mas com o acréscimo da propriedade de valor: isto significa, entre outras coisas, que são organizados como grupos sociais conforme algum modo de divisão do trabalho. (iv) Os sistemas de quarta ordem são semióticos. São sistemas sociais (...) com o acréscimo da propriedade de significado.15
A linguagem, na qualidade de sistema semiótico, é também um sistema físico
(acústico), biológico (neurolingüístico) e social (sociolingüístico). Contudo, não são estes os
elementos capazes de separar a linguagem de outros sistemas semióticos, como a música ou
os rituais religiosos. A diferença entre a linguagem e todos os outros sistemas semióticos se
dá, em primeiro lugar, na dimensão da estratificação.
Uma característica dos sistemas semióticos é que são biestratais, nos quais há um
estrato responsável pelo significado, o estrato do conteúdo, e outro por expressá-lo, o estrato
da expressão. O que aconteceu com a linguagem, porém, foi que o estrato do conteúdo, ao
longo da evolução do sistema, se dividiu em dois: “o ‘conteúdo’ se expandiu em duas partes,
lexicogramática e semântica. Esta é a razão de o potencial da linguagem poder se expandir
virtualmente de forma indefinida. O motivo de isto acontecer pode ser melhor explicado em
15
(i) Systems of the first order are physical systems, ranging in size from subatomic particles or strings to the entire universe, but subject throughout to the laws of physics. (ii) Systems of the second order are biological systems. They are physical systems with the added property of “life”: they are self-replicating. (iii) Systems of the third order are social systems. They are biological systems (and hence also physical systems) with the added property of value: this means, among other things, that they are organized as social groups according to some form of division of labor. (iv) systems of the fourth order are semiotic systems. They are social systems (...) with
termos das funções da linguagem na vida humana”.16 Assim, o estrato lexicogramatical
permite que o conteúdo não mantenha uma correspondência fixa com o significado que
encerra, contrariamente a outros sistemas semióticos.
Nos sistemas de quarta ordem, de um modo geral, um conteúdo é sempre expresso da
mesma forma. Por exemplo, no sistema semiótico da música, um ‘dó’ é sempre um ‘dó’.
Independentemente das circunstâncias, em qualquer composição musical, um ‘dó’ nunca pode
ser expresso, por exemplo, pelo som de um ‘fá’, ou por uma pausa.17 Já no sistema lingüístico,
o estrato gramatical é capaz de possibilitar a criação do conteúdo. Por esta razão, Halliday
(2005, p. 200) afirma:
A gramática é um construto semiótico puramente abstrato (...) que evoluiu como um “estrato” separado entre o conteúdo e a expressão (...). Um sistema deste tipo, isto é, um sistema semiótico de ordem superior organizado em torno de uma gramática, possui a propriedade exclusiva que é fundamental neste contexto: tem o potencial para produzir significado (...). O sistema de ordem superior produz significado em contextos funcionais e, devido ao fato de os significados não serem aleatoriamente relacionados ao contexto, o sistema tem, igualmente, a capacidade de, inclusive, produzir os próprios contextos.18
A principal conseqüência da forma como a estratificação evoluiu na linguagem é ter
a capacidade de produzir significado apenas em contexto, pois não há significação em
isolamento puro de itens. Desta maneira, a grande diferença deste sistema para os outros
sistemas semióticos é ser capaz de criar o próprio contexto. Retomando o exemplo do sistema
da música, no qual um ‘dó’ é sempre ‘dó’, e comparando-o com o tipo de produção existente
16
The ‘content’ expands into two, a lexicogrammar and a semantics. This is what allows the meaning potential of a language to expand, more or less indefinitely. The reason for this can be best explained in terms of the functions that language serves in human lives.
17
Para que isto aconteça, o novo significado de ‘dó’, (ex. “dó como fá”), deve ser determinado, em primeira instância, no sistema semiótico da linguagem.
18
A grammar is a purely abstract semiotic construct (...) that evolves as a distinct “stratum” in between the content and the expression (...). A system of this kind – that is, a higher-order semiotic organized around a grammar – has a unique property that is critical from our point of view in this present context: it has the potential
na linguagem, observa-se que, lingüisticamente, a expressão do item ‘dó’ pode assumir vários
significados.
A partir dos diferentes contextos criados pela linguagem, um ‘dó’ pode significar
“nota correspondente ao primeiro grau da escala natural do modo maior”, mas também, pode
significar “a palavra empregada em substituição ao termo latino ‘ut’ ”, no contexto de
musicologia histórica, ou mesmo um “substantivo simples, comum e concreto” no contexto
do ensino de gramática.
Um aspecto fundamental apontado por Halliday (2005) é a relação funcional entre a
linguagem e o contexto, o que provoca o trabalho gramatical se desenvolver em duas etapas.
Na primeira, o contexto é transformado em significado no estrato semântico e, na segunda, é
transformado nos itens que o realizam gramaticalmente. O princípio que organiza os estratos
relacionando-os é a realização. Isto implica em dizer que o sistema semântico [realizado na
lexicogramática [realizada na fonologia]] realiza o contexto; o sistema lexicogramatical
[realizado na fonologia] realiza a semântica; o sistema fonológico realiza a lexicogramática.
Instanciação
A penúltima dimensão apresentada é a da instanciação. É esta dimensão que permite
a compreensão da linguagem tanto como o potencial de produção de significado comum a
todas as pessoas, quanto como os exemplares que exprimem este potencial, os textos. É
importante ressaltar que a dimensão da instanciação não implica em uma visão dicotômica da
linguagem, pois, entre o potencial da linguagem e as instâncias podem ser observados outros
itens, o que permite localizar potencial e instância como dois pólos de um contínuo,
organizado a partir do princípio de instanciação.
Percorrendo o contínuo desde o pólo do potencial de produção de significado
línguas humanas. Dentro de um sistema lingüístico em particular, que por sua vez constitui
um potencial, observam-se padrões intermediários entre os pólos. Vistos a partir do pólo do
sistema, os padrões intermediários constituem subsistemas, nos quais uma parte restrita da
produção de significado pode ser empregada. Vistos a partir do pólo da instância, são tipos de
situação e tipos de texto, que se agrupam segundo determinados critérios (de qualquer um dos
estratos lingüísticos, semânticos, lexicogramaticais ou fonológicos).
Sobre os padrões no contínuo da instanciação, Halliday e Matthiessen (2004, p. 27)
afirmam: “vistos do pólo do sistema no contínuo da instanciação, podem ser interpretados
como registros. O registro é uma variação funcional da linguagem (...), ou seja, os padrões de
instanciação do sistema total associados a um determinado tipo de contexto (um tipo de
situação)”.19 Sob estas condições, o registro se constitui como uma interseção entre as
dimensões da instanciação e da estratificação.
Dentro da teoria sistêmica, a perspectiva dos padrões intermediários vistos como
subsistemas é abordada pela teoria de registro (MATTHIESSEN, 1993), compreendida como
um conjunto de subsistemas do sistema total da língua. A segunda perspectiva, dos tipos de
texto, é a da tipologia textual, e se liga à estratificação quando é compreendida como a relação
entre as atividades humanas nas quais a linguagem está envolvida e os processos sócio-
semióticos pelos quais é realizada no sistema.
Na dimensão da estratificação, o registro pode ser entendido tanto “de baixo”, a
partir da lexicogramática, em uma perspectiva do sistema, quanto entendido “de cima”, sob a
perspectiva da relação entre o contexto da situação e o sistema lingüístico. Sobre esta
interpretação, Matthiessen (1993, p. 232) afirma:
19
O registro é interpretado em termos da dimensão da estratificação em sua manifestação “de plano” (devido aos trabalhos de MARTIN, 1985, no prelo, etc.). Mais especificamente, é interpretado como um “plano” acima da linguagem que é o sistema de conteúdo cujo sistema de expressão é o contexto da situação, que por sua vez é tomado como o sistema de conteúdo cuja expressão é a linguagem.20
Isto é possível porque, segundo Matthiessen (1993), a teoria do registro para a
lingüística sistêmico-funcional é a síntese da noção de língua como “polissistema”, que segue
a tradição firthiana da língua como um sistema abstrato de outros sistemas de línguas restritas
(interpretado a partir da dimensão da instanciação), e da noção de língua como
“monossistema”, no qual a descrição do sistema lingüístico se aplicaria a toda a língua
(interpretado a partir da dimensão da estratificação).
Independentemente da forma de o sistema ser abordado no que diz respeito ao
registro (monossistema ou polissistema), retomando a idéia de situação como o conjunto de
elementos relevantes para a produção textual, a lingüística sistêmico-funcional entende que o
ponto de partida para a investigação dos registros é sempre “de baixo”, pois é somente através
da análise lexicogramatical seguida pela análise semântica e dos processos sócio-semióticos
por um lado, e da análise de textos, tipos de texto e de subsistemas por outro, que se torna
possível depreender do “cenário à nossa volta” o contexto da situação (COUCHMAN, 2006).
Quando o registro é entendido a partir da forma como a linguagem produz variações
funcionais de forma a criar significados que representem os diferentes contextos, portanto na
dimensão da instanciação, observa-se que a língua não pode ser reconhecida como tal em uma
situação extrema de isolamento. Ao contrário, ela deve ser reconhecida sempre cumprindo
uma função em um cenário (de pessoas, ações e eventos), do qual se depreende o significado,
ou o contexto da situação. Nas palavras de Halliday (1978, p. 28), o contexto da situação “(...)
20
Register is interpreted in terms of the dimension of stratification in its manifestation of ‘planing’ (due to Martin, 1985, in press, etc.). More specifically, it is interpreted as a ‘plane’ above language that is the content system whose expression system is context of situation, which itself is taken as the content system whose
implica (...) que a língua só ganha vida quando funciona em um ambiente”.21 Cabe ressaltar
que para o autor a noção de situação
(…) nunca deve ser interpretada em termos concretos, como se se tratasse de impressões audiovisuais do ‘cenário’, mas, de outra forma, como uma representação abstrata do ambiente em termos de determinadas categorias gerais que são relevantes para o texto. O contexto da situação pode estar
completamente distante dos eventos que circundam os momentos da fala e da escrita [grifo nosso] (...). Essencialmente, esta é uma estrutura
semiótica; é uma constelação de significados derivados do sistema semiótico, que constituem a cultura. Se assumirmos como verdade que o ouvinte, quando lhe são dadas as informações corretas, consegue prever com êxito o que o falante irá significar – e esta parece ser uma consideração necessária, visto que a comunicação, de fato, acontece – então, esta ‘informação correta’