3. MATERYAL ve METOD
3.2.7. EÜAŞ İş Kazalarının Santral Tiplerine Göre Analizi
Seria oportuno problematizar quais os pressupostos que permitiram uma generalização de características que hoje são encontradas num determinado indivíduo considerado autista26.
Existiria aí também uma questão ontológica como pano de fundo. Ele promove uma nova concepção ontológica em termos de modernidade ao promover uma inversão no reino metafísico, no qual a noção do Ser foi substituída pela do Ter. Uma importante ressonância dessa inversão é a possibilidade de que, em temas como o autismo, um rótulo não se sobreponha à pessoa27.
Essa é a ligação entre o estatuto ontológico proposto por Tarde e o autismo. É que ao invés de uma concepção generalista e abstrata do ser humana, como Tarde propõe uma abordagem completamente aderente ao ser humano em questão, no qual o ser humano é configurado plenamente a partir do seu atributo sem que sobre essa conceituação se atribua falha ou excesso, mas, sobretudo, diferença.
Se o ter parece indicar o ser, o ser certamente implica o ter.O ser, esta abstração vazia, é somente concebida como propriedade de alguma coisa , de um outro ser, ele próprio composto de propriedades e assim por diante, indefinidamente.No fundo, todo conteúdo da noção de ser é a noção de ter.Mas a recíproca não é verdadeira: o ser não é todo o conteúdo da idéia de propriedade (TARDE, 2003:87)
Ao conferir-se a alguém um diagnóstico como o de espectro autista, a representação social tende a controlar as causas se os efeitos que as teorias e práticas educacionais venham a
perigosas e errôneas”. Perpassando o debate sobre a “neuroética” e as “neuroimagens”, seria interessante realizar uma pesquisa em que se problematizasse as relações entre o desenvolvimento de novas tecnologias que dão suporte às imagens no mundo contemporâneo e seus impactos nos diagnósticos cerebrais e genéticos no autismo. Para ver um mapeamento da Produção de Subjetividade frente ao atual momento histórico do sistema capitalista onde ocorrem revoluções na Engenharia Biológica, Informática, etc. Ver GUATTARI, F.(1996). Da produção de subjetividade. In: Parente, A (org). Imagem-máquina: a era das tecnologias do virtual. p.177-191.
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Na Casa da Esperança se utiliza a Entrevista para o Diagnóstico de Autismo- Revisada (EDA-R) São 93 questões que se subdividem em:Introdutórias ( 1 a 5),Uso do banheiro (6 a 8), Aquisição e perda de linguagem /outras habilidades( 9 a 28), Linguagem e funcionamento da comunicação ( 29 a 49), Desenvolvimento social e Jogos( 50 a 66)Interesses e comportamento( 67 a 79) e Comportamento Geral( 80 a 93).Instada sobre a relação entre o processo de diagnóstico e a educação, Varienka, psicóloga responsável por essa “triagem” , me disse que “ não se faz diagnóstico em sala de aula”.
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Seria tentador e leviano, por exemplo, comparar a reversão metafísica operada por Tarde a uma característica geral encontrada em autistas: usar as pessoas (a questão do Ser) como ferramentas (a questão do Ter). A questão é evidentemente outra: trata-se de perceber ontologicamente que ninguém deve ser visto em termos de excesso ou de falta, mas a partir da diferença. Essa reversão, portanto, “sacramenta” a idéia de que não há uma essência humana transcendental ou corporal.
ter e a adquirir sobre alguém. Teorias e práticas educacionais que dizem “vamos tentar isso para ver se dá certo”.
Nesse sentido, o autismo se caracterizaria socialmente justamente pelo seu caráter anti-social. Esse caráter, ao invés de ser percebido de uma maneira pejorativa, poderia ser visto como um potencial inexplorado em termos do processo ensino-aprendizado voltado ao autismo retirando de suas características mais freqüentes, tais como o comportamento repetitivo (ecolalia, narrativa literal, etc). Elementos que pudessem vislumbrá-lo sob outra óptica ou ainda na problematização da farta caracterização de que indivíduos com autismo e deficiência mental associada manifestam, por exemplo, uma extrema indecisão diante de situações-problema.
Uma hipótese que Tarde apresentaria é que esse próprio reflexo condicionado poderia ser apreendido também por imitação. Ora, essa falta de interação típica dos autistas pode ser resultado não só de suas peculiaridades tornadas ostensivas pela literatura científica, mas também de todos os vieses imitativos pelas quais as pessoas ditas normais apreenderam desde quando esse fenômeno surgiu na literatura médica originando o que seria o autismo e se condicionaram a agir desta ou daquela forma diante de uma autista.
Esse tipo de operação só ocorre por que o costume e a tradição (formas conservadoras da imitação) em se tratar o autismo encobrem a movimentação.
Essa movimentação, não reside ainda também na forma como se percebe fixamente as características dos autistas e que estão agrupadas nos grandes sistemas classificatório. Ora, um ser humano pessoa não pode ser resumido às suas características. Características podem mudar. Elas são o efeito superficial de inúmeras conexões que percorrem o ser humano.
No autismo, presenciamos a dificuldade encontrada no enquadramento das características de pessoas “portadoras” da síndrome do autismo. Tem se a impressão de que a dificuldade em se definir o autismo vai se ampliando na medida em que se tenta defini-lo. É por essa razão que atualmente se fala em contínuo autista e espectro autista. Tremendo sortilégio que a diferenciação inocula nos métodos científicos que almejam capturar o ínfimo. Uma “característica humana” é já uma composição efervescente de inúmeras dobras infinitesimais28.
Certamente a formula “ter um corpo” não é novidade, mas o que é novo é ter-se incidido a análise sobre as espécies, os graus, as relações e as variáveis da posse, para fazer disso o conteúdo ou o desenvolvimento da noção de Ser (...) esse novo domínio
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Deleuze, recupera aqui a discussão Tardiana sobre a questão do Ter e do Ser. No último tópico desse capítulo desenvolveremos um pouco mais essa questão.
do Ter não nos introduz num calmo elemento, que seria o do proprietário ou da propriedade, determinado uma vez por todas. O que se regula no domínio do ter, através da propriedade, são as relações moventes e perpetuamente remanejadas das mônadas entre si, tanto do ponto de vista da harmonia, que as considera “cada-uma a cada–uma”, como do ponto de vista da união, que as considera “ umas e as outras (...) se um corpo me pertence sempre, é porque as partes que se vão dele são substituídas por outras, cujas mônadas caem por sua vez sob a dominação da minha (há uma periodicidade da renovação das partes, não partindo todas ao mesmo tempo): o corpo é análogo ao navio de Teseu que os atenienses sempre reparara. (DELEUZE, 1991: 165-6)
É possível que as “relações moventes e perpetuamente remanejadas das mônadas” a que se refere Deleuze, alimentem a dificuldade científica em caracterizar as características do autismo como foi observado por Ana Lage (1985). Ela aponta para uma riqueza e uma confusão terminológica nos estudos e pesquisas sobre autismo. Para nós é exatamente essa profusão de métodos e teorias que demonstra que o meio social é composto de fluxos de crenças e desejos.
E necessário operar com margens e mobilidades para que, socialmente falando, se rompesse com as tentativas abstratas de imobilizar a vida reduzindo o indivíduo ao título de portador de alguma necessidade especial, seja essa necessidade de natureza permanente ou transitória.
Ou seja, as características dos indivíduos devem ser vistas sempre em movimento, pois é uma ilusão metafísica não perceber as coisas assim. Vejamos as palavras de Vargas (2001) a respeito dessa ilusão, “uma renúncia à metafísica do Ser- ou à ontologia -em favor de uma metafísica do Ter exige, portanto, uma mudança radical: em vez de buscar a essência identitária dos entes, cabe defini-los por suas propriedades diferenciais e por suas zonas de potência”. Ou ainda, nas palavras de Deleuze (1991: 165), Gabriel Tarde, ao realizar essa operação promoveu “uma verdadeira reversão da metafísica”.
Ora, é justamente esse tipo de reversão metafísica que permite teoricamente acolher e disparar certas surpresas vividas intensamente no cotidiano do autismo. Por exemplo, as recuperações inesperadas de pacientes inicialmente diagnosticados medicinal e socialmente sob um ângulo absolutizador e limitador. Diagnósticos que não perceberam o caráter passageiro, movente e não-localizável das infinitas dobras infinitesimais capazes de se conectarem e se rearranjarem num estado corporal de um ser humano29.
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Os pais de um dos sujeitos pesquisados nesse trabalho ouviram de médicos especialistas que seu filho nunca iria falar. A situação atual dessa pessoa é bem diferente desse diagnóstico inicial. Não é incomum “recuperações” em autistas surpreenderem o saber médico.