5. DEĞERLENDİRME
5.1. Grafiklerin Değerlendirilmesi
5.1.3 Duygusal zorlanma verisi
O segundo governo da Concertación procurou passar da transição à mo- dernização. As autoridades políticas consideraram que, sem deixar de lado o tema das atribuições constitucionais, a prioridade política do governo deveria ser a modernização do país. Isso implicaria criar condições para um desenvol- vimento harmônico, que garantisse a eqüidade e que, ao mesmo tempo, sig- nificasse uma mudança qualitativa dos padrões econômicos vigentes. As ques- tões institucionais e de direitos humanos, ainda que não consideradas supera- das, teriam pouca prioridade na agenda. Essa situação seria revertida ao término da administração Frei.
A concentração do diálogo civil-militar em temas profissionais permi- tiu superar desconfianças básicas, criar espaços de comunicação e produzir uma queda drástica da primazia das autoridades castrenses vinculadas ao regime militar. A política de defesa se transformou no eixo central, o que obrigou o conjunto dos atores dessa área a uma adaptação política e técni- ca. A detenção do general Pinochet produziu significativos retrocessos nes- sas questões.
O governo de Eduardo Frei Ruiz-Tagle optou por uma estratégia que valoriza os aspectos profissionais e postula a necessidade de tornar explíci- ta uma política de defesa suprapartidária e consensual. As autoridades go- vernamentais buscam estabelecer uma clara distinção entre os temas da es- fera política e os de defesa.
Os temas da transição, com vários enfoques “civis e militares”, ha- viam começado a ser substituídos por um debate mais técnico e profissional sobre os conteúdos da política de defesa. Buscou-se canalizar os aspectos re- ferentes aos enclaves autoritários, que correspondiam a temas eminente- mente políticos da agenda, no âmbito político e parlamentar. Não obstante, as autoridades do Ministério da Defesa declararam que não iriam causar tensão à delicada trama do sistema político, ainda em fase de consolidação, pelo desenvolvimento de uma política testemunhal. Vale dizer, pelo envio de projetos de reformas constitucionais que não tivessem consenso para aprovação no Congresso. Dado o peso das coalizões no Congresso, não se tentaram reformas institucionais.
No período 1994-98, o Ministério da Defesa orientou-se claramente para a criação de um espaço de debate sobre a política pública na área da defesa. Nesse sentido, foi criada uma instância que possibilitou debater e explicitar a política de defesa. Neste âmbito, o foco concentrou-se nas ques- tões político-estratégicas e no papel e na missão das Forças Armadas no campo da defesa. Foi um diálogo do qual participou a assim chamada comu- nidade de defesa, integrada por altas autoridades civis, tanto do governo quanto do Parlamento, bem como por acadêmicos e especialistas civis nes- te campo, aos quais se juntam altos oficiais das Forças Armadas. Pelo cará- ter do debate, e por seu enfoque, não foram debatidas questões relativas ao
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V DE M O C R A C I A E FO R Ç A S AR M A D A S N O CO N E SU Lpapel de fiadoras da institucionalidade que as Forças Armadas se auto-atri- buíram na Constituição de 1980; tampouco as questões referentes ao alto grau de autonomia estabelecida, à saída do governo militar, na Lei Orgâni- ca Constitucional sobre as Forças Armadas. O diálogo teve uma finalidade clara, que se cumpriu plenamente: focalizar a política de defesa a fim de ex- plicitá-la. Isso permitiu assentar as bases de uma política de Estado, quer di- zer, para além dos alinhamentos governamentais neste campo. A publica- ção do Libro de la Defensa Nacional é parte desse enfoque. Ele situa o tema da defesa no Chile em um novo cenário, no qual se buscam articular a paz, a democracia e o desenvolvimento, com o concurso de uma vasta gama de atores. Apesar disso, a detenção do general Pinochet provocou a paralisa- ção dos vínculos e do diálogo aberto entre civis e militares. Produziu-se um “enclausuramento” das instituições armadas, o que, combinado às políticas da oposição parlamentar, dificulta a conformação de políticas de Estado, es- senciais nestas matérias.
Três são as características fundamentais da relação civil-militar que se desenvolve no Chile. Primeiro, há nas Forças Armadas uma tradição de profissionalismo. No Chile, a tradição de desvinculação política partidária das Forças Armadas tem peso, o que facilita uma relação civil-militar com enfoque nos temas profissionais. Essa tradição de profissionalismo institu- cional converge com o desenvolvimento de uma percepção estratégica de longo prazo da direção política nacional durante governos civis e militares. O perigo de politização das Forças Armadas vincula-se principalmente aos enclaves autoritários da Constituição, em especial ao papel dos senadores nomeados e às funções políticas do Conselho de Segurança Nacional. Daí a importância que os setores democráticos dão à mudança da Constituição nesses aspectos.
Segundo, tem-se a hierarquização das funções militares, ficando o co- mandante-em-chefe da instituição no ápice da pirâmide. Para as autoridades civis isso tem garantido a estabilidade e é um elemento-chave para a governa- bilidade do país. O resultado do caso Letelier e o acatamento da decisão dos tribunais de justiça, em especial da condenação à prisão das autoridades má- ximas da principal instituição de repressão do governo militar, puseram à prova o respeito à hierarquia.
Finalmente, a terceira característica provém dos civis, em especial dos partidários da Concertación, e traduz-se em um crescente interesse em abor- dar o tema da defesa de modo mais sistemático. O mundo acadêmico muito contribuiu para o exame das relações civis-militares, dos assuntos da defesa e dos temas estratégicos regionais e internacionais em sua globalidade.
Os principais debates na área da defesa não se prendem a temas pro- fissionais, dado que ainda há questões constitucionais presentes, em espe- cial a definição dos papéis das Forças Armadas no sistema político e temas vinculados aos direitos humanos.
O debate sobre a modernização da defesa foi postergado. Com isso re- tarda-se a possibilidade de se avançar em questões significativas referentes aos vínculos entre Forças Armadas e sociedade em um sistema democrático. A desconfiança retornou de modo importante, juntamente com nova polari- zação no nível da elite política. A oposição de direita ao governo da Concerta- ción e alguns “porta-vozes” dos militares da reserva a ela ligados não contri- buíram para a continuidade e o aprofundamento do diálogo profissional. Será necessário retomar aspectos substantivos do que foi realizado no perío- do precedente para trazer novamente os temas profissionais para o centro das discussões sobre a política de defesa. Isso implicará necessariamente re- solver os temas vinculados aos direitos humanos para evitar a recorrência de ciclos de aproximações positivas e distanciamentos, produto da profunda di- visão gerada pelas distintas perspectivas sobre o passado. Para tanto, será fundamental abordar os temas institucionais. Passada uma década, as ques- tões constitucionais e de direitos humanos continuam sendo as que determi- nam as posições estruturais no sistema político. Sua superação implica esta- belecer um pacto constitucional legitimado por toda a sociedade.