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DURUM ANALİZİ

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FIG.11 Editoriais de CP, AT E TT

FIG.12 Editoriais diferenciados

Estes textos evidenciam uma carga pessoal ao serem estruturados em pri- meira pessoa, carregados de impressões, sentimentos e conselhos de quem escreve. É comum o editor relembrar fatos de sua adolescência, problematizar determinadas questões e junto prover soluções ensinadas com muito didatis- mo. Para reforçar esta identificação, os editoriais costumam trazer saudações, despedidas, fotos da editora e sua assinatura. A estratégia é mostrar

proximidade com a leitora, como se a editora estivesse escrevendo exclusiva- mente para cada menina.

Tenho certeza de que você está toda ansiosa para começar a ler as matérias de Atrevida. E eu ainda tenho que fazer as malas: estou saindo de férias, mas volto já, já! (CATARINA ARIMATÉIA, AT2: 6)

Ta bom, você já está cheia de ver retrospectivas, mas eu preciso fazer a minha. Em março deste ano, ganhei o melhor dos presentes: me tornei a redatora- chefe da CAPRICHO. E confesso aqui, estava morrendo de medo. De não dar conta, sabe? De não corresponder às suas expectativas, de errar na escolha da capa, de não conseguir cumprir os prazos (e esse é um pesadelo recor- rente). Mas aí o tempo foi passando...As coisas dando certo... E depois dando supercerto... [...] Então, só posso terminar o ano dizendo obrigada (TATIANA SCHIBUOLA, CA9: 4)

Ao analisar as revistas por um aspecto histórico, é possível verificar como este caráter pessoal dos editoriais extravasaram às primeiras páginas, pas- sando a incorporar o conteúdo interno da publicação com informações particulares e percepções dos repórteres. Este fator não é recorrente em TT, já que esta publicação mantém um distanciamento conforme as estruturas de imparcialidade do jornalismo clássico.

FIG.13 Fotos, saudações e assinaturas nos editoriais de AT, CP e TT

MEL DELS!!! Eu acabo de abraçar Nick, Kevin e Joe Jonas. Eles não usam muito perfume e têm a pele perfeita. [...] Incrível, mas não posso gritar e mantenho a calma, pelos menos na presença deles. [...] Ainda não acredito que estou ali, cara a cara com os Jonas Brothers (THIAGO THEODORO, CA9: 13).

Uma das coisas mais legais em trabalhar na Atrevida e na Atrevidinha (pois é, as duas ficam juntinhas, na mesma redação!) é poder passar para vocês notí- cias exclusivas dos artistas que mais amam. Às vezes, nem parece trabalho pra mim! (BIANCA IACONELLI; AT9: 18)

Charaudeau (2006: 56) examina essa estratégia do enunciador, que uti- liza recursos intimistas e atraentes para produzir este efeito de sedução ou persuasão no interpretante. Fairclough (1989: 127) introduz o conceito de “personalização sintética” para definir este tipo de estratégia discursiva que sugere um envolvimento entre locutor e leitor, simulando uma amizade entre as partes, uma relação de confiança, a partir de uma seleção léxica. Como forma de reforçar um tom informal, estes textos assumem um estilo conversacional, carregado de marcas de oralidade. A rigidez jornalística é substituída por um tom corriqueiro, um discurso carregado de interjeições típicas do linguajar adolescente. De acordo com Buitoni (1981), o enunciador busca aproximar a leitora ao máximo da publicação, fazendo com que toda a produção não passe de um papo entre amigas.

Esse jeito coloquial que elimina a distância, que faz as idéias parecerem simples, cotidianas, frutos do bom senso, ajuda a passar conceitos, cristalizar opiniões, tudo de um modo tão natural que praticamente não há defesa. A razão não se arama para uma nova conversa de amiga. Nem é preciso raciocinar argumen- tos complicados: as coisas parecem que sempre foram assim (125)

O uso dos pronomes “você” e “seu” são alguns destes recursos repetidos constantemente no discurso das revistas; trata-se de uma estratégia de singularidade, para que as jovens se sintam únicas, pessoas especiais para a publicação. Este artifício decorre da segmentação editorial, na qual levou editores a conhecer melhor seu público-alvo, lidando diretamente com seus desejos, gostos e costumes.

Já o pronome “nós” remete a uma realidade partilhada em comum. O uso da terceira pessoa do plural implica em uma simetria dos discursos e por vezes é substituída pela expressão popular “a gente” ou pela inexistência do sujeito, notável somente pela conjugação do verbo. Trata-se de uma estratégia de nomeação, presente também nas matérias, eliminando qualquer marcador explícito de poder ou dominação no discurso das publicações.

Alguns elementos gramaticais tornaram-se mais recorrentes a partir dos anos 2000, reforçando a conotação coloquial proposta. O uso de gírias, palavras estrangeiras, prefixos, diminutivos e diversas interjeições aproximam o discur- so das falas características do segmento adolescente, que costumam separar e identificar este grupo social. Outra recorrência é o uso dos advérbios, uti-

lizados com o intuito principal de intensificar o discurso, reforçando o apelo emocional e suavizando a carga de influência do texto.

Outras marcas de oralidade são interjeições, interrogações, exclamações e reticências que aparecem cada vez com mais freqüência nos textos midiáti- cos, simulando dinamismo e espontaneidade. Esta é uma estratégia para quebrar o texto com a introdução de signos visuais, permitindo uma leitura menos densa da informação. Estas configurações não são apenas adornos estilísticos, mas exprimem um caráter ideológico por remeter a uma simetria entre o discurso do enunciador e da leitora, como se ambos pensassem e vivessem a mesma realidade.

O uso de aspas e parênteses são recursos gráficos que salientam as in- tenções do enunciador. As aspas buscam antever uma frase da leitora, mostrando um enunciador que está alinhado às suas idéias a ponto de exteriorizar um pensamento em consonância com o público-alvo, como se a própria adolescente tivesse proferido tal afirmação. Já o parêntesis insere a opinião do enunciador de forma concreta, reforçando o discurso pretendido e gerando a aproximação com a leitora.

É freqüente os editoriais abrirem espaço para os demais profissionais que colaboram com a revista, expondo os bastidores da publicação, mostrando os detalhes, curiosidades e a agruras para finalizar aquela edição. Seja com texto ou imagens este artifício permite que a leitora se sinta envolvida na construção da revista, como se também pertencesse àquele grupo por estar tendo o privilégio de ler aquela informação e, automaticamente, estar inseri- da naquele contexto.

As revistas femininas adolescentes foram lançadas em um contexto capi- talista neoliberal que submete a informação aos valores de consumo e do entretenimento. Este período é marcado pela configuração da nova imprensa que descaracteriza a prática jornalística de mediação do interesse público com a imposição de uma lógica mercantilista. Segundo Fairclough (2001: 151) este contexto introduz a noção de interdiscursividade, característica da modernidade tardia, por dissolver as fronteiras entre o conteúdo editorial e o publicitário.

A publicidade altera a composição dos textos midiáticos que tendem a uma

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Benzer Belgeler