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DURUM ANALİZİ

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Depois de termos apresentado algumas considerações sobre o Plano de Reforma da Instrução Pública da Paraíba, passaremos agora a tecer alguns aspectos relativos a Reforma do

Ensino na Paraíba em 1935, procurando destacar a sua estruturação, no que concerne ao ensino primário e a formação de professores.

A Reforma da Instrução Pública do Estado e a criação do Departamento de Educação foram implementados a partir da Lei Nº 16, de 13 de dezembro de 1935. Diferentemente das outras leis que regulamentaram a instrução/educação no Estado da Paraíba que eram muito longas e minuciosas, essa Lei foi composta por apenas dezenove artigose pelos tópicos: “Do ensino particular”; “Disposições gerais” e Disposições transitórias”.

O Departamento de Educação ficou constituído pelas seguintes divisões: a) Instituto de Educação;

b) Escola Normal Rural; c) Escola Rural Modelo; d) Escolas Profissionais;

e) Ensino Primário em geral. (ver Anexo A).

Todavia, neste estudo, conforme já mencionamos anteriormente, nos deteremos às “Divisões” mais diretamente envolvidas com o ensino primário e com as diretrizes destinadas à formação de professores, ou seja, na “Divisão” relativa ao Instituto de Educação e na relacionada ao Ensino Primário em geral.

Desejamos, antes de adentrarmos na análise propriamente dita, destacar que se concebermos a “[...] lei como a materialização, ou como prática de um determinado pensar pedagógico[poderemos] perceber outros ângulos até então não pensados antes”, conforme nos lembra Faria Filho (1998, p.115), isto é, a partir da comparação entre o plano de reforma e a Reforma propriamente dita observamos algumas lacunas e redirecionamentos, muito provavelmente provocado pelos questionamentos e possíveis resistências efetivadas por alguns professores, intelectuais, administradores públicos e até mesmo pelos pais dos alunos no processo de elaboração (redação) do documento final.

O Instituto de Educação foi criado para ser um grande complexo educacional com o fim de dar uma formação adequada ao professorado primário paraibano que até então só tinha como instituição formadora a Escola Normal. Tal Escola não contava com espaço de aplicação e com uma estrutura física tão complexa, conforme passou a ser exigida nos projetos de institutos de educação, no Brasil. No caso do Instituto de Educação da Paraíba, o projeto previa abrigar uma Escola de Professores; uma Escola Secundária, que deveria ser

equiparada ao Colégio Pedro II; uma Escola de Aplicação para que os professores formados pudessem realizar seus estágios e um Jardim da Infância.

Dessa forma, podemos perceber que se tratava de um projeto ousado, amplo e grandioso e a própria estrutura física do complexo educacional seria monumental, conforme podemos observar na imagem abaixo:

Figura 3 – Projeto original do Instituto de Educação da Paraíba.

Fonte: Sem informação precisa. Entretanto, temos o conhecimento que essa imagem faz parte de um conjunto de outras, incluindo de grupos escolares, que foram publicadas pelo

Estado da Paraíba no final dos anos de 1930.

Procurando atender ao projeto original, o Instituto de Educação da Paraíba somente foi inaugurado em 1939, aspecto esse que nos deteremos mais especificamente no terceiro capítulo deste trabalho.

Consideramos importante ressaltar os artigos 15º, 16º e 17º da Lei Nº 16 de 1935, que explicitam a transitoriedade da situação dos alunos e dos professores da Escola Normal para o Instituto de Educação. Vejamos os artigos na íntegra:

Art. 15º - Logo que os alunos do atual curso normal terminarem os seus exames será extinto êsse curso, uma vez que o mesmo passará a ser feito no Instituto de Educação.

Art. 16º - Os atuais colegios equiparados á Escola Normal serão, dóra por diante, denominados Escolas Normais, até que se equiparem ao Instituto de Educação, e os alunos por êles diplomados, uma vez nomeados, terão os mesmos direitos que são conferidos aos demais professores do Estado. Art. 17º - São garantidos os direitos dos atuais professores efetivos da Escola Normal, que passarão a ter exercício no Instituto de Educação (Lei Nº 16, de 13 de dezembro de 1935, Art. 15º, 16º e 17º).

Em relação aos funcionários públicos do magistério, a Lei apresenta a seguinte questão:

Art.4º - Serão incluidos no Estatuto dos funcionários públicos dispositivos especiais referentes ao magistério, nas seguintes bases:

a) – classe uniforme, dividida em cinco entrancias; b) – estagio no magisterio, para nomeação efetiva;

c) – promoção quatrienal, mediante requisitos expressamente determinados (Lei Nº 16, de 13 de dezembro de 1935, Art. 4º).

O artigo acima mencionado explicita que os professores passariam a ser tratados com “dispositivos especiais” no contexto do funcionalismo público, todavia passariam a ser a uma “classe uniforme, dividida em cinco entrâncias”. Essa questão ficou mais clarificada nas Disposições Transitórias, da referida Lei, conforme podemos acompanhar no trecho a seguir:

DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS

Art.12º - Para a classificação do atual professorado do Estado, observar-se-á a seguinte distribuição tendo-se em vista os vencimentos a que presentemente fazem jús os professores:

a) – serão de 5ª entrancia os professores de escolas elementares diurnas da capital;

b) – de 4ª entrancia, os de escolas elementares da cidade; c) – de 3ª, os das escolas elementares de vila;

d) – de 2ª, os de escolas elementares de povoações;

e) – de 1ª, os professores de cadeiras rudimentares diurnas e noturnas. ᶊ1º - Os atuais regentes de cadeiras elementares noturnos da Capital passarão a professores de 4ª entrancia.

ᶊ2º - Os atuais professores habilitados por concurso e os adjuntos leigos do interior do Estado constituirão uma classe única: a dos professores não diplomados (Lei Nº 16 de 13 de dezembro de 1935, Art. 12).

A depender da escola que o professor estivesse lecionando ele seria designado de 5ª, 4ª, 3ª, 2ª ou 1ª entrância, sendo interessante ressaltar que a 5ª entrância significava os

professores que estavam em escolas elementares e diurnas, enquanto os que eram da 1ª entrância já estariam em cadeiras rudimentares diurnas e noturnas.

Para os professores serem nomeados efetivamente precisariam passar necessariamente por estágio de um ano nos grupos escolares e suas promoções seriam de quatro em quatro anos, mediante as exigências que o Regulamento da Instrução enfatizava. Nota-se também que a partir desta nova lei há uma maior organização da instrução pública, especialmente no tocante a fiscalização sobre o professorado. Apesar do grande aspecto da Reforma da Instrução Pública de 1935 ter sido o projeto de criação do Instituto de Educação, as disposições relacionadas à carreira o professorado paraibano não foram esquecida.

Já em relação ao Ensino Primário no geral, a Lei em si não trouxe maiores detalhamentos, porém, é interessante observarmos o Art. 5º, que trata da divisão dos grupos escolares. Esse tipo de instituição escolar até então não se tinha uma legislação específica40 que apontasse como deveriam ser organizados e classificados, ou seja, a partir de 1935, os grupos escolares seriam divididos em três categorias, conforme o número de alunos neles existentes.

É importante observarmos que a proposta de José Batista de Melo, então Diretor do Ensino Primário, partia do processo de qualificação dos professores primários para chegar ao seu ensino, qualificando-os melhor, uma vez que seriam eles que melhorariam e reformariam de fato o ensino primário.

Junto a esses aspectos relacionados ao do ensino primário, ocorreu uma grande expansão dos grupos escolares por várias cidades, vilas e povoados no estado da Paraíba41. A construção de novos grupos escolares, instituição esta que era compreendida como sendo de excelência para o ensino primário fez parte desse projeto iniciado já no começo dos anos de 1930 e foi se intensificando com o passar dos anos. Assim, compreendemos que foi de fato no interior dos grupos escolares que os professores desenvolveram suas atividades considerando os novos métodos pedagógicos, partindo dos princípios escolanovistas.

Concluímos este capítulo ressaltando mais uma vez que a Reforma da Educação Pública da Paraíba ocorrida em 1935 se configurou como sendo de fundamental importância para a reorganização do ensino primário como um todo. Esse grande projeto partiu da

40 Vale ressaltar que antes da Lei Nº 16, responsável pela Reforma da Instrução Pública em 1935 na Paraíba, já existiam os decretos de criação dos grupos escolares, que alguns já traziam considerações acerca da organização dos grupos escolares, porém não havia até então uma lei específica que apresentasse como os mesmos deveriam ser divididos.

41Sobre os grupos escolares na Paraíba nos anos de 1930 até meados de 1940 trabalharemos com maior detalhamento no Capítulo 4.

necessidade premente em melhor qualificar o professorado primário paraibano a partir da construção do Instituto de Educação, um complexo educacional inspirado no modelo do Rio de Janeiro, proposto por José Batista de Melo, o então Diretor do Ensino Primário. Assim sendo, consideramos que foi uma reforma, de fato, significativa e importante para este nível de ensino, pois colocou a Paraíba no cenário educacional brasileiro. Feitas essas considerações discutiremos agora a política educacional tanto brasileira quanto paraibana a partir do período conhecido como Estado Novo (1937-1946), procurando observar o que mudou e o que tendeu a permanecer em relação ao ensino primário e quanto à formação de professores.

3 A REORGANIZAÇÃO DO ENSINO PRIMÁRIO NA PARAÍBA NO PERIÓDO

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