O conceito de origem, em cooperativismo, decorre da história dos 28 tecelões de Rochdale, em dezembro de 1844, quando um grupo de tecelões ingleses resolveu se unir, ajudando-se, mutuamente, na implantação de medidas que visavam à melhoria de suas condições de vida. Nesse sentido, ainda que alguns autores apontem outras experiências cooperativistas anteriores, tanto na Inglaterra, como na Escócia, em números de vinte e três cooperativas, os tecelões de Rochdale passaram com méritos à história, por disseminar os princípios do cooperativismo e efetivarem a aplicação da experiência, então pioneira. Eis porque Holyoake (2000, p. 15) afirma que “não há livro, não há folheto, não há artigo de fundo, nem conferência sobre o cooperativismo em que os “28 tecelões de Rochdale” deixem de aparecer”. Dias (1987, cit. in Maud, 2001) faz ressalta, contudo, defende a mesma perspectiva
grande parte dos autores que abordam o estudo sobre as origens do cooperativismo moderno aponta a Cooperativa de Rochdale como a primeira surgida com características e princípios atuais. Na verdade, Rochdale foi a segunda experiência em termos de registro de data (dezembro de 1844). Antes dela, já existiam, na Inglaterra e na Escócia, vinte e três cooperativas. Os “Pioneiros de Rochdale”, como ficaram conhecidos em todo mundo, não inventaram os princípios fundamentais do cooperativismo, mas antes os celebrizaram e os tornaram efetivos pela feliz aplicação que deles fizeram. É isso que explica seu justo renome em âmbito internacional (p. 26).
O que sobressai, nesse contexto histórico, é o fato de que os “28 tecelões de Rochdale”, homens de modesta condição social, puderam, em um momento difícil,
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construir um edifício que se mostra perene e consolidado: o cooperativismo. Registre-se que a Cooperativa dos Probos Pioneiros Equitativos de Rochdale criou regras de conduta, princípios e valores que perduram ainda hoje, bem como a sistematização de tais preceitos em estatutos. Os pioneiros desejavam a melhora do seu hoje, mas também anteviam o futuro por meio da educação, participação social, melhoria na condição de vida de todos os membros da cooperativa.
Ayres (2008), conta-nos a história de Rochdale Society of Equitable Pioneers – vinte e oito operários, tecelões, insurgiram-se contra o domínio dos capitalistas – donos de fabricas e das lojas. Estes homens foram os fundadores da Sociedade dos Probos Pioneiros de Rochdale Ltda, e fundaram, em 1844, uma cooperativa de consumo, com o objetivo de que todos tivessem acesso à realização de diferentes trabalhos, sem dependerem dos chamados“grandes negociantes” – tratava-se de uma cooperativa de consumo.
A esse respeito, May (1998, cit. in Lumertz, 2011), enfatiza que, ao tempo do início de Rochdale, a jornada de trabalho era de catorze a dezaseis horas, com péssimas condições de saúde e de infraestrutura urbana nos bolsões das vilas operárias, decorrentes das migrações camponesas.Segundo o mesmo autor, os pioneiros de Rochdale inspiraram o cooperativismo moderno - que pode ser resumido da seguinte forma: autoajuda ou solidariedade, democracia, economia, liberdade, equidade, altruísmo e progresso social.
Voltando às condições da sociedade vigente no nascedouro da cooperativa rochdaliana, Vicentino (2001, cit. in Sales, 2010), assinala que um dos grandes dramas do processo de Revolução Industrial foi a alienação do trabalhador em relação à sua atividade, e que ao contrário do artesão da antiguidade ou da Idade Média, tendo passado a ser responsável apenas por uma parte do ciclo reprodutivo de uma mercadoria, ignorando os procedimentos técnicos envolvidos. Por outro lado, ao receber o “salário” em troca da atividade mecânica realizada, o operário alienava o fruto de seu trabalho ao capitalista, transformando-o em mercadoria sujeita ao mercado.
Quanto aos valores dos pioneiros do cooperativismo, permaneceram a tal ponto que, nas sociedades contemporâneas, as concepções que se têm de cooperativismo passam, necessariamente, por categorias como cooperação, colaboração e trabalho voluntário, liberdade, progresso social em função de uma organização: a cooperativa.
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Assim é, que o Dicionário Básico do Cooperativismo define cooperativa como “uma associação autônoma de pessoas, unidas voluntariamente, para atender suas necessidades e aspirações econômicas, sociais e culturais comuns por intermédio de uma empresa coletiva e democraticamente controlada” (Tesch, 2000, p. 50).
As ideias e/ou os valores do cooperativismo corporificam-se, portanto, no ente denominado cooperativa, uma organização que se amoldou a diferentes culturas, crenças e regimes políticos. Cabe em qualquer nível de conhecimento dos seus membros, de doutos a indoutos, sem barreiras de etnias ou econômicas. Cooperativa é, assim,
[…] uma associação de, no mínimo, 20 pessoas com interesses comuns, economicamente organizadas de forma democrática, isto é, contando com a participação livre de todos e respeitando direitos e deveres de cada um de seus cooperados, aos quais presta serviços, sem fins lucrativos. (Tesch, 2000. p. 49)
Benato (2000) evidencia, na cooperativa, características especiais como: o caráter social, a igualdade de direitos e deveres, a eliminação de intermediários e a valorização do cooperado/sócio por meio do processo produtivo. Destaca, ainda, que a cooperativa não visa o lucro o que a diferencia das demais empresas.
Em que pese, porém, a possibilidade de que alguns dos valores do cooperativismo possam ser modificados em função mesmo da própria dinâmica das sociedades capitalistas, a verdade é que o cooperativismo tem reconhecimento mundial como atesta a Organização Internacional do Trabalho – OIT – em sua Recomendação 27 que define cooperativa como sendo uma associação de pessoas que se uniram, de forma voluntária, para realizar um objetivo comum, através de uma organização administrada e controlada democraticamente, realizando contribuições equitativas para o capital necessário e aceitando assumir de forma igualitária os riscos e os benefícios do empreendimento com uma participação ativa dos seus sócios.
Nesses termos, Young (2006, p.19) ressalta a dimensão jurídica da cooperativa: “derivado do latim cooperativus, de cooperari, [...] é aplicada na terminologia jurídica para designar a organização ou sociedade, constituída de várias pessoas, visando melhorar as condições econômicas de seus associados”. Importa, ainda, problematizar, com Ricciard e Lemos (2000), a natureza do sistema econômico cooperativista, que consideram:
Cooperativismo utiliza um método de trabalho conjugado, ao mesmo tempo em que pode ser visto como um sistema econômico peculiar, em que o trabalho comanda o capital. É que
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as pessoas que se associam cooperativamente são as donas do capital e as proprietárias dos demais meios de produção (terra, máquinas, equipamentos, instalações e outros), além de serem a própria força do trabalho (p. 58).
Como se pode observar, as concepções sobre o fenômeno cooperativismo e, consequentemente, sobre a organização econômico-social que se reconhece como cooperativa, são múltiplas, mas, no conjunto, algumas características ressaltam-se: associação de pessoas, relação autônoma e democracia entre elas. Valores que apontam para a finalidade que consta em qualquer compêndio de organizações cooperativistas: formar seres humanos de melhor estirpe, mais responsáveis e solidários, de tal forma que a realização de cada um, de per si, seja a realização de todo conjunto social, objetivos que carregam paradoxos em sua essência, tendo em vista que as cooperativas estão cada vez mais incorporadas à lógica do sistema econômico capitalista.
Hoy el cooperativismo por su amplitud y crecimiento logrado en la esfera internacional puede considerarse uno de los movimientos socioeconómicos más grandes del mundo, pueden encontrarse cooperativas u otras formas asociativas, cuya base es la cooperación en todos los países y en las más diversas culturas y economías5 (Consuelo, 2005, p.1)