Após a execução do Plano de Intervenção, caso tenham sido implantadas e executadas as medidas contempladas e atingidas as metas de remediação, a área será classificada como Área em Processo de Monitoramento para Encerramento (AME).
Atingidas as metas de remediação, deverá ser iniciado o monitoramento semestral da evolução das concentrações dos contaminantes nos meios impactados por um período mínimo de dois anos, denominado monitoramento para encerramento.
Uma vez encerrado o período de monitoramento a que se refere o artigo 52 do Decreto Estadual, e mantidas as concentrações dos contaminantes abaixo das metas de remediação, a área será classificada como Área Reabilitada para o Uso Declarado (AR), cabendo ao responsável legal deverá solicitar à CETESB a emissão do Termo de Reabilitação para o Uso Declarado.
De acordo com o artigo 54 do Decreto, classificada a área como Área Reabilitada para o Uso Declarado (AR), caberá ao órgão ambiental determinar, entre outras providências:
I - inserir a área no Sistema de Áreas Contaminadas e Reabilitadas como Área Reabilitada para o Uso Declarado (AR);
II - determinar ao responsável legal pela área que apresente, no prazo de até 5 (cinco) dias, o protocolo de requerimento de averbação na respectiva matrícula imobiliária do conteúdo do Termo de Reabilitação para o Uso Declarado ao Oficial de Registro de Imóveis competente;
(...)
§ 1º - As informações referentes à Área Reabilitada para o Uso Declarado (AR) a serem averbadas, devem indicar expressamente o uso para o qual ela foi reabilitada, que não poderá ser distinto dos usos autorizados pela legislação de uso e ocupação do solo, além da localização e tempo de vigência das medidas de controle institucional e de engenharia implantadas.
(...)
§ 4º - A comunicação às Prefeituras Municipais de que trata o Inciso III deste artigo deverá ser feita ao órgão municipal responsável pela aprovação de projetos e obras e pelo licenciamento ambiental, a fim de garantir que conste das licenças
e alvarás emitidos para o imóvel que a área foi classificada como Área Reabilitada para o Uso Declarado (AR).
Vale observar que, para a alteração do uso ou ocupação de uma Área Reabilitada para o Uso Declarado (AR), deverá ser efetuada nova Avaliação de Risco para o uso pretendido, a qual será submetida pelo responsável legal à aprovação da CETESB.
À guisa final, o processo do caso estudado teve continuidade com quatro campanhas de monitoramento, em dezembro de 2012, abril de 2013, novembro de 2013 e maio de 2014. Pela comparação das concentrações encontradas nas amostras de água subterrânea coletas no local de estudo e os valores orientadores utilizados, concluiu-se que, apesar de existir contaminação da água subterrânea no local de estudo, não se apresenta mais a situação risco à saúde humana, de acordo com as Concentrações Máximas Aceitáveis da CETESB para o uso declarado da área (agora um estacionamento de uma empresa de logística)
CONCLUSÃO
O propósito deste trabalho foi tratar as políticas públicas ambientais a partir de uma visão complexa das interações que é da sua natureza conceitual, dos sujeitos envolvidos e da diversidade de interesses que eles levam à discussão das questões ambientais, e dos arranjos institucionais inerentes aos instrumentos de implementação política. Disto, buscou-se a exemplificação crítica de uma política pública ambiental, o gerenciamento de áreas contaminadas, numa análise restrita da sua implementação no Estado de São Paulo.
Discutiu-se a relação da teoria da sociedade de risco como o conteúdo axiomático dos programas de ação hodiernos, à medida em que, em geral, os processos de decisão de uma política tratará sobre alguma forma de risco. Quando a matéria examinada é ambiental, essa relação é irremediável, haja vista o círculo de incertezas que qualquer elemento do meio ambiente compreende, a complexidade dos danos ambientais e seus reflexos nos sistemas ecológicos e nas sociedades.
No exame pormenorizado dos elementos pertinentes às políticas públicas, observou-se que a construção programática passa por uma série de fatores: o jogo político, o governo da escolha entre os muitos valores e interesses, muitas vezes conflituosos, envolvidos, a necessidade de uma estrutura institucional do Estado mais efetiva para implementar e gerir as decisões tomadas, bem como de uma política administrativo- processualista muito mais profunda e técnica por parte do poder público. Nas palavras de Bucci (2013, p. 153), a questão jurídica da Administração Pública, em alguns níveis e casos, “define-se melhor como um problema jurídico-institucional, isto é, aquele em que as instituições, na relação dinâmica entre a política e o direito, conformam-se reciprocamente”.
Nesse particular, a crítica se volta à reorganização da dinâmica, que deve necessariamente passar pelas cadeiras do direito e seus operadores, não sendo suficiente cogitar uma mudança dos arranjos institucionais que passe apenas pela cultura política. “É preciso que a cadeia de incentivos para os comportamentos de desconsideração das normas seja modificada”, dia a autora.
A seguir, voltou-se atenções aos instrumentos regulatórios de política pública (em sentido geral) existentes. Disto, intentou-se trazer algumas novas vertentes instrumentais que, basicamente, se baseiam numa interação dinâmica entre o poder público, o setor produtivo e a coletividade, de maneira que as ações de governo possuem um componente crítico de responsividade: quer-se dizer, os níveis de adequação por parte dos sujeitos privados (empresas e sociedade civil) serão considerados para o grau de intervencionismo ou incentivo com que o poder público atuará.
Por esse olhar gerencial do binômio compliance (dos atores privados)/responsive
action (do poder público), tomam maior relevância os elementos procedimentais de
avaliação e de capacidade de correção comportamental que os gestores públicos devem demonstrar. Dá-se, portanto, maior relevo à figura da autoridade ou gestor público. Em democracias ainda em fase de construção, como é o caso brasileiro, as formas de organização institucional não são capazes de responder à funcionalidade que políticas públicas demandam. Não é incomum (para se dizer o mínimo) que o processo de formação e transformação dos órgãos na Administração Pública sejam pautados por necessidades de acomodação político-partidárias, em prejuízo da racionalidade técnica.
Igualmente o desenvolvimento de mecanismos de compêndio de informações é basilar para o sucesso de uma ação, haja vista que ela fará parte do processo decisório. E daqui surge uma das faces democráticas mais claras de uma política pública: dar aos indivíduos e às empresas condições de participação nas ações políticas, oferecer a eles um substrato cooperativo dentro da esfera política.
Disto se extraí um ponto fundamental deste trabalho: os instrumentos de regulação das políticas públicas deve objetivar além da postura verticalizada de comando e controle. E reitera-se: comando, normatização, e controle, fiscalização e poder punitivo, são essenciais para a organização institucional de qualquer política pública. Mas essa abordagem, isoladamente aplicada, não é mais capaz de responder as necessidades que as relações modernas demandam. Em outras palavras, ditar comportamentos e punir já não obtém sucesso em muitas áreas, onde políticas de incentivo, de padronização e adequação mediante correção de procedimentos por meios não punitivos demonstra resultados muito melhores.
Num segundo plano, de caráter mais prático, procurou-se visualizar essa análise das políticas públicas ambientais num campo particular, o gerenciamento de áreas contaminadas.
A política estadual para o gerenciamento de áreas contaminadas toca os 16 anos de implementação, com bons resultados aferidos até então. Passou-se de um plano sem qualquer regulação para um relevante contingenciamento temático por parte de empresas e do poder público. O assunto tem sido considerado por vários setores empresariais para a condução dos processos negociais e decisórios e, mais importante, tem-se dado atenção para a questão ambiental e de saúde pública que ela envolve mais proeminentemente. Isso é um fato perceptível na progressão do número de áreas contaminadas cadastradas no sistema de informações da CETESB e leva a interpretação de duas realidades: o poder público tem realizado um trabalho mais extensivo e apurado das atividades potencialmente poluidoras e das áreas contaminadas, e isso se dá em grande parte a evolução técnica que dos gestores e agentes públicos envolvidos, assim como o desenvolvimento dos respectivos arranjos institucionais; a outra, ainda que de forma estritamente cogente e por instrumentos punitivos, os atores privados tem iniciado uma cultura de internalização desse gerenciamento em seus procedimentos de ação, bem como nas suas decisões.
Contudo, se no Estado de São Paulo se trata desse tema há pouco mais de 15 anos, no restante do país esse período é ainda menor. A conclusão é uma só: vivemos a juventude de uma questão ambiental grave, de extensão e consequências ainda incertas, e que por isso demanda uma maturidade forçada.
O equacionamento da questão das áreas contaminadas se dará como resultado da mobilização de diversos setores da sociedade, com a efetiva participação institucional do Estado liderando as iniciativas políticas, a partir de programas de ação amplamente discutidos e que perfaçam o assentamento dos diversos interesses implicados, de forma que esse seja o melhor rumo para a sociedade. Dessa mobilização e do gerenciamento adequado, os problemas atualmente existentes poderão ser solucionados ou mesmo transformados em ações de incentivo ao desenvolvimento e à geração de empregos. O sucesso de um programa de gerenciamento de áreas contaminadas demanda por parte de todos os atores uma demonstração prática do engajamento com a correção dos
procedimentos poluidores, da mitigação e remediação de danos já produzidos, e da internalização na cultura social e empresarial do dever estendido a todos de proteger o meio ambiente e promover os objetivos de desenvolvimento econômicos de forma sustentável.
Toca-se, nesse sentido, o papel de cada setor.
A começar pelas empresas, que exercem atividades potencialmente poluidoras: é vital o aprofundamento da cultura gerencial na construção dos procedimentos internos, internalizando o valor do fator ambiental;
De investidores e instituições financeiras, que igualmente tem sua parcela de responsabilidade no financiamento de atividades ou obras que de alguma forma agridam o ambiente natural e a própria coletividade – a eles também cabe parcela do processo de construção de uma consciência ambiental, recusando sim propostas que não se adequem às novas exigências de sustentabilidade;
Das empresas de consultoria ambiental, que devem exercer suas atividades em consonância com as exigências procedimentais técnicas estabelecidas pelos órgãos públicos. Ademais, devem procurar sempre a licitude de suas atividades, em termos empresariais, trabalhistas, e propriamente técnicas;
Das universidades, em seu papel de construtoras natas do conhecimento e da educação. Inegavelmente, a democracia e a ética ambiental passam pelos bancos de formação acadêmica;
E, por fim, do poder público, o ente a quem devotamos soberania e capacidade de ação, para interferir e interagir nas relações sociais e, por isso, é o primeiro ente de obrigações perante a ordem constitucional, e de quem deve vir todas a iniciativas políticas que visem prevenir, mitigar e corrigir os danos ambientais.
A questão das políticas públicas ambientais é árdua, densa, complexa, e por muito tempo foi deixada à margem das discussões jurídico-políticas. Em nenhum momento se
tencionou exaurir o assunto. Espera-se, todavia, por esse trabalho, contribuir de alguma maneira para o aprofundamento do tema.
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