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56) Dursun E (2007) Diz Ekleminde Osteoartriti Olan Hastalarda Egzersiz
Nesse episódio, o professor começa a aguçar nos estudantes o interesse em compreender o que é um elemento químico. Ele faz parte das mesmas aulas, 4 e 5, mas ocorre depois da discussão sobre os exercícios feitos com os rótulos dos alimentos. Professor e alunos fazem uma leitura comentada de um texto do livro didático que apresenta o título: “O caso do cálcio”. No texto, o elemento químico cálcio é apresentado como um exemplo de mineral que participa da constituição do organismo humano, das conchas e dos minérios.
((A aluna Tatiana está lendo parte do texto e é interrompida pelo professor))
1. P.: Dá uma paradinha ai Tatiana, está até em negrito aí no livro, “o cálcio é um elemento”. E aí a gente vai voltar aqui, o que é ser um elemento?
3. P.: É estar na tabela quântica? Talvez você queira dizer a tabela periódica? Será que é isso então, que elemento...
4. Aluno: Não!
5. P.: Não, será que não é isso não? Não gostou dessa idéia não? 6. Aluno: Elemento é alguma substância existente.
7. P.: Será que carboidrato é um elemento? 8. Alunos: Sim!
((Muitos alunos respondem))
9. Rafael: Professor, carboidratos são muitos, então não.
10. P.: Peraí, carboidratos são muitos tipos de carboidratos, então ele não é um elemento. Eu preciso da concentração de vocês. Eu quero saber o que será essa história de elemento, por que o cálcio é um elemento? O Rafael está falando ali, que o carboidrato tem vários tipos. Basicamente foi isso! Ou eu estou falando bobagem?
11. Gustavo: ((fala algo indicando o livro))
12. P.: O Gustavo espertinho foi aqui um pouco na frente do livro, e ele viu a tabela periódica, eu tenho quase certeza que vocês já viram essa tabela.
13. Alunos: Eu já vi! Ela é complicada! ((Falas simultâneas))
14. P.: Mas vocês já conhecem ela ao ponto de saber se ela é complicada? Olha a ideia do Gustavo, ele está falando o seguinte: Se ele é elemento, ele está aqui na tabela. Agora, não tem aqui na tabela o quadradinho do carboidrato! Por que não tem o quadradinho do carboidrato? 15. Gustavo: Porque tem vários existentes.
16. P.: Vocês estão ouvindo a ideia do Gustavo? Ela é importante! Ele está falando aqui, que não tem carboidratos, porque são vários, e você pega os elementos aqui para fazer o carboidrato. E é por isso que ele não está aqui.
17. P.: Segundo o Gustavo eles são formados pelos elementos que estão aqui. O que vocês acham da ideia do Gustavo? Será que é isso? Carboidrato não é elemento, porque os elementos que estão aqui formam os carboidratos. Será que é isso?
18. Luana: Pode ser, mas também pode não ser.
19. P.: Será que o cálcio é formado por alguma coisa? Pois o Gustavo está dizendo que o carboidrato é formado de outros elementos. O cálcio é formado por outros elementos?
20. Aluno: ele está aqui, como ele pode ser formado por outros elementos? Parece que ele é puro. 21. P.: Ele é puro?
22. Alunos: Também acho! ((Falas simultâneas))
23. Aluno: Mas de onde ele surgiu?
24. P.: Se ele é puro da onde ele surgiu? De onde vem as substâncias, né Luana?
25. Luana: Igual ao que ele falou que vem alguma coisa e forma uma pessoa, o que forma o cálcio? De onde ele surgiu?
26. Gustavo: Se você pensar assim, metade dessa tabela aqui vai por água abaixo, só o que foi determinado nessa tabela é que são substâncias puras.
27. P.: Então a gente tem que investigar melhor essa ideia do Gustavo. Vamos só repetir ela rapidinho, essa tabela aí é uma lista de elementos, pegando esses elementos, você pode fazer outras coisas, por exemplo: carboidratos. Mas que tem outras coisas que não são feitos de nada, como o cálcio, o cálcio ele está chamando de uma matéria pura, o que vocês acham? Luana o que você acha dessa ideia do Gustavo?
Nesse episódio, destaca-se como intenção do professor a introdução e o desenvolvimento da ‘estória científica’. O discurso caracteriza-se como representativo da abordagem comunicativa interativa e dialógica com padrões muito parecidos com o episódio anterior. Essa abordagem parece-nos pouco efetiva para o propósito de introduzir um conceito afastado da experiência cotidiana dos estudantes. A atitude neutra do professor frente aos problemas colocados aos estudantes, que não sabem como responder ao que é solicitado - o que é ser um elemento? - não favorece o processo de busca de estabelecimento de pontes entre os esquemas de que dispõem os estudantes e os conceitos científicos evocados pelo professor.
A solução encontrada pelos estudantes à solicitação do professor consistiu na busca por um referente simbólico para o conceito. Um desses referentes é a tabela periódica, pois segundo os estudantes, se é elemento está na tabela. Outro referente remete à lista de nutrientes nos rótulos de alimentos, o que conduz à identificação equivocada dos carboidratos como elemento químico. Essa busca é, a nosso ver, característica dos complexos associativos descritos por Vygotsky.
A ideia de elemento como constituinte das substâncias é buscada pelo professor sem sucesso. Acreditamos que, nesse caso, apenas a chamada de atenção para o que seja elemento químico sinaliza uma primeira aproximação com uma das ideias principais do estudo na sequência didática, pois o conceito de elemento químico é demasiadamente abstrato para que os estudantes enunciem o seu significado nesse contexto.
As abordagens comunicativas não são, como se vê, boas ou ruins, mas adequadas ou inadequadas a propósitos de ensino. Nesse caso, o discurso dialógico não se apresenta como estratégia viável e efetiva para a introdução e desenvolvimento de um conceito científico abstrato e afastado da experiência concreta dos estudantes. Parece-nos
significativo que um professor experiente como aquele que acompanhamos tenha dificuldades em selecionar modos de interação apropriados às condições e conteúdos a serem desenvolvidos e ao momento da sequência de ensino, o que reforça a convicção da necessidade de incluir tal dimensão na formação de professores de ciências.
Os principais aspectos do segundo episódio foram sistematizados a seguir levando em conta os critérios de nossa análise:
Intenção do professor Introduzindo e desenvolvendo a ‘estória científica’ Conteúdo Leitura orientada para a introdução da ideia de
elemento químico
Abordagem Interativo Dialógico
Formas de intervenção (Ações) O professor faz leituras comentadas do livro texto com a participação da turma, propõe debates e solicita dos alunos argumentos a favor ou contrários a um ponto de vista.
Quadro 9 : Episódio 2 - O que é um elemento?