4.3. Deney Yöntemleri
4.3.7. Durabilite deneyleri
Durante o desenvolvimento dos encontros foi possível perceber que o trabalho com as famílias silábicas representa a tônica na forma de alfabetizar. Isso evidencia uma concepção de ensino da língua baseado no treino e na memorização:
“O que é para eu fazer agora?” Teve uma atividade lá que era para separar as famílias: ra, re, ri, ro, ru. Tinha um monte de palavras em cima: rádio, relógio... Essa atividade foi uma das que ele mais sentiu dificuldade, porque acho que até então ele não tinha feito nada parecido.
Professora 1 – Nunca tinha feito. Deve ser dado às vezes, né? Professora 2 – Ah, mais ele resistiu. Ele não quis fazer nenhum. Ai ele foi para as outras atividades. Eu falei: “E aquela lá? Vamos tentar fazer?” Aí eu peguei, sentei com ele lá: rádio é ra, re, ri, ro ou ru? “Rá, professora”. Então aí ele foi. Então eu falei: “Está vendo, nós fizemos com a palavra rádio. Então as outras palavras você vai fazer a mesma coisa”. Não é que ele fez o exercício todo. Ele fez o exercício todinho (Transcrição do 12º encontro – 24/08/2004).
E aí você prepara uma aula lá, com a família... A família do fa, fe, fi, fo, fu e você fica a tarde inteira com ela. Então são
várias atividades. Aí tem um textinho, daquele texto tem as figuras que ela tem que es... Então faca, foca que ela tem que... Assim escrever ela faz. Assim, vem perguntar toda hora. Explico para ela, tudo. No dia seguinte você vai perguntar para ela que família que é aquela, ela não consegue guarda. Ela esqueceu tudo. Ela esqueceu tudo, tudo, tudo. Assim, sabe? Aí você começa: “O que está escrito aqui?”, “É... É fé?”. Ela faz uma carinha. “É fi?” (Professora 2 Transcrição do 17º encontro – 05/10/2004).
Trabalhar um dia todo com uma família silábica não significa que a criança assimilou aquele conteúdo. Não se trata, portanto, de esquecimento, mas de não aprendizagem. Pensar no significado que a família do fa tem para a aluna, é mais do que necessário, pois tanto faz a professora trabalhar a família do fa ou do pa que para ela terá o mesmo significado, na maioria das vezes nenhum.
O diálogo a seguir, mostra uma tentativa de se levar a uma reflexão quanto à alfabetização por meio das sílabas, buscando chamar atenção para a existência de novas formas de se alfabetizar além da tradicional:
Professora 2 – E assim, por exemplo, a família do pato (PA – PE – PI- PO – PU). Aí ela repete. Eu mando ela repetir um monte de vezes, pra ela né, escutar o que está falando. Aí você faz assim... Vai no PI. Hã!!
Pesquisadora – Você já tentou trabalhar com ela não partindo da sílaba?
Professora 2 – Da palavra?
Pesquisadora – Do texto, podendo destacar a palavra do texto, para que a palavra fique mais contextualizada?
Pesquisadora – Então, aí a AEP me falou isso. Ela falou assim: “Olha, já que pela família silábica...” A professora do reforço também, viu que não estava tendo resultado nenhum ela falou: “Olha P2, vamos trabalhar assim. Vamos começar com as palavras”. Só que ai aconteceu o acidente. Na hora que nós íamos dar início ao trabalho, aconteceu o acidente. Não deu, sabe. Ela até preparou algumas atividades. Ela falou assim: “Não vou... é... Assim, me ligar a leitura, mais assim a parte escrita para ver se ela... né, por exemplo, por BOLA.
Pesquisadora – É, porque a família silábica fica solta... Professora 2 – Fica, fica.
Pesquisadora – E ela não trás significado. Aí ela não grava né.
Professora 2 – Então, agora eu não sei como que está, né. Pesquisadora – Porque a alfabetização não é... Nós não pode falar que é uma memorização.
Pesquisadora – Não é? E a sílaba solta não está trazendo significado nenhum para ela.
Professora 3 – É não trás (Professora 2 Transcrição do 17º encontro – 05/10/2004).
Estabelecendo uma relação entre a formação inicial que tiveram e a forma como ensinam, as professoras destacaram que a mesma foi insuficiente, que quando iniciarem na profissão desconheciam aspectos importantes com relação à alfabetização, dentre outros conhecimentos. Um exemplo disso pode ser percebido em um diálogo entre as professoras 2 e 3, em que a primeira afirmou ter utilizado várias metodologias de alfabetização e que, após participar de um curso de formação de alfabetizadores oferecido pelo município (PROFA36), constatou que não eram as mais adequadas. A Professora 2, por sua vez, também afirmou que ao iniciar na profissão desconhecia muitas coisas, não propiciadas pelo curso de formação e que foi aprendendo com o tempo:
Professora 2 – Então, hoje ela já escreve normal o seu nome. Escreve direitinho. Mas isso porque assim... É aquela outra coisa que eu falo. Quando eu cheguei lá eu não estava no PROFA. Eu aprendi muita coisa no PROFA. Mudou e elas mexeram na estrutura do PROFA. Então coisas que estavam no segundo módulo elas colocaram no primeiro, passaram do primeiro para o segundo, então elas inverteram, sabe? Elas mexeram e, assim, eu aprendi muita coisa no PROFA.
Professora 3 - Que bom, hein? Eu sei, porque eu também cheguei lá zerada. Aí depois eu fui aprendendo, vi quanta coisa que eu deixei de aprende na Universidade, né?
Professora 2 – Mais é isso que eu escrevi aqui, que muitas coisas eu não aprendi na Faculdade.
Várias vozes – É.
Professora 2 – Então o que acontece. Eu não tinha conhecimentos. O que eu fazia? Eu a fazia ficar escrevendo o nome, repetindo o nome, né? Por repetição. Ficava lá. Tadinha! Trinta vezes o nome da coitadinha. Até hoje eu falo: “Aí meu Deus, o que eu fiz? Socorro!”
Pesquisadora – É porque ela vai escrever, ela não vai nem prestar atenção no que ela está fazendo.
Professora 2 – Exatamente.
Professora 3 – Ela memorizou. Na verdade ela não está sabendo o valor sonoro, né?
Professora 2 – Então eu fazia os cadernos. Então eu escrevia com letra de forma, depois com letra cursiva... E vai lá a Maria dez vezes. Tadinha, quando eu lembro que eu fiz isso.
Meu Deus do céu! (risos) (Transcrição do 19º encontro – 09/11/2004).
Toda mudança configura-se em um processo. Com a Professora 2 não poderia ser diferente. Embora sinalize que após começar a participar do PROFA e ter contato com a metodologia de alfabetização proposta pelo curso, passou a rever sua forma de alfabetizar e as atividades propostas, a mudança não foi total. Mais adiante quando formos tratar a respeito das dificuldades na alfabetização de um aluno específico apontadas pelas professoras, será possível perceber, ainda, a indicação de práticas de alfabetização a partir das famílias silábicas.