3.5. Öğrenme Stili Değişkenleri / Modelleri
3.5.9. Dunn ve Dunn’a Göre Öğrenme Stili
Antes de comentarmos sobre o método do equilíbrio reflexivo propriamente dito, é interessante explanarmos, em ampla medida, acerca do construtivismo na justiça como equidade, lembrando que ambos estão em íntima relação. Nessa perspectiva, cabe ressaltar que o pensamento rawlsiano, tanto em seu aparato conceitual quanto nos aspectos relativos aos problemas abordados por ele, pode ser avaliado como o tipo de construtivismo que retoma e renova questões que não estavam tão resolvidas, aprofundando-as em consonância com os motes sobre o pluralismo nas sociedades democráticas, dando-lhes uma justificação coerentista por meio do procedimento da posição original e do equilíbrio reflexivo.
Aqui é conveniente ressaltar que o construtivismo rawlsiano, de algum modo, sempre teve a definição exposta acima. Ele não se efetuou ao nível de cortes nem rupturas bruscas. Como exemplo disso, em Uma Teoria da Justiça, embora Rawls ainda o nomeasse como contratualismo, este, no entanto, devido ao uso do equilíbrio reflexivo e da construção dos princípios de justiça, já delineava o seu aspecto construtivista.
No entanto, tal recurso ainda era considerado moral, porquanto Rawls acreditava que poderia tornar possível a justificação dos princípios por meio da racionalidade. Em TJ, a teoria rawlsiana objetivava alcançar princípios de justiça que poderiam pautar a vida de todo tipo de sociedade. Contudo, aos poucos Rawls se afasta dessa idéia e, para tanto, em O Construtivismo Kantiano na Teoria Moral, Rawls complementa e subordina a noção de racionalidade ao conceito de razoabilidade. Consequentemente, notamos uma precisão maior
em relação ao conceito do político81, com isso, um afastamento das doutrinas compreensivas e, por conseguinte, das crenças básicas fundacionais. No entanto, somente em O Liberalismo Político, embora Rawls mantendo a concepção de posição original, o procedimento enfatizado reside na utilização do equilíbrio reflexivo para a elaboração dos princípios de justiça, afirmando que um princípio moral não pode ser tomado como justificação para outros, forma mais evidente de justificação coerentista.
Contudo, em LP, embora a ênfase no equilíbrio reflexivo, o papel da posição original continua tendo a sua importância, porquanto os princípios de justiça são deliberados por meio da conexão entre posição original e equilíbrio reflexivo em que a justificação para a posição original pode ser oferecida por cidadãos com várias doutrinas morais compreensivas. Então, a posição original aparece como objeto para que ocorra um consenso sobreposto entre doutrinas com visões fundamentais variadas. Esse consenso, por sua vez, é advindo do equilíbrio reflexivo e tem uma razão pública compartilhada. Dessa forma, os princípios de justiça são construídos. Cumpre notar que, nesse aspecto, a característica da justificação coerentista é vista com maior vigor, pois os princípios de justiça são objetos de construção e para alcançá-los os cidadãos não partem de nenhuma crença básica.
Portanto, se em TJ, Rawls poderia ser considerado fundacionista moderado, porque, neste livro, ele, ainda, acredita poder alcançar uma universalidade moral seguindo um pressuposto metafísico-filosófico, em contrapartida, em LP, Rawls restringe a sua teoria, no sentido de limitar o alcance dos princípios de justiça. Nessa obra, a posição original é um modelo de representação que pode ser justificado pelo equilíbrio reflexivo entre os princípios de justiça gerados por ela e os julgamentos bem ponderados. Isso significa dizer que Rawls não parte de uma doutrina moral compreensiva e, sim, de uma concepção de razoabilidade que tem como característica a coerência.
Conforme o supracitado, é conveniente salientar que o construtivismo rawlsiano, caracterizado, em ampla medida, pela posição original, pelo consenso sobreposto e pelo equilíbrio reflexivo, contempla o modelo coerentista emergente de justificação, porquanto, para se atingir o consenso sobreposto, os juízos considerados e o pano de fundo (background) teórico são utilizados por meio do processo do equilíbrio reflexivo amplo, de forma que se tem como exigência a coerência das crenças dentro de um mesmo sistema, ou seja, é necessário que exista uma relação de apoio entre as crenças. Porém, é interessante levar em
81 Político: referente somente à esfera do político, do público, das instituições e não às outras formas de
consideração que elas se apóiam mutuamente, sem que seja necessário qualquer tipo de fundamento último, ou seja, sem haver necessidade de que uma delas sustente as outras. Um exemplo disso é quando Rawls contrasta sua posição com as formas de intuicionismo, afirmando que eles não constroem procedimentos para resolver os problemas morais. Para se entender a contraposição de Rawls ao intuicionismo, é necessário saber sobre os seus vários tipos. Cumpre salientar que o termo intuicionista pode ser considerado como um sinônimo de pluralismo, ou seja, concepção segundo a qual existe um grande número de princípios morais diferentes que não se pode dispor em ordem de importância geral para contribuir para resolver conflitos entre eles.
Geralmente, é considerado intuicionista quem afirma uma concepção particular, a qual determina que ações sejam corretas e quais sejam incorretas. De acordo com isso, os intuicionistas afirmam que apreendemos os princípios morais básicos por intuição. Sidgwick distingue três tipos de intuicionismo: perceptual, dogmático e filosófico: o intuicionismo perceptual permite crenças morais fundacionais sobre as ações simbólicas tanto quanto ações modelos e primeiros princípios; o intuicionismo dogmático nega a existência de crenças morais sobre ações simbólicas, mas as permite sobre ações modelo e primeiros princípios; o intuicionismo filosófico permite crenças morais fundacionais somente sobre os primeiros princípios. Dessa forma, os primeiros princípios são auto-justificados se forem claros, precisos, evidentes por reflexão, mutuamente consistentes, aceitos de uma forma geral, fundado em um self como sujeito cognoscitivo e não ter um a priori hierárquico entre eles. Sidgwick endossa, assim, o intuicionismo filosófico.
No entanto, apesar de algumas diferenças, atualmente o termo intuicionismo moral é usado para referir-se a certos tipos de julgamentos morais sobre ações particulares e situações nas quais as pessoas tecem considerações. Tais julgamentos não necessitam ser auto-evidentes ou indubitáveis e, por conseguinte:
Clarke (1728), Price (1787), Reid (1788), Sidgwick (1879), Moore (1903), Broad (1930), Ross (1930) and Prichard (1949) (…) eles combinam realismo moral com uma versão uma posição metaética conhecida como intuicionismo. 82
No entanto, pode-se observar que há várias versões de intuicionismo83. Nesse sentido, pode-se conjecturar que há um tipo de intuicionismo moral que pode ser definido
82―Clarke (1728), Price (1787), Reid (1788), Sidgwick (1879), Moore (1903), Broad (1930), Ross (1930) and
Prichard (1949) (…) they combine moral realism with a version of fundationalism to form a metaethical position known as intuitionism‖. BRINK. Moral Realism and Foundations of Ethics, 1989, p. 100.
como fundacionista, tendo em vista que tanto o fundacionismo clássico quanto o moderado têm como característica fundamental a confiança em crenças básicas, porquanto:
Fundacionismo tem sido caracterizado como a visão de que o conhecimento o qual uma pessoa teve é uma estrutura ou um edifício, muitas partes e estágios suportam outras, as quais são, como um todo, suportadas por suas próprias fundações (Chisholm, 1964). (…) nós podemos dizer que a fundação consiste de crenças básicas (. . . ) e todas as outras crenças justificadas derivam sua justificação de tais crenças básicas. 84
Por conseguinte, conforme a característica acima assinalada para o
fundacionismo, se, no intuicionismo, as crenças morais são autojustificadas, se os fatos morais existem em virtude dos não-morais e se as crenças morais são justificadas em virtude das suas relações com uma outra crença moral que não requer justificação; isso tudo pode ser considerado como uma espécie de fundacionismo moral no qual este tem o intuicionismo como seu expoente.
Assim, o intuicionismo combina a adoção do realismo moral85 com uma epistemologia fundacional, segundo a qual o conhecimento moral deve basear-se em verdades morais evidentes por si mesmas e com a afirmação não naturalista de que os fatos morais e propriedades morais são sui generis e não-redutíveis a quaisquer fatos ou propriedades naturais. Então, o intuicionismo é a doutrina segundo a qual uma ordem de fatos morais, independentes e anteriores ao nosso julgamento, poderia ser apreendida diretamente por meio de determinados fundamentos. Portanto, é plausível afirmar que o intuicionismo é uma versão de fundacionismo combinado com o realismo moral.
No entanto, o fato de se recorrer às intuições não significa que determinada teoria seja fundacionista. Vários autores têm proposto um procedimento no qual inclui um apelo às intuições morais. Os proponentes de tal procedimento consideram que:
1° - esses julgamentos são cuidadosamente selecionados ou filtrados e, portanto, considerados;
2°- a total justificaçãodealgumaproposiçãomoral resulta da coerência produzida em um triplo conjunto de crenças consideradas por uma pessoa, isto é, um conjunto de
83 Prichard pode ser considerado somente como um intuicionista perceptual, enquanto que Reid, Sidgwick,
Moore e Ross não reconhecem o intuicionismo perceptual.
84―Foundationalism has been characterized as the view that the knowledge which a person has at any time is a
struture or edifice, many parts and stages of which help to support each other, but which as a whole is supported
by its own foundation (Chisholm,1964). (…) we may say that the foundation consists of basic beliefs (...) and all other justified beliefs derive their justification from such basic beliefs.‖ STEUP, Matthias; SOSA, Ernest.
Contemporany Debates in Epistemology, 2006, p. 168.
85 Panoramicamente, poder-se-ia afirmar que o realismo moral afirma que as demandas morais têm razões para
considerados julgamentos morais, um conjunto de princípios morais e um conjunto de background teórico. Assim, a escolha inicial de intuições morais não é assumida para serem indubitáveis, mas são tratadas como pontos fundamentais provisórios, passíveis de revisão.
Rawls é um dos autores que leva em consideração as intuições e, no entanto, tem um diferencial em relação ao intuicionismo, o qual para ele significa:
Apenas uma concepção de uma noção limitada da pessoa, fundada sobre o eu (self) como sujeito cognoscitivo. Como o conjunto de princípios já está fixado, pede-se ao eu, simplesmente, que seja capaz de saber o que são esses princípios e que seja movido por esse saber. A hipótese básica é que o reconhecimento dos primeiros princípios de justiça como verdadeiros e imediatamente evidentes suscita, em vez de ter uma intuição racional disso, um desejo de agir em conformidade apenas com eles. A motivação moral se define com referência a desejos que têm uma forma especial de origem causal, a saber, a captação intuitiva de primeiros princípios. Essa concepção (. . . ) caracteriza o intuicionismo racional de Sidgwick, de Moore e de Ross. 86
Em linhas gerais, segundo Rawls, no intuicionismo, como há uma pluralidade de primeiros princípios, estes podem conflitar fornecendo, assim, diretrizes contrárias em tipos particulares de casos e, se isto ocorrer, não existe um método explícito e nem há normas prioritárias para pesar estes princípios uns contra os outros. No entanto, embora as diferenças, a justiça como equidade pode ser confundida com uma forma de intuicionismo, porquanto, para Rawls, as idéias que dão origem à sua teoria da justiça são chamadas de intuitivas. Contudo, há um equívoco em relacionar a teoria rawlsiana com o intuicionismo, porque as idéias rawlsianas intuitivas constituem a parte da política pública das democracias constitucionais. Elas garantem uma concepção de justiça independente de controvérsias. Assim, com este consenso de base, ter-se-á uma concepção aceitável para todos os grupos que divergem. Isso tudo é alcançado pelo equilíbrio reflexivo. Este, por sua vez, não apela para a auto-evidência de certos juízos, mas sim para a concepção de senso de justiça e a concepção de bem que estão implícitos em uma sociedade democrática liberal. Logo, não se pode dizer que Rawls é um intuicionista e sim que ele apela para intuições que são exigências morais e partilhadas. Elas têm como suporte a existência de um tipo de sociedade, mas não fontes básicas de justificação, pois para Rawls não há fatos morais, porquanto estes, para Rawls, não são de ordem substantiva, devendo antes ser construídos.
Nestes termos, para mostrar o não-intuicionismo de Rawls, é necessário apontar que na justiça como equidade há uma teoria ideal, isto é, aquela procedimental que detecta uma sociedade bem-ordenada e utiliza o artifício da representação chamado de posição
original. Há, também, uma teoria não-ideal que, por sua vez, procura dentro de uma cultura política pública, dos movimentos sociais e das reformas constitucionais, viabilizar uma aproximação maior dos ideais de liberdade, justiça e igualdade. É conveniente lembrar que a relação entre a teoria ideal e a teoria não-ideal rawlsiana ocorre por meio do equilíbrio reflexivo, no qual há um ajuste entre a construção teórica e os fatos, onde a concepção de justiça proposta pode levar a alterar algumas das intenções gerais. Este ajustamento atinge um estado de equilíbrio quando um compromisso é coerentemente alcançado. Nesse sentido, mesmo nas idéias intuitivas, há uma deliberação razoável, uma vez que existe uma descrição aceitável do senso de justiça intrínseco em uma determinada sociedade.
Aqui cumpre ressaltar que a idéia de razoabilidade tem o sentido de não enfatizar as outras crenças dos elementos participantes da posição original, pois o que interessa aos agentes em equilíbrio reflexivo, para chegarem a um consenso sobreposto, é o ideal de justiça que eles estão perseguindo. Por esse motivo, em uma sociedade democrática liberal, as mais antagônicas doutrinas compreensivas podem coexistir. Nesse sentido, Rawls se propõe a trabalhar com o político, mas não com o ético nem com o metafísico. Assim, no consenso sobreposto, a crença é justificada a partir de todas as crenças razoáveis dentro de um mesmo sistema. A razoabilidade exige coerência no sentido de que toda norma que aspire a uma validade deve se submeter à prova da inter-subjetividade, sua força vinculante deve poder fundar-se sobre razões que todos podemos comportar. Dessa maneira, a justificação é extraída da razão pública.
Nessa perspectiva, os princípios de justiça não podem ser deliberados por meio somente de dados empíricos, nem somente por meio da noção de consistência lógica. O equilíbrio reflexivo é uma meta-ação ou meta-práxis. Ele não é uma demonstração por derivação. Por conseguinte, as intuições são pressupostos, pois os princípios de justiça não podem ser definidos como um saber onde o sujeito está perdido no objeto. A questão é que as intuições não são fundantes ou não justificam a concepção de Rawls. Elas originam as concepções, mas não são determinantes das mesmas.
Sob essa ótica, a diferença entre a teoria de Rawls e a doutrina intuicionista ocorre no próprio conceito de intuição de cada uma. Para Rawls, a intuição é relativa ao a posteriori. Para os intuicionistas, a intuição é intelectual. Portanto, diferentemente destes, a intuição rawlsiana não tem a pretensão de desenvolver princípios dotados de uma fundamentação última e sim apreender as idéias da justiça da sua época. Isso ocorre porque Rawls enfatiza o aspecto político em contraposição ao moral abrangente, onde o termo político aqui tem uma relação direta com a idéia de consenso, pois, em uma sociedade pluralista razoável, a
justificação ocorre de forma a que todos reconheçam determinadas crenças com a finalidade de estabelecer as questões fundamentais da justiça política, isto é, o consenso sobreposto. Ele é o critério de validade de uma teoria da justiça. Assim, quando se alcança o consenso, justifica-se a teoria. Dessa forma, Rawls parte das idéias intuitivas, porém sem que elas sejam nem intelectuais nem a priori e, por conseguinte, nem fundacionais.