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Drina Köprüsü Adlı Eserde Fenomenolojik Mekân Algısı

SON GÜN

2. Drina Köprüsü Adlı Eserde Fenomenolojik Mekân Algısı

Questionamos se existia algum tipo de interacção entre a Biblioteca e os utilizadores idosos. A ideia com essa indagação foi perceber se existia por parte da Biblioteca uma atenção especial direccionada aos idosos. Era uma pergunta que dava duas opções; o SIM e o NÃO e solicitava a indicação da forma como era feita essa interacção, caso a resposta do inquirido fosse o SIM.

O resultado apresentado na tabulação dos inquéritos apontou os seguintes resultados: 74 Bibliotecas afirmaram existir essa interacção, sendo que, 10 delas não esclareceram de que forma acontecia essa interacção; 23 responderam NÃO, e nenhuma delas apontou o (s) motivo (s) por que isso não acontecia.

Em comparação à questão que comprovou a existência de idosos nas bibliotecas pesquisadas, que apresentou um percentual de 94,84% essa questão

actual, que mediu a existência de interacção “Bibliotecas versus Idosos”, o percentual caiu para 76,28%, deixando visível que o facto de existirem utilizadores idosos na maioria das bibliotecas respondentes, não significa necessariamente que exista uma interacção.

Quando foi identificado na pesquisa que a leitura das publicações periódicas é o motivo que mais foi atribuído para a utilização da biblioteca pelos idosos, evidencia mais uma vez uma acção sem interacção entre as partes. Essa falta de interacção é evidenciada na citação de Nunes (2007a, p. 53):

O grande obstáculo que se coloca às bibliotecas públicas portuguesas na concretização dos objectivos que lhes são propostos pelo Manifesto da UNESCO, à luz da sociedade contemporânea é ainda […] a sua falta efectiva de impacto social.

A interacção é um processo de influência mútua, na biblioteca, que ocorre quando o utilizador, no momento da busca de informação, solicita o auxílio do Bibliotecário ou de algum funcionário. Chagas et al (2000) apontam que as questões que interferem directamente ou indirectamente na interacção entre os utilizadores e o bibliotecário tanto podem ser de natureza psicológica, como educacionais, culturais ou sociais, e afirmam ainda que essa relação pode ser ampliada ou diminuída conforme ambos os lados da interacção, e apontam alguns factores que interferem nessa interacção, provando, dessa forma, falhas no processo de busca e acesso à informação, tais como:

• Problemas decorrentes no processo de comunicação tais como: dicção, formulação de termos para pesquisa, ruídos da linguagem, ambiente.

• Imagem distorcida sobre o papel e as habilidades do bibliotecário no auxílio à realização da pesquisa.

• Expectativas sobre diversas reacções quanto ao bibliotecário e ao próprio usuário: empatia, simpatia, e apatia.

• Dificuldades em propor a questão de pesquisa onde possam ocorrer fatos como não sentir-se à vontade no diálogo para formulação da questão de referência ou surgimento da timidez.

• Impacto de serviços anteriores não-satisfatórios provocando certos medos e receios para expor novos interesses de busca, evitando causar insegurança pessoal.

• Arrogância de ambas as partes.

• Implicações culturais, sociais, econômicas e educacionais. • Visibilidade e transparência do local de atendimento ao usuário. • Dificuldades de encontrar o setor de referência ou quando o usuário se aproxima do profissional questionado e pergunta se ele trabalha na biblioteca, por exemplo: Você trabalha aqui?

• Alguns usuários parecem ter a sensação de estar importunando o bibliotecário (CHAGAS et all, 2000, p. 3).

Corroborando com esse pensamento, e direccionando esse problema de interacção para a biblioteca pública, Barnes (1985) afirma que a natureza limitada da interacção comummente observada entre utilizador e bibliotecário põe em causa a retórica da biblioteca pública "serviço para todos". Somente aqueles que foram capazes de articular claramente suas necessidades de informação em termos que se referem à organização dos recursos da biblioteca são susceptíveis de receber uma resposta completamente satisfatória.

O processo de interacção é uma via de mão dupla. Cabral (1999, p. 54) já chamava atenção para o efeito negativo da predominância do papel burocrático/administrativo exercido pelo bibliotecário, bem como “a falta de sentido de identidade e de rumo da profissão e o conflito de funções” o que dificultaria o contacto com o público, na medida em que repassa sua desilusão e desinteresse ao utilizador.

Por outro lado, mesmo quando os próprios bibliotecários estão satisfeitos com os papéis que desempenham, eles, de facto, transmitem à comunidade uma imagem bastante fraca, estática e rotineira da biblioteca pública. Por isso, é muito “natural” o grau de falta de sensibilização relativamente à biblioteca pública por parte da comunidade em geral (CABRAL, 1999, p. 55).

A interacção biblioteca utilizador dentro de uma nova abordagem direcciona o centro das atenções voltadas para eles (utentes) como verdadeiros

clientes, no sentido de serem pessoas dinâmicas e conhecedoras dos seus direitos como cidadãos. Nessa perspectiva, Pinto (2007, p. 90) faz a seguinte colocação:

Estas novas concepções têm a ver com a ideia já amplamente aceite de que as bibliotecas existem para servir o seu público. Trata-se de construir um relacionamento, de fidelizar, tal como as empresas que visam o lucro fazem com os seus clientes por terem compreendido, através da experiência, como é importante saber manter os clientes actuais.

Até ao presente momento, as Bibliotecas respondentes foram sempre identificadas pelo nome e por Distrito, porém, para análise das questões, onde forem utilizadas opiniões dos inquiridos, serão identificadas apenas por um número, para resguardar a individualidade dos inquiridos. Se faz necessário esclarecer que essa numeração foi criada no momento de envio dos inquéritos, tendo sido elaborada uma listagem por ordem alfabética do nome das Bibliotecas, com o propósito de controlo de recebimento das respostas, onde cada Biblioteca recebeu um número, para facilitar a identificação.

Ao analisar as justificativas apontadas pelos inquiridos para essa questão (interacção Biblioteca e utilizador idoso), foi observado que algumas delas apresentam ideias semelhantes, que serão apresentadas aqui, divididas em grupo, de acordo com as diferentes ideias apontadas.

a) Algumas Bibliotecas acreditam que através da divulgação das ACTIVIDADES33 direccionadas para os idosos, podem gerar uma situação que propicia essa interacção:

33

Para um maior compreensão na análise dessa questão, é necessário perceber a diferença entre ACTIVIDADE e SERVIÇO. No sentido que foi empregado no inquérito das bibliotecas e na pesquisa, está em conformidade com a definição apresentada no Dicionário PRIBERAM da Língua Portuguesa http://www.priberam.pt/DLPO/ , onde:

Actividade: Realização de uma função ou operação específica Serviço: Exercício de funções obrigatórias.

Entende-se “actividades” em Biblioteca acções pontuais desenvolvidas esporadicamente e para um fim específico. Exemplo: uma exposição de cartões de Natal.

“Serviços” são tarefas corriqueiras já incorporados nas atribuições das bibliotecas. Exemplo: empréstimo domiciliário.

No inquérito o termo e o sentido utilizado foi SERVIÇO, uma vez que tencionava-se averiguar se existia efectivamente um serviço, no sentido de uma acção rotineira, para idosos e de que forma era desenvolvida pela

“Divulgação de novos documentos e actividades” – 75 “Actividades programadas; reserva de títulos de filmes” – 101

“Convite para a participação em várias actividades de animação para o público adulto” – 81

“As inerentes às actividades planeadas na biblioteca” – 223 “Planificação de actividades/projectos dirigidos a eles” – 32

“Sim, tertúlias. Participação nas actividades de extensão cultural, etc.” – 285

“Divulgação da actividade cultural e educativa da biblioteca, de modo a usufruírem” – 304

“Convite directo para determinado tipo de iniciativas” – 130

“Actividades de animação e de extensão cultural direccionadas” – 96 “Actividades culturais” – 34

“Actividades direccionadas para idosos (tertúlias, poesia popular, por exemplo), actividades elaboradas com a cooperação dos idosos” – 286

“Actividades do plano anual de eventos dirigidas a este público” – 200

“Workshops diversos; projecto “memórias com histórias” que é dirigido à comunidade de sénior do concelho, onde se desenvolvem ateliers, espectáculos, onde se contam histórias, etc “– 284

“Frequentarem as nossas actividades” – 248

“Realização de várias actividades de animação envolvendo os idosos” – 14

A estratégia utilizada pelas Bibliotecas, através da divulgação de serviços e actividades, também é apontada por Brasil (2008) como uma “ferramenta de Biblioteca. Foi observado na análise dos inquéritos, que a maioria das Bibliotecas percebeu o sentido de ACTIVIDADE, onde o termo foi associando a uma iniciativa específica. Entretanto, encontramos também respostas cujo sentido estava associado a SERVIÇOS, onde podemos exemplificar: “Biblioteca Itinerante ”.

comunicação efectiva”, principalmente em se tratando de órgãos públicos, bem como é sugerida a aplicação do conceito de marketing social, que levaria a uma mudança de comportamento social, assim como fortaleceria a imagem da Biblioteca e propiciaria um vínculo mais efectivo com seus utilizadores.

b) Outras Bibliotecas utilizam como ferramenta para facilitar a interacção, a DINAMIZAÇÃO DO PROCESSO DE LEITURA.

“A biblioteca organiza sessões de leitura em voz alta” – 56 “Actividades de dinamização de leitura” – 205

“Horas do Conto – inseridas num projecto “Viver activo” no mês de Maio, mês do coração” – 77

“Atelier´s, sessões de contos, adivinhas e canções “– 202

“Convívio, leitura, colocar à sua disposição literatura, jornais, revistas, bem como actividades diversas” – 195

“Integração no Clube de Leitura, visitas à Biblioteca, recitais de poesia” – 91

“São realizadas sessões de leitura em voz alta e leitura animada” – 21 “Hora do conto” – 17

“Recolha de elementos de tradição oral, a partir de um projecto desenvolvido por jovens” – 41

“Hora do conto, ateliers, cinema, literacia digital, etc.” – 120

“Projecto “um livro, um idoso” – dinamização e animação da leitura” – 69

Essas falas evidenciam o empenho de algumas Bibliotecas em utilizar técnicas de dinamização da leitura com o objectivo de interagir com os idosos. As actividades lúdicas de leitura há muito são utilizadas, por serem consideradas um dos principais meios de socialização e para estimular o hábito de leitura como fonte de lazer, principalmente na faixa etária até aos seis anos, por meio de actividades como a “Hora do Conto” e outras actividades lúdicas.

Não só as bibliotecas utilizam-se das actividades lúdicas de leitura como ferramenta para estimular crianças, muitas pesquisas e acções são direccionadas nesse sentido e encontram-se disponíveis na literatura da área, onde apontam por exemplo, a utilização dessas actividades no processo de recuperação de crianças portadoras do HIV. Na área da Gerontologia, já foi constatado também, que actividades lúdicas trazem benefícios para os idosos, embora Jacob (2009) chame atenção que, ao desenvolver essas actividades, é necessário dar uma abordagem diferenciada das actividades infanto/juvenis em quatro pontos: “estimulação permanente; relembrar o passado; o distanciamento do quotidiano e associação com a realidade”. O autor apresenta ainda resultado de um estudo realizado entre 1994 e 2001 nos EUA, com 801 idosos, divididos em 40 grupos, e posteriormente publicado no American Medical Journal de Fevereiro de 2002, onde foi constatado que “realizar actividades intelectualmente estimulantes reduz em 47% a possibilidade de os idosos desenvolverem a doença de Alzheimer”.

Corroborando com o que foi dito acima, exemplificamos, ilustrando com a actividade desenvolvida pela Biblioteca Municipal do Cadaval, em Fevereiro de 2010 (posterior à aplicação do inquérito), onde lançou o projecto “Uma leitura diferente34 ”, que é um projecto itinerante da Biblioteca Municipal, que visa ir ao encontro da “população sénior institucionalizada, proporcionando-lhe a narração de um conto e promovendo uma salutar troca de experiências”. Embora tratando-se de um projecto experimental, segundo informação obtida no site da Câmara Municipal, “se for bem aceito pela comunidade visada, passará a contar com uma regularidade semestral ou mesmo trimestral, a actividade poderá, mais tarde, estender-se, inclusive, a outros concelhos”.

c) Algumas justificativas apresentadas pelas Bibliotecas afirmam existir uma ATENÇÃO ESPECIAL AOS IDOSOS, umas associadas ao facto de existir uma empatia com os idosos pelo facto de eles frequentarem diariamente a Biblioteca; outras que sugerem existir esse atendimento especial pelo simples facto de serem idosos, como foi o caso das seguintes:

34 Informação recolhida no

site da Câmara Municipal do Cadaval http://www.cm- cadaval.pt/News/newsdetail.aspx?news=8a5f1a23-c4e2-4c16-8918-a3e91b1319`91 em 03 de Maio de 2010.

“Apoio às necessidades” – 166

“Auxílio em determinadas ajudas, tais como no acesso ao jornal/revista devido a algumas barreiras” – 43

“Alguma atenção especial no atendimento” – 67

“Pelo contacto diário do atendimento personalizado e pelas sessões da hora do conto realizadas”. – 122

“Cuidado especial na recepção e encaminhamento” – 103

“O contacto quase diário com os funcionários que realizam atendimento” – 255

“Um atendimento personalizado, profissional, simpático e disponível” – 196

“Relativamente aos que vêm diariamente, a normal interacção de atendimento. Relativamente aos outros, há uma atenção mais direccionada” – 176

“Atendimento personalizado” – 139

“Sugestões de leitura; entrega ao domicílio, ajuda na locomoção, alertam por telefone que a obra pretendida está já disponível na Biblioteca” – 112

“Em virtude de frequentarem a Biblioteca diariamente, existe já alguma empatia com os funcionários da Biblioteca” – 46

“Sim, se se considera interacção um relacionamento quase familiar” – 280

“Apoio personalizado, quando solicitado” – 304

“Relação de afectividade e partilha de informação” – 87

“Bom atendimento e boa comunicação permitem estabelecer contactos informais com os idosos, que deixam sugestões à BM” – 141

“Por vezes, uma atenção personalizada a nível da opção ou da temática que pretendem” – 188

Apenas uma Biblioteca não se enquadra nos dois modelos apresentados acima, uma vez que afirma não fazer diferença no atendimento pelo facto de serem idosos:

“Os utilizadores idosos são atendidos pelos funcionários, da mesma forma que todos os outros utilizadores da biblioteca” – 6

d) Outras justificativas apresentadas pelas Bibliotecas acreditam que essa interacção acontece através das ACTIVIDADES INTERGERACIONAIS.

“Promoção de actividades com as crianças em que se procura a partilha de experiências com os mais idosos “O cantinho dos avós”, “leitura de histórias”. – 61

“Encontros Intergeracionais com escolas do ensino pré-escolar do Concelho” – 17

“Trabalho com as escolas do 1˚ ciclo e associações de idosos com a equipa de animação da Divisão de Bibliotecas” – 174

“Participação activa dos avós nos ateliês dirigidos aos netos” – 258

“Actividades desenvolvidas pela Autarquia inseridas no projecto intergerações (leitura, conto, interacção com o público infanto-juvenil)” – 104

“Existe interacção entre a biblioteca, os idosos e as crianças que são convidadas para a realização de actividades intergeracionais”.- 119

“Encontros intergeracionais” – 34

O envelhecimento populacional tem-se tornado uma realidade mundial, decorrente de muitos factores, a melhoria da qualidade de vida é uma delas. A esperança de vida passou de 55 anos, em 1920, para mais de 80 anos, nos dias de hoje. Segundo dados da Comissão Europeia, o número de pessoas com idades compreendidas entre 65 anos e os 80 anos aumentará cerca de 40% entre 2010 e 2030.

Dentro desse contexto, Carvalho (2007, p. 52) corrobora, quando afirma que esse cenário de mudança demográfica contribuiu para o “processo de reordenação da gestão da velhice, saindo da esfera privada da família, para a pública” onde o Estado passa a assumir a questão do envelhecimento como gestão pública.

A ONU vem, desde há muito tempo, debatendo com os países em desenvolvimento, a questão do envelhecimento da população com especial atenção, através da Resolução 35/52 de 14 de Dezembro de 1978, onde convocou uma Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, realizada posteriormente em 1982 na cidade de Viena na Áustria, quando foi concebido um Plano Internacional sobre o Envelhecimento, conforme afirma Carvalho (2007, p. 12) “para comprometer os países signatários”, resultando as seguintes metas, com tradução35 livre do Professor Sérgio António Carlos, da Universidade do Rio Grande do Sul, Brasil:

Fortalecer a capacidade dos países para abordar de maneira efectiva o envelhecimento de sua população e atender às preocupações e necessidades especiais das pessoas de mais idade, e fomentar uma resposta internacional adequada aos problemas do envelhecimento com medidas para o estabelecimento da nova ordem económica internacional e o aumento das actividades internacionais de cooperação técnica, em particular entre os próprios países em desenvolvimento.

35 O texto traduzido encontra-se disponível em: http://www6.ufrgs.br/e-psico/publicas/humanizacao/index.htm O

No ano de 2002 em Madrid, a ONU realiza a II Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento e define quais as directrizes que orientarão as políticas públicas relativas aos idosos e cria um novo conceito para velhice, construída em torno de um envelhecimento produtivo. Esse novo conceito proposto pela ONU, segundo afirmação de Fonte (2002, p. 1), representa uma “mudança radical na imagem anteriormente dominante sobre a velhice, que deixa de ser sinónimo de exclusão e incapacidade para assumir um conceito de inserção social”.

Segundo Carvalho (2007), dentre as acções propostas pela ONU na sua II Assembleia Mundial, realizada em Madrid, que visa minimizar a exclusão social do idoso e sua integração na sociedade, o tema intergeracionalidade está entre as orientações prioritárias a serem cumpridas, segundo o Plano de Acção sobre o Envelhecimento. A autora desenvolveu pesquisa onde pôde comprovar a utilização da literatura infantil como ponte de ligação entre as gerações. Propiciando o processo de construção do diálogo intergeracional, proporcionou o aumento da auto- estima dos idosos e criou maior afectividade e solidariedade entre gerações envolvidas no processo intergeracional, e afirma:

Nesse convívio a transmissão dos saberes não é linear, ambas as gerações possuem sabedorias que podem ser desconhecidas para a outra geração, e a troca de saberes possibilita vivenciar diversos modos de pensar, de agir e de sentir, e assim, poder renovar as opiniões e visões acerca do mundo e das pessoas (CARVALHO, 2007, p. 55).

Nesse sentido, pode-se definir o trabalho intergeracional como um processo de estímulo à comunicação entre as gerações, através do intercâmbio de vivências e experiências, incentivando dessa forma a transmissão de saberes através do diálogo e de diferentes formas de expressão.

e) Actividades relacionadas com a FORMAÇÃO E UTILIZAÇÃO DAS TIC,procurando saber se também são utilizadas pelas Bibliotecas, como ferramenta para proporcionar a interacção com os idosos.

“Formação na utilização do TIC e actividades desenvolvidas pela Biblioteca” – 54

“Ateliers e formação na utilização dos computadores” – 56

“Incentivo à utilização da Internet” – 216

“Formação em informática, Internet Sénior” – 11

“Apoio na utilização dos recursos informáticos” – 125

A alteração demográfica relatada anteriormente levanta desafios significativos à sociedade. As TIC são apontadas como ferramentas que podem desempenhar importante resposta a esses desafios. A aplicação eficaz dessas novas tecnologias pode ajudar idosos a melhorar a qualidade de vida, na medida em que proporciona uma vida mais autónoma. Observa-se a aplicação dessas tecnologias em algumas soluções inovadoras relacionadas aos campos da memória; da visão; da audição e da mobilidade, sendo esses os que mais afectam as pessoas idosas.

Em Junho de 2005 a Comissão Europeia lançou o programa i2010, estratégia onde foram definidas grandes orientações políticas para a sociedade da informação, e os meios de comunicação social, incrementando os benefícios das TIC na sociedade e na economia (SAPO, 2007). Esse programa tem três prioridades principais:

• Criação de um espaço único Europeu de informação, visando promover um mercado interno aberto e competitivo para a economia digital;

• Renovar a inovação e o investimento em pesquisa nas TIC;

Integrando a iniciativa i2010, surge o plano de acção da Comissão Europeia denominado “Envelhecer melhor na Sociedade da Informação”, destinado a desenvolver programas de investigação em TIC visando melhorar a vidas das pessoas idosas com três grandes metas:

Envelhecer bem no trabalho36: permanecer activo e produtivo por mais tempo, com melhor qualidade de trabalho e equilíbrio entre o trabalho e a vida privada com a ajuda de TIC de fácil acesso, de práticas inovadoras para locais de trabalho adaptáveis e flexíveis, de aptidões e competências digitais e de uma aprendizagem assistida através da Internet.

Envelhecer bem na comunidade: permanecer socialmente activo e criativo, através de soluções TIC para a criação de redes sociais, bem como do acesso aos serviços públicos e comerciais, melhorando assim a qualidade de vida e reduzindo o isolamento social.

Envelhecer bem em casa: gozar de uma vida mais saudável e de uma qualidade de vida quotidiana mais elevada por mais tempo, assistida pela tecnologia, mantendo simultaneamente um grau elevado de independência, autonomia e dignidade (SAPO, 2007).

Vale ressaltar que, o uso eficaz das TIC pelos idosos perpassa por questões que vão além de acções de incentivo de uso, questões de natureza prática, como garantir a usabilidade e funcionalidade dessas tecnologias pelos idosos, através da adequação desses recursos. Podemos citar como exemplo, a primeira acção desenvolvida nesse sentido, que foi realizada pela Microsoft, em 1999, com o objectivo de adaptar os recursos tecnológicos para um uso mais eficaz por parte da população idosa.

A Microsoft desenvolveu uma acção conjunta que envolveu agências governamentais, instituições especializadas em envelhecimento, criando orientações de web design atendendo às limitações da população idosa, levando-se em conta