• Sonuç bulunamadı

Dostun evi gönüllerdir gönüller yapmağa geldim.”

À semelhança do impacto que os problemas ligados ao álcool exercem na esfera familiar, também a interacção conjugal sofre esta influência (Epstein, McCrady & Hirsch, 1997; McCrady & Epstein, 1995), que se torna particularmente significativa, em casais nos quais apenas um cônjuge é consumidor, na medida em que as suas expectativas relativamente à conjugalidade diferem, bem como os valores e padrões de interacção, desenvolvendo um ambiente conflitual decorrente do stress provocado pela convivência com o cônjuge consumidor (Mudar, Leonard & Soltysinski, 2001).

As interacções conjugais influenciadas pelos problemas ligados ao álcool caracterizam-se, essencialmente, pelo evitamento da responsabilidade de comunicação, externalização das responsabilidades, competição entre cônjuges, e incapacidade de trabalhar cooperativamente em benefício da relação (Fals-Stewart & Birchler, 1998).

De seguida, serão abordadas as dimensões conjugais, nas quais os problemas ligados ao álcool exercem impacto significativo.

3.2.1. Intimidade e sexualidade

A intimidade e a sexualidade do casal, como já vimos, sendo uma dimensão essencial das relações conjugais, exerce forte influência no nível de satisfação do casal.

A evidência científica, revela que os problemas ligados ao álcool exercem uma influência negativa na proximidade íntima do casal, na medida em que a capacidade comunicacional, condição essencial ao desenvolvimento saudável desta dimensão relacional, se encontra comprometida, imperando um clima conflitual e de tensão, que

28

inibe a proximidade íntima dos cônjuges (Fals-Stewart, O’Farrell & Birchler, 2004; McCrady & Epstein, 1995; Ramos & Moreira, 2006).

Por outro lado, para o cônjuge consumidor, o álcool acarreta consequências físicas relevantes ao nível da performance sexual (Escribano, Madruga, Ulacia & Fidalgo, 2004; O’Farrel, Choquette, Cutter & Birchler, 1997; MacDonald, Zana & Holmes, 2000; Moura & Teixeira, 2003).

Este desinvestimento íntimo poderá também apoiar-se na baixa auto-estima característica de consumidores de álcool, e que os impedem de se relacionar de forma saudável e satisfatória (MacDonald, Zanna & Holmes, 2000).

3.2.2. Satisfação conjugal

Actualmente, sendo a dependência de bebidas alcoólicas considerada uma desordem psiquiátrica, esta condição, por si só, é apontada pela evidência científica como um factor com forte influência na satisfação conjugal, diminuindo-a (Whisman, Sheldon & Goering, 2000; Haber & Jacob, 1997).

No entanto, verifica-se que, em casais nos quais apenas um elemento consome, apresentam níveis mais baixos de satisfação conjugal, em comparação com casais em que os dois ou nenhum consomem. Por outro lado, a insatisfação com a relação torna-se mais significativa, quanto mais graves e frequentes se tornam os consumos (Mudar, Leonard & Soltysinski, 2001).

Por outro lado, a associação entre problemas ligados ao álcool e insatisfação conjugal parece ser recíproca. Decorrente do stress inerente aos problemas ligados ao álcool, a satisfação conjugal tende a diminuir, da mesma forma que, a insatisfação conjugal pode potenciar os problemas ligados ao álcool (Davis et al., 1974, citado por

Dethier, Counerotte & Blairy, 2011).

3.2.3. Comunicação conjugal e Gestão de conflitos

Como já vimos, a comunicação é um factor preponderante nas relações conjugais, nomeadamente no estabelecimento de laços íntimos e no desenvolvimento da sexualidade do casal, estando implicitamente relacionada com a capacidade de gestão de conflitos conjugais e é, consequentemente, um factor determinante da satisfação com a

29

relação (Féres-Carneiro, 1998; Figueiredo, 2005; Narciso & Ribeiro, 2009; Noller & Feeney, 1998; Waite, 2005).

Neste sentido, os problemas ligados ao álcool, exercem uma influência negativa na capacidade de comunicação do elemento consumidor que, por sua vez, compromete a comunicação conjugal e familiar (Handson, Sands & Sheldon, 1968; Fals-Stewart & Birchler, 1998).

Alguns estudos comparativos entre casais com problemas ligados ao álcool e casais sem esta problemática, revelam que os casais com problemas ligados ao álcool apresentam mais queixas e demonstram mais hostilidade, apresentam menor capacidade de desenvolver uma atitude cooperativa entre os cônjuges e evitam a comunicação, demonstrando assim, défices comunicacionais significativos e, concomitantemente, maior dificuldade na resolução de conflitos (Fals-Stewart & Birchler, 1998).

Na medida em que, nas relações conjugais, a expressividade afectiva e emocional dos cônjuges, ganha especial importância (Baucom & Epstein, 1990; Rauer & Volling, 2005), a evidência científica alerta para a dificuldade dos cônjuges consumidores em expressar os seus sentimentos, em transmitir como se sentem, em relação à problemática ou em relação ao outro (Handson, Sands & Sheldon, 1968).

O estudo levado a cabo por Handson, Sands e Sheldon (1968), que pretendeu aceder aos aspectos comunicacionais em casais com problemas ligados ao álcool, revelou, em traços gerais, que a comunicação entre estes casais é, essencialmente, unidireccional, na medida em que, neste caso, as esposas de consumidores de álcool, expõe com maior frequência e intensidade os seus sentimentos e emoções, o que sentem acerca da relação e do outro, do que os cônjuges consumidores, que apresentam uma comunicação fraca ou mesmo inexistente, neste âmbito.

Importa ainda salientar, que, apoiando-nos nas teorias sistémicas, referidas no capítulo anterior, que defendem a existência de um modelo de manutenção dos consumos, verifica-se uma distinção entre os períodos de sobriedade e os períodos de consumo quando atendemos às situações conflituais nas relações conjugais. Deste modo, quando se instala um padrão de consumo intenso e estável, os períodos de sobriedade não são esperados e alteram o equilíbrio familiar, aumentando assim a tensão e as situações de conflito. Em contrapartida, quando os consumos são

30

esporádicos ou imprevisíveis, as situações de conflito são mais salientes nas fases de consumo, atenuando com as fases de sobriedade (Epstein, McCrady & Hirsch, 1997).

3.2.4. Violência conjugal

Diversos estudos revelam uma associação significativa, entre consumos de álcool e episódios de violência, nomeadamente violência conjugal (Caetano, Schafer & Cunradi, 2001; Caetano, Schafer, Fals-Stewart, O’Farrell & Miller, 2003; Chan, 2005; Garcia-Más, 2002; O’Farrel, Murphy, Neavins & Hutton, 2000; Oliveira et al., 2009; Finney, 2004; Zaleski, Pinsky, Laranjeira, Ramisetty-Mikler & Caetano, 2010).

Sendo o álcool uma substância psicoactiva, intimamente relacionada com mudanças comportamentais, na medida em que produz no consumidor efeitos desinibidores ao nível da percepção e cognição, o risco de violência torna-se maior, facilitando a escalada do conflito que culmina em actos violentos (Finney, 2004; Oliveira et al., 2009; Chan, 2005)

As estatísticas relacionadas com esta temática, revelam que as situações violentas se observam, com maior frequência, quando o consumidor é do sexo masculino, cabendo, na maioria das vezes, às esposas, o papel de vítimas de violência conjugal (Oliveira et al., 2009).

Relativamente à associação, estabelecida em algumas investigações, entre a quantidade de álcool consumido e episódios de violência conjugal, verifica-se que, todo o tipo de violência, tanto perpetrada por homens ou por mulheres, aumenta significativamente, com uma frequência de cinco ou mais bebidas por ocasião (Zaleski et al., 2010).

Não esquecendo as influências históricas e culturais que ainda se mostram significativas neste âmbito, ressalta-se o facto do consumo de bebidas alcoólicas desempenhar um papel importante em sociedade, na medida em que serve, muitas vezes, de desculpa para a ocorrência de delitos, essencialmente pela incapacidade de muitos homens não conseguirem lidar com as exigências económicas e laborais, sem recorrer ao álcool. Assim, a sociedade, foi desenvolvendo uma atitude de tolerância face à violência doméstica e ao consumo de álcool (Garcia-Más, 2002).

31 3.2.5. Parentalidade

Num ambiente familiar pautado pelos consumos de álcool de um dos progenitores, são inevitáveis os conflitos, o clima de tensão e stress, a imprevisibilidade do comportamento e a falta de responsabilidade dos pais relativamente às funções a desempenhar. Salienta-se, neste tipo de ambientes familiares a falta de coesão e comunicação, falta de suporte, negligência dos cuidados básicos e falta de controlo enquanto progenitores (Fischerman, 2000; Weed & Ryff, 1996).

Neste contexto, os filhos estão expostos a um maior risco de desenvolverem problemas, ao mais diversos níveis, tais como: problemas somáticos tais como problemas de estômago, dores de cabeça, infecções e maior risco de acidentes; problemas psicológicos, como ansiedade e quadros depressivos, problemas de sono, pesadelos e problemas de comportamento, nomeadamente comportamentos desviantes e problemas escolares (Fischerman, 2000; Weed & Ryff, 1996).

Por outro lado, a evidência científica sugere que, crianças expostas a um ambiente familiar influenciado pela presença de problemas ligados ao álcool, apresentam uma maior probabilidade de, em adultos, se tornarem consumidores, não só pela repetição dos modelos familiares de origem, mas também pela carga genética que esta problemática acarreta (Crum & Harris, 1996; Jacob & Johnson, 1997).

Para finalizar, importa salientar que, atendendo ao tema proposto para esta dissertação, a abordagem teórica pode ser imensa. Contudo, as contingências formais, nomeadamente na quantidade de páginas permitida, limitou uma abordagem em maior profundidade.

Assim sendo, a informação apresentada, constitui a base de referência ao trabalho empírico que se segue.

32 CAPÍTULO IV