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10-YAMALI BABA HAMAMI VE KÜTÜPHANESĠ

14- DOLMABAHÇE CAMĠ MEġRUTASI

O Brasil nas décadas de 60 e 70 do século XX assistiu momentos contraditórios. Por um lado crescimento econômico e por outro o regime militar cerceador das liberdades democráticas. Tal fase, denominada “milagre econômico”, combinava repressão brutal aos movimentos sociais organizados com uma mudança estrutural na economia brasileira. A esse processo de industrialização e modernização das estruturas produtivas do campo e da cidade aliava-se o

151 É importante lembrar que grande parte do material coletado e analisado não dispunha de uma

formatação adequada, como por exemplo, o número das páginas, talvez porque foram adquiridos através dos endereços eletrônicos referidos anteriormente. Por isso, estabeleci arbitrariamente para cada documento analisado, os números de paginas realmente existentes.

crescimento da classe trabalhadora advinda sobretudo em decorrência do agravamento da concentração fundiária propiciada pelos governos militares.

Mas essa ‘época de ouro’ não perdurou por muito tempo. O modelo político- econômico dos governos militares logo deu sinais de esgotamento com o aprofundamento da recessão econômica. Evidenciava-se então a necessidade de construir um processo de transição do regime militar para a democracia civil, fato iniciado com a indicação de Ernesto Geisel em 1973 para a Presidência da República através de uma “política de distensão” 152.

Esse processo de abertura se deu também em outros países da América Latina que experimentaram ditaduras militares. Porém, a transição de tais regimes se deu de forma lenta e gradual para que os militares não perdessem o controle da situação.

Ora os regimes militares tinham em comum além do aspecto autoritário e repressor, uma política econômica fundamentada no aprofundamento da dependência externa fato que tornava vulnerável o poder político interno. Esses países,

[...] enfrentavam dívidas externas assombrosas, pressões para implementar programas de estabilização do FMI, baixas taxas de crescimento interno e, freqüentemente, índices astronômicos de inflação. Ao mesmo tempo, tinham que lidar com o protesto social contra a desigualdade da distribuição de renda, muitas vezes exacerbada durante o período autoritário (KECK, 1991, p. 33).

Toda essa realidade de insegurança provocou protestos tanto de empresários quanto de trabalhadores organizados em sindicatos e movimentos sociais insatisfeitos com os rumos dado pelos militares. O clima político de repressão e medo criado pelos militares começava então a se desfazer frente aos questionamentos e desgastes internos e externos. No Brasil, inúmeras greves ‘pipocavam’ no âmago capitalista: o ABC paulista. 153

Mas é válido observar que o regime militar brasileiro se sustentava também através de mecanismos liberal-representativos como a existência de eleições (indiretas) e do funcionamento partidário (bipartidarismo). Dessa forma, as eleições

152 Foi como ficou conhecida a política do regime militar brasileiro para retomar a democracia

suprimida pela ditadura.

153 De acordo com Margareth Keck (1991) mais de três milhões de trabalhadores de várias categorias

paralisaram o trabalho atingindo 15 Estados. Dentre esses trabalhadores estavam os ligados aos serviços urbanos, da industria têxtil, do setor de mineração, da construção civil e dos bancos.

gerais ocorridas em 1974 foram significativas para os rumos da abertura política, pois nelas ficara demonstrada a insatisfação popular através da vitória da oposição ao regime. (MENEGUELLO, 1989).

Tal fato provocou a reação dos militares ao aprovarem medidas para dividir os setores de oposição ao regime. Dentre elas, a aprovação da reforma partidária em 1979 que restabelecia o pluralismo partidário no país. Acabava-se o bipartidarismo e suas legendas: Aliança de Renovação Nacional (ARENA) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Criavam-se novos partidos: o Partido Democrático Social (PDS), o Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), o Partido Democrático Trabalhista (PDT), o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e por último, o Partido dos Trabalhadores (PT).

Na realidade as manobras realizadas pelos militares demonstravam o declínio de seu poder no comando político do país. Novos movimentos sociais emergiram juntamente com novas demandas na arena política brasileira. Advinham dos movimentos populares154 organizados em torno do setor progressista da Igreja

Católica, 155 das correntes trotskistas ligadas à IV Internacional, do movimento

operário e sindical emergente, do movimento estudantil, dos intelectuais que atuavam nas Universidades, dos setores que lutavam pela reforma agrária, das mulheres, dos negros, dos indígenas, de homossexuais e de outros tantos segmentos sociais que ansiavam por novas formas de fazer política. 156

Esse re-avivamento da sociedade civil foi à fonte propulsora de um re- ordenamento político no país. Evelina Dagnino (2004) concebeu tal processo como propiciador de uma ‘reinvenção democrática’, o qual expressava um projeto nascido no bojo da resistência à ditadura militar, democratizante e participativo.

154 No inicio dos anos 80 o Brasil e a América Latina entravam no período de redemocratização. Com

ele se avolumam inúmeros movimentos sociais lutando por direitos elementares como, moradia, transporte, saúde, alimentação, contra a carestia etc. Para Glória Gohn (2000), nesse período houve um processo de transformação na cultura política latino-americana através de uma nova visão sobre direitos sociais coletivos e da cidadania coletiva de grupos sociais oprimidos e/ou discriminados.

155 Igreja Progressista foi o termo como ficou conhecida parte da Igreja Católica ligada a Teologia da

Libertação que se coloca na defesa da liberdade e da justiça social como temas de importância religiosa e universal. Originada na América Latina, na década de 1960, procura sintetizar conceitos provenientes das Ciências Sociais (marxismo) com idéias bíblicas e teológicas.

156 Para Marco Aurélio Nogueira (1979) citado por Burgos (1994, p. 76): “estes novos sujeitos sociais

e políticos que emergem nas fábricas, nos campos e nas cidades, experimentam concretamente os efeitos do que se havia chamado “milagre brasileiro” e vão, nestes choques, construindo pouco a pouco uma perspectiva anticapitalista. [...] Confrontados com a inconsistência das propostas de reforma política e econômico-social não só da ditadura como de setores da oposição democrática, grandes contingentes de trabalhadores compreendem a importância de dar uma nova substância à noção de democracia, que uma sua dimensão política à dimensão social”.

Nas palavras da autora, “o projeto levava em conta um outro tipo de democracia que não só a democracia representativa stricto sensu, eleições, partidos etc” (DAGNINO, 2004, p. 01). Na realidade esse projeto recusava a democracia existente, ‘ofertada’ pelos poderes constituídos ao proporem o alargamento e a radicalização democrática para além do sistema político, estendendo-a ao conjunto das relações sociais.

Desconfiados com os rumos políticos pretendidos pelos militares e pela oposição ‘oficial’, esses novos protagonistas da arena política brasileira criaram ainda na década de 70, o Movimento pró-Partido dos Trabalhadores. E em 10 de Fevereiro de 1980 em uma assembléia no Colégio Sion, em São Paulo deram o passo inicial rumo a uma nova experiência partidária no Brasil: o Partido dos Trabalhadores. 157

Benzer Belgeler