5.5. Biyokimyasal Bulgular
5.5.3. Doku ve Serum İrisin Düzeyleri
Neste sentimento de plenitude vital, a lei, como destino, não é mais encarada como estranha (fremd), mas como reconhecida, e, por isso, assumida em sua realidade efetiva. “A lei não pode ser reconciliada, porque persiste sempre nela sua terrível majestade. O destino, ao contrário, pode ser reconciliado; ele é um separado que pode ser suprimido pela unificação151.” Da observância desta lei, compreendida enquanto destino, enquanto plenitude vital, não se deriva mais uma vida moral, mas uma vida ética. Aquilo que, no indivíduo, era externo a ele, como um ‘não’, passa a ser ‘sim’: a afirmação da plenitude cósmica e vital. Tal plenitude carrega as marcas da diferenciação e da oposição, porém não como oposição, mas como superação dialética da mesma.
O Espírito do Cristianismo e seu destino é um fragmento com acento na subjetividade em sua reconciliação e superação de sua divisão. Superada a positividade, a religião cristã alcança a integralidade da natureza humana. Em Hegel identificamos uma similaridade entre a sua posição com relação à positividade moderna e a posição de Jesus frente ao Judaísmo. O
espírito do Cristianismo e seu destino é de importância decisiva para a filosofia de Hegel,
pois nele, segundo Allen Wood, se manifesta “[…] a polêmica contra a positividade, a auto- alienação da religião dos hebreus, mas também dirige a mesma crítica contra a moralidade kantiana152”; por outro lado, anuncia o amor cristão, que é a reconciliação do ser reunido pelo conceito e que realiza, de maneira imediata, na subjetividade humana, a experiência religiosa. Do Judaísmo se origina a lei e é desse mesmo que se origina a harmonia da vida unificada através do judeu Jesus de Nazaré. Para Hegel, o Cristianismo só se entende pelo Judaísmo, na história do destino judeu. Assim como no Judaísmo que tem a unidade como seu espírito, também o Cristianismo comunga com aquele seu destino, a sedução por forças estranhas153 - o que o torna novamente moral. “Os judeus são, para Hegel, um povo rebelde a toda vida política, que tem renunciado levar uma existência política propriamente constituída na liberdade154.” Sua renúncia a se unir a outros povos, a viver a totalidade, tal como os gregos antigos, preferindo a particularidade, fez deles um povo do legalismo moral individual. A crítica do individualismo judeu lida por Hegel e interpretada por Rohrmoser não se justifica a partir do modus vivendi judeu atual, porque os judeus têm preferido viver aceitos dentro de pátrias difentes a constituírem uma nação judia. Urge, por isso, a necessidade de se superar, 151 Cf. BRITO, 2004, p. 21 152 Cf. WOOD, 1990, p. 128 153 Cf. HEGEL, ECD, TWS, 1994, p. 274. 154 Cf. ROHRMOSER, 1970, p. 47
não só uma determinada forma de individualismo, mas sobretrudo, uma visão errônea sobre o individualismo judeu mediante a reconciliação dialética.
Superar dialeticamente não é destruir, ou desconstruir, mas assumir, elevar e guardar num nível superior do conceito. Assim, de estranha, tal posição passa a ser reconhecida como contradição e não destituída de sua natureza de contradição: da efetividade dionisíaca se dá, num segundo momento, a negatividade apolínea e, num terceiro, a sua superação no trágico. O trágico consiste na confluência de ambas as disposições artísticas fundamentais do ser humano, a saber, a dionisíaca e a apolínea, que o próprio Nietzsche reconhece em seu
Nascimento da Tragédia155. Impressiona sobremaneira que o filósofo dançarino156 do Romantismo Alemão opere dialeticamente em inúmeros temas que se depreendem de sua filosofia, apesar de suas críticas mais agudas ao hegelianismo. Em Nietzsche há um anseio pela totalidade, e, por isso, como refere Houlgate: “Como Hegel, Nietzsche acredita que as coisas são o que elas são em relação com as outras coisas […], ambos acreditam que ‘não há coisas sem outras coisas’ e que as coisas não permanecem sozinhas puramente por si mesmas”157. Por essa razão, a oposição que existe tanto na incipiente dialética hegeliana como na tragédia nietzschiana são bastante similares. Ambos abordam as coisas em sua totalidade englobante e relacional; sua filosofia é, por isso, uma filosofia de plenitude158: uma plenitude imanente ao mundo e ao indivíduo na qual se alcançam instantes culminantes de força, pela expansão da vontade de potência. Neste sentido, Nietzsche se pergunta: “O que é bom? – Tudo o que eleva o sentimento de poder, a vontade de poder, o próprio poder no homem” (NIETZSCHE, AC, § 02, p. 11). Contudo, a força (potência) e a vontade de potência constituem-se em momentos que se diluem e que retornam eternamente ao seu estado anterior, como pontos culminantes de potência159, como instantes que se dissolvem
155 Nietzsche constata na tragédia um remédio para toda a debilidade, resignação e cansaço da vida: “[...] ele entendeu a tragédia como purgativo. De fato, com base no instinto da vida se deveria buscar um remédio para esse doentio e perigoso acúmulo de compaixão”(NIETZSCHE, AC, KSA, § 07, 1999, p. 174)
156 A expressão filósofo dançarino já está convencionada entre os estudiosos de Nietzsche; através dela quer se enfatizar o aspecto da mobilidade e da multiplicidade perspectivística, aliados ao estilo aforismático que caracterizam a sua escrita e o seu pensamento.
157
Cf. HOULGATE, 2006, p. 345. Embora Houlgate, como grande pesquisador das relações entre Hegel e Nietzsche, apresente esta aproximação há, no entanto, um distanciamento entre os mesmos que ele mesmo pontua: “Nietzsche retém uma concepção abstrata da coisa em si mesma por afirmar que o conceito é uma mera ficção. Hegel, em contraste, desenvolve uma alternativa, uma concepção mais complexa da mesma com base na qual ele argui que as coisas desfrutam de um caráter intrínseco de si mesmas, em muitas de suas relações com outras coisas”. (Ibidem).
158 Esta característica, como já foi assinalado, marca o período romântico. 159
Esta expressão é sumamente importante em nossa pesquisa. Através dela, como adiante veremos, vamos aproximar a culminância do sistema dialético de Hegel com a culminância da tensão orgânica em Nietzsche. Pontos culminantes de potência Macht-Höhepunkte, faz parte da literatura nietzschiana do período da redação do Anticristo. É o conjunto de escritos denominado Fragmentos Póstumos. Através deste conceito, Nietzsche, pretende mostrar que a força não se cristaliza, mas está a todo momento em tensão constante. No
tragicamente. Hegel, em seus fragmentos da juventude, concebe a superação dialética como algo sempre em movimento, ou seja, a cada reconciliação nascem novas tensões internas que superam e guardam os momentos anteriores num recriar constante pela capacidade anímica, instintiva e trágica. Muito embora o pensamento de Hegel esteja mais inclinado a uma concepção lógica e sistemática e o de Nietzsche a uma concepção organicista, biológica e naturalista, ambos concordam sob o aspecto de constituírem uma ética como um todo em plenitude pela superação da lei moral estranha.
Nesse sentido, Hegel reconhece na existência judaica a consciência infeliz, pois a sua tragédia não é uma tragédia grega que procede do destino que acolhe a plenitude pelo amor, mas é, ao contrário, uma tragédia provocada pelo determinismo da lei, da qual resulta nada, senão o desgosto. O destino dos judeus é semelhante ao de Macbeth160, que ultrapassa os limites da própria natureza e se ata aos seres estrangeiros, se devota a eles para ser, no fim, abandonado por eles. A partir de Abraão, o estrangeiro na terra, aquele que em nome do abstrato universal procede a uma exclusão das diferenças, culminando na legislação de Moisés, os judeus se comparam ao destino de Macbeth. Eles não quiseram se reconciliar com o destino, não quiseram amar, mas se aferraram à observância da lei que fixa a divisão e recusa conhecer seu ser, pelo devotamento a um Deus desconhecido. Esta crítica não se justifica de todo, pois, o devotamento judeu ao Deus único já, por si, é um combate frontal a toda uma possível divisão legal. Logo, contra uma suposta divisão legal judaica, segundo Willian Henry Walsh “[…] toda a vida de Jesus foi um protesto, e Hegel procede a uma exposição do ensinamento dos Evangelhos com o objetivo principal de apresentar como Jesus supera o legalismo”161. Jesus se reconciliou com o destino que se desprezava. Nele, a consciência de culpa que decorre da cisão da vida é superada mediante a ética do amor. “Quando assim tomada, a culpa [Schuld] decorre da cisão da unidade da vida que pode, contudo, ser refeita. Ao trazer tal perspectiva à origem do Cristianismo, Hegel faz coincidí-lo com a gênese da dialética. O destino no Espírito do Cristianismo e seu destino é ilustrado com uma tragédia: Macbeth”162. Ele reconhece, mesmo no destino, existir uma parte, que
máximo, tais forças se constituem enquanto pontos culminantes, mas que são apenas instantes. “Deus como
momento culminante: o ser aí uma eterna adoração e acentuação. Porém nisto não é a palavra ponto culminante senão apenas pontos culminantes de potência” (NIETZSCHE, FP Outono 1887-9 [8], KSA, 1999, p. 343).
160 Para tipificar o destino judeu, Hegel (ECD, TWS, 1994, p. 342) se inspira na tragédia de Macbeth, escrita por Shakespeare em 1603. Nesta tragédia, Macbeth, inspirado por profecias, sobe ao trono da Escócia ao custo do sangue de muitas vidas por ele provocado. Contudo, Macbeth se torna vítima de sua própria ambição ao ser abandonado por aqueles que, mediante profecias, alimentaram sua sede de poder.
161 Cf. WALSH, 1985, p. 19 162
brota da vida, isto é, a reconciliação com o destino pelo amor. No amor aquilo que está separado existe não como separado, mas como uma unidade supra-objetiva um: “[…] sentimento de vida, união dos viventes, processo de evolução.163” De acordo com Brito, em sua leitura de Hegel, é no amor que “[...] a vida se encontra como uma reduplicação de si mesmo e como unidade de si mesmo [...] a unificação se manifesta como um processo ternário: união não desenvolvida, formação, união desenvolvida”164, para culminar na “[...] superação do formalismo pelas figuras do amor [Liebe] e do destino [Schicksal], como resultado da liberdade cristã que não encerra o homem na dominação.165” A fé cristã compreende toda a riqueza da reconciliação no ethos, o que permite ao ser humano, consciente dele mesmo, ser pessoa livre e integral. Ora, uma reconciliação que não tem nesse ethos o seu centro e seu mais íntimo fundamento de realização é para o mesmo, segundo o ideal de Hegel, uma contradição com o seu próprio conceito; por isso, a superação das divisões responsáveis pelo individualismo legalista, aproxima os projetos filosóficos hegeliano e nietzschiano. Contudo, enquanto em Hegel, pela superação dialética, se busca uma reconciliação, uma unidade, em Nietzsche, esta unidade assume a forma de pontos culminantes de potência, ou seja, unidades fugidias de força, abertas à plenitude do instante. Como em Jesus, a reconciliação e os pontos culminantes de potência se unem em torno do projeto de crítica à moral legalista pela abertura à plenitude da vida como uma ética do amor?