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Um dos principais receios associados ao envelhecimento está relacionado com a diminuição da memória e do funcionamento cognitivo (Azevedo & Teles, 2011). Assim como o corpo, o cérebro tem de ser exercitado para continuar a funcionar e, tal como na actividade física é desejável que o corpo se canse enquanto está a ser exercitado, também é desejável que a mente se canse com o treino, pois a prática melhora o desempenho cognitivo (Azevedo & Teles, 2011).

Contudo, apesar de o treino de capacidades não fazer desaparecer as diferenças de idade, as capacidades cognitivas que são devidamente estimuladas e exercitadas (em função do potencial biológico e da experiência ambiental) tendem a sofrer um declínio mais tardio e menos dramático do que as capacidades não exercitadas (Denney, 1982, cit. in Fonseca, 2004).

Assim sendo, o risco de deterioração mental é mais propícia em indivíduos que estão em situação de inactividade (Barreto, 1988, cit. in Fonseca, 2004) isto porque a insuficiência de estimulação desencadeia um declínio da eficiência mental, que leva a supor que um determinado nível de solicitações é indispensável para a manutenção de estratégias de resposta. Nesta lógica, apesar de existirem perdas de capacidades cognitivas com o envelhecimento esses efeitos podem ser bastante atenuados se o idoso

mantiver uma boa actividade cognitiva e contactos sociais regulares (Fonseca, 2004). Assim, a animação cerebral é imprescindível, pelo facto de manter a mente activa e prevenir algumas das consequências do “sedentarismo” mental (Jacob, 2007).

Por conseguinte, a ideia de que existe um declínio generalizado e irreversível das capacidades cognitivas com a idade surge mais como um estereótipo relacionado com o envelhecimento do que propriamente como uma realidade linear (Azevedo & Teles 2011).

Actualmente sabe-se, que o declínio cognitivo geralmente associado à idade pode ser prevenido, ou até mesmo retardado, através do uso e treino adequados das várias funções cognitivas ou através da adaptação de estratégias de compensação (Azevedo & Teles, 2011).

Da investigação que tem vindo a ser realizada ao nível do treino cognitivo (curta duração) e intervenção cognitiva (mais prolongada no tempo) Azevedo e Teles (2011) referem que ficou perceptível que:

“Assim como os jovens, as pessoas mas velhas melhoram o desempenho das tarefas desde que treinem a sua execução; O treino é ainda mais eficaz quando realizado em pessoas mais velhas com algum declínio cognitivo; As melhorias mantêm-se no tempo (entre 3 a 6 meses); O treino cognitivo pode compensar o declínio associado à idade em idosos saudáveis; A velocidade de processamento é muito importante, tanto para as actividades do dia-a-dia, como para a saúde, e deve, portanto, ser uma das áreas a intervir; As intervenções de maior duração (por exemplo, sessões formais ou informais de estimulação cognitiva) têm efeitos mais prolongados no tempo e mais facilmente se generalizam às actividades quotidianas” .

Os contributos de uma outra investigação, neste âmbito, realizado entre 1994 e 2001 a 801 idosos, divididos em 40 grupos nos EUA também demonstrou os contributos positivos que advêm da estimulação cognitiva (Jacob, 2007). Assim, ficou comprovado que realizar actividades intelectualmente estimulantes reduz em 47% a possibilidade dos idosos desenvolverem a doença de Alzheimer (Jacob, 2007). A este propósito, Jacob (2007) argumenta que o exercício mental regular pode aumentar a actividade cerebral, retardar os efeitos da perda de memória e da acuidade e velocidade perceptiva e prevenir o surgimento de doenças degenerativas.

Na linha de argumentação que vem sendo apresentada, apesar de existir algum tipo de declínio cognitivo associado à idade, admite-se que este se deve, pelo menos em parte, à falta de uso de tais capacidades (Azevedo & Teles, 2011; Jacob, 2007; Kuhl 1986, cit. in Fonseca, 2004). A célebre frase relativa ao funcionamento do cérebro Use itorloseit (use-o ou deixará de funcionar) vem chamar a atenção para a necessidade que a mente tem, assim como o corpo, de ser cuidada e usada para continuar a funcionar adequadamente (Azevedo & Teles, 2011).

Assim, o desenvolvimento da memória na pessoa idosa é um dos aspectos fundamentais da estimulação cognitiva. Comparando com indivíduos mais jovens, as pessoas idosas necessitam de usar estratégias de recuperação, tendo em conta que a informação ultrapassa a capacidade de armazenamento a curto prazo. Desde cedo, a pessoa idosa sente as limitações físicas, em que a memória do movimento e da posição do corpo (memória cinestésica) é muito valorizada e relaciona-se com a capacidade de coordenação e de mobilidade. O ensino de mnemónicas, bem como o uso da imaginação visual são dois dos factores que comprovadamente melhoram o desempenho dos idosos, já que um dos aspectos mais deficientes, nas pessoas mais velhas, é a capacidade de codificação da informação (Lima, 2004).

A memória a longo prazo interpõe-se com a limitação de recursos e dificuldades no processamento da informação sentidas pelas pessoas idosas. Consequentemente, a sua motivação, atenção e concentração diminuem, esquecendo até pequenas coisas. Assim, o medo, a insegurança, a falta de confiança em si e na própria capacidade de aprender, faz com que o idoso não se motive, não se concentre, não preste atenção e não armazene as informações recebidas. Por falta de hábito, aos poucos vai deixando de usar a sua memória (Zimerman, 2000).

Zimerman, (2000), no seu trabalho desenvolvido em terreno com pessoas idosas verificou que a ansiedade, a agitação e a depressão tem uma relação directa com o declínio da memória. Contudo, também apurou que, após o tratamento adequado (antidepressivos, jogos de memória, reforço da auto-estima), as pessoas voltam a ter níveis de memória iguais aos que sempre tiveram. Após esta estimulação, as próprias pessoas idosas sentem necessidade de actividade (sair de casa, ir ao shopping, passear nos parques, etc.) (Zimerman , 2000).

A memória é afectada pela ausência de interesse, pelo que é necessário estender o mundo de interesses da pessoa idosa em todos os sentidos: político, económico, cultural, de alimentação, saúde, socialização, etc. É importante ajudar as pessoas adultas a planificarem estratégias para o envelhecimento, de promover novos interesses e novas actividades, de estimular e treinar a vitalidade física e mental e de ocupar, utilmente, os grandes tempos livres disponíveis (Osorio, 2004). Isto porque o envelhecimento não tem de se caracterizar pela perda e a deterioração intelectual. Nestas idades, o importante é proporcionar experiências de aprendizagem às pessoas idosas e manter um ambiente rico e estimulante (Osorio, 2004).

Nesta lógica, as intervenções com pessoas idosas são diversas, consoante o tipo de intervenção em questão. Assim, alguns aspectos devem ser considerados nos programas educativos para idosos, nomeadamente: intervir ao nível da depressão, já que esta está fortemente associada às falhas de memória; corrigir ou compensar os défices sensoriais, devendo prestar-se especial atenção ao contexto; utilizar um ritmo mais lento na aprendizagem e memorização, partindo da experiência e dos conhecimentos dos idosos e, finalmente, manter sempre um ambiente de apoio caloroso e de valorização (Lima, 2004).

2.5 Benefícios da estimulação física para um envelhecimento com mais qualidade

Benzer Belgeler