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Doğal depolarda optimum koşulların değerlendirilmesi

1. BÖLÜM

4.4. Kayadan Oyma Doğal Depoların Sayısal Modellenmesi

4.4.3. Doğal depolarda optimum koşulların değerlendirilmesi

De acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), o segmento de turismo cultural já representava 37% do mercado turístico internacional no início dos anos 1990, com crescimento médio anual de 15%, apesar de não haver informações precisas sobre como se chegou a esta estimativa (RICHARDS, 1997).

Diversos estudos demonstram a importância do patrimônio cultural, na forma de bens materiais e imateriais, como motivação de viagem e objeto de consumo por parte do fluxo turístico internacional. O sítio histórico de The Rocks, localizado a poucos quilômetros do centro financeiro de Sydney, foi visitado por mais de 1,2 milhão de turistas estrangeiros em 1996. Trata-se da segunda atração cultural mais importante da Austrália, atrás apenas da Sydney Opera House, com 1,7 milhão de visitas no mesmo ano (WAITT, 2000).

De acordo com Urry (1996), o Reino Unido especializou-se, dentro do mercado turístico mundial, na promoção de elementos que celebram o histórico, o pitoresco e o antiquado, ou

seja, elementos representativos do passado58. Neste sentido, o patrimônio transformou-se em

58 O autor coloca que os americanos costumam referir-se ao Reino Unido como ‘quaint country’ ou ‘old country’.

um dos principais chamarizes do Reino Unido para atrair turistas internacionais (URRY, 1996). Londres, por exemplo, depende de seu extenso acervo cultural material e imaterial, composto por prédios históricos, museus, peças de teatro, exposições, eventos culturais diversos, para continuar sendo uma das cidades mais visitadas do mundo. De acordo com Foley (1997), mais de dois terços dos visitantes de propriedades históricas na cidade são

turistas ou excursionistas de um dia59.

O desenvolvimento do turismo na Espanha, a partir dos anos 1960, foi baseado na promoção do composto “sol, mar e praia”, fomento à construção de grandes complexos hoteleiros no litoral e inclusão de diversas regiões do país – Costa Brava, Costa Dorada e Costa del Sol, principalmente – na oferta de operadoras de turismo sediadas no norte da Europa.

Apesar de o país ter se transformado em um dos principais destinos turísticos do mundo, a ênfase no composto “sol, mar e praia” gerou, nas cidades e regiões alvo desta exploração,

problemas de desemprego sazonal, deterioração do patrimônio edificado e natural60, perda de

valores culturais61, etc. (DODD, 1999).

No final dos anos 1980, a Espanha começou iniciativas com o objetivo de atrair maior número de turistas culturais ao país, com a finalidade de redirecionar parte do fluxo turístico do litoral para o interior e minorar os problemas advindos da sazonalidade turística. Neste sentido, a Espanha mudou o seu tradicional slogan turístico em 1992, de “Spain, everything

under the sun” para “Spain: passion for life.”62 (BOISSEVAIN, 1996).

59

Os números de Foley incluem turistas domésticos. 60

Talvez o melhor exemplo da perda de patrimônio edificado seja o de Tarragona, que destruiu as muralhas romanas que cercavam parte da cidade para prover mais espaços à construção de hotéis e

resorts. Nos anos 1990, a cidade reconstruiu as muralhas.

61

É muito comum turistas hospedados em resorts no litoral da Catalunha assistirem danças castelhanas ou andalusas apresentadas como manifestações culturais locais. Dodd (1989) coloca que este é uma das principais fontes de descontentamento dos catalãos com o turismo de sol, mar e praia desenvolvimento na região.

62 Para mais informações sobre o fomento ao turismo cultural na Espanha, Dodd (1989) apresenta a estratégia de Barcelona para se transformar em importante centro de turismo cultural europeu, e Crain (1996) discute o fomento e exploração turística de um santuário religioso no interior do país.

De acordo com Smith (1989), o Havaí é o protótipo do destino de turismo de massa, com fluxo contínuo de grupos de excursão, viagens de incentivo de empresas e pacotes de viagens baseados em vôos charter. Os hotéis seguem padrões ocidentais, fazendo com que o turista se sinta em casa, e grande parte da programação e experiência de viagem é mediada por intermediários turísticos. O composto “sol, mar e praia” é hegemônico no consumo turístico, sendo Waikiki símbolo da atividade no arquipélago.

Apesar destas características, pelo menos metade do fluxo turístico no Havaí pode ser

classificado como cultural63. De acordo com Stanton (1989), mais de um milhão de pessoas

visitavam o Polynesian Cultural Center (PCC), parque temático que reúne apresentações culturais, artesanato e culinária de sete países e regiões do Oceano Pacífico, em meados dos anos 1980. Com um fluxo turístico de aproximadamente dois milhões de pessoas, não é difícil ver que o segmento cultural representa a maior parcela do mercado deste estado

americano64.

McKercher (2002), baseado em pesquisa que entrevistou 2.066 turistas internacionais em Hong Kong, concluiu que 33,3% destes visitantes participaram de atividades de turismo cultural durante estadia no arquipélago, número similar à estimativa da OMT para a participação do segmento cultural no fluxo turístico mundial.

De acordo com Hovinen (1995), o turismo no Condado de Lancaster, destino popular de turismo cultural no nordeste dos EUA, apresenta características de turismo de massa, baseado

na cultura da comunidade Amish65. A exploração turística de atrações culturais reforça a

noção, presente em diversos autores, de que o turismo cultural deixou de ser um nicho de

63

A partir do conceito de turismo cultural de McKercher e du Cros (2003), adotado nesta dissertação. 64 Cabe destacar, também, que o PCC é a segunda atração cultural mais visitada do Havaí, atrás do U.S.S. Arizona Memorial (STANTON, 1989).

65 Há a presença maciça de grupos de excursão e o desenvolvimento de atrações baseadas no patrimônio e tradição locais voltado ao consumo turístico. Grande parte do tradicional artesanato amish já foi substituído por lembranças e produtos industrializados. O número anual de turistas que visita o Condado de Lancaster variou entre 3,5 e 5 milhões de turistas, até meados dos anos 1990.

mercado, voltado a uma minoria rica e educada, e se caracteriza atualmente como um

segmento do turismo de massa66.

O desenvolvimento de atrações culturais em diversas cidades e regiões da Europa, ávidas por promover a cultura local e capturar parcelas do rendimento econômico gerado pelo mercado turístico, provocou uma situação na qual a oferta de atrações culturais cresceu mais do que a

demanda67 (RICHARDS, 1997), tornando o mercado crescentemente competitivo.

Além disto, em muitas ocasiões o desenvolvimento de atrações culturais não leva em conta considerações sobre a demanda de turismo cultural existente, por autoridades ou investidores locais considerarem que a cultura de sua cidade ou região é única e que o segmento de turismo cultural é a prova de crises (RICHARDS, 1997; PRIDEAUX, 2002).

A recente expansão no número de pequenos museus na Alemanha fez com que o número médio de visitantes passasse de 40.000 em 1982 a 26.000 em 1992 (ROTH; LANGEMEYER, 1997). Isso coloca sérios problemas para a saúde financeira destas atrações, já que os custos fixos de manter o equipamento têm que ser arcados por um número declinante de visitantes.

Sobre a expansão da oferta de atrações culturais no Reino Unido, o diretor do Science Museum coloca: “You can’t project that sort of rate of growth much further before the whole country becomes one big open air museum, and you just join it as you get off at Heathrow (quoted in Hewison, 1987: 24).” (URRY, 1996, p. 104).

Outra tendência do mercado de turismo cultural é a polarização entre atrações culturais de pequeno porte localizadas em pequenas cidades e zonas rurais, como festivais locais e centros de interpretação patrimonial, e grandes atrações localizadas em centros urbanos importantes, criadas para servir como símbolos de renascimento econômico e cultural e para atrair parcela significativa de turistas (RICHARDS, 1999; BIANCHINI, 1999).

66 A noção de turismo cultural enquanto segmento do turismo de massa pode ser visto em autores como Boissevain (1996), Dahles (1996), Stanton (1989) e Richards (1997).

67 A partir do banco de dados da European Association for Tourism and Leisure Education (ATLAS), Richards (1997) mostra que o fluxo de turistas culturais estabilizou-se na Europa entre 1998 e 2003, enquanto o número de atrações não parou de crescer.

A European Association for Tourism and Leisure Education (ATLAS) realizou uma pesquisa com 6.300 visitantes de 26 atrações culturais da União Européia, distribuídas em nove países

do continente68 (RICHARDS, 1997). Os resultados apontaram que os turistas culturais têm

alto índice de escolaridade, sendo 20% pós-graduados. A faixa etária mais presente entre os turistas entrevistados é a entre 20 e 29 anos, em parte pelo fato da maior parte do fluxo turístico total ser composto por jovens.

Aproximadamente 60% dos turistas classificaram as atrações que estavam visitando como importantes ou muito importantes para a decisão de visitar o destino turístico. Atrações que representam símbolos culturais europeus, como o Palácio dos Doges em Veneza, ou que consistem praticamente no único motivo para visitar o lugar, como Ávila, têm maior peso na escolha do destino por parte do turista. Atrações localizadas em grandes cidades, como a Torre dos Clérigos no Porto e St Paul’s Cathedral em Londres, não são individualmente muito importantes para a seleção do destino, mas fazem parte do conjunto de atrações que atrai turistas para estas cidades.

Richards (1997) aponta também que há uma continuidade dos hábitos normais de consumo cultural das pessoas em suas experiências turísticas, e que parte significativa dos turistas

culturais é composta por pessoas que trabalham na indústria cultural69.

McKercher e du Cros (2003), baseados em pesquisa que entrevistou 1.153 turistas culturais70,

identificaram cinco nichos de mercado no segmento de turismo cultural, a partir de dois

68

A pesquisa da ATLAS entrevistou residentes, visitantes e turistas em atrações culturais como a Torre dos Clérigos (Porto), o Museu do Prado (Madri) e a Neue Pinakothek (Munique). Em virtude disto, não foi feita uma comparação direta entre turistas que consomem e não consomem atrações culturais em suas experiências de viagens. Ser turista cultural foi um pré-requisito para participar da pesquisa.

69

Estes dois fatos relacionam-se com a discussão presente no segundo tópico deste capítulo. Cabe destacar que Richards (1997) divide o mercado de turismo cultural em dois grupos: specific cultural

tourists (57%) e general cultural tourists (43%) (RICHARDS, 1999). Segundo ele, 29% de todos os specific cultural tourists trabalham em setores da indústria cultural, enquanto que esta percentagem é

de 13% para o segundo grupo. Os specific cultural tourists são, de forma geral, de nível educacional mais alto, viajam mais e tem maior propensão a escolher o destino em virtude da importância da atração cultural que está sendo visitada no momento da entrevista em relação aos general cultural

parâmetros de classificação: nível de envolvimento do turista com o patrimônio visitado (profundo – superficial) e importância das atrações visitadas na escolha de Hong Kong como destino turístico (alta – baixa).

Turistas com alto envolvimento com as atrações culturais visitadas e que consideram o patrimônio cultural como muito importante ou motivo principal na decisão de visitar Hong Kong são considerados purposeful cultural tourists. Este nicho de mercado representa 13,4% do segmento de turismo cultural.

O purposeful cultural tourist é o maior consumidor de experiências culturais “desafiadoras”, freqüentando museus e galerias de arte e artesanato, sítios históricos, templos religiosos e mercados públicos menos conhecidos espalhados pelo arquipélago. Interessa-se pelo patrimônio cultural chinês e pela herança da colonização britânica em Hong Kong, e é comprador de passeios organizados de agências de receptivo locais.

Turistas que têm baixo envolvimento com as atrações culturais visitadas e consideram o patrimônio cultural como muito importante ou motivo principal para visitar Hong Kong são considerados sightseeing cultural tourists. Este nicho de mercado representa 32% do segmento de turismo cultural.

O sightseeing cultural tourist prefere consumir uma miríade de experiências culturais, ao invés de se envolver com alguma atração de maneira mais profunda. Costuma viajar por todo o arquipélago, inclusive ilhas e comunidades remotas, e prefere consumir sítios históricos ligados à herança colonial britânica e a região de Kowloon.

Turistas com baixo envolvimento com as atrações culturais visitadas e que têm o patrimônio cultural local como elemento não importante em sua decisão de visitar Hong Kong são considerados incidental cultural tourists. Este nicho de mercado representa 20,9% do segmento de turismo cultural.

70 Deste total, apenas 760 entrevistas foram validadas para a análise. Mais de 330 entrevistados foram excluídos do trabalho pois, apesar de se classificarem como turistas culturais, não conseguiram apontar uma única atração visitada de uma extensa lista de bens materiais e imateriais classificados como culturais.

O incidental cultural tourist é grande consumidor de atrações localizadas em zonas turísticas, perto de seu hotel, fáceis de consumir e não “desafiadoras” do ponto de vista emocional ou intelectual. Os principais produtos consumidos por turistas deste nicho são o Hong Kong Space Museum e parques temáticos com elementos culturais.

Templos e sítios religiosos são evitados por este nicho de mercado, bem como passeios de agências de turismo receptivo com programação cultural. O motivo de visita a atrações culturais é a “busca de recreação”, sem dar importância ao aprendizado da cultura ou história local.

Turistas com baixo envolvimento com as atrações culturais visitadas e que consideram o patrimônio elemento pouco importante em sua decisão de visitar Hong Kong são considerados casual cultural tourists. Este nicho de mercado representa 26,7% do segmento de turismo cultural.

Em muitos aspectos, o comportamento do casual cultural tourist é similar ao do incidental

cultural tourism. Atrações acessíveis, de pouco envolvimento emocional ou intelectual e

voltadas à recreação dos visitantes, dominam o consumo deste nicho de mercado. Apesar disto, o casual cultural tourism também costuma visitar templos religiosos e explorar mais a região.

Turistas com alto envolvimento com as atrações culturais visitadas e que consideram o patrimônio como elemento sem importância na decisão de visitar Hong Kong são considerados serendipitous cultural tourists: 7% do segmento de turismo cultural.

O serendipitous cultural tourist é uma anomalia, pois desconsidera o patrimônio cultural de Hong Kong quando da seleção do destino, mas, quando no arquipélago, acaba tendo experiências culturais profundas. Não há um padrão de consumo de atrações neste nicho de mercado; este grupo de turistas é marcado por experiências pessoais, sem um padrão claro de comportamento dentro do nicho.

Os integrantes dos cinco nichos de mercado apresentam motivações, experiências e padrões de consumo do patrimônio cultural de Hong Kong muito diferentes entre si, mas há um

elemento comum entre estes grupos: todos visitam os principais ícones culturais do país,

como The Peak, Big Buddha e Hong Kong Cultural Center71 (MCKERCHER 2002).

Urry (1996) argumenta que a visita a lugares e objetos tidos como únicos e não reproduzíveis, como a Torre Eiffel, o Grand Canyon e o lugar onde John Kennedy foi assassinado, em Dallas, Texas, é uma das formas de consumir experiências turísticas que contrastam com o dia a dia das pessoas. De acordo com o autor, conhecer estes objetos é um sonho de consumo de grande parte das pessoas que vive no mundo ocidental, e a experiência de viagem transforma-se em uma espécie de peregrinação a um centro sagrado de devoção.

A classificação dos turistas culturais em cinco nichos de mercado feita por McKercher e du Cros (2003) baseia-se nos benefícios e motivações advindos do consumo de atrações culturais, a partir da importância dada ao patrimônio cultural na decisão de visitar Hong Kong e do nível de envolvimento com os bens culturais visitados. De acordo com os autores, não há diferença significativa entre os cinco nichos de mercado em nenhuma das variáveis

demográficas pesquisadas, com exceção de idade72.

Diferenças significativas também não foram encontradas nas características da viagem, a saber:

a) tempo de permanência do turista no destino;

b) tempo total da viagem (Hong Kong e outros possíveis destinos);

c) número de vezes que o turista já tinha visitado anteriormente Hong Kong;

d) importância de Hong Kong entre os diversos destinos visitados na experiência de viagem;

e) gasto total do turista.

71 Isto explica, em grande parte, o investimento feito por países, regiões e cidades ao redor do mundo para criar grandes atrações culturais destinadas ao consumo turístico, com o objetivo de promover a cultura local e capturar parte do rendimento econômico do segmento de turismo cultural. Harvey (1999), Bianchini (1999), Richards (1997) e Urry (1996) apresentam análises e exemplos deste fenômeno.

72 Os sightseeing e purposeful cultural tourists tendem a ser mais velhos, enquanto que os casual e

Por fim, McKercher e du Cros (2003) observaram que 22,1% do segmento de turismo cultural é composto por viajantes profissionais ou de eventos, concentrados em dois nichos de mercado: casual cultural tourists e incidental cultural tourists.

4.4. Autenticidade, sustentabilidade, participação comunitária e disputas profissionais

Benzer Belgeler