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1. BÖLÜM

3.6. Doğa

Numa perspectiva sistêmica, pode-se argumentar que os agrupamentos de empresas influenciam na competitividade das organizações. Concebida por Ferraz et al. (1995) como a capacidade da empresa de formular e implementar estratégias concorrenciais para ampliar ou conservar sua posição no mercado de forma duradoura, a competitividade é

influenciada pela concentração industrial porque essa atua sobre as cinco forças competitivas3 do mercado (PORTER, 1999), beneficiando as empresas participantes. Assim, um conjunto de empresas pode obter benefícios, através do fortalecimento do setor, pela ampliação da capacidade de inovação e pelo estímulo à formação de novas empresas que reforçam a informação e ampliam a aglomeração.

Quando analisadas as fontes da inovação, sob o enfoque geográfico, destacam- se algumas poucas regiões que apresentam intensa atividade inovativa. Percebe-se, entretanto, a presença de determinados elementos que são comuns a muitas delas e a existência de um padrão. Algumas dessas organizações são induzidas por ações de políticas públicas geradoras de inovação, outras, entretanto, surgiram como resultado de oportunidades momentâneas, reconhecimento de vocações locais, períodos de crise e até projetos baseados na visão de uma pessoa ou um grupo.

Independentemente da origem do arranjo ou das suas características, seus componentes formam um sistema, que pode ser observado e analisado sob diversos ângulos e enfoques. Como todo sistema, esse possui uma estrutura, apresenta um comportamento, atravessa por fases de um ciclo de vida, tem objetivos explícitos ou implícitos, possui subsistemas, invariavelmente, é integrante de sistemas mais amplos e interage com outros sistemas.

Os sistemas de inovação podem ser analisados sob diferentes recortes analíticos, em dimensões nacionais, supranacionais, setoriais, tecnológicas e regionais. Todos os enfoques são complementares e apresentam formas de articulação idiossincráticas segundo o tipo de produto considerado (TIGRE, 2006).

Uma das acepções formais para sistema de inovação mais conhecidas é aquela segundo a qual

(...) sistemas de inovação são constituídos por organizações que, por meio de seus recursos e atividades, exercem um impacto sobre a rapidez e o direcionamento de processos inovativos e, em especial, pelos relacionamentos estabelecidos entre tais organizações.

Além disso, esses

(...) sistemas podem ser caracterizados por sua especialização, por suas configurações institucionais, assim como por suas conexões com o resto do mundo. E são sistemas abertos que podem dispor de certo grau de autonomia em seu desenvolvimento, operação e especialização (LUNDVALL, 2002).

3 Rivalidade entre os concorrentes; Poder de Negociação dos clientes; Poder de Negociação dos fornecedores;

Segundo Gusso (2008), trata-se de um conjunto social e economicamente articulado de instituições, de normas e de modos de relacionamento entre empresas, e entre essas e entes de governo e variados tipos de organizações dedicadas à educação, à produção e à disseminação de conhecimentos, de informações e de tecnologias de informação e comunicação. Ainda, segundo o autor, é esse conjunto que permeia o dia a dia das cadeias produtivas, das empresas e unidades produtivas, e facilita a tomada de decisão, notadamente sobre as dimensões tecnológicas relativas a o que, quanto e como produzir.

Tomando por base a visão institucionalista, todo um ecossistema, que contempla infraestrutura para que a pequena empresa floresça e possa atingir seus objetivos, precisa estar disponível. Um arcabouço de legislação, fomento, treinamento e coordenação de atividades, precisa ser colocado à disposição do empresário inovador, para que a inovação aconteça.

As abordagens sistêmicas da inovação alteram o foco das políticas em direção a uma ênfase na interação entre instituições e observam processos interativos na criação, difusão e aplicação de conhecimentos. Elas ressaltam a importância das condições, regulações e políticas em que os mercados operam e assim o papel dos governos em monitorar e buscar a harmonia fina dessa estrutura geral (OCDE/EUROSTAT, 2005).

Há consenso que a inovação é um processo sistêmico, que tem propriedades “emergentes” e efeitos de sinergia. Esse processo é visto na literatura internacional sob vários ângulos – a “hélice tripla”4 e sistemas nacionais, setoriais e locais de inovação (ERBER,

2010).

Os sistema nacional de inovação foi estudado por Viotti (2002) nos anos 1990 e por outros na década seguinte. Já os sistemas locais foram detalhados pelo projeto RedeSist, uma rede de pesquisa interdisciplinar, formalizada desde 1997, sediada no Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que conta com a participação de várias universidades e institutos de pesquisa no Brasil, além de manter parcerias com outras instituições da América Latina, Europa e Ásia. Seu enfoque parte do micro, das fontes de informação utilizadas pelas empresas, passando pelos atores responsáveis pela inovação para chegar à cooperação entre as empresas inovadoras e outros atores sociais.

4 A abordagem da Hélice Tripla (ou Tríplice), desenvolvida por Etzkowitz e Leydesdorff (2000), é baseada na

perspectiva da Universidade como indutora das relações com as Empresas (setor produtivo de bens e serviços) e o Governo (setor regulador e fomentador da atividade econômica), visando à produção de novos conhecimentos, a inovação tecnológica e ao desenvolvimento econômico. A inovação é compreendida como resultante de um processo complexo e dinâmico de experiências nas relações entre ciência, tecnologia, pesquisa e desenvolvimento nas universidades, nas empresas e nos governos, em uma espiral de “transições sem fim”.

Os estudos da RedeSist (2011) sugerem que as empresas inovadoras brasileiras usam a própria empresa como fonte de informação, semelhante ao que ocorre em outros países. Para as empresas que produzem produtos padronizados a principal fonte de informações está nos fornecedores de máquinas e matéria prima e em seguida dos clientes. Nas empresas que privilegiam a inovação em produtos, o cliente surge como principal fonte de informações seguido pelos fornecedores. Cassiolato, Britto e Vargas (2005) destacam que, no Brasil, as informações obtidas junto a concorrentes são mais importantes que nos países da União Europeia, sugerindo que essa característica pode ser interpretada como um fenômeno de aprendizado por imitação.

Em todas as situações apresentadas previamente, as informações são obtidas dentro da própria cadeia produtiva da empresa, entretanto, as feiras e eventos do setor, em geral são frequentemente citados como fontes de ideias inovadoras pelas empresas, uma vez que representam um importante canal de atualização. Já a utilização das universidades e institutos de pesquisa como fonte de informações, no Brasil, tem baixa relevância, apesar dos esforços realizados para aproximação entre sistema científico e produtivo, nas últimas décadas.

As empresas inovadoras em produto também buscam informações fora do país, em visitas técnicas a outras indústrias, participações em eventos e rodadas de negócios, porém, para as pequenas empresas essas atividades se apresentam como muito complexas, devido às barreiras de idioma e falta de canais de contato.

Os dados sobre a inovação na indústria brasileira, em geral, apontam para uma baixa interação sistêmica. Porém, a maioria das pesquisas quantitativas baseia-se nas várias edições da PINTEC e essa não capta acordos informais de cooperação, especialmente importantes no âmbito de sistemas locais de inovação e não especificam o objetivo dos projetos de cooperação, cujo impacto sobre a capacidade de inovar e seus resultados pode ser muito distinto (CASSIOLATO; BRITO; VARGAS, 2005). Os autores concluíram que pouco mais de 10% das empresas inovadoras cooperam em algum projeto formal para inovar e que os gastos com aquisição de informação representam 8% do custo da inovação. Adicionalmente concluíram que as empresas que mais cooperam são as de maior porte, que têm empregados com maior grau de escolaridade e que mais exportam, além de importar mais.

Outra característica dos sistemas de inovação no País, depreendida dos dados da PINTEC (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA, 2010), é que os gastos com Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) são realizados quase totalmente

(aproximadamente 90%) pelas próprias empresas, sem participação governamental ou órgãos de fomento. Porém, nas empresas emergentes a participação dos recursos públicos (10% do total), é superior ao que é recebido pelas empresas líderes (6%).

O Sistema Industrial de Inovações brasileiro interage dentro da própria cadeia produtiva, tende a absorver tecnologias já existentes, possui baixa interação sistêmica, utiliza pouco dos incentivos e fomento governamentais à pesquisa e desenvolvimento.

Benzer Belgeler