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Doç.Dr.Elif Bahat ÖZDOĞAN Doç.Dr.Selçuk KAYA

Belgede DÖNEM I DERS PROGRAMI (2017-2018) (sayfa 129-136)

A finalidade deste tópico é destacar a originalidade e a relevância do presente estudo como complementar às atuais pesquisas realizadas que analisaram e, ou, deram alguma contribuição na direção de avaliar fatores condicionantes das exportações brasileiras de açúcar.

Nesse sentido, os estudos abrangendo o mercado internacional de açúcar que têm sido realizados no Brasil relacionam-se a mensurações: do grau de competitividade

19 SARRIS, A.H. Empirical models of International Trade in Agricultural Commodities. In: MCCALLA, A.F.; JOSLING, T.E. Imperfect markets in international trade. Montclair: Allenheld, Osmun and Co., 1981.

do açúcar brasileiro em relação aos seus competidores, de elasticidades de substituição entre exportadores e de funções de oferta e demanda por exportação desse produto.

Burnquist & Miranda (1999), Stalder (1997) e Veiga Filho (2000) analisaram as mudanças ocorridas nas exportações brasileiras de açúcar na década de 1990.

Segundo Veiga Filho (2000), há várias razões explicativas para o crescimento sustentado das exportações do açúcar brasileiro na década de 1990, que podem ser de origem externa e interna. Segundo esse autor, a principal razão externa pode ser o fim do acordo bilateral URSS-Cuba, que possibilitou ao Brasil ocupar o lugar de Cuba no comércio de açúcar com os países da antiga União Soviética (URSS). A crescente participação das exportações originadas no Estado de São Paulo, ocasionadas a partir do processo de desregulamentação, seria a principal razão interna para o aumento das exportações brasileiras. Assim, procurando comprovar essas hipóteses, Veiga Filho (2000) separou a década de 1990 em dois subperíodos, o primeiro abrangendo os anos de 1992 a 1995 e o segundo, de 1996 a 1999. O autor encontrou que o aumento das exportações brasileiras no segundo subperíodo, em relação ao primeiro, foi explicado em 14,13% pelo efeito tamanho de mercado, que mede o impacto da alteração no volume do comércio mundial em um determinado país exportador. A maior competitividade do país explicou 88,74% do aumento das exportações brasileiras na segunda metade da década de 1990. O autor conclui, conforme estabelecido a priori, que essa maior competitividade é fortemente derivada dos menores custos de produção, cuja média é de US$ 190/t em São Paulo.

Resultado semelhante foi obtido por Burnquist & Miranda (1999), que avaliaram as mudanças nas exportações brasileiras de açúcar do subperíodo de 1991/1994 para 1995/1997, utilizando um modelo de market-share constante. As autoras concluíram que: o efeito competitividade, interpretado como um indicador da habilidade apresentada pelo país em competir de forma efetiva com outras fontes de oferta, explicou uma porção expressiva das mudanças nas exportações entre os dois subperíodos; o crescimento do mercado global de açúcar, denominado como efeito tamanho de mercado, explicou 17% do aumento das exportações.

Stalder (1997), analisando o market-share para o Brasil no período de 1979 a 1994, mostrou que o país vem crescendo em participação no mercado de açúcar, especificamente desde 1990, não só devido ao crescimento do mercado mundial, mas também ao incremento na sua competitividade. A autora verificou também que o perfil do mercado que importa do Brasil modificou-se ao longo do período analisado, indicando uma maior diversificação dos países de destino do açúcar. Entre os anos de 1990 e 1994, o Brasil perdeu participação no total importado pelo mercado sul- americano, com exceção dos países que constituem o Mercosul. Verificou-se uma tendência de redução na demanda de açúcar de países importadores tradicionais, ao mesmo tempo que a demanda nos mercados no Sudeste Asiático, Oriente Médio e África cresce.

Nesse trabalho, a autora encontrou indicações de que o Brasil não tem se apropriado da parcela que Cuba vem perdendo no mercado internacional. Os dados de market-share sugeriram que os países agrupados como “Resto do Mundo” são os prováveis beneficiários dessa perda, sobretudo a Austrália e a Tailândia, que apresentaram expansão nas exportações de açúcar nesse mesmo período.

A autora estimou também coeficientes de elasticidade de substituição entre o Brasil e outros exportadores mundiais. Encontrou-se que o açúcar exportado pelo Brasil apresentou certo grau de substituição pelo açúcar originado de outros países exportadores, em relação ao mercado importador mundial como um todo. É o caso, por exemplo, de Brasil e África do Sul, sugerindo um comportamento de competição via preços nesses mercados. Entretanto, em alguns casos houve indicações da existência de diferenciação do açúcar conforme a origem das exportações. As elasticidades de substituição estimadas para Brasil/Austrália e Brasil/Tailândia, no caso do açúcar refinado, sugerem a existência dessa diferenciação do mercado importador diante dos produtos exportados pelos dois países. A autora atribuiu essa diferenciação a fatores como: preferência do mercado importador, localização geográfica, relacionamentos históricos, acordos preferenciais, fatores institucionais ou facilidade de crédito, entre outros.

Vários autores analisaram ainda equações de oferta e, ou, demanda por exportações brasileiras de açúcar (Bacchi et. al., 2002; Barros et. al., 2002; Carvalho, 1986; Reis & Crespo, 1998), com o objetivo de obter elasticidades de demanda e de oferta do açúcar no mercado internacional.

Carvalho (1986) procurou estimar os coeficientes estruturais de oferta e demanda de exportação de açúcar, compreendendo o período de 1961 a 1984. O autor levou em consideração a simultaneidade existente entre quantidades exportadas e preços de exportação, bem como a possibilidade da ocorrência de desequilíbrio nesse mercado. No modelo de equilíbrio do mercado descrito pelas eq. (1) e (2), o logaritmo da quantidade demandada pelas exportações brasileira de açúcar (QXD) foi descrito como função dos logaritmos: da razão dos preços de exportação do açúcar brasileiro pelo preço de exportação de produto competitivo (PX/PW); da renda mundial (RM) e da quantidade ofertada pelos outros países exportadores (QM). Do lado da oferta, o logaritmo do preço de exportação do açúcar brasileiro (PX) foi descrito como função dos logaritmos: da quantidade ofertada (QXS); da razão da taxa de câmbio pelo índice de preços ao atacado (TC/IP); da disponibilidade interna líquida de açúcar (QI) e da renda interna do Brasil (RI).

QM ln a RM ln a ) PW / PX ln( a a QXD ln = 0 + 1 + 2 + 3 (1) RI ln b QI ln b ) IP / TC ln( b QXS ln b b PX ln = 0 + 1 + 2 + 3 + 4 (2) Entretanto, o autor argumenta que o mercado de açúcar apresenta um moderado grau de incerteza, o que implicaria em rigidez no ajustamento de preços e quantidades, gerando possíveis desequilíbrios. Assim, novas equações de oferta e demanda por exportação foram construídas. À equação de demanda, acrescentou-se um termo que representa a quantidade de exportações defasada de um ano. Por sua vez, o preço de exportação ajusta-se ao excesso de oferta. Portanto, à equação de oferta, acrescentou-se um termo que representa o preço das exportações defasado de um ano. Nas equações representando o modelo de desequilíbrio pode-se também fazer distinção entre curto e longo prazos.

Segundo o autor, os resultados obtidos com o modelo de desequilíbrio foram melhores, indicando que a demanda de exportação de açúcar a longo prazo é preço- inelástica, com valor igual a -0,153 (essa elasticidade era unitária no modelo de equilíbrio), e renda elástica de 2,883. A variável que mede a quantidade ofertada pelos outros países exportadores (QM) não foi incluída na estimação do modelo. Do lado da oferta, o autor encontrou que a mesma é preço-inelástica, com valor de 0,260 no longo- prazo, e apresentou elasticidade unitária de longo-prazo em face das variações na disponibilidade interna de açúcar para exportação (1,003). As variáveis razão da taxa de câmbio pelo índice de preços ao atacado (TC/IP) e da renda interna do Brasil (RI) também não foram incluídas na estimação do modelo.

A partir dos valores de elasticidades-preço de demanda e de oferta, o autor procurou ainda avaliar o impacto de um programa de estabilização de preços sobre a estabilidade da receita cambial. Encontrou-se que ambos choques na oferta ou na demanda não afetam substancialmente o nível médio da receita de exportação e sua respectiva variância.

Reis & Crespo (1998) utilizaram, de maneira semelhante, um modelo de equilíbrio simultâneo entre oferta e demanda de exportações para procurar explicar a dinâmica das exportações brasileiras de açúcar, compreendendo o período 1961 a 1994, incluindo assim dez anos a mais em relação à análise realizada por Carvalho (1986). O modelo teórico proposto pelos autores foi baseado num dos modelos empregados pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em estudos sobre demanda e oferta de exportações de commodities dos países em desenvolvimento, adaptado para o caso do açúcar brasileiro, conforme descrito nas eq. (3) e (4). Assim, os autores utilizaram como variáveis explicativas para a demanda: preço do açúcar brasileiro exportado ( x

t

P ); preço do açúcar exportado pelo mundo, excluindo o Brasil ( i

t

P ); somatório do produto interno bruto dos principais países importadores de açúcar brasileiro ( a

t

PIB ); quantidade de açúcar exportada pelo continente americano, excluindo o Brasil e Cuba ( a

t

Q ); preço das exportações mundiais de produtos substitutos do açúcar ( 0

t

utilizaram as seguintes variáveis explicativas: preço do açúcar brasileiro exportado, contemporâneo e com uma defasagem ( x

t x

t P

P , 1); preço interno de varejo do açúcar no Brasil, contemporâneo e com uma defasagem ( b

t b

t P

P , 1); consumo aparente de açúcar no Brasil ( b

t

CA ); taxa de câmbio real do Brasil (TCRtb); estoque inicial de açúcar no mundo

(Et ). ) , , , / ( 0 t a t a t i t x t d t f P P PIB Q P Q = (3) ) , , , / , / ( 1 1 t b t b t b t x t b t x t s t f P P P P CA TCR E Q = (4) A Tabela 18 mostra os valores das elasticidades encontradas por esses autores, fazendo uma comparação com o trabalho anterior quando as variáveis são coincidentes. Tabela 18. Elasticidades de oferta e demanda para as exportações brasileiras de açúcar

encontrados em trabalhos enfocando os períodos de 1961-1984 e 1961-1994. Carvalho (1986)

1961-1984

Reis & Crespo (1998) 1961-1994 Demanda Preço (PX/PW e i t x t P P / ) - 0,153 - 0,322 Renda mundial (RM e a t PIB ) 2,883 1,457

Exportação de outros países ( a t

Q ) - 1,204

Preço de substitutos do açúcar ( 0

t P ) - - 0,065 Oferta Preço de exportação (PX e b t x t b t x t P P P P / , 1/ 1) 0,260 0,221 (t) e 0,196 (t-1) Disponibilidade interna ou Consumo

aparente (QI e b t

CA ) 1,003 0,921

Taxa de câmbio real ( b t

TCR ) - - 392

Estoque mundial (Et) - 1,378

Fonte: Carvalho (1986); Reis & Crespo (1998)

Entretanto, esses autores encontraram resultados não coerentes com o previsto. Do lado da demanda, o grau de substituição entre o açúcar do Brasil e o açúcar dos

concorrentes ( a t

Q ) apresentou sinal contrário ao esperado. Os autores argumentaram que, no período estudado, o Brasil aproveitou-se de um mercado próprio, no qual não existiam fortes ameaças da concorrência, possivelmente em razão da importância e poder do país dentro do comércio mundial do produto.

Resultados não esperados do lado da oferta referem-se ao valor negativo da taxa de câmbio ( b

t

TCR ) e ao valor positivo para estoque mundial (Et ). Em relação à taxa de câmbio os autores argumentaram que:

“a relação inversa entre a taxa de câmbio real e as exportações de açúcar pode ser explicada porque o câmbio foi supervalorizado em épocas de melhores cotações internacionais do açúcar. Nesses anos, o efeito positivo dos melhores preços externos sobre as exportações foi superior ao efeito negativo do câmbio supervalorizado. Em épocas de baixas cotações internacionais, a situação foi inversa” (Reis & Crespo, 1998, p.29).

E em relação ao valor não previsto da elasticidade da oferta para o estoque mundial, segundo os autores, essa relação pode se apresentar de duas formas:

“tradicionalmente os estoques iniciais em cada ano açucareiro afetam negativamente os preços internacionais, pois são um reflexo do excesso de oferta nos países produtores. Pode ser verificado que, desde 1961, para cada ciclo de preços existe um ciclo inverso de estoques mundiais relativos (estoque/produção) mundiais. Por outra parte, grandes volumes estocados sem uso imediato podem induzir um país produtor a aumentar a oferta exportável, ainda que em anos de preços baixos, caso o custo de armazenagem seja superior ao custo incorrido por exportar a preços baixos em relação a um nível inicial” (Reis & Crespo, 1998, p.30).

Assim, os autores concluem que esta última relação foi predominante no Brasil para o período estudado.

As diferenças nos resultados encontrados pelos dois autores, apesar de ambos utilizarem uma grande parte do período coincidente, podem ser atribuídas a diferenças nos modelos utilizados e no cálculo de algumas das variáveis utilizadas. Carvalho utilizou menor número de variáveis explicativas em ambas as equações de demanda e oferta, em comparação aos modelos de Reis & Crespo, mas, por outro lado, este autor incluiu a variável dependente defasada naquelas equações, o que não foi feito por aqueles autores.

De maneira geral, uma restrição a estes dois estudos refere-se aos períodos de tempo considerados, de 1961 a 1984 ou a 1994, uma vez que, nestes períodos, tanto preços, como produção e comercialização dos produtos do setor sucroalcooleiro se encontravam regulamentados pelo governo e, portanto, não poderiam refletir plenamente as condições lógicas que se encontrariam em livre mercado.

Utilizando então um período após a desregulamentação do setor sucroalcooleiro e das exportações brasileiras de açúcar (de janeiro de 1995 a dezembro de 2000), Barros et. al. (2002) desenvolveram um modelo teórico ajustado para os diferentes produtos, no qual a equação de oferta de exportação é derivada das funções de oferta e demanda internas. No modelo elaborado (eq. 5), a quantidade exportada (QX) foi função: do preço interno do produto (PD); do nível de renda do Brasil (Y); da taxa de câmbio efetiva (TC) e do preço recebido pelas exportações (PE).

) , , , , (PE TC PD W Y h QX = (5) onde W representa deslocadores da oferta doméstica.

Entre os produtos analisados pelos autores, o açúcar e a soja foram os produtos mais influenciados pela taxa de câmbio (elasticidade igual a 2,8 para o açúcar) e pelo preço externo (elasticidade igual a 2,5 para o açúcar). Por outro lado, um aumento de 1% no preço doméstico do açúcar reduz as exportações do produto em 2,9%, ceteris paribus. Os autores concluíram que os preços domésticos tendem a refletir o desempenho da produção brasileira em face da demanda interna, e que as exportações de açúcar são as mais sensíveis ao comportamento do mercado interno.

Bacchi et. al. (2002), utilizando a mesma função descrita por Barros et. al. (2002), estimaram uma função de oferta de exportação brasileira de açúcar utilizando a metodologia de Auto-Regressão Vetorial (VAR). Assim, o modelo da função de exportação foi definido considerando-se que o quantum exportado do produto depende dos excedentes do mercado doméstico (eq. 5). Os autores concluíram que a função de exportação dada pela diferença da oferta e demanda doméstica apresentou-se adequada para a análise, mostrando que nossas exportações podem ser consideradas como o excedente do volume requerido no mercado interno. Os resultados mostram que o aumento do preço de exportação e a desvalorização da moeda nacional causam significativo aumento das exportações; e que um aumento do preço doméstico ou da renda interna tem reflexo negativo sobre o quantum exportado. Os autores descrevem, também, que seria importante a introdução do preço do álcool no modelo ajustado para a análise das exportações de açúcar, o que não foi feito em função da indisponibilidade desses dados para a maior parte do período de abrangência do estudo, pois os preços foram tabelados até janeiro de 1999 para álcool hidratado.

Portanto, os resultados de Bacchi et. al. (2002) foram consistentes com os obtidos por Barros et. al. (2002), realizados para períodos aproximadamente coincidentes. Entretanto, em ambos os estudos, não foi considerada a influência da demanda internacional do produto brasileiro sobre o preço e a quantidade exportada.

3 METODOLOGIA

O procedimento utilizado neste estudo consistiu na separação de duas etapas metodológicas. Primeiro, identificaram-se modelos econômicos para descrever: (i) o efeito da quota tarifária e do suporte interno de preços, em um dado país importador, sobre o volume e preço das exportações (brasileiras) para este país; (ii) o impacto do subsídio sobre exportações que concorrem com as exportações (brasileiras) no mercado mundial, sobre o volume das exportações (brasileiras) para os mercados importadores comuns. Esses instrumentos políticos foram identificados como as principais medidas adotadas nos EUA e na UE, como forma de isolar o mercado doméstico desses países. Conforme descrito no Quadro 1, tanto EUA quanto UE utilizam as medidas protecionistas descritas em (i). Mas, apenas a UE possui exportações subsidiadas, como descrito no instrumento (ii). Posteriormente, foram descritos os procedimentos econométricos e fonte de dados utilizados para estimação dos modelos necessários para a análise. A segunda etapa consistiu na demonstração dos modelos utilizados para analisar o nível de importância do setor de indústria de açúcar em relação à economia das duas regiões exportadoras (Centro-Sul e Norte-Nordeste) e os impactos que poderiam ser causados na economia brasileira em decorrência dos resultados obtidos na primeira etapa.

3.1 Impactos dos instrumentos de política protecionista dos países desenvolvidos

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Benzer Belgeler