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Dizilerin Gençlerin Fiziksel GeliĢim Alanına Yönelik Ġçerikleri Fiziksel geliĢim alanı; psikomotor geliĢim ve cinsel geliĢim olmak üzere iki

1. Yaygın GörüĢ Haline Getirme

2.5. Dizilerin GeliĢim Alanlarına Göre Ġçerikleri

2.5.1. Dizilerin Gençlerin Fiziksel GeliĢim Alanına Yönelik Ġçerikleri Fiziksel geliĢim alanı; psikomotor geliĢim ve cinsel geliĢim olmak üzere iki

No decurso da nossa pesquisa teórica encontrámos referências a diversos subtipos de negligência parental33. Na literatura mais recente encontrámos um maior consenso relativamente aos subtipos de negligência, os quais apresentamos em seguida.

No período antecedente ao nascimento da criança, isto é durante o período de gravidez, pode ocorrer a denominada negligência intrauterina. Este subtipo de negligência refere-se à ausência de cuidados durante a gravidez (ausência de acompanhamento médico ou de cumprimento de tratamentos médicos, consumo de álcool, drogas, medicamentos e tabaco), que se percebem pelo descuido relativo às necessidades do feto, não lhe garantindo a sua adequada proteção (Benavente, 2010).

33 Barnett et al. (1997, in Neves, 2010) encontraram na revisão teórica que elaboraram três formas de

negligência parental: a negligência física (défice no suprimento de necessidades básicas como comida, roupa e abrigo); negligência educacional ou de desenvolvimento (privação de experiências necessárias para o crescimento e desenvolvimento como oportunidades intelectuais e educacionais); e negligência emocional (falha no fornecimento de fornecer suporte, segurança e encorajamento). Além destas formas Erickson e Egeland (1996, in Neves, 2010) acrescentaram outras duas: a negligência médica (falha no fornecimento de tratamento médico prescrito para as crianças/jovens, como medicação, cirurgias recomendadas, tratamentos) e a negligência da saúde mental da criança (recusa na utilização de procedimentos terapêuticos recomendados que pode originar graves distúrbios emocionais ou comportamentais na criança/jovem). Dubowitz et al. (2004, in Neves, 2010) acresce à negligência física, emocional e educacional a negligência ambiental que caracteriza pela ausência de segurança ambiental, oportunidades e recursos, falta de civilidade e poucos recursos (National Research Council, 2003 cit. Dubowitz et al., 2004, in Neves, 2010; Erickson & Egeland, 2002 cit. Dubowitz et al., 2004, in Neves, 2010). Zuravin (1991, in Neves, 2010) menciona que devem ser elaboradas definições concetuais distintas para cada subtipo de negligência para que não hajam sobreposições operacionais de cada constructo. Desta forma apresenta 14 subtipos de negligência física: recusa em fornecer cuidados de saúde física; demora em dar cuidados de saúde física; recusa em facultar cuidados de saúde mental; demora em prover cuidados de saúde mental; falta de supervisão; recusa de custódia; negligência relacionada com a custódia; abandono; falha em fornecer habitação permanente; negligência de higiene pessoal; riscos potenciais/insegurança de condições habitacionais; falta de condições sanitárias na habitação; negligência nutricional; negligência educacional.

Posteriormente ao nascimento da criança outros são os subtipos de negligência que têm vindo a ser reconhecidos. De acordo com alguns autores (Polansky e Chalmers, 1981, cit. por Barudy, 1998 in Azevedo, 2006; Calheiros e Monteiro, 2007; Moreira, 2007, Azevedo e Maia, 2006, Magalhães, 2005, in Monteiro, 2010), a negligência física é classificada como a privação da satisfação das necessidades básicas da criança através de omissões no acompanhamento do seu bem-estar físico, nomeadamente no acompanhamento médico e cuidados de saúde34, na higiene corporal, do vestuário e da habitação, no uso de roupas inapropriadas (consoante a estação do ano e o estado de conservação), e na alimentação (inadequada à idade originando desnutrição ou obesidade, desrespeito de horários de refeições ou omissão de refeições). Para alguns dos referidos autores (Moreira, 2007, Azevedo e Maia, 2006, Magalhães, 2005, in Monteiro, 2010), a ausência de supervisão35 das atividades das crianças (crianças entregues a si próprias) constitui um outro indicador de negligência física.

Ao nível da negligência emocional constituem indicadores a falta de resposta pelos cuidadores da criança/jovem a sinais como o choro, o pranto, o sorriso, bem como as suas expressões emocionais e comportamentos de procura de proximidade e de interação (Formosinho e Araújo, 2002, in Monteiro, 2010). “A negligência emocional resulta de um equilíbrio subtil entre actos e omissões vivenciadas pela cria nça, quando os adultos

significativos são incapazes de proporcionar a estimulação, o encorajamento e a protecção

que lhe são essenciais” (Garbarino et al., 1986, in Benavente, 2010: pág. 53). Referimo-nos, por exemplo, à falta de disponibilidade emocional dos cuidadores ou de sensibilidade e de envolvimento para com as crianças, negando-lhes afeto, atenção e apoio emocional (Martins, 2002, in Monteiro, 2010).

A “Negligência Educacional” refere-se à privação do acesso à educação que pode ocorrer pela inexistência de matrícula no ensino obrigatório e pelas omissões relativas à supervisão das necessidades de desenvolvimento e ao acompanhamento escolar (procurar junto da escola quais os problemas de comportamento e de desenvolvimento da criança, a assiduidade, o aproveitamento e a relação com os colegas e professores) (Calheiros e Monteiro, 2007; Moreira, 2007, Azevedo e Maia, 2006, Magalhães, 2005, in Monteiro, 2010).

34 O acompanhamento médico e prestação de cuidados de saúde são considerados por alguns autores (por

exemplo, Gimenes, Bernardo, Pereira e Marques, 2006) como “Negligência na saúde”. Nesta categoria consideram o não acompanhamento médico à criança (vacinação, controlos médicos, …), a recusa de tratamentos (devido, por exemplo, a questões religiosas), agravando a sua doença tornando-a crónica (Gallardo, 1994; Benavente, 2010).

35 Calheiros e Monteiro (2007) classificam-no de “Falta de Supervisão”, negligência através de omissões

parentais nos cuidados com a segurança física e acompanhamento, na socialização e estimulação. Neste ponto pode ocorrer abandono físico: em que as necessidades físicas básicas não são satisfeitas temporal ou permanentemente por um responsável seu (De Paúl e Arruabarrena Madariaga, 1996, in Azevedo e Maia, 2006).

A privação da criança ao direito ao lazer, à cultura e ao convívio social proporcionadas pelas diversas atividades escolares também são consideradas neste subtipo de negligência por alguns autores (Gimenes, Bernardo, Pereira e Marques, 2006).

Ainda são exemplos de negligência os casos de exposição da criança a violência familiar, uso de drogas, prostituição, falta de imposição de limites ou regras, de liberdade, de afeto, de ajuda, de comunicação, entre outros (Heller, 1987, in Volic, Baptista, 2005).

Segundo alguns autores (Barnett et al., 1993, Barnett et al., 1997, Dubowitz et al., 1993, Straus & Kantor, 2005, Zuravin, 1991, 1999, in Neves, 2010) a classificação multidimensional do constructo de negligência decorre da transversalidade destes planos interdependentes:

- A gravidade: medida pela magnitude do impacto que um comportamento tem ao nível das consequências para a criança/jovem (Barnett et al., 1997, Zuravin, 1991, in Neves, 2010). É importante considerar que a maioria das crianças/jovens vítimas de negligência não apresenta evidências claras a curto prazo.

- A cronicidade e frequência: para Zuravin (1991, in Neves, 2010) são dimensões críticas pois focam a questão “quantas vezes” ocorreu o comportamento num determinado período de tempo, ou “há quanto tempo” se mantém o comportamento. De acordo com Dubowitz et al. (1993, in Neves, 2010), a frequência e a cronicidade do comportamento devem ser avaliadas no contexto da sua gravidade. Isto porque apenas um incidente pode ter consequências devastadoras e a sucessão de omissões de menor gravidade pode não resultar em dano potencial ou real à criança (não esquecendo que a repetição de um comportamento de risco aumenta a probabilidade de dano real). A questão que se coloca é: “quantas vezes é necessário o mesmo comportamento repetir-se para ser considerado negligente? Ou, até,

quanto tempo é necessá rio para dar continuidade a determinado comportamento para ser

considerado negligente?” (Neves, 2010: pág. 30).

- A idade da criança: um comportamento parental numa determinada idade pode ser considerado negligente e noutra idade uma infantilização, tendo que se analisar as necessidades das crianças e jovens nas diferentes idades (Zuravin, 1991 in Neves, 2010).