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3.PROBLEMLİ ZEMİNLERİN TANIMLANMASI VE SINIFLANDIRILMASI

3.2. Dispersif Zeminler

3.2.2. Dispersibiliteyi etkileyen faktörler

Situações de trocas de correspondência eletrônicas entre profissionais: fonoaudiólogo e professor ou fonoaudiólogo e fonoaudiólogo, também são relativamente freqüentes na prática clínica. Ao tentar contato telefônico com uma professora, pela incompatibilidade de horários, a escola me orientou a enviar uma solicitação por escrito sobre o ‘assunto’ que gostaria de tratar com ela. Nesse caso, enviei pela criança um cartão com meu telefone e e-mail. A professora optou, então, pela comunicação virtual. Distante das formalidades impostas pela Instituição (escola), a professora me escreveu livremente, utilizando uma linguagem mais informal, bem diferente dos relatórios convencionais, que geralmente devem ser, inclusive, assinados em conjunto pela professora, pela coordenadora pedagógica e pela diretora.

A professora pôde escrever sobre suas impressões acerca da criança e se sentiu à vontade para expor suas interpretações em relação à dinâmica

familiar – o que foi muito significativo neste caso –, além de fazê-lo de acordo com o horário mais conveniente para ela.

Nesse caso, a escrita em meio virtual também não foi usada diretamente como dispositivo terapêutico, mas a possibilidade de uma relação mais intensa e produtiva com a professora, que a escrita em meio virtual propiciou, interferiu positivamente na dinâmica escolar e terapêutica do paciente. Significa dizer que tais interseções também merecem reflexão por parte dos fonoaudiólogos.

Ao vivenciar essas e outras experiências, relacionadas à internet, na clínica, torna-se imprescindível um debate sobre o grau de complexidade ético que se estabelece em face de tal fenômeno, o que demanda reflexão meticulosa e rigorosa.

O discernimento entre o bem e o mal – bem no sentido de colocar a saúde, a qualidade de vida do paciente em primeiro lugar - é a noção ética que deve nortear o trabalho fonoaudiológico, também na relação clínica/ciberespaço. Encarar o atual debate leva o terapeuta a rever bases epistemológicas e se posicionar frente ao impacto que tal realidade lhe impõe, sobretudo, como profissional.

A partir desse princípio ético, apontamos a necessidade do clínico em (re)pensar as noções de setting, transferência e contrato terapêutico, considerando aí os ambientes virtuais. Assim, ao se permitir a entrada do ciberespaço na clínica, é preciso indagar, juntamente com os pacientes, uma série de aspectos. Num nível mais formal, por exemplo:

atendimento presencial;

⇒ Se freqüência e sistematicidade de trocas de e-mails, ou encontros em ambientes virtuais, devem ser previamente estabelecidos na terapia presencial;

⇒ Se o sigilo das informações trocadas via internet, bem como o armazenamento adequado dos conteúdos abordados, devem ser garantidos pelo terapeuta, da mesma forma como o código de ética prevê para os atendimentos presenciais;

⇒ Se há e como lidar com os limites e riscos implicados no uso do ciberespaço como campo para estabelecimento de atividades terapêuticas;

⇒ Em sentido amplo, se os deveres do fonoaudiólogo e os direitos do paciente, propugnados em legislação da área, são passíveis de permanecer tal como previstos.

Por outro lado, embora a definição de parâmetros técnicos (contrato, rotinas de trabalho, etc.) e normativos (legislação geral e particular da categoria profissional) seja necessária, por si só não é suficiente, uma vez que as demandas clínicas de paciente e/ou familiares são singulares e inantecipáveis, implicando interpretação e tomada de decisão em ato pelo terapeuta. Significa dizer que os parâmetros formais são referências indispensáveis, mas também nos ambientes virtuais a consistência da escuta e da sensibilidade clínica do terapeuta são insubstituíveis.

Além disso, se as transformações históricas, sócio-culturais, tecnológicas e subjetivas (umas implicadas nas outras) adentram a clínica,

pelo modo como afetam e imantam as histórias de vida, as rotinas, as estratégias cognitivas e as dinâmicas psíquicas e de linguagem dos pacientes e dos terapeutas, as relações terapêuticas precisam estar abertar para compreendê-las e também para utilizá-las em favor dos processos de tratamento dos transtornos de saúde, no caso, especialmente, na Fonoaudiologia. Para tanto, não cabem preconceitos, nem aceitação irrefletida das mudanças, mas trabalho paciente para apreender e cartografar tais mudanças, buscando contornar riscos e tirar delas o máximo de proveito possível.

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CONSIDERAÇÕES FINAIS

Se, como procuramos demonstrar, a revolução informática gera transformaçãos em várias perspectivas da sociedade e da cultura, a Fonoaudiologia é também convocada a pensar os efeitos de tal realidade na clínica; o que implica, entre outras coisas, examinar os desdobramentos deste processo contemporâneo na vida dos sujeitos que atendemos e também na relação que se estabelece entre terapeuta e paciente e/ou familiares no setting fonoaudiológico.

Há inegáveis mudanças nos perfis subjetivos contemporâneos; e estas, ao menos em parte, decorrem das ‘facilidades’ que a tecnologia informática disponibiliza, tanto nas relações profissionais, quanto nas relações pessoais. Tal tecnologia franqueia aos usuários maneiras inéditas de ser em grupo, de estar e de interagir no mundo, para o melhor e para o pior, uma vez que não se trata de estabelecer juízos de valor, mas de apontar que o sujeito, ao se envolver com o mundo virtual, é afetado por sua lógica e dinâmica. É também este sujeito quem chega à clínica fonoaudiológica.

Portanto, é preciso considerar as potencialidades, os riscos e os desafios impostos neste processo, pois estamos diante de fenômenos que exigem posicionamento critico, produção de conhecimentos e

“Eu não sou eu nem sou o outro, sou qualquer coisa de intermédio.”

regulamentação por parte da clínica, em nosso caso, por fonoaudiólogos, que lidam com sujeitos desassossegados em sua linguagem e comunicação.

No entanto, o impacto das transformações operadas pela “virtualização” de parte de nossas vidas, às vezes desorienta, gerando conflitos e angústia; o que também acontece nos processos terapêuticos∗. Daí a necessidade de (re)pensar nossos modos de praticar a clínica; nossos papéis e funções profissionais quando às voltas com o mundo virtual.

Se for assim, há que se teorizar a utilização de meios virtuais na clínica fonoaudiológica, porque o fonoaudiólogo está imerso e é convocado a acolher as demandas aí geradas ou fomentadas, cartografando seus efeitos sobre a relação terapêutica, sobre a linguagem e seus transtornos.

A sistematização e maior consistência da discussão tornará possível, inclusive, alertar os terapeutas acerca de desvios/equívocos – em nosso caso – no uso da escrita em meio virtual na clínica; construir bases fundamentadas e rigorosas, obtendo proteção para o uso do ciberespaço em atividades terapêuticas. Tais conquistas poderão franquear a manutenção da qualidade da atuação fonoaudiológica, preservando a necessária postura ética, com vistas também à futuras regulamentações dessas práticas pelos Órgãos e Entidades da Fonoaudiologia.

Além dos apontamentos específicos sobre os cuidados e o manejo das questões acima levantadas, buscamos salientar que a escrita em meio virtual cria uma atmosfera na qual leitor/escritor confundem-se, em função de uma produção que não possui fronteiras claras, que mistura formas comuns à

Como mencionado ao longo do texto: medo de perder a especificidade da relação terapêutica e dos

papéis e funções no setting (aspectos transferenciais, por exemplo); dúvidas quanto a possibilidade da manutenção do sigilo de parte a parte; questões quanto ao manejo dos ambientes virtuais e de articulação entre relação presencial e virtual; etc.

linguagem oral e à leitura e escrita.

A leitura e escrita implica sempre – para além dos usos utilitários e convencionais – exercício de alteridade, encontro e/ou produção de outros da gente mesmo: processo de subjetivacão. Quando é assim, habitamos um ‘entre’ o eu e o outro, no qual a escrita é desejante, capaz de entrelaçar sensações e pensamentos, desdobrando-os em produção de sentido, em invenção de si e do mundo.

Os ambiente virtuais, às vezes, parecem radicalizar tal potencialidade, pois os processos de criação e de expressão pela escrita, ganham aí velocidade e capacidade de difusão inéditas, além de serem atravessados por novos e não negligenciáveis modos e lógicas de estruturação e funcionamento.

O fonoaudiólogo tem a ver com esse fenômeno contemporâneo, uma vez que lida, fundamentalmente, com os modos pelos quais a linguagem e o sujeito, simultânea e reciprocamente, se constituem, sobretudo em face de vicissitudes que aí podem ser produzidas. Por isso, ele deve estar em condições de favorecer o (re)dimensionamento e/ou a (re)estruturação da relação do sujeito com a escrita – sua própria e a do outro (individual ou coletivo) –, ajudando a construir modos de elaboração, de circulação e de estabelecimento de laços sociais também no mundo virtual.

Trabalhamos tais aspectos da relação do fonoaudiólogo com seus pacientes, por meio das noções de setting, de transferência e de contrato terapêutico, mas sabemos que estas são só algumas das questões envolvidas em tal problemática. Significa dizer que há, nesse campo, uma

extensa agenda de pesquisa a ser ainda concebida e enfrentada pela clínica. Em nossa pesquisa, a literatura analisada e as vinhetas clínicas apresentadas envolveram, de algum modo, o atravessamento da internet no

setting terapêutico, principalmente em duas vertentes:

⇒ Pelo uso da internet enquanto recurso terapêutico, um instrumental técnico que, de forma indireta, ocasionou alteração no setting;

⇒ Pelo uso da escrita virtual como dispositivo terapêutico, porque foi usada diretamente para interferir nos rumos do tratamento e nos processos de subjetivação do paciente.

Quisemos fazer ver que essas vertentes podem produzir efeitos de dinamização e de potencialização do processo terapêutico, mas também gerar novas maneiras de obstruir ou dificultar a terapia e o vínculo terapêutico; o que exige do clínico, para contornar tais riscos, o desenvolvimento de escuta e de manejo acurados e específicos.

Fica então o convite à exploração, pelos fonoaudiólogos, de outras temáticas e questões nesse campo. A título de exemplo, vejamos algumas possibilidades apontadas no texto. É fato sabido que crianças e adolescentes, cada vez mais imersos e envolvidos com os ambientes virtuais, são diretamente afetados por eles, o que implica questões de letramento e de letramento digital, e de análise das influências da netspeak nos processos de aquisição e desenvolvimento da linguagem escrita, que precisam ser ainda melhor estudados.

Pela mesma via, se a internet influencia as pessoas, no sentido de incentivar certos modos de leitura e de escrita, parece razoável supor a

necessidade de se investigar desdobramentos da relação entre a escrita em meio virtual e a escrita tradicional. Na Fonoaudiologia, especialmente em termos de superação de dificuldades de aquisição e de uso da leitura e da escrita.

Em síntese, se a linguagem e seus transtornos é central à Fonoaudiologia, suas transformações e os efeitos clínicos que daí derivam, são também angulares aos fonoaudiólogos. Chamamos a atenção para mudanças na linguagem (e em seus usos), que acompanham a revolução informática, afetando também a nossa clínica e exigindo novos conhecimentos e ações, por meio de investimentos ético/políticos e teórico- metodológicos. Nosso desejo é de que este desafio ganhe, efetivamente, a atenção da Fonoaudiologia.

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