2. PAMUK / POLİAKRİLONİTRİL KARIŞIMLARINI BOYAMA
2.1. Pamuk/ Poliakrilonitril Karışımlarının Boyanması
2.3.2. Direkt/Katyonik Boyarmaddeler ile Boyama
Por nossas considerações, chegamos ao divisor comum: enquanto não houver uma efetiva conscientização e mobilização dos órgãos jurisdicionais pela busca de um sistema jurisprudencial uníssono, não haverá uma diminuição significativa dos recursos interpostos e muito menos um prestígio concreto da duração razoável do processo.
Por essas razões somos partidários de uma reforma estrutural no Poder Judiciário e psicossocial dos sujeitos processuais. Os maiores entraves do sistema não são resultantes dos ritos, mas sim de quem os aplica e deles se utiliza.
Efetivamente, os recursos são, embora não isoladamente, grandes colaboradores da demora na prestação jurisdicional, prejudicando, por conseqüência, a agilidade no andamento processual. Todavia, pior do que o recurso, e todos os atos e procedimentos morosos que lhes são inerentes, é a má-fé das partes em querer utilizá-los com o único propósito protelatório.
A súmula impeditiva é criação legislativa que busca, como vimos, obstar o recebimento da apelação, diminuindo a quantidade de recursos enviados aos Tribunais. De fato, para os casos em que a parte interponha o recurso com má-fé, a súmula impeditiva é medida imperiosa.
Não devemos perder de vista, contudo, que, em regra, a parte realmente necessita do recurso para combater decisão equivocada e nesses casos, não lhe pode ser negado de forma alguma o direito de recorrer sob pena de malferimento das garantias processuais e constitucionais, e bem dizer, do Estado Democrático de Direito.
O legislador não pode utilizar-se das situações protelatórias como parâmetro para criação de institutos que obstam o recebimento e regular processamento recursal de modo geral. Se assim proceder, as partes que agirem com boa-fé serão irremediavelmente prejudicadas.
A faculdade de interposição do recurso é a regra, de forma que toda decisão é recorrível. Entendimento em contrário desvaloriza e inutiliza o sistema escalonado do judiciário.
Acreditar que o sistema recursal deveria ser limitado implica dizer que a interposição do recurso deveria ser exceção. Já imaginou se a regra fosse ‘das decisões não cabe recurso, a não ser nos casos em que aquela se mostrar em contrário à súmula ou
jurisprudência do STF e do STJ’? Os juízes não mais teriam dúvidas de como aplicar a lei, mas sim de como interpretar o entendimento sumulado.
De igual modo, se as partes e os entraves processuais não ajudam, os magistrados, por vezes, atrapalham. A demanda processual é grande? Sim. A quantidade de recursos é absurda? Sim. Os procedimentos são formais demais? Sim. Mas mesmo assim, a situação poderia ser diferente se os julgadores mudassem suas perspectivas engessadas e trabalhassem de forma efetiva na busca pela prestação jurisdicional célere.
As mudanças, portanto, devem ser voltadas para o sócio-cultural e não apenas para a legislação processual. Os sujeitos processuais são os responsáveis pela movimentação do processo e é através deles que se pode aferir um processo célere, adequado e seguro.
Enquanto a consciência social – objetivo que demanda anos para ser concretizado – não é efetivada, ao magistrado fica o conselho de aplicar com cautela os atalhos processuais, enquanto às partes cabe evitar ao máximo a apresentação de recursos infundados.
Quando os partícipes do processo passarem a ter a devida noção da necessidade célere dos procedimentos arraigada em seus costumes, talvez, então, possamos visualizar efetivamente a agilidade na tutela jurisdicional.
Ao juiz cabe esforçar-se por evitar delongas injustificáveis, reduzindo ao mínimo o tempo de espera de um processo largado em sua mesa. Ao legislador compete apenas tentar minimizar os entraves processuais sem que para isso seja necessário mitigar o contraditório, a ampla defesa, o duplo grau de jurisdição e, muito menos, o livre convencimento do magistrado.
Outro ponto destacado que atravanca o sistema processual são os diferentes entendimentos dos tribunais para casos idênticos. Essas situações alimentam o inconformismo da parte vencida, que tenta, a todo custo, obter manifestação jurisdicional a seu favor, ignorando, por vezes, súmulas comuns, vinculante, ou qualquer posicionamento majoritário a respeito do tema que contrarie o seu objetivo.
É imprescindível, portanto, que os Tribunais realizarem efetivamente a uniformização de seus julgados. Somente assim os jurisdicionados e operadores do direito poderão criar a conscientização de que os entendimentos dos tribunais são efetivamente praticados e solidificados. A parte que previamente sabe que sua pretensão é contraria à jurisprudência consolidada não irá protocolar recursos ou, quem sabe, não irá buscar o provimento jurisdicional desde o início.
A uniformização jurisprudencial é imperiosa para a segurança jurídica e a correta prestação jurisdicional célere. Tanto a Constituição Federal, ao conferir essa função aos
tribunais superiores como o Código de processo Civil, ao prever o incidente específico para esse fim, deixam clara a sua necessidade.
Não obstante, o legislador optou por atribuir às súmulas - instituto que consiste tão-somente na interpretação da lei - o papel de uniformização da jurisprudência. Um atalho duvidoso para o alcance de um fim necessário.
A súmula impeditiva é resultado dessa duvidosa utilização da jurisprudência como meio de celeridade processual, o que nos leva a considerá-la como uma inovação infeliz do legislador.
Se o próprio sistema judiciário brasileiro prevê um sistema recursal e a existência de diversas instâncias a quem se pode livremente recorrer, não há como impedir o recebimento de uma apelação por supostamente encontrar-se em dissonância com súmula do tribunal superior.
O impedimento do recebimento da apelação pelo magistrado de primeiro grau, que aplica a súmula impeditiva, é uma afronta ao princípio do duplo grau de jurisdição. Sua aplicação, portanto, deve ser evitada a todo custo.
Embora seja evidente a lentidão com que o processo caminha no sistema judicial, é preciso considerar que o princípio da celeridade processual não é o único a ser prestigiado no ordenamento. O legislador em uma tentativa de solucionar a morosa prestação jurisdicional se volta para a celeridade, descuidando-se da preservação de outras garantias fundamentais como o direito do duplo exame recursal.
As reformas precisam ser avaliadas com cuidado antes de serem implementadas a contento. A supervalorização da celeridade processual cada vez mais diminui o espaço cognitivo do magistrado sob o pálio de promover a duração razoável do processo a qualquer custo.
O ideal seria que a agilidade processual fosse conseqüência da utilização dos demais princípios e garantias constitucionais, todos em harmonia na busca por um processo justo. A utopia, contudo, ao longe, parece afastar-se a cada reforma desempenhada.
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