2.1. Oksimler ve Özellikleri
2.1.9. Dioksimler
O período consular de Burton na África Ocidental.
Quando de sua indicação como cônsul inglês para a baía de Biafra, em abril de 1861, Burton passava por um período de contradições na esfera de suas relações institucionais e sociais. Se por um lado, cerca de dois anos antes ele havia chegado de uma expedição épica à África Central, que lhe granjeara um aumento de sua fama institucional como explorador, logo suas desavenças com John Speke e suas posturas sobre a hidrografia e etnografia africanas causaram-lhe a perda de status dentro da RGS 1 No âmbito social, as
coisas pareciam diferentes. Em sua festa de casamento com Isabel Arundell, em janeiro de 1861, esteve presente a mais alta sociedade de Londres, contando inclusive com a presença do próprio primeiro ministro Palmerston. Esta festa deu início a meses de participações constantes em recepções da aristocracia londrina – num circuito antes desconhecido por Burton – até agosto de 1861, data de sua partida para Fernando Pó. 2
Assim, a partida de Burton para seu posto consular o fazia deixar para trás esta sociedade da qual aparentemente nunca desfrutara antes, mas por outro lado, como já se notou, oferecia a perspectiva de “enfiar os molares no pão governamental” do qual só tinha “lambido as migalhas” até então,3 mostrando já uma perspectiva equivocada da posição
consular.
O texto que segue procura apresentar em ordem cronológica de produção o discurso de Burton durante sua atuação como cônsul inglês na baía de Biafra. Entretanto, é preciso notar que os textos comparados, a saber, cartas, relatórios consulares, artigos científicos e livros de viagem, são de caráter diferente embora versem sobre o mesmo tema. Estes diferentes suportes muitas vezes foram escritos em diferentes períodos, com intervalos de alguns meses ou até mesmo anos no que diz respeito as respectivas datas de publicação. Sendo assim, os relatos e artigos estão inseridos no texto fora de uma ordem cronológica,
1 No ano de 1860, Burton fez uma inesperada viagem para a América do Norte que, segundo Edward Rice
teria sido realizada justamente para fugir desta situação desagradável em Londres. Rice, Richard Francis
Burton..., p. 340.
2 Broadie, Fawn. The Devil Drives, New York: Norton, 1984. p. 215. 3 Burton a Milnes, Houghton Papers, 20/03/1861.
seguindo as datas de publicação. Sempre que possível procurar-se-á sugerir em quais períodos tais textos parecem ter sido escritos.
O livro Wanderings in West Africa4 é, desta forma, o primeiro texto que será
mencionado aqui, pois pode permitir vislumbrar o estado de espírito de Burton para com a população e o continente africano no momento de sua partida. Apesar de ter sido publicado apenas em 1863, o relato descreve a viagem de navio de Burton, de Liverpool à Fernando Pó, quando pela primeira vez ele esteve em contato com a África Ocidental, após longos anos de experiência na parte leste do continente. A narrativa do livro segue a ordem dos portos nos quais o navio Blackland da African Steamship Company parou ao longo da viagem. Cada parada traduz-se num novo capítulo, embora muitas vezes a estada do navio no porto não ultrapassasse mais do que algumas horas. Tal característica demonstra a prolixidade de Burton neste texto, recheado de digressões, apresentando suas opiniões sobre a África, muito mais do que descrições e narrativas minuciosas, as quais eram típicas de seus outros relatos de viagem.5
Logo a princípio, fica claro que as concepções do autor sobre a África não eram credoras da tradição humanitária que prevalecera na Inglaterra até o início da década de 1850. O livro é dedicado “aos verdadeiros amigos da África – não ao ‘filantropo’ ou a ‘Exeter Hall’”. De fato, as representações que Burton fez da colônia de Serra Leoa, a menina dos olhos dos filantropos ingleses em conjunto com as Índias Ocidentais, surgiam em tons bastante rudes, com uma epígrafe que em si é bastante significativa disto:
“I have travelled east, I have travelled west, north an south, ascended mountains, dived in mines, but I never knew and never heard mention of so villainous or iniquitous a place as Sierra Leone. I know not where the Devil’s posta restante is, but the place surely must be Sierra Leone.”6
O capítulo inteiro sobre Serra Leoa, com quase cem páginas, é um conjunto de ataques aos negros, em especial aos que ele denominava ‘semi-civilizados’, formados nas
4 Burton, Richard, Wanderings in West Africa, London, Tinsley Brothers, 1863.
5 Ver o capítulo 1 deste texto, especialmente as descrições dos beduínos na península arábica como exemplo. 6 “Eu viajei para o leste, viajei para o oeste, norte e sul, subi montanhas, mergulhei em minas, mas nunca
conheci nem ouvi menção de um lugar tão vil ou pecador como Serra Leoa. Eu não sei onde é a posta-restante do Diabo, mas o lugar deve certamente ser Serra Leoa.” Burton, Wanderings..., vol. 1, p. 193.
escolas missionárias da colônia, ou mesmo, que haviam estudado na Inglaterra. Recheado de afirmações sobre a inferioridade negra, e de críticas aos filantropos que, ao colocarem negros e brancos em igualdade total acabavam, em sua opinião, por exacerbar os vícios inerentes à raça negra e tornar a vida dos brancos praticamente insuportável.7
É Importante ressaltar que a estadia de Burton em Serra Leoa foi de três dias, e durante este tempo, ele esteve em contato com um dos membros da suprema corte da colônia, Mr. Marston. Este intercurso – além das concepções já negativas sobre raça e miscigenação8 – com certeza ajudou Burton a formar sua opinião sobre a colônia. As posições de Marston parecem ser bastante próximas das expressas por Burton com relação à situação em Serra Leoa. De fato, Burton menciona uma história contada pelo próprio Marston sobre uma multa de 50 libras, a qual foi condenado a pagar como indenização por haver espancado um negro. Em sua versão, e logo na de Burton, apenas após ter pedido várias vezes para que o africano se retirasse de sua propriedade é que aplicou o castigo físico (“sem violência desnecessaria, entretanto”) do qual foi considerado culpado.9 Já na versão do advogado que defendeu o africano, Marston não apenas agrediu de forma desmedida o citado africano, mas sua conduta era reiteradamente de explorar a sua posição de poder frente aos serra leoneses – muitas vezes com intenção de ganhos pecuniários – explicitando, assim, o porquê de sua recusa em aceitar a condição de igualdade entre negros e brancos perante a lei em Serra Leoa.10
7 As acusações são genéricas como : “the Sierra Leone man is an inveterate thief; he drinks, he gambles, he
intrigues, he over dresses himself, and when he has exhausted his means, he makes master pay for all.” (negritos meus)p 239. (O homem de Serra Leone é um ladrão inveterado, ele bebe, ele joga, ele faz intrigas ele se veste de forma excessivamente garbosa, e quando seu dinheiro se esgota, ele faz o seu mestre pagar por tudo”). Interessante notar a passagem em negrito. Burton parece ficar profundamente irritado com a prática dos negros de se vestirem à européia. Isto sugere uma impossibilidade de aceitar qualquer nível de igualdade, mesmo nas vestimentas, entre negros e brancos.
8 Ver primeiro capítulo deste texto. 9 Burton, Wanderings..., vol 1, p 215.
10 Rainy, W. The Censor Censured…. London, Geo. Chalfont, 1865. Este panfleto virulento tem como alvos
específicos o próprio Burton em suas representações de Serra Leoa, bem como Marston. Desta forma, há que se considerar a tendenciosidade deste testemunho. De qualquer forma, é importante notar uma das fontes das quais Burton retira suas opiniões sobre a situação de Serra Leoa.
Mas segundo Burton, o estado das coisas em Serra Leoa não poderia ser pior. Mesmo reconhecendo que pintava um quadro bastante negativo frente ao leitor europeu, ele afirmava que:
If the reader believes that I have exaggerated the state of things at Sierra Leone, he is mistaken; the sketch is under, rather than over drawn.”11
O estado de ânimo excessivamente negativo do autor com relação à colônia de Serra Leoa deixa bastante clara sua opinião sobre os objetivos filantrópicos que ainda existiam sobre a possibilidade de ‘civilização’ do continente africano. A sua representação do negro também não surgia em tons favoráveis neste momento. A população ‘negra’ aparece em suas “considerações antropológicas” dividida em dois grupos principais, definidos significativamente como “nobre” e “ignóbil”.12 A parte nobre – composta em grande parte
pela população norte africana, “semitizada” devido à migrações árabes – mostrava-se muito superior à porção “ignóbil”, representada pelos aborígines e sujeita a todas as formas de desqualificação. Os instrumentos teóricos de Burton neste momento apresentavam-se bastante compósitos. Desta forma, aparecem por um lado termos como “seleção de espécies”,13 caracterizações difusionistas e assentadas em suposições lingüísticas para traçar a origem de diferentes populações14, que supostamente dão suporte a interpretações monogênicas e evolucionistas. Isto porque a suposição da diferenciação física e cultural ao longo do tempo em razão de migrações das populações para regiões de climas e condições naturais diferentes, pressupõe uma origem humana única, e também porque o termo ‘seleção de espécies’ é uma clara referência à Darwin e seu livro homônimo publicado quatro anos antes. Por outro lado, no entanto, há também sugestões sobre as diferenças intransponíveis entre as raças em especial na caracterização da porção “ignóbil” da população, além de menções sobre uma suposta “escala da criação”15. Estas suposições e
11 “Se o leitor acha que eu exagerei no estado das coisas em Serra Leoa, ele está errado. O esboço está antes
sub do que super dimensionado.” Burton, Wanderings..., vol 1, p. 221.
12 A própria caracterização de “antropológicas” já faz notar uma diferença, pois até o relato anterior, Burton
preferia a nomenclatura “etnológica”. Ainda em Lake Regions of Central Africa, seu livro anterior, há vários capítulos denominados “Geografia e Etnologia da região”
13 Burton, Wanderings..., vol. 1, p. 210.
14 Burton, Wanderings..., vol. 1, p.115 e seguintes. 15 Burton, Wanderings..., vol. 2, p. 24.
terminologia apontam para interpretações poligênicas e não evolucionistas, uma vez que o termo “escala de criação” parece implicar que as diferenças entre as populações existiram desde sua origem.
Aparentemente, o autor tinha um alvo específico a atingir na redação deste capítulo: a situação de igualdade sócio-política entre negros e brancos em Serra Leoa. Como foi possível notar, não lhe parecia aceitável qualquer possibilidade de igualdade entre negros e europeus, nem mesmo o fato de vestirem-se à européia, quanto mais a idéia de um europeu ser julgado por um juiz mulato e por júri composto de negros.16
A proposta de Burton para a solução da situação é bastante clara, qual seja, o fim das suposições de igualdade, suportado pelo argumento de que a África é sim civilizável, mas apenas através do “trabalho direcionado sob a batuta européia”, que coloca inclusive uma opinião praticamente insustentável na Inglaterra, condenando a liberdade total dos ex- escravos e da população negra em Serra Leoa, sugerindo ainda que indiretamente, a implantação de “regulamentação do trabalho” na colônia.17
As constantes comparações que o autor faz entre negros e irlandeses no decorrer da descrição da população Kru,18 - comparando indiretamente a classe trabalhadora britânica com os negros africanos, - e as associações entre marcadas divisões de classe e “civilização”19 sugerem a posição politicamente conservadora e aristocrática de Burton.
16 Burton, Wanderings..., vol. 1, p. 217 e seguintes. Em seu depoimento ao Comitê Parlamentar de 1865,
Burton voltou a mencionar o fato de negros vestirem-se à européia. Neste caso, a vestimenta européia era apenas um disfarce de civilização, o que tornava o costume ainda mais agressivo. Segundo Burton, ao chegar em casa, os negros “retiravam a casaca e com ela as boas maneiras”. Parliamentary Papers, 1865, vol V, p. 122.
17 Burton, Wanderings..., vol. 1, pp. 220-221.
18 Kru, segundo Burton é a população nativa de Cape of Palms, nos limites da Libéria, colônia de ex-escravos
americanos. De forma significa, eles são descritos como “distintamente africanos, sem qualquer mistura de árabe.” Burton, Wanderings..., vol. 2, p. 14.
19 Já durante a descrição da população de Cape Coast Castle. Burton, Wanderings..., vol. 2, p. 96. A frase de
Nas palavras de Brantlinger, como se viu, esta postura “ecoa nostalgia do tempo de domínio aristocrata da classe trabalhadora na Inglaterra”.20
A opinião de Burton sobre a política inglesa aplicada à possessões africanas neste momento surgia, assim, como um misto de intervenção (ou tutela) e livre comércio – uma vez que não se podia conceder liberdades e muito menos igualdade total para os africanos frente aos ingleses. Tanto a intervenção, quanto o comércio livre, eram vistos como ferramentas de civilização. Tal mistura era paradoxal apenas na aparência, pois como se viu, discursos filantrópicos e liberais mesclavam-se com freqüência na Inglaterra, por volta da metade do século XIX. De fato, como se pôde notar anteriormente, a política inglesa era de fato intervencionista, ao mesmo tempo em que pregava de forma oficial a não intervenção.
Enfim, foi neste contexto que Burton chegou a Fernando Pó para assumir sua posição consular: com perspectivas de aproveitar seu tempo na África – e a liberdade relativa da posição consular em regiões distantes – para realizar suas expectativas de exploração. Nesta ocasião, o repertório de Burton sobre as representações das populações não européias era uma composição híbrida – que caracterizava o período de transição de paradigmas da ciência inglesa no período entre 1850 e 1860 – e que incluía pitadas evolucionistas, poligenistas, lingüísticas, entre outras. Por fim, Burton aportava na África Ocidental como representante de um governo que continha em seu interior significativas diferenças de opinião quanto à linha de atuação frente às regiões coloniais, incluindo a África Ocidental, embora tendesse a assumir posturas intervencionistas, a despeito de um discurso de não intervenção.
Abeokuta.
Burton não perdeu tempo para tentar cumprir as expectativas que nutria sobre seu trabalho consular na costa ocidental africana. Tendo chegado à Fernando Pó em 27 de setembro de 1861, seguiu no mesmo navio para conhecer dois dos centros comerciais sob
20 Brantlinger, Patrick. Rule of Darkness. British Literature and Imperialism, 1830-1914. Ithaca, Cornell
sua jurisdição, Old Calabar e o rio Camarões, de onde retornou em 2 de outubro. Menos de uma semana depois, partiu para Lagos com objetivo de conseguir um barco de guerra para realizar sua “primeira visita oficial” aos Oil Rivers.21
Em Lagos, entretanto, Burton sofreu com um ataque de “febre” que o deteve por duas semanas. Neste período, recebeu um convite do Comandante Bedingfield para juntar- se à comitiva que estava de partida para Abeokuta.22 Burton, mesmo sem receber
autorização explícita do F.O., partiu para a cidade Egba em 28 de outubro, um mês após ter desembarcado pela primeira vez em seu posto. A viagem para Abeokuta durou cerca de três semanas e o relatório de Burton contendo sua descrição foi enviado à Londres no dia 20 de novembro.
A relação entre Abeokuta e Inglaterra, como se viu, estava passando, naquela altura, por um momento de transformação. Uma dinâmica de auxílio iniciara-se cerca de vinte anos antes, com a instalação das primeiras missões entre os Egba, buscando o aumento do intercurso comercial, bem como, o ‘desenvolvimento’ civilizado da região, ou seja, a cristianização dos africanos, argumento obviamente defendido pelos missionários. Assim, os missionários e, em menor escala, os comerciantes consideravam Abeokuta como um ponto de difusão da “civilização” na África, significando, respectivamente, cristianismo e comércio ‘lícito’. Contudo, a guerra com Ibadan causou uma série de conseqüências negativas para esta relação, entre elas estavam prejuízos comerciais, dado o bloqueio do rio Ogum, e uma efêmera revivescência do tráfico escravo, levado à cabo com os prisioneiros de guerra. Estas conseqüências, principalmente a diminuição do comércio, tornaram as relações com a Inglaterra cada vez mais estremecidas nos anos seguintes.
Três textos de Burton foram escritos como resultado desta pequena viagem e permitem avaliar as posições de Burton sobre a conjuntura apresentada acima: o primeiro deles é o próprio relatório enviado ao F.O., que depois foi editado para apresentação ao parlamento; o segundo é uma carta enviada à RGS, publicada nos Proceedings of the RGS
21 PRO, F.O. 84/1176, 20/11/61. Mesmo antes disto, já havia enviado memorando ao F.O. solicitando a
presença de um barco de guerra constantemente à sua disposição.
22 A comitiva de Bedingfield tinha como missões discutir o estado da guerra entre Abeokuta e Ibadan, os
sacrifícios humanos ainda existentes, e finalmente cobrar explicações sobre uma resposta bastante irritada dos Egbas à uma proposta anterior de mediação na guerra feita pela Inglaterra.
e, finalmente, o terceiro é o primeiro volume do livro Abeokuta and the Cameroon
Mountains.23
O relatório que Burton enviou ao FO estava baseado nas considerações do autor a respeito das possibilidades da produção de algodão para exportação na região de Abeokuta. Segundo ele, o aumento na incipiente produção algodoeira era possível, pois a localidade apresentava características bastante favoráveis, quais sejam: solo e clima apropriados, além de um contingente populacional apto ao trabalho na lavoura e em número suficiente para evitar a necessidade de um programa de imigração.24 Contudo, nem todas as condições eram favoráveis. A primeira destas desvantagens sugeridas por Burton diz respeito à situação de governo. Em suas palavras:
“Presently there is far too much liberty, or rather license. The Alake has neither the power nor the state of the smallest Indian rajah….Every man is king in his own house. This will however cease. As individual wealth and importance increase, some man will succeed in making himself king.”25
Sendo assim, Burton parecia ver na ausência de uma autoridade central definida, com poder para impor-se aos demais, um impedimento ao desenvolvimento da produção de algodão para exportação. Para ele, a situação também estava ligada à guerra com Ibadan e ao tratamento dispensado pela Inglaterra com relação à Abeokuta. Almejar sempre uma posição de intermediários de comércio, para que pudessem viver sem trabalhar seria um impulso “tipicamente africano”.26 Em sua linha de raciocínio, decididos a tornarem-se beneficiários dos tributos dos povos que viviam mais ao interior, bem como, dos lucros comerciais, os Egba...
23 Burton, Richard. Abeokuta and the Cameroon Mountains, London: Ttinsley Brothers, 1863.
24 Segundo Burton, os Egba eram uma ‘raça de fazendeiros, apta ao trabalho moderado”. PRO, F.O. 84/1176,
20/11/61.
25 “Presentemente há muita liberdade, ou ainda falta do devido controle. O Alake não tem nem o poder nem o
status do menor dos Rajás indianos... Todo homem é rei em sua própria casa. Isto de todo modo cessará. Assim que a riqueza e importância aumentar, algum homem ira fazer de si mesmo rei.” PRO, F.O., 84/1176, 20/11/61.
26 A aversão de Burton pelo papel de intermediário comercial dos Estados costeiros africanos também ecoa
“…considerably puffed up by the attentions of England, and by dealing with missionaries, merchants and others, who pay court to her, has resolved to constitute herself sole medium and channel of trade between the interior and the maritime countries. 27
Enfim, o relatório de Burton apresentava de forma breve os termos do tratado proposto pela Inglaterra e assinado pelo Alake, que previa o fim da exportação de escravos – mesmo que prisioneiros de guerra – o fim dos sacrifícios humanos e a abertura irrestrita do rio Ogum para o comércio. Burton, no entanto, permanecia bastante cético quanto à possibilidade de cumprimento dos termos do tratado, em especial quanto aos sacrifícios humanos. Segundo ele, o Alake não tinha poder para impor-se aos outros chefes locais. Um sacrifício havia ocorrido antes mesmo que tivessem chegado de volta à Lagos após a assinatura do tratado.
É significativo que a parte final do relatório não tenha sido publicada nos
Parliamentary Papers. Nesta, Burton sugeria a solução para acabar com os problemas da
guerra na região – “tão desprezível e tão prejudicial para nossos intentos” – propondo uma intervenção militar inglesa para forçar os termos de um tratado de paz entre as duas regiões