2. Diyanet ĠĢleri Türk Ġslam Birliği (DĠTĠB)
1.2. Dinler ve Kültürler Arası Diyalog
1.2.2. Dinler Arası Konferans ve Paneller
Com a máquina do tempo viajamos agora para a década de 70, Lourenço já trabalhava em Bento Gonçalves há cerca de cinco anos, e percebeu que precisava transferir a sua vida profissional para Porto Alegre, pois não conseguia mais conciliar todos os seus afazeres com as viagens longas que tinha que fazer para lecionar.
O Professor pediu transferência da escola em Bento Gonçalves para outra escola em Porto Alegre. O seu pedido foi aceito e ele começou a trabalhar em uma escola no limite de Porto Alegre e Alvorada. Como relatou Lourenço: “A escola ficava na chamada parada quarenta para quem vai a Alvorada, ali eu lecionei um ano e meio mais ou menos”.
Na época em que o Professor começou a lecionar em Alvorada, a escola estava sendo ampliada, tinha um grande projeto de construção. Lourenço disse-me que, para a sua surpresa, nesse projeto não havia um laboratório. Explicou-me o motivo de sua surpresa: “Não havia nenhuma previsão de construção de um laboratório, então isso me surpreendeu, porque eu já havia criado um laboratório na escola que trabalhava em Bento Gonçalves e quando venho trabalhar em uma escola em Porto Alegre, que pretensamente seria uma escola mais evoluída, que inclusive estava em fase de ampliação, a escola tinha três andares e todas aquelas salas e mais salas, nenhuma delas era destinada a laboratório”.
Percebi pela fala de Lourenço que ele ficou desapontado com a escola, pois já vinha de um local em que teve que lutar para conseguir impor a metodologia de ensino em que acreditava, e chegando a Alvorada em uma escola maior e que deveria teoricamente ser mais evoluída teve que recomeçar, como explicou: “Eu já estava lecionando há cinco anos em uma escola que tinha um laboratório improvisado, mas em que podia trabalhar com os alunos, fazer coleta de materiais no pátio, trabalhar utilizando uma forma investigativa, então aquilo me chocou um pouco”.
Nessa escola, as aulas de Ciências eram dadas na sala de aula, na teoria, com as sinopses escritas no quadro com giz colorido. Os alunos não podiam sair para o pátio para fazer coletas e observações. Tudo acontecia da mesma forma que ocorria na escola anterior em que Lourenço lecionava. Ele, com sua convicção, foi novamente em busca de melhorias para o ensino de Ciências, pois recusava-se a se submeter à forma tradicional, pois o ensino de Ciências era desenvolvido, e sempre procurou ultrapassar os limites de cada aluno no aprendizado, e para o autor Mancuso (1998, p. 6)
Ultrapassar barreiras é típico de alguns estudantes que acreditam no próprio trabalho, orientados por professores que buscam superar os seus limites, extrapolando as paredes fechadas de uma sala de aula tradicional. O passo a mais se concretiza quando aquele que ensina também se interessa por aprender e, principalmente, quando os resultados são capazes de produzir benefícios na comunidade.
Lourenço, ultrapassando seus limites, criou, pela segunda vez em sua vida, um laboratório de Ciências em uma escola. Ele conhecia a diretora da escola, ela havia sido sua colega na faculdade, e apreciava o método de trabalho defendido pelo Professor. Ele então pediu a liberação de uma sala da escola para que pudesse montar o laboratório, como contou: “Foi na base da amizade que consegui uma determinada sala, a qual não era muito importante no contexto da escola, para transformar em laboratório”
O primeiro passo já tinha sido dado, o espaço físico para o laboratório estava liberado. A segunda coisa a fazer era conseguir os móveis. Explicou-me Lourenço: “Mandamos fazer umas mesas grandes tipo churrasco, bancadas grandes e em cima mandei colocar uma chapa que na época se chamava Duratex, era uma madeira prensada cheia de furinhos, e assim tinha uma base para prender alguns suportes, para fazermos as experiências”. Essa técnica o Professor aprendeu em um curso no CECIRS, no qual os professores ministrantes do curso ensinaram várias técnicas mais economicamente rentáveis para a montagem de um laboratório nas escolas.
O Professor contou-me que o laboratório ficou muito bonito. Os alunos se envolviam muito nos trabalhos realizados por ele, e os pais gostavam muito de ver esse envolvimento por parte de seus filhos. Lourenço procurava inserir a investigação cada vez mais em suas aulas e em muitas vezes saia da escola com os alunos para fazer coletas de materiais para depois poderem analisá-los no laboratório.
A descrença por parte de alguns membros da comunidade acadêmica o decepcionava, pois muitas vezes as pessoas diziam que estava passeando com os alunos, não percebiam as saídas de campo como uma oportunidade para aprender. Os autores Seniciato; Cavassan (2004, p. 133), defendem o ponto de vista de Lourenço sobre as aulas de campo,
“As aulas desenvolvidas em ambientes naturais têm sido apontadas como uma metodologia eficaz tanto por envolverem e motivarem os alunos nas atividades educativas, quanto por constituírem um instrumento de superação da fragmentação do conhecimento”.
No meu entendimento, vejo que as aulas de campo até os dias de hoje, ainda são vistas com maus olhos pela comunidade escolar. Quando um professor resolve sair com os alunos da escola para fazer algum tipo de estudo, muitos acreditam que o professor não tem o que fazer com os alunos em sala e resolveu passear, não entendem a importância que esse tipo de aula pode ter para os alunos, porque “as aulas de campo são um instrumento eficiente para o estabelecimento de uma nova perspectiva na relação entre o homem e a natureza”. (SENICIATO; CAVASSAN, 2004, p. 134)
Isto se deve ao fato de não ter havido uma transformação radical na forma de os professores compreenderem como se dá a relação do aluno com o conhecimento. Se o docente acredita que ensinar é transferir conhecimentos e que sua responsabilidade é apresentar o conhecimento ao aluno (LIMA, 2008), então saídas de campo se fazem desnecessárias.
Lourenço contou-me sobre a sua vida afetiva, disse que na época em que trabalhou em Bento Gonçalves chegou a namorar algumas alunas. Como ele era muito jovem, acabava se envolvendo com elas, mas tinha que ser escondido, pois não era permitido que um professor namorasse uma aluna. Entre os romances secretos que teve com alunas, ele relembrou que em duas ocasiões assumiu o namoro com a menina depois que ela deixou de ser sua aluna.
Mas foi quando Lourenço começou a trabalhar em Porto Alegre, em um curso promovido pelo CECIRS, o qual era ministrado por ele, que conheceu uma professora chamada Lara, como relatou: “Quando comecei a trabalhar nesses cursos de divulgação em Porto Alegre, promovidos pelo CECIRS, conheci aquela que viria a ser a minha mulher depois”.
Lara era professora da área de Ciências da escola Cândido José de Godoy, ela fez vários cursos no CECIRS juntamente com outros professores daquela escola, e um deles foi ministrado por Lourenço. Nesse curso os dois se conheceram e se tornaram amigos, até pela afinidade de interesses, pois os dois eram professores de Biologia e tinham pensamentos sobre a educação muito parecidos.
Os professores daquela escola que frequentavam os cursos no CECIRS gostavam muito do trabalho desenvolvido por Lourenço. Então começaram a aplicar o que aprendiam nos cursos na sala de aula. O Professor disse-me que acompanhava o desenvolvimento do projeto na escola e em muitos casos era solicitada a sua ajuda, então se dirigia até a escola
para auxiliar os professores, desse modo a relação entre Lourenço e Lara foi ficando cada vez mais próxima.
Lourenço relembrou que a escola Cândido José de Godoy estava em reforma e não tinha no projeto a construção de laboratórios e aqueles professores que fizeram cursos com ele no CECIRS sabiam da importância de ter um laboratório na escola. Então pediram para a direção convidar o Professor Lourenço para montar os laboratórios na escola.
A diretora da escola Cândido José de Godoy, observando que o trabalho que estava sendo desenvolvido pelos professores da escola com o apoio do Professor era muito eficiente e os alunos estavam gostando das novas aulas, resolveu solicitar o cargo dele para a escola. Então Lourenço saiu da escola em Alvorada e começou a trabalhar na escola Cândido José de Godoy.
Nessa época, Lourenço estava ministrando muitos cursos pelo CECIRS em todo o estado do Rio Grande do Sul, e trabalhando na escola em Alvorada, como professor de sala de aula com turmas. Era muito difícil, pois em muitas ocasiões em que precisava viajar teve que deixar um substituto, ou deixar os alunos sem aula. E para Lourenço isso era inconcebível, pois Lourenço era e continua sendo muito responsável com suas obrigações com a educação. Então a proposta da escola Cândido José de Godoy foi muito boa, pois lá não teria turmas, ele seria um coordenador de laboratórios, assim estando mais livre para poder viajar e ministrar os cursos.
Na função de coordenador de laboratório da escola Cândido José de Godoy, a primeira tarefa dele foi criar três laboratórios, de Física, Química e Biologia. Nessa época, a escola estava fazendo uma ampliação e foi determinado que ela precisava de laboratório. Então Lourenço planejou tudo nos mínimos detalhes, como contou: “Ali sim eu pude fazer um trabalho como eu gostava, planejei nos mínimos detalhes desde onde iam tomadas, torneiras, gás, a confecção dos balcões, o tamanho que deveriam ter, os armários, os aéreos, as aberturas da sala, em que local ficariam os exaustores, pude organizar nos mínimos detalhes, e a escola me apoiou”.
Lourenço coordenava os três laboratórios, portanto trabalhava diretamente com os professores de Química, Física e Biologia, uma dessas professoras era Lara, já se conheciam do curso ministrado por ele e a partir do ingresso dele na escola se tornaram colegas de trabalho. A relação dos dois começou a ficar cada vez mais estreita, como relatou: “Começamos uma relação muito próxima porque nós trabalhávamos com a mesma disciplina, e ela fazia um trabalho muito semelhante ao meu”.
A proximidade foi se intensificando, foram se conhecendo melhor e acabaram namorando e depois foram morar juntos. Lara já era casada, se separou e só mais tarde se casaram. Ela tinha três filhos e Lourenço falou: “Eu os adotei como sendo meus, não quis ter filho, então os três filhos da Lara são também meus filhos”. Estão juntos e felizes há mais de trinta anos. O Professor afirma: “minha vida afetiva se junta com a minha vida profissional, elas se misturam”, e Nóvoa (1995, p. 17) explica:
[...] eis-nos de novo face à pessoa e ao profissional, ao ser e ao ensinar. Aqui estamos. Nós e a profissão. E as opções que cada um de nós tem de fazer como professor, as quais cruzam a nossa maneira de ser com a nossa maneira de ensinar e desvendam na nossa maneira de ensinar a nossa maneira de ser. É impossível separar o eu profissional do eu pessoal.
O autor revela que o ser profissional é um reflexo do ser pessoal, portanto Lourenço e Lara trabalhavam juntos e começaram a dar mais movimento à vida, viajavam muito juntos a trabalho, ministravam cursos dentro e fora do estado e às vezes até mesmo fora do país. Até hoje os dois são muito unidos e procuram unir a vida pessoal com a profissional, são muito companheiros.