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2.2. Fethedilen Beldelerdeki Uygulamalar

2.2.2. Dini ve Sosyal Uygulamalar

A Península Ibérica saiu do período republicano dividida em duas grandes províncias: Hispânia Ulterior e Hispânia Citerior. Entre 29 a.C. e 19 a.C., devido às guerras na península, Augusto concentrou todo o poder do Estado, mantendo a administração provincial estável e realizando uma grande reforma política, que reorganizava as províncias da Hispânia, modificações que consistiram na criação de uma terceira província, nova delimitação das anteriores e diferenciação do status político-administrativo de cada uma delas. A nova província resultava de uma subdivisão da antiga Ulterior (MORENO, 1988), uma região mais ao norte do quadrante sudoeste da península, que sob o governo de Augusto fora elevada ao status de província independente como Hispânia Ulterior Lusitânia (MORRIS, 1984).

A Península Ibérica foi organizada em três províncias: a antiga Citerior, foi em parte retificada, bastante ampliada foi estendida até Portugal e passou a ser designada de Província Hispana Citerior Terraconense; a Ulterior foi dividida em duas novas províncias, uma parte batizada de Província Hispana Ulterior Bética, mais ao sul e romanizada, e a outra como Província Hispana Ulterior Lusitânia, porção ocidental da antiga Ulterior republicana, mais ao norte da península, e com urbanização mais escassa e recente (SÁNCHEZ, 2009). Durante o período do Alto Império – começo do governo de Augusto, 30 a.C., até o reinado de Diocleciano, 285 d.C. – a Hispânia sofreu importantes mudanças e transformações, entretanto sempre manteve a mesma estrutura administrativa da divisão provincial realizada por Augusto (MORENO, 1988).

Figura 2. Hispânia no período do Alto Império dividida em três províncias, Bética, Lusitânia e Terraconense, plenamente integrada ao Império romano (MORENO, 1988, p. 25).

A transição de um governo republicano para uma posição monárquica de Augusto obrigou-o a manter certas formas de governo tradicionais, estabelecendo um compromisso entre o poder do imperador e do Senado (SÁNCHEZ, 2009). Perante esse fator e ao aumento considerável do número de províncias, Augusto optou por uma nova modificação na administração provincial e de seus sistemas de governo: permaneceram sob controle direto de Augusto os territórios que precisavam de defesa militar, enquanto os demais foram atribuídos ao Senado (LIBERATI; BOURBON, 2005).

Augusto dividiu todas as províncias do Império organizando-as em dois tipos, as províncias denominadas senatoriais e imperiais. As províncias senatoriais configuravam-se como as mais ricas e importantes, que seguiram sob os cuidados e administração do Senado – que escolhia um governador entre aqueles de seus membros que haviam sido cônsules ou pretores –, e designavam regiões pacificadas

e romanizadas, onde não se registravam significativa presença de tropas romanas. Já as províncias imperiais permaneceram sob a autoridade direta do imperador, uma vez que não estavam totalmente pacificadas e mantinham a presença de tropas no território, eram governadas por chefes das tropas aquarteladas na região – magistrados escolhidos pelo imperador, entre os senadores –, tais províncias eram mais numerosas e extensas e apresentavam grande presença das tropas romanas (MORENO, 1988; SÁNCHEZ, 2009).

Em relação a Hispânia, Augusto estabeleceu as denominadas províncias da Lusitânia e Terraconense como imperiais, que ficaram sob o jugo direto do imperador; e a província Bética, como senatorial, administrada por pretores eleitos pelo Senado, para melhor controla-la devido a sua importância mineira (Idem, 1988; Idem, 2009). As províncias eram governadas por um pretor ou legado, com cargo anual, e em casos de guerra, o Senado podia designar um cônsul com forças militares para a região (Ibidem, 2009).

A organização provincial de Augusto seguiu vigente durante quase três séculos, contudo, os princípios de Augusto começam a enfrentar mudanças no século II d.C., e finalmente sofreriam reformas no século III d.C., que levariam à nova organização geral do imperador Diocleciano (Ibidem, 2009). Sob governo de Diocleciano, a Hispânia seria novamente reorganizada em cinco províncias mediante a divisão de dois terços do território da província Terraconense nas novas Cartaginense e Galícia (MORRIS, 1984). No Oriente as províncias perderiam suas autonomias até então respeitadas. No Ocidente se observaria a ocorrência de uma romanização gradual, favorecida pela fundação de novas cidades coloniais e pela presença de legionários acampados nas regiões de fronteira. A ampliação territorial do Império devia-se à consolidação e/ou defesa de seus limites (LIBERATI; BOURBON, 2005).

Durante o Alto Império, o extenso território das províncias dificultava sua administração, portanto foram estruturados pequenos distritos judiciais e unidades administrativas dedicados à administração da justiça, tributação e culto ao imperador; também de recrutamento de tropas auxiliares, denominados de conventus, localizados em seus centros urbanos de maior importância, ou seja, ao redor das cidades mais importantes, incluindo seu território circundante. Deste modo, no século I a.C. ocorreram criações de conventos jurídicos distribuídos pela Hispânia. A Lusitânia contava com 3 conventos, sendo um deles, o conventus emeritense, em Emerita

Augusta, a Bética contava com 4 conventos e a Terraconense, de maior extensão, com 7 conventos (MORENO, 1988; SÁNCHEZ, 2009).

A existência de conventus se documenta desde a época de Augusto. No começo o conceito parece se referir a agrupações de cidadãos, conventus ciuium

Romanorum, dentro de localidades indígenas ou agrupações espontâneas que são

aproveitadas pelos romanos para facilitar a intervenção e o controle, mas na prática funcionavam como instrumentos com estes objetivos desde os primeiros momentos de sua aparição, como criações imperialistas ou adequações das mesmas finalidades de estruturas preexistentes. Em princípio, era um organismo através do qual atuavam os governadores sobre as coletividades de cidadãos e suas relações com os peregrinos; em época antonina suas práticas culturais tenderam à decadência (PLÁCIDO, 2009).

Os conventos desempenharam um papel significativo na organização do culto imperial e manutenção da coesão política das comunidades indígenas em torno do poder central. O convento apresentava um templo que estava dedicado ao imperador e a Roma. Junto aos conventos, a cidade (civitas) também realizava a organização administrativa. A cidade se apresentava traçada de acordo com regras e planos urbanísticos precisos, que como vimos, foram herdados de etruscos e gregos.

Dicha estructura tendía a la planta cuadrangular con manzanas de calles ortogonales y organizadas en torno a dos grandes ejes ruteros, el decumano y el cardo máximo, que se cortaban perpendicularmente. En la intersección de estos dos se abría un amplio espacio, el foro o plaza mayor, centro de la vida administrativa, cívica y religiosa. En torno a este principal núcleo urbano se ordenaba un territorio de medianas proporciones. El núcleo urbano era residencia de las familias de medianos y grandes proprietarios de la comarca (oligarquía municipal), además de una plebe urbana, constituída por hombres libres y antiguos esclavos manumitidos. Dicha plebe, o bien se ocupaba de actividades artesanales o comerciales, o bien permanecía ociosa viviendo de la caridad pública – reparto de alimentos, espectáculos gratuitos –, costeada por la oligarquía municipal. De forma que la ciudad, además de ser centro administrativo y cultural de su territorio comarcano, lo era también de consumo e intercambio de bienes, así como de una producción artesanal de certa importancia (MORENO, 1988, p. 28-9).

As condições históricas da conquista romana da Hispânia permitiram que nem todas as cidades tivessem o mesmo estatuto político-administrativo. Tais aspectos refletiam na autonomia e na carga financeira da cidade em relação ao estado e

governo central romano, além de incidir na condição jurídica pessoal da maioria de seus habitantes: cidadãos romanos com plenos direitos, cidadãos com direito limitados e súditos estrangeiros. Deste modo surgiram títulos para qualificar as cidades hispânicas: colônias romanas, municípios romanos, colônias latinas, municípios latinos, cidades livres e federais, e estipendiárias (MORENO, 1988).

Uma cidade provincial que conseguisse a designação de colonia obteria a mesma condição das aldeias fundadas por emigrantes da Itália. Esta designação não arrecadava vantagens legais ou econômicas, mas assegurava um grande prestígio, pois ser uma colonia seria ser tão romana quanto Roma. Por isso então a intensa procura dos municípios em se tornarem colônias, em adotar a herança e a cidadania romana. Este fenômeno alude a importância de Roma não precisar impor sua cultura às províncias, mas no fato de elas desejarem adotá-la (HADAS, 1969).

A fundação de colônias foi um dos processos mais eficazes de romanização, em alguns casos o conceito jurídico de colônia era concedido posteriormente à fundação de verdadeiras colônias, em outras situações, algumas antigas cidades que reuniam cidadãos romanos passaram à condição legal de colônias (TOVAR; BLÁZQUEZ, 1975). Ao longo do tempo as colônias deixam seu status de fundações latinas, sem concessão à cidadania, para se constituírem em grandes colônias de cidadãos romanos (CORNELL; MATTHEWS, 2008). Nota-se, paralelamente, que já no século II a.C. o título de colônia romana tornara-se honorífico, sem grandes repercussões aos habitantes das cidades (MORENO, 1988).

Podemos observar a situação urbana da Hispânia no período augustano:

Bajo Augusto hubo en Baetica 175 comunidades urbanas, entre ellas 9 coloniae, 10 municipia y 27 poblaciones con derechos latinos; Tarraconensis contaba con 12 coloniae y 13 municipia, pero poseía no menos de 20 poblaciones privilegiadas más; y Lusitania, entre 45 centros urbanos no podía alardear más que de 5 coloniae, un

municipium y tres poblaciones con derechos latinos (MORRIS, 1984,

p. 87).

Essas diferentes proporções englobadas pelas distintas províncias refletem tanto seus diferentes graus de romanização, como também suas oportunidades econômicas. Ao completar a reorganização imposta por Augusto na segunda década da era cristã, se havia lançado as bases do futuro sistema ibérico de assentamento urbano. Poucas cidades não romanas alcançaram destaque no Império. Depois de

Augusto, Vespasiano elevaria umas 350 vilas à classificação de municipium, concedendo assim direitos latinos. Além de gradualmente, com o percurso do Império, as cidades de tipo colonia ou municipium, acabaram tendo suas distinções diminuídas (MORRIS, 1984).

Benzer Belgeler