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O Poder Judiciário, na Constituição de 1988, encontra-se no Capítulo II, Seção I, que vai delinear o que compõem o poder, a quem compete a iniciativa da lei complementar para dispor sobre a magistratura, as garantias, as competências privativas, as diretrizes para a União, Estados, Distrito Federal e Território, a sua autonomia administrativa e financeira, do Supremo Tribunal Federal, do Tribunal Superior de Justiça, dos Tribunais Regionais e dos Juízos Federais, dos Tribunais e Juízes do Trabalho, dos Juízes Eleitorais, dos Tribunais e Juízes Militares, dos Tribunais e Juízes Estaduais.

2. Da função do Poder do Judiciário

No exercício tanto de sua função típica o Poder Judiciário, produzindo atos jurisdicionais (artigo 93, inciso IX, da CF) ou como na função atípica de administrar

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(artigo 93, inciso X, da CF), a obrigatoriedade de fundamentação é presente, devendo ser orientados pelos valores consagrados na Constituição de 1988, os Princípios Fundamentais e as normas dedutíveis do Preâmbulo na atuação jurisdicional do Estado Democrático de Direito, dirimindo conflitos de interesses e a distribuição da justiça.

Esclarece Marcelo Figueiredo176que

o Poder Judiciário tem sido provocado, sobretudo pelo Ministério Público brasileiro, a questionar e avaliar políticas públicas, direitos sociais, econômicos e culturais, quer em função das obrigações e direitos constitucionais diretamente sacados da Constituição, quer em razão de omissão, ilegalidade, desvio de poder ou irrazoabilidade (gênero) dos poderes públicos no cumprimento das metas constitucionais e infraconstitucionais; e acrescenta que em face da realidade brasileira, cabe ao Poder Judiciário a atribuição da importantíssima missão de corresponsável à correção de desigualdades sociais, nos limites de sua atuação criativa e promocional dos direitos fundamentais, mudando sobremaneira o papel do juiz e do próprio jurisdicionado.

A existência de um Judiciário no mundo que, na dimensão unicamente normativa, possua grau de independência superior àquela constitucionalmente assegurada à Justiça brasileira, é raridade. Constitui um Poder que está ao lado do Executivo e do Legislativo – artigo 20 da CF, com efetiva autonomia concedida nos interesse dos jurisdicionados e não propriamente no interesse dos órgãos integrantes da estrutura da independência do Judiciário, bem como de seus membros.177

Essa independência é assegurada em virtude da autonomia institucional e funcional concedida à magistratura. A autonomia institucional desdobra-se em alguns princípios constitucionais norteadores da organização dos tribunais judiciários: (a) autogoverno, (b) autoadministração, (c) da iniciativa legislativa e (d) da autoadministração financeira. No que diz respeito ao princípio da autonomia da

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Cf. Marcelo Figueiredo. O controle das Políticas Públicas pelo Poder Judiciário no Brasil – Uma Visão Geral In: Estudos em homenagem ao Professor Jorge Miranda.. (Coord.) Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha e Samantha Ribeiro Meyer-Pflug. Rio de Janeiro: Editora Forense, 2008. Pp 570-607. p. 607.

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Cf. Clèmerson Merlin Clève. Poder Judiciário: Autonomia e Justiça. In: Revista de Informação Legislativa. Brasília. ano.30 n. 117 jan/mar, 1993, pp. 293 – 308, p. 296

autoadministração financeira diz-se que é suficiente para autorizar os tribunais a gerir suas dotações orçamentárias – necessariamente entregues pelo Executivo, em duodécimos, a cada dia 20 – artigo 168 da CF –, bem como elaborar suas propostas orçamentárias que deverão ser submetidas ao Poder Legislativo por ocasião da votação da lei orçamentária anual – artigo 99 da CF.

É o princípio da autoadministração o fundamento que dá base para os tribunais elaborar seus regimentos internos, organizar suas secretarias e serviços auxiliares, e os seus juízos, velando pelo exercício da atividade correcional respectiva (artigo 96, inciso I, b, da CF), conceder licenças, férias e outros afastamentos a seus membros, aos juízes além dos servidores que lhe forem imediatamente vinculados (artigo 96, inciso I, f da CF). Com o advento da Carta de 88 o poder de autoadministração foi ampliado sobremaneira, pois podem prover os cargos necessários à administração da justiça (serviços auxiliares), bem como os juízes de carreira da respectiva jurisdição (artigo 96, inciso I, c, da CF). Comentando o exposto, Clèmerson Merlin Clève diz ser uma novidade que a Carta Magna trouxe sem qualquer parâmetro evidente em qualquer país do mundo, um Poder Judiciário com um poder de autoadministração tão pronunciado e que pode prover os cargos da carreira da magistratura.178

A Constituição Federal assegura ao Poder Judiciário a autonomia financeira, este deve exercê-la através da sua autonomia administrativa, decidindo o mecanismo por meio do qual serão exercidas as autonomias dos seus tribunais, visando atender o artigo 99 da Carta Magna e seus dois primeiros parágrafos que determinam a oitiva dos tribunais por ocasião da elaboração da proposta orçamentária. E na fase de execução, observadas as demais disposições constitucionais e legais, decidir no âmbito interno a alocação dos recursos da forma que melhor convier ao interesse público.

A Constituição de 1988 inovou quando possibilitou ao próprio Judiciário elaborar a proposta orçamentária. Entretanto, tal medida trouxe alguns problemas, pois o constituinte não foi claro quando definiu a questão sobre o encaminhamento da proposta do Poder Judiciário ao Poder Legislativo (a proposta constituiria uma

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providência assimilável à iniciativa), ou se deve encaminhar a referida proposta ao Poder Executivo, detentor da iniciativa privativa da lei orçamentária (artigo 165 da CF). Mas seja qual for a forma determinada pelo ente federado179

, tanto no primeiro como no segundo, o encaminhamento deve necessariamente ser incluído no projeto de lei orçamentária, sujeito a aprovação dos parlamentares.180

A autonomia financeira do Poder Judiciário não é um tema pacífico haja visto o grande debate que houve por ocasião da constituinte de 1988. Para alguns não ficou claro a disposição constitucional.

Para José Afonso da Silva, a matéria do artigo 99 da CF deveria ter vindo logo após o artigo 96 do referido diploma, por tratar de garantias institucionais do poder. Ressalta que, quanto à autonomia financeira não é tão pronunciada, pelo contrário, bastante limitada e pode gerar mais problemas do que benefícios, pois adverte que assuntos de administração devem competir para administradores e nunca aos julgadores, que precisam ficar imunes às disputas que, no fundo, envolvem decisões políticas 181

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Mas é consenso que a independência financeira decorre do princípio do autogoverno da magistratura reiterado na Constituição nos artigos. 96 e 101.182

Benzer Belgeler