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Dinamik Konfor Sonuçlarının Değerlendirmesi

Belgede ERTUĞRUL SAMET ERGÜN (sayfa 73-79)

5. SONUÇLAR ve DEĞERLENDİRME

5.2. Dinamik Konfor Sonuçlarının Değerlendirmesi

O quadro a seguir (figura 28) mostra a relação entre os dados de produção: quantidade de silêncio e de vozeamento, em termos de porcentagem e de duração em milisegundos, dentro da duração total da consoante pós-tônica, e os dados de percepção: porcentagem de respostas como vozeada e não-vozeada.

Figura 28 – Quadro de pareamento dos dados de percepção e produção da lista 6.

Produção Percepção Teste 1

(% respostas) Teste 2 (% respostas) Estímulo Silêncio

% (ms)

Vozeamento % (ms)

Não-vozeado Vozeado Não-vozeado Vozeado

“taTa” 38.5% (42ms) 61.5% (67ms) 23,3 76,7 6,3 93,8

“daTa” 38.3% (46ms) 61.7% (74ms) 25,9 74,1 10,5 89,5

“caTa” 63.5% (101ms) 36.5% (58ms) 80 20 83,3 16,7

4. Discussão

Depois de findada a apresentação dos resultados, este capítulo se destina à discussão desses achados, a partir da inter-relação com a literatura e, principalmente, com o trabalho de Ficker (2003), ao qual esta pesquisa pretendeu dar seqüência.

Apesar da análise acústica não ser usualmente utilizada nos estudos de produção e percepção de fala, acreditamos que a realização dessa análise nos dados nos trouxe contribuições essenciais para atingir o objetivo deste trabalho. Assim, objetivando investigar as características de produção e de percepção das consoantes plosivas alveolares do PB em posição pós-tônica, e, essencialmente o contraste de vozeamento, nos apoiamos na Teoria Acústica da Produção de Fala e na Fonologia Articulatória para interpretar os resultados obtidos na análise acústica da produção de fala e nos testes de percepção, descritos no capítulo anterior.

As medidas realizadas nos dados de fala do sujeito DA nos mostraram que todos os parâmetros acústicos relacionados ao contraste de vozeamento, tais como: duração, manutenção e interrupção da barra de sonoridade e VOT da consoante, freqüência de f0 e F1 no início da vogal subseqüente, tiveram comportamento semelhante para as consoantes vozeadas e não-vozeadas, ou seja, parece não haver diferenciação entre essas consoantes, em relação ao aspecto do vozeamento, na fala do sujeito DA investigado.

A relevância desses parâmetros para a identificação do traço de sonoridade foi investigada por Ficker (2003), que mostrou existir uma relação entre a presença

daqueles nos dados de produção do sujeito com audição normal e o julgamento adequado do traço de vozeamento desta fala.

No estudo em questão, os dados de percepção explicitados no item 3.2 “Percepção de fala”, mostram que, apesar das características de produção serem semelhantes, os julgamentos foram distintos para as consoantes pós-tônicas nos quatro contextos e para os dois testes.

Desse modo, apenas a percepção da consoante plosiva alveolar [t] em posição pós-tônica na palavra “cata” foi identificada como não-vozeada, em 80% das vezes no teste 1 e 83,3% no teste 2. Essa percepção pode ser explicada pela coarticulação do gesto consonantal da consoante tônica plosiva velar não-vozeada [k] com o gesto consonantal da consoante pós-tônica [t], cujo período de silêncio é bem maior do que o período de vozeamento na duração total da consoante (ver figura 28), o que mascarou o alongamento do gesto vocálico (e do conseqüente vozeamento) da vogal tônica [a], levando à percepção de um som não-vozeado.

De acordo com a proposta da FAR, a pauta gestual representativa desta produção é caracterizada pela presença do gesto de abertura de glote, típico das consoantes não-vozeadas, concomitante ao gesto de ponta da língua, como pode ser visto na figura 29.

C A T A

Figura 29 – pauta gestual da palavra “cata” baseada na produção do sujeito DA.

Nas palavras “tata” e “data”, em ambos os testes, as consoantes pós-tônicas foram principalmente julgadas como vozeadas, com índices iguais a 76,7% no teste 1 e 93,8% no teste 2, para “tata” e, respectivamente, 74,1% e 89,5%, para “data”.

Este dado pode ser explicado pelo exacerbado alongamento da vogal tônica, seguido da produção da vogal pós-tônica, que apesar de reduzida, é caracterizada por vozeamento. Esse longo período de vozeamento é rapidamente interrompido por um curto período de silêncio, referente à reduzida produção da consoante pós-tônica. Ainda, as consoantes pós-tônicas das palavras “tata” e “data” são composta por mais de 60% de vozeamento em suas durações, como pudemos ver na figura 28.

Desse modo, a grande diferença entre o período com vozeamento e o de silêncio, nos dá a percepção de que o sujeito produz vozeamento durante todo o período

AV LCPL GCPL LCCL GCCL AL PL GLO velar fechado faringe estreito aberto aberto fechado dental faringe estreito

referente à vogal tônica até o final da sílaba pós-tônica, entretanto, ambas consoantes pós-tônicas são desvozeadas, ou seja, há a presença do gesto de abertura glotal, como pode ser visto nas pautas gestuais propostas para essas duas produções (figuras 30 e 31) .

Cabe aqui nos remeter à noção de coarticulação laríngea, que tem sido estudada como um fenômeno temporal, e é considerada uma extensão da periodicidade de um segmento para o adjacente, fonologicamente distinto.

T A T A

Figura 29 – pauta gestual da palavra “tata” baseada na produção do sujeito DA. Figura 30 – pauta gestual da palavra “tata” baseada na produção do sujeito DA.

. AV LCPL GCPL LCCL GCCL AL PL GLO dental fechado aberto faringe estreito dental fechado faringe estreito aberto

D A T A

Figura 31 - pauta gestual da palavra “data” baseada na produção do sujeito DA.

A consoante pós-tônica da palavra “cada” foi percebida como não-vozeada, em 78,6% das vezes, no primeiro teste e como vozeada no teste 2 (77,8% das vezes). Uma explicação plausível para este caso é que, no primeiro teste, percebemos a inserção do fonema [r] retroflexo antecedente à consoante pós-tônica da palavra “cada”, assim houve um número significativo de respostas “carta”. Isso foi avaliado como uma influência lingüística, ou seja, a partir de uma distorção própria da fala do sujeito com deficiência auditiva, houve uma tentativa de aproximação dos juízes a um léxico conhecido.

Por outro lado, no teste 2, no qual o estímulo era a palavra “ada”, com a retirada do gesto consonantal da consoante tônica [k], não houve a referida influência lingüística, possibilitando que a consoante pós-tônica ficasse em foco, portanto sendo

AV LCPL GCPL LCCL GCCL AL PL GLO dental fechado aberto faringe estreito estreito faringe fechado dental aberto

melhor percebida, e julgada, na maioria das vezes, como vozeada. A pauta gestual da palavra “cada” é também apresentada a seguir na figura 32:

C A D A

Figura 32 - pauta gestual da palavra “cada” baseada na produção do sujeito DA.

Assim, as principais alterações encontradas na análise acústica da produção do sujeito DA refletem nas seguintes diferenciações das pautas gestuais:

(I) Aumento da duração dos segmentos tônicos: aumento da magnitude dos gestos vocálicos e consonantais das sílabas tônicas;

(II) Duração diminuída da sílaba pós-tônica: redução da magnitude dos gestos constituintes das vogais e consoantes das sílabas pós-tônicas;

(III) Produção de consoantes não-vozeadas: presença do gesto de abertura glotal em todas as consoantes.

AV LCPL GCPL LCCL GCCL AL PL GLO velar fechado aberto faringe estreito estreito faringe fechado dental aberto

A importância da FAR para este trabalho fica mais uma vez evidente, visto que com a construção das pautas gestuais, foi possível analisar as alterações na fala do sujeito deficiente auditivo em termos dinâmicos, a partir dos movimentos dos articuladores, e não apenas descrevê-las pela ausência do traço de sonoridade ou substituição de um ponto articulatório.

A partir do explicitado até o momento, a questão da percepção de algumas consoantes como vozeadas e outras como não-vozeadas nos remete às hipóteses elencadas na introdução deste trabalho.

As duas primeiras hipóteses estão inter-relacionadas e se referem, respectivamente, ao foco da palavra dentro da frase e ao fator acentual, as quais propõem que as consoantes pós-tônicas, em posição intervocálica, tendem a ser vozeadas, pois, ao sair do foco da palavra, haveria a diminuição do grau da tensão e força fono-articulatórias.

Essas hipóteses puderam ser constatadas neste estudo, pois, apesar de todas consoantes pós-tônicas terem sido caracterizadas como não-vozeadas, ou seja, com VOT positivo, aquelas percebidas como vozeadas (“tata”, “data” e “cada”) tinham um período muito maior de vozeamento do que de silêncio durante a duração total das consoantes.

A terceira hipótese, que também foi bastante adequada para explicar as características de produção e de percepção relatadas nesta pesquisa, é a da co- articulação. Ao propor que a deficiência auditiva tem como uma das conseqüências a diminuição do feedback auditivo, o que provoca uma menor sincronização dos gestos, admiti-se que há a manutenção do gesto laríngeo durante todo o período da vogal

tônica até a vogal pós-tônica. Desse modo, é possível justificar porque as reais produções das consoantes plosivas pós-tônicas das palavras “tata”, “data” e “cada”, verificadas a partir da análise acústica dos dados, não corresponderam à produção pretendida ou esperada. E ainda, é também a partir dessas noções que nos permitimos pensar a produção da consoante pós-tônica da palavra “cata”.

Depois de finalizada a discussão dos resultados encontrados na análise da produção do sujeito DA e dos testes de percepção, passo ao próximo capítulo, para as considerações finais.

5. Considerações Finais

A proposição de um estudo sobre a fala de um sujeito portador de deficiência auditiva teve a intenção de investigar as alterações dessa fala e seus efeitos na percepção auditiva.

Para tanto, a Teoria Acústica da produção de fala fundamentou a análise acústica realizada na produção de fala e os dados resultantes de tal análise foram analisados dinamicamente, a partir da FAR, em termos de gestos articulatórios.

Além disso, dois testes de percepção de fala que avaliaram o julgamento do vozeamento das consoantes plosivas alveolares em posição pós-tônica em quatro contextos: “tata”, “data”, “cata” e “cada”, nos permitiu um retorno de como a fala desse sujeito DA é percebida, trazendo mais dados para uma inferência a respeito dessa fala.

As medidas utilizadas na análise acústica, tais como: duração dos segmentos, MBS, IBS, VOT, freqüências de f0, F1, F2 e F3, se mostram válidas para compreendermos o processo de produção de fala.

Ainda, a análise acústica mostrou-se um procedimento relevante por fornecer dados objetivos sobre a produção de fala estudada. Dessa forma, pode ser inserida como procedimento de avaliação na clínica fonoaudiológica, e também utilizada para o acompanhamento do desenvolvimento e do aprimoramento da fala dos pacientes.

A análise dos dados de produção e o pareamento entre os resultados do procedimento de percepção e da produção da lista 6 comprovaram que é possível compreender efetivamente o que acontece. E, assim, o uso de uma abordagem

dinâmica de produção de fala possibilitou a análise e a caracterização desta fala, não mais apenas classificando ou descrevendo a fala com alterações.

Neste sentido, muito mais do que em uma grande descoberta sobre os processos de produção envolvidos na fala deste sujeito deficiente auditivo, a relevância desta pesquisa está, a meu ver, na proposição e validação da perspectiva teórica e do instrumento de análise de acústica usados.

Seguindo esta perspectiva de pesquisa, um novo viés se abre e dá espaço para futuros estudos sobre procedimentos, instrumentos e tecnologia para avaliação de fala, audiológica e dispositivos de amplificação sonora, além de novas estratégias terapêuticas para a Audiologia Educacional, e também para a clínica fonoaudiológica em geral.

A partir disso, haverá a possibilidade de alcançar um maior refinamento dos padrões de fala dos pacientes com distúrbios de comunicação, não buscando a normalização ou o apagamento das características intrínsecas a cada patologia, mas sim a maior inteligibilidade de fala desses pacientes, e conseqüentemente, uma melhor inserção desses sujeitos na sociedade.

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