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BÖLÜM 1: KAVRAM OLARAK KAOS

1.2. Din ve Mitlerde Kaos

A análise das informações obtidas foi prioritariamente qualitativa, efetuada por meio da interpretação do discurso dos entrevistados. Apenas para análise das áreas de ocorrência atual foi realizado uma análise quantitativa com relação à porcentagem de repostas para esta categoria.

Como a metodologia utilizada para elaborar o mapa de área de ocorrência e distribuição da espécie foi primariamente a partir de entrevistas, optou-se por analisar os dados de acordo com princípios etnobiológicos, os quais consideram a experiência adquirida por populações nativas, empregada e aceita em diversos estudos (POSEY, 1987; BEGOSSI, 1993; MARQUES, 1995; DIEGUES, 1999; ADAMS, 2000; BEGOSSI et al., 2002). Partiu-se do princípio de que todas as respostas são confiáveis e devem ser consideradas na análise dos dados. Dessa forma, ainda que apenas um entrevistado afirmasse que observou peixe-boi na localidade da entrevista, sua resposta já foi considerada suficiente para a determinação da ocorrência da espécie no local. Em resumo, para a definição das áreas de ocorrência de peixe- boi na região, foram sempre consideradas as respostas mais recentes de avistagens de animais no local, ainda que estas não fossem quantitativamente representativas dentro do universo de amostragem daquela comunidade. Sendo assim, as respostas afirmativas para a presença da espécie no local foram consideradas mais relevantes que as negativas, já que diversos fatores podem influenciar a não observação de peixe-boi: (a) peixe-boi é um animal discreto, que emerge apenas o focinho para respirar, o dorso quando em deslocamento, ou a cauda, em mergulhos mais profundos; (b) a presença do observador pode não coincidir com os horários de utilização da área pela espécie, e; (c) a noção de tempo dos entrevistados muitas vezes difere do propósito da pesquisa (i.e., muitas vezes, quando o entrevistado afirma “Faz tempo

que não vejo peixe-boi por aqui”, ao ser perguntado há quanto tempo, ele se refere a um mês, ou até menos).

Essa metodologia de análise de dados foi utilizada também por outro motivo. As diferentes respostas dos entrevistados à pergunta de avistagem de peixe-boi não representam informações opostas. Se um pescador afirma ter observado um animal no local há um ano, necessariamente isso significa que o peixe-boi estava na região há um ano. Mas se outro pescador afirma que o último peixe-boi avistado por ele foi há sete anos, isso não significa que não ocorre peixe-boi no local, mas apenas que o pescador não viu nenhum animal por um período inferior a sete anos.

2.3.1. Ocorrência

As respostas da pergunta “Quando foi a última vez que você viu um peixe-boi na região?” foram divididas em quatro categorias: respostas com afirmação de avistagem de menos de dois anos foram consideradas indicativas de Ocorrência Atual da espécie no local; aquelas comunidades em que as avistagens mais recentes de peixe-boi estavam entre dois e cinco anos atrás foram consideradas áreas de Ocorrência Recente da espécie; regiões onde as avistagens datam de mais de cinco anos foram consideradas áreas de Ocorrência Histórica do peixe-boi, e; locais onde não houve registro de avistagem do animal foram considerados

Não Ocorre (Tabela 7).

Tabela 7 - Categorias de ocorrência de acordo com período da última avistagem de peixe-boi marinho no local. Relato de avistagem de peixe-boi

marinho Categoria de ocorrência de peixe-boi marinho De 0 a 24 meses atrás Ocorrência atual De 25 a 60 meses atrás Ocorrência recente Mais de 60 meses atrás Ocorrência histórica

Nunca viu Não ocorre

Depois de separadas em suas respectivas categorias, as respostas foram inseridas em um banco de dados em planilhas do Excel e contabilizadas, onde geraram uma tabela com a categoria de ocorrência de peixe-boi para cada comunidade.

Para a categoria “Ocorrência Atual” foi realizada uma análise quantitativa, onde foi levada em consideração a porcentagem de respostas desta categoria, comparada com o universo total de respostas para cada comunidade. Assim, dentro da categoria “Ocorrência Atual” as respostas foram ainda divididas em três categorias: Área de alto índice de

ocorrência, quando a porcentagem de entrevistados relatando a ocorrência atual do peixe-boi

foi de 70% a 100%; Área de médio índice de ocorrência, quando a porcentagem de respostas para a categoria ocorrência atual foi de 30% a 69%; e, Área de baixo índice de

ocorrência, quando a porcentagem foi de 0% a 29% (Tabela 8).

Tabela 8 – Índices de ocorrência atual de acordo com as porcentagens das respostas dos entrevistados.

Porcentagem de respostas para

categoria “Ocorrência Atual” Índice de Ocorrência Atual

De 0 a 29% Baixo

De 30 a 69% Médio

De 70 a 100% Alto

Com essas informações, foi elaborado, inicialmente, um mapa com as áreas de ocorrência do peixe-boi marinho na área de estudo. Com base no mapa de área de ocorrência e nessas informações, foi estabelecida a distribuição da espécie.

2.3.2. Distribuição

Para a determinação da distribuição do peixe-boi marinho, assim como a elaboração de um mapa de distribuição da espécie, foram utilizados os conceitos:

• Área de ocorrência: locais específicos de ocorrência do peixe-boi.

• Distribuição: áreas de ocorrência unificadas em um único polígono, onde a distância entre essas áreas (máx. 40 Km) pode ser utilizada como corredor de deslocamento pelo peixe-boi;

Como a ocorrência de peixe-boi é fortemente influenciada pela profundidade da costa (HARTMAN, 1979; LEFEBVRE et al., 2001; OLIVERA-GÓMEZ & MELLINCK, 2005), onde estudos demonstram uma profundidade mínima de 0,4m (PALUDO, 1998) e máxima de 10m (NOWAK, 1999), o mapa de distribuição da espécie na área marinha foi limitada à isóbata de 10 metros.

2.3.3. Potenciais áreas de uso

Para determinar as potenciais áreas de uso do peixe-boi marinho, foram consideradas as áreas de alimentação (prados de capim agulha e fontes de água doce) e áreas de berçário e/ou cuidado parental. Para tanto, as perguntas foram as seguintes: “Existem bancos de capim agulha na região?”, “Existem olheiros de água doce na região?” e “Costuma avistar filhotes?”. Para estas perguntas, existem três possibilidades de respostas (sim, não e não sabe) e há ainda os entrevistados que deixaram esta resposta em branco.

As respostas foram então contabilizadas e inseridas no banco de dados elaborado no Excel. Da mesma forma que na determinação das áreas de ocorrência, por se tratar de um trabalho realizado com entrevistas, a metodologia utilizada para elaborar o mapa de áreas de uso preferencial partiu do princípio de que todas as respostas são confiáveis e devem ser consideradas na análise dos dados. Dessa forma, para análise dos resultados, foi utilizado o mesmo critério usado na determinação das áreas de ocorrência. Como a maioria dos entrevistados não pesca através de mergulho, muitos pescadores negaram a presença do capim na área enquanto mergulhadores locais garantiam a ocorrência da fanerógama na região. Esta foi a mesma metodologia para a presença de olheiros de água doce e para presença de filhotes.

Áreas de alimentação do peixe-boi marinho

Foram considerados habitats de alimentação de peixe-boi os locais onde os entrevistados afirmaram haver prados de capim-agulha. Apesar do peixe-boi marinho também consumir algas marinhas, nas carcaças recuperadas pela AQUASIS na região de estudo, o conteúdo estomacal, ao exame macroscópico, foi composto principalmente da fanerógama

Halodule sp. Desta forma, este foi considerado principal item da dieta dos animais na região.

Prados de Capim agulha

Para verificar as potenciais áreas de alimentação na região de estudo, inicialmente foi perguntado aos entrevistados se estes conheciam o capim-agulha e, após confirmação do conhecimento, era perguntado se essa fanerógama é encontrada na região costeira adjacente às comunidades onde pescam. Nesta questão, o guia de identificação visual (contendo fotos de diversas espécies de algas e capim-agulha) também foi utilizado com vista a garantir de que se tratava mesmo desta fanerógama (capim).

Fontes de Água Doce

As ressurgências do lençol freático superficial, denominadas localmente de “olheiros” ou “olhos d’água”, foram consideradas, uma vez que constituem um fator que influencia diretamente a ocorrência de peixe-boi em determinadas áreas (AQUASIS, 2006; OLIVERA-GOMÉZ & MELLINK, 2005; JIMÉNEZ, 2002; HARTMAN, 1979) e visto que a maioria dos estuários da região encontra-se fortemente ocupado e impactado, não permitindo a incursão dos animais para ingerir água doce dos rios (SILVA, 2003).

Para determinar a localização de potenciais recursos de água doce para a espécie na região de estudo, foi perguntado aos entrevistados se estes sabiam da existência e localização de olheiros ou olhos d´água. Estas fontes de água doce são difíceis de serem localizadas no mar, e devido a essa dificuldade, muitos entrevistados não souberam responder esta pergunta.

Áreas de reprodução

Para habitat de reprodução, foram consideradas apenas áreas de cuidado parental, i.e., os locais onde são avistados filhotes, pois não foram observados e/ou relatados eventos de cópula. Sua caracterização foi realizada baseada na análise de aspectos que influenciam diretamente no cuidado parental, pois há evidências de que as fêmeas de peixe-boi têm preferência por áreas protegidas de correntes e ondas para cuidarem de seus filhotes (HARTMAN, 1979). Para identificar áreas de reprodução e cuidado parental, foram analisadas as comunidades onde os entrevistados afirmam avistar filhotes. A pergunta número 11 do questionário: “Costuma avistar filhotes?” foi aplicada a todos os entrevistados, que em sua maioria não responderam esta pergunta, visto à dificuldade em se observar filhotes de peixe-boi.

Benzer Belgeler