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do Rio Grande do Norte (BANDERN) Entre as Décadas de 1960 a 1980

Fontes: Souza (1985) e Blog jotamaria, 2014. Elaboração Cartográfica: José Erimar dos Santos, 2015.

No início dos anos 1970, no Governo de Cortêz Pereira (1971-1975), o Banco do Rio Grande do Norte sofreu modificação em sua razão social. Assim, passou a ser denominado Banco do Estado do Rio Grande do Norte e, a seguir, de acordo com o Decreto Lei nº. 4.310, de abril de 1974, passou a responder juridicamente como uma Sociedade de Economia Mista e com nova denominação, Banco do Estado do Rio Grande do Norte S. A. (BANDERN), conforme Souza (1985).

Nessa mesma linha de sistemas de ações seguiu o Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte (BDRN), que teve sua geograficização e história confundida com o próprio desenvolvimento industrial no estado, particularmente, com a implantação do parque industrial e a indústria têxtil, nos anos de 1970, período de intensos sistemas de ações, normas e objetos técnicos acionados pelo Estado brasileiro a fim de recuperar a economia nacional. Conforme M. M. T. Santos (2000, p. 33), nessa década, o Governo Cortêz Pereira, necessitando receber recursos provenientes da Superintendência de Desenvolvimento do

Nordeste (SUDENE), ―[...] transformou a Companhia de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte – COFERN, em organismo financeiro de fomento‖.

Essa nova instituição financeira passou a ser denominada de Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Norte (BDRN), vinculada à Secretaria de Planejamento do Estado, o órgão responsável pela criação e implementação das políticas do governo potiguar, que controlava a maioria de suas ações. As atividades desse banco voltaram-se para o financiamento de capital de giro, bem como ainda para projetos de pequeno e médio portes e para a implementação de ações de cunho social. Isso funcionava da seguinte maneira: o Governo Federal, através do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) repassava os recursos ao Banco do Nordeste do Brasil (BNB), comandado pela SUDENE, que, por sua vez, os repassava às respectivas agências de fomento de cada estado.

De acordo com M. M. T. dos Santos (2000, p. 34),

No que diz respeito aos investimentos destinados para os setores privado e público, foram privilegiados, principalmente, os financiamentos destinados à implementação do parque industrial localizado na BR 101, em Parnamirim, próximo a Natal. Quanto ao setor público, vale ressaltar os programas assistenciais às populações de baixa renda, com recursos provenientes do Programa de Operações Conjuntas – POC, do Programa de Agricultura e do Financiamento às Pequenas e Médias Empresas – FIPEME.

Vale ressaltar, que durante o Governo Cortêz Pereira (1971-1975), o BDRN cumpriu ações que buscavam financiar a economia local. No entanto, a partir de 1974, houve redução dos investimentos feitos pela instituição, em virtude do impacto do comportamento da economia nacional sobre a economia norte-rio-grandense. Nesse sentido, o processo de desaceleração econômica nacional levou à redução do número de empréstimos e financiamentos a pessoas físicas e jurídicas.

No Governo Tarcísio de Vasconcelos Maia (1975-1979), o Rio Grande do Norte já possuía o seu parque industrial com uma quantidade razoável de empresas. A ação do Estado potiguar e dos empréstimos do BDRN passou a direcionar-se ao setor agropecuário, seguindo a linha dos incentivos provenientes do Governo Federal, via BNDES e depositados no Banco de Desenvolvimento do Estado do Rio Grande do Norte, o BDRN (M. M. T. SANTOS, 2000). Atividades agrícolas, como a cana-de-açúcar incentivada pelo programa de governo, o PROÁLCOOL e os hortifrutigranjeiros de exportação: caju, coco da baía, melão deram uma

nova dinâmica à economia local, projetando49 o Rio Grande do Norte, ao longo dos anos 1980 (APOLINÁRIO, 1996; FELIPE, 2002; ARAÚJO, 2009).

Outro aspecto importante a se destacar é o fato de que, durante o período de 1976 a 1979, iniciaram-se os primeiros estudos para a viabilização do mega projeto da Via Costeira, que beneficiou-se de recursos provenientes de fontes diversas, mas intermediados pelo Banco de Desenvolvimento do Rio Grande do Norte (BDRN) (CAVALCANTI, 1993). Assim, percebe-se que a política econômica do Governo Tarcísio Maia foi direcionada para o setor agroexportador e para a implantação da ―indústria‖ do turismo, setores que careciam, a longo prazo, de muitos recursos, pois dependiam de infraestrutura tais como: estradas, energia elétrica e outras realizações, tendo os bancos estaduais BANDERN e BDRN papéis importantes nesse processo, já que emprestavam recursos às empresas públicas e privadas, atores de promoção desses empreendimentos industriais, agropecuários e turísticos.

No período do Governo Lavoisier Maia (1979-1983), por ter sido um governo que direcionou suas ações para o interior do estado, o BANDERN e o BDRN tiveram funções importantes frente às ações do governo (M. M. T. SANTOS, 2000). O BDRN, por exemplo,

que antes de 1982 ―[...] não financiava projetos agropecuários ao pequeno produtor rural, a partir de 1983, passa financiar projetos dessa natureza‖ (M. M. T. SANTOS, 2000, p. 46).

Em 1983, primeiro ano do Governo José Agripino Maia (1983-1986), o BNDES, através de suas linhas: Programa de Operações Conjuntas (POC/MICRO) e do Fundo Geral do Turismo (FUNGETUR/EMBRATUR), foi o responsável direto pelo desenvolvimento das atividades na área do turismo no Rio Grande do Norte (CAVALCANTI, 1993). Era através do BDRN que essas linhas especiais disponibilizaram recursos na forma de empréstimos, via aprovação de propostas de financiamento para os investimentos turísticos.

Baseando-se em M. M. T. Santos (2000) e Cavalcanti (1993), constata-se que o BDRN, não conseguindo fazer cumprir suas normas quanto aos financiamentos, entrou no processo que levaria seu fechamento, já que as garantias dadas por alguns empresários não foram suficientes para pagamento dos investimentos fixos iniciais, que eram bancados com capital do governo do estado que tinha repassado à iniciativa privada, no período de 1983 a 1989, um montante de US$ 2.194.990,00 (dois milhões, cento e noventa e quatro mil, novecentos e noventa dólares) para apenas seis hotéis da Via Costeira: Natal Mar Hotel, Hotel Jacumã, Hotel Vila do Mar, Imirá Plaza, Hotel da Costeira e Marsol (CAVALCANTI, 1993).

É nesse sentido, que não se pode ―[...] pensar a situação dos agentes financeiros de forma isolada da própria sorte dos respectivos Estados e nem como se fosse restrita às unidades de menor poder econômico‖ (LOPREATO, 2002, p. 133). Isso é um exemplo de que, do ponto de vista fenomênico, os nexos que constitui um fenômeno são de ordem sistêmica, de um emaranhado de inter-relações, dos quais se sobressai aqueles ligados ao Estado, já que é o Estado o grande promotor da ordem espacial de sistemas de objetos e ações que dinamizam o território.

No Governo Geraldo José da Câmara Ferreira de Melo (1987-1991), que segundo M. M. T. Santos (2000) foi um governo caracterizado por ter ações direcionadas para exploração de terras irrigáveis, a partir do manancial hídrico da barragem Armando Ribeiro Gonçalves, inaugurada em 1983, os bancos estaduais potiguares BANDERN e BDRN também tiveram um papel importante, no sentido de financiarem os projetos programados/intencionados e entrarem em decadência total.

Com um patrimônio líquido negativo de US$ 15.069.995,80 (quinze milhões, sessenta e nove mil, novecentos e noventa e cinco mil e oitenta centavos de dólares), o BANDERN fecha em 1990. De acordo com M. M. T. Santos (2000), no período de fechamento deste banco potiguar, o mesmo possuía cinco agências, localizadas nos estados da Paraíba, Pernambuco, Bahia, Rio de Janeiro e São Paulo, além de cinquenta e uma localizadas na capital e no interior do estado.

No que se refere ao BDRN, com a maior autonomia dos estados e dos municípios, dada pela nova Constituição de 1988, passou por mudanças profundas com o fracasso do Plano Verão e redução considerável na demanda por financiamentos, passando a conviver com a administração dos altos índices de inadimplência dos projetos financiados, provocando novos direcionamentos em sua política de crédito (M. M. T. SANTOS, 2000). No entanto, apesar de alguns esforços para sanear as contas dessa instituição potiguar e evitar sua falência, o BDRN foi liquidado em 30 de dezembro de 1994, deixando no lucro os investimentos que financiou e não recebeu, sobretudo, aqueles voltados ao turismo potiguar. É por esta razão, que tão bem se expressou Cavalcanti (1993, p. 217-218), ao afirmar que ―não se pode aplicar outro termo que não seja generosidade, para a atuação do governo com relação aos contratos financeiros. Sabe-se que até hoje a maioria expressiva (68,40%) dos empresários não liquidou seus débitos junto ao Banco BDRN‖, fato esse que foi denunciado pela imprensa local, como destaca a referida autora:

‗Bilhões – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social –

BNDS, está pressionando o BDRN a que pague uma dívida de Cr$ 80 milhões. Acontece que o BDRN vive horas de pasmaceira administrativa e somente conseguirá saldar as dívidas se cobrar dos empresários do turismo e donos de cerâmica o montante de Cr$ 200 milhões. Sem isso Adeus. [...] Enquanto isso, os funcionários limitam-se a cumprir o horário sem que haja qualquer atividade no BDRN. Teme-se igual destino ao BANDERN‘50.

Concluindo essa discussão sobre os bancos estaduais norte-rio-grandenses percebeu-se sua importância nos sistemas de ações e nos sistemas de objetos implementados pelo Estado potiguar e demais elementos do espaço geográfico dessa unidade da federação, canalizando recursos disponibilizados pelo Sistema Financeiro Nacional na figura do BNDES e destinando-os ao financiamento de projetos do governo local, em parceria, esses projetos, com os agentes privados. Isso evidencia a importância do Estado nos processos que configuram as existências dos lugares, pois dão um funcionamento específico a determinadas ações que constituem o fazer-se socioespacial.

Com relação aos programas PROER e PROES, no caso potiguar os bancos estaduais não faliram em função direta desses programas, mas tiveram na administração local dos mesmos e nas dinâmicas econômicas nacionais as derrocadas que têm suas raízes nos processos de reformas bancárias a partir do sistema de normas implementadas pelo Estado para viabilizar o projeto existencial político intencionado com as empresas econômicas nacionais e internacionais em conformidade com as verticalidades do Banco Mundial.

Durante a década de 1990, além do PROER e do PROES, que reestruturaram ações e reconfiguraram os fixos bancários em território nacional e potiguar, nota-se uma adição de outros conteúdos normativos e técnicos às finanças, que retrataram, na esfera pública, o aprofundamento do projeto doutrinário de cada vez mais ―redução‖ do Estado na organização econômica, sobretudo, naquelas instituições ligadas a setores estratégicos do chamado

―desenvolvimento e integração do país‖, tais como siderurgia, finanças, telecomunicações,

transportes e energia, que foram desestatitizadas/privatizadas. Estratégicos para a economia,

esses setores foram ―entregues‖ aos capitais privados ou simplesmente foram extintos por não

conseguirem entrar no ritmo em curso, como foi evidenciado com os bancos BANDERN e BDRN, com relação ao setor financeiro potiguar.

Esse processo se tornou mais notório com a implementação do Plano Real que fez estabilizar, de certa forma, a moeda e as taxas de inflação. Isso deu aos atores sintagmáticos, sobretudo os de proveniência externa ao país, condições de estabelecerem processos mais significativos, no sentido de que houve

[...] uma conexão causal direta entre estes fenômenos, passível de ser explicitada pela análise da dinâmica territorial brasileira. [...] o processo de estabilização trouxe, fundamentalmente, a melhoria do chamado ‗ambiente

de investimento‘ para os grandes atores do cenário econômico globalizado.

Este raciocínio permite que pensemos no Plano Real como uma estratégia para aumentar a funcionalidade do território brasileiro para os grandes atores da economia global (CONTEL, 2006, p. 174),

aumentando o poder de consumo da população brasileira, inclusive o das classes mais afastadas desse processo consumptivo, o que fez emergir um novo período de atuação dos atores bancários e financeiros, intensificado nos anos 2000, e permeados em diversas relações sociais dos cidadãos.

É nesse momento que se verifica uma automação e informatização mais significativa dos bancos, impactando a estrutura empregatícia do setor financeiro (MINELLA, 1996). Aqueles bancos que eram mais preparados e mais rentáveis passaram por um processo de reordenamento e adaptação frente a essa nova lógica organizacional, o que fez com que houvesse expansão dos seus fixos bancários e, consequentemente, de seus serviços. Dentre essa expansão encontram-se aqueles fixos bancários que pertenciam aos bancos estaduais, que foram comprados por bancos privados e estrangeiros, aumentando, com isso, sua rede de

―capilarização‖ (CONTEL, 2006) no Brasil. Tal processo significou uma nova dinâmica

bancária e financeira no país, da qual o Rio Grande é representativo.

Atualmente, essa rede de distribuição de produtos e serviços bancários na forma de agências bancárias encontra-se mais dispersa no país e no Rio Grande do Norte (Mapas 13,

14, 15 e 16), em função das oportunidades e possibilidades dos lugares onde se instalam (a

técnica, as normas criadas para viabilizar tal processo de expansão desses fixos bancários, somados a uma população rentável, ou seja, que dá lucro, condições econômicas e sociais etc.), pois ―significa dizer, também que as condições do lugar é que garantem eficácia ao

Benzer Belgeler