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1.4. TOPLUMDİLBİLİMİN ÇALIŞMA ALANLARI

1.4.8. Dil ve Kimlik

A pesquisa que desenvolvemos, de cunho qualitativo, foi realizada em turmas de 7º ano do Ensino Fundamental em uma escola situada na região norte e integrante da Rede Municipal de Belo Horizonte, que chamaremos Escola Municipal Consulesa. Como procedimentos e instrumentos de coleta de material empírico utilizamos: observação participante, diário de campo, gravações em áudio e vídeo e entrevistas.

Num primeiro momento, buscamos materiais bibliográficos que pudessem contribuir na elaboração de atividades nas quais a História da Matemática participasse com referência ao tema “Números Inteiros”, que integra, em geral, as propostas curriculares de matemática na Educação Básica.

Uma vez selecionados alguns desses materiais, demos início a um trabalho cooperativo com uma professora, previamente escolhida, da Rede Municipal de Belo Horizonte, que atuou no 7º ano do Ensino Fundamental no ano de 2011. Esclarecemos que “trabalho cooperativo” está sendo considerado, aqui, como um trabalho no qual os participantes cooperam com o pesquisador na realização da pesquisa, mas as finalidades das tarefas realizadas não resultam de negociação conjunta, podendo haver relações desiguais de alguns em relação a outros (FIORENTINI, 2006, 2007).

Considerando, segundo Rosa e Arnoldi (2008),que a entrevista é um instrumento que nos permite obter informações sobre atitudes, sentimentos e valores subjacentes ao

comportamento, que podem se incorporar aos outros dados e vir a se constituir novas fontes para a interpretação dos resultados, como introdução ao trabalho cooperativo, foi realizada uma entrevista semiestruturada com a professora escolhida. Nesse tipo de entrevista, as questões, que seguem uma formulação flexível, são propostas de forma a permitir que o sujeito discorra e verbalize seus pensamentos, tendências e reflexões sobre o tema apresentado (ROSA; ARNOLDI, 2008). Com essa entrevista, pretendíamos conhecer os métodos de ensino utilizados pela professora, o que ela pensa sobre o recurso didático à História da Matemática, se ela faz uso desse recurso e, caso o faça, como o utiliza. A seguir, teve início o estudo que realizamos em conjunto dos materiais coletados no primeiro momento da pesquisa, que culminou com a elaboração de uma primeira versão das atividades.

A observação é considerada por Viana (2003) como uma das fontes de informação mais importantes em pesquisas qualitativas em educação. Segundo esse autor, as técnicas de observação são, praticamente, as únicas abordagens disponíveis para o estudo de comportamentos complexos, como ocorre com grande parte dos fatos que interessam aos educadores. Além disso, possibilitam um estudo mais profundo do conjunto dos indivíduos e fornecem dados que se referem diretamente a situações sociais/comportamentais típicas.

Desse modo, considerando que os fatos sobre os quais focalizamos nossa atenção nessa pesquisa, ou seja, as formas de participação e envolvimento dos alunos em situações de ensino-aprendizagem, são fenômenos complexos abordados socialmente, a observação participante foi escolhida como instrumento de coleta de informações. Nesse primeiro momento de coleta de material empírico, observamos algumas aulas nas turmas de 7º ano selecionadas para a investigação. Foram observadas algumas aulas antes da aplicação das atividades, as aulas em que essas atividades foram aplicadas e algumas aulas entre a aplicação das mesmas. Nessa etapa, foram utilizados diário de campo e gravações em áudio e vídeo. De acordo com Alves-Mazzotti e Gewandsnajder (2004), as possíveis desvantagens do uso da observação participante podem ser superadas quando não nos limitamos à observação como única técnica usada na coleta de dados. Assim, optamos por utilizar também outros recursos, como a realização de entrevistas com alguns alunos e com a professora, para garantir maior consistência e confiabilidade ao material obtido mediante a observação.

Em todos os momentos da pesquisa, foram tomados cuidados éticos de modo a garantir aos sujeitos a integridade de suas identidades. No caso dos alunos foi pedido o consentimento dos responsáveis, já que os envolvidos eram todos menores de idade, e deixou- se claro que as informações coletadas são sigilosas e serão utilizadas apenas para os fins da

pesquisa.6 Além disso, a professora e a diretora da escola também deram esse consentimento por escrito.

Consideramos importante informar aqui os motivos de algumas decisões tomadas no que diz respeito aos aspectos metodológicos da pesquisa que desenvolvemos.

Primeiro, optamos por elaborar, em parceria com a professora já citada, as atividades que foram aplicadas nas turmas investigadas por acreditar, com base em nossas experiências e estudos, que não seria fácil encontrar naturalmente uma situação de sala de aula com a presença de atividades que envolvam a História da Matemática.

Segundo, a escolha do 7º ano se deu basicamente porque, nesse ano da escolarização, normalmente, além de se retomarem conteúdos ligados aos números racionais, introduz-se, no currículo, um novo tipo de números – os inteiros – que foi o tema selecionado para nossa pesquisa.

Finalmente, optamos por realizar a investigação na Rede Municipal de Educação de Belo Horizonte por ser a rede na qual eu trabalhava até o término da pesquisa de campo. Por isso, acredito poder falar com mais propriedade do campo no qual se desenvolveu a investigação e também compreender melhor algumas informações nela obtidas. Além disso, acredito que as reflexões proporcionadas pela pesquisa poderão contribuir diretamente para a melhoria da minha prática pedagógica, já que os sujeitos da pesquisa foram bem semelhantes ao público junto ao qual eu atuava. Ao propor esse cenário, esperávamos, também, que as discussões provenientes da pesquisa tragam aportes para o contexto dessa rede de ensino, particularmente no que diz respeito às discussões acerca do currículo e das práticas pedagógicas de Matemática.