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Neste tópico separou-se, dentre as técnicas construtivas adotadas pelos protótipos do Solar Decathlon Europe estudados, quais aquelas que apresentam possíveis soluções espaciais para as diretrizes elencadas no quadro 06. Buscou-se ilustrar e, sempre que possível, detalhar o projeto de cada uma delas, assim como estabelecer como seria possível adequá-las à tipologia habitacional utilizada como objeto de aplicação desta pesquisa.

Seguindo a ordem de listagem dos ambientes apresentados no quando 06, a apreciação das possibilidades existentes foi iniciada com o cômodo da sala. Segundo as informações contidas na mesma tabela, observa-se que não há um protótipo que atenda a todas as demandas de diretrizes catalogadas, mas identifica-se soluções variadas tanto no protótipo da Ikaros Bavaria, na Canopea, no Pátio 2.12, na RhOME for denCity e na Philéas Project.

O protótipo Ikaros Bavaria apresenta uma única solução técnica de flexibilidade para o ambiente da sala: um nicho (figura 39), localizado na sala de estar, que pode servir como sofá para descanso, assento para assistir TV e pode ser convertido em uma cama de casal para visitantes, por apresentar um mecanismo embutido, similar a uma gaveta, que permite a mudança.

Figura 38: Nicho da sala de estar.

Fonte: Team Ikaros Bavaria, Construction drawings (2010).

As soluções técnicas do protótipo Canopea são: a divisória móvel (figura 40), que promove a expansão ou redução do espaço destinado a sala e permitindo uma melhor acomodação para a área de jantar; os sofás reconfiguráveis, que além de não fixos, permitem uma acomodação de um número maior de pessoas que aqueles para o qual a casa foi projetada, permitindo assim um melhor acolhimento de visitantes; e a mesa móvel e expansível, que exerce função similar a dos sofás, permitindo o recebimento de mais convidados para um jantar.

Apesar da documentação da casa Canopea não apresentar um maior detalhamento acerca do projeto de interiores da habitação, pode-se destacar como possibilidade técnica construtiva adotada nesse projeto, a combinação dos três elementos previamente citados e a liberdade de adequar medidas e agregar usos (que é o que ocorre no caso da divisória móvel) de acordo com a necessidade do usuário.

Figura 39: Projeto de divisória móvel.

Fonte: Team Rhône-Alpes, Project Drawings #5 (2012).

Já o protótipo Patio 2.12 apresenta uma sala projetada para ter um único móvel fixo (figura 41) que serve de estação de entretenimento, enquanto que o restante do mobiliário (mesa e sofás) pode adotar diferentes configurações espaciais de acordo com a necessidade de uso identificada.

Percebe-se que esta solução apresenta um projeto com características simples e adaptáveis, onde o mobiliário é fixo, mas pode ser redimensionado para apresentar somente os compartimentos necessários ao contexto onde o mesmo será inserido e pode agregar diferentes possibilidades de uso, como no exemplo encontrado na figura 41, onde um dos compartimentos na verdade é uma mesa de estudos retrátil.

Figura 40: Projeto e detalhamento de estação de entretenimento. Fonte: Andalucia Team, Project drawings (2012).

A multifuncionalidade existente no projeto desse mobiliário destaca-o como possibilidade passível de adequação ao objeto de estudo da pesquisa aqui desempenhada.

Na casa RhOME for denCity identificou-se duas soluções que atendem a algumas das diretrizes identificadas, por meio das informações da tabela 01, como soluções projetuais

para a melhoria da tipologia habitacional em estudo. São elas as divisórias deslizantes, que promovem a expansão ou redução do espaço destinado a sala, e a utilização de um sofá-cama, que em associação com as divisórias, provê um espaço para descanso e o desempenho de atividades normalmente associadas ao quarto, como pode-se observar na figura 42 abaixo:

Figura 41: Diferença entre abrir ou fechar as divisórias deslizantes permite modificação de uso da sala.

Fonte: RhOME TRE, Project drawings (2014).

Para a adaptação dessa tecnologia à realidade de uso da unidade habitacional em estudo é necessário analisar quais paredes existentes podem ser removidas e substituídas por divisórias deslizantes.

Por fim, tem-se as soluções apresentada no protótipo Philéas Project, onde o deslizar das divisórias móveis, associado com a modificação da locação de alguns móveis (figura 46), podem transformar um quarto em um espaço extra para a sala, permitindo a inserção de uma sala de jantar.

Próximo da lista se apresenta o ambiente da cozinha, onde observou-se que os protótipos Lummenhaus e Ikaros Bavaria possuem soluções que atendem a todas as diretrizes identificadas na tabela 01 e, além disso, tem-se o protótipo Patio 2.12 atendendo a uma das diretrizes destacadas.

Como já descrito anteriormente, a cozinha da casa Lummenhaus (figura 43) apresenta um mobiliário multifuncional (figura 44) que, além de aumentar as possibilidades de uso do espaço, possui uma ilha de cozinha móvel, que pode ser guardada e encaixada nesse mesmo móvel, além de uma gaveta que, na verdade, é uma expansão da área livre disponível para manipulação de alimentos e eletrodomésticos:

Figura 42: Projeto da cozinha Lummenhaus.

Fonte: Virginia Tech, Construction document (2010).

Figura 43: Elevação da cozinha com detalhamento da ilha móvel. Fonte: Virginia Tech, Construction document (2010).

A adequação desse móvel para a tipologia habitacional base do conjunto Gervásio Maia depende da modularização desse projeto. Dividindo o mobiliário da cozinha Lummenhaus em módulos menores, tem-se um módulo para a pia, o gaveteiro, a área destinada para o forno, a área para a máquina de lavar pratos, o módulo que disfarça a geladeira e os armários superiores. Com essa subdivisão, basta selecionar qual a área disponível em projeto para a alocação desse móvel e selecionar quantos e quais desses módulos atenderiam as necessidades projetuais da habitação alvo. Observa-se que apesar da utilização de forno e cooktop ser uma característica comum em projetos internacionais, no caso em questão – onde ambos foram alocados em projeto próximos um do outro – é possível substituí-los por um fogão comum de quatro bocas e, assim, ajustar o projeto a uma realidade de uso mais próxima ao que se destinará a solução final.

No protótipo Ikaros Bavaria (figura 45) há uma cozinha determinada por dois mobiliários: um armário (figura 46), onde se localiza o forno, cafeteira, máquina de lavar pratos, geladeira e os armários de armazenamento; e uma ilha com: fogão cooktop, pia, mesa extensível, área livre para manipulação de alimentos e uma televisão retrátil (figura 47).

Fonte: Team Ikaros Bavaria, Construction drawings (2010). Figura 44: Projeto da cozinha Ikaros Bavaria.

Figura 45: Elevação e corte da cozinha: armário.

Fonte: Team Ikaros Bavaria, Construction drawings (2010).

Figura 46: Elevação e corte da cozinha: ilha.

Além desses dois móveis principais, o projeto de interiores da Ikaros Bavaria fornece uma proposta de cadeira dobrável (figura 48) para ser utilizada juntamente com a extensão da ilha da cozinha:

Fonte: Team Ikaros Bavaria, Construction drawings (2010).

Para a adequação desses mobiliários à tipologia habitacional adotada como objeto do estudo aplicado nesta pesquisa, deve-se levar em consideração, além da área disponível para construção, a realidade de vida do usuário que utilizará a habitação. Observa-se que, o projeto do armário se concentra em módulos especializados para comportar equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos, sendo eles a máquina de café, a máquina de lavar pratos, um forno elétrico e a geladeira. Para tanto é preciso que se avalie a real possibilidade de adequar esse mobiliário aos eletrodomésticos que se aproximem mais da realidade dos moradores do Gervásio Maia. A ilha se apresenta como possibilidade mais razoável, com o posicionamento da pia, a capacidade de extensão e o uso de cadeiras dobráveis.

Já o protótipo Patio 2.12 apresenta uma cozinha totalmente projetada para ser multifuncional e desempenhar as quatro atividades consideradas principais a esse ambiente, sendo elas preparar, cozinhar, comer e limpar. Os mobiliários utilizados foram um armário (figura 49) e uma ilha (figura 50) multifuncional.

Figura 48: Projeto da cozinha Patio 2.12: armário. Fonte: Andalucía Team, Project drawings (2012).

Figura 49: Projeto da cozinha Patio 2.12: ilha. Fonte: Andalucía Team, Project drawings (2012).

Destacou-se nesse projeto, como tecnologias projetuais passíveis de adequação, o total aproveitamento da parede destinada à alocação do armário e a grande variedade de configurações da ilha (Anexo B), visto que, além de uma configuração base que já atende a uma vasta gama de necessidades, o projeto da mesma ainda prevê sua personalização de acordo com as necessidades dos usuários da habitação, podendo ser incrementada com acessórios opcionais que aumentam a flexibilidade desse mobiliário, como pode ser visto no Anexo B.

Para a comparação da aplicação e adequação das tecnologias elencadas previamente observou-se que, com exceção da casa Patio 2.12, todos os outros protótipos adotam a junção da sala com a cozinha em um único cômodo, utilizando o próprio mobiliário ou divisórias móveis para determinar o uso do ambiente. Tal fato norteou a adoção de possibilidades que permitissem a integração dos mesmos.

No que diz respeito a seleção de tecnologias construtivas que melhorem o desempenho do ambiente do banheiro, segundo informações contidas na tabela 01, observou- se que todos os protótipos analisados se preocupam em posicionar o banheiro em um local estratégico, visto esse ser um ambiente cujas atividades não podem ser agrupadas em outros cômodos, por apresentar a necessidade de pontos hidráulicos fixos. Uma observação que vale a pena ser feita é de que, em dois dos protótipos que conquistaram a primeira colocação do Solar Decathlon Europe (Canopea em 2012 e RhOME for denCity em 2014) houve a preocupação dos projetistas em conciliar a parede hidráulica do banheiro com a da cozinha.

Analisando as possibilidades construtivas dos projetos Solar Decathlon Europe para o ambiente do quarto, no que diz respeito ao atendimento das diretrizes elencadas na tabela 01, constatou-se que, no tocante à iluminação, todos os protótipos estudados optaram pela elaboração de um projeto luminotécnico que atendesse, segundo as normas fornecidas pelo manual de regras do concurso, as necessidades de luminância de acordo com a tarefa visual a ser desempenhada em cada um dos mobiliários existentes. Outro ponto importante diz respeito a localização de interruptores e tomadas, que nos protótipos são alocados de acordo com o projeto de interior de cada uma das casas.

Quanto a utilização do quarto como ambiente multiuso, essa também foi uma prática comum a todos os protótipos, como será descrito e ilustrado a seguir.

Na casa Lummenhaus, a multifuncionalidade do quarto é garantida por meio de dois móveis: uma cama retrátil (figura 51) e um guarda-roupas deslizante (figura 52). Utilizando- se o guarda-roupas fechado e a cama retrátil guardada, estende-se o espaço livre da casa, possibilitando a acomodação de mais pessoas para uma festa, por exemplo. Deslizando o

guarda-roupas, revela-se uma televisão embutida na parede, que em associação com o meio deslize da cama (o que a faz se assemelhar a um sofá), define uma área de lazer com televisão. E, por fim, deslizando-se o guarda-roupas e revelando-se a cama retrátil completamente, tem-se o quarto de dormir propriamente dito.

Destaca-se o potencial de utilização do guarda-roupas deslizante como substituto para portas, o que pode gerar uma economia de espaço mediante a exclusão da área necessária para o acesso e uso à porta do ambiente, integrando-a a área de uso do mobiliário.

Figura 50: Elevação de mobiliário com cama de casal retrátil. Fonte: Virginia Tech, Construction document (2010).

Figura 51: Projeto do guarda-roupas deslizante. Fonte: Virginia Tech, Construction document (2010).

No protótipo Ikaros Bavaria, uma parede deslizante (figura 53), juntamente com um armário (figura 54) onde se localiza a cama retrátil, é que definem a utilização de uma das áreas construtivas dessa habitação como quarto de casal (função primária), escritório ou extensão do espaço livre.

A adequação necessária para aplicação dessa técnica exige a substituição de uma parede fixa pela parede deslizante, assim como a proximidade da mesma de uma área passível de expansão que apresente mobiliários que possam ser realocados, como uma sala, que é o caso do projeto em questão.

Fonte: Team Ikaros Bavaria, Construction drawings (2010).

Figura 53: Posicionamento de armário multifunção.

Fonte: Team Ikaros Bavaria, Construction drawings (2010).

A casa Canopea adota uma solução similar à encontrada no protótipo Ikaros Bavaria, só aplicada a seu quarto extra, onde a combinação entre o uso de uma parede deslizante (figura 29) juntamente com um armário (figura 55) é que definem se o ambiente multiuso previsto em projeto assumirá a função de quarto.

Figura 54: Armário multifunção.

Fonte: Team Rhône-Alpes, Project Drawing #5 (2012).

As modificações estruturais necessárias à alocação desse mobiliário na tipologia habitacional em estudo também exigem as mesmas condições apresentadas pela solução do protótipo Ikaros Bavaria e, no caso da Canopea, os ambientes passíveis de extensão foram a cozinha e a sala.

Destacou-se do projeto do quarto da casa Patio 2.12, além do armário com uma cama retrátil (figura 56), a presença de um guarda-roupas com penteadeira retrátil (figura 57), solução essa que distingue este projeto dos outros.

Figura 55: Projeto de armário para quarto. Fonte: Andalucía Team, Project drawings (2012).

Observou-se que, a grande vantagem de se utilizar esta solução em uma habitação com dimensões reduzidas é a economia de espaço gerada pela sobreposição das áreas de uso dos mobiliários.

Figura 56: Projeto de guarda-roupas multifunção. Fonte: Andalucía Team, Project drawings (2012).

O projeto da casa RhOME for DenCity adota uma divisória projetada como solução construtiva à definição do ambiente do quarto, que também pode ser utilizado como escritório. Para a confecção dessa divisória, utilizou-se uma cama retrátil da empresa italiana CLEI (figura 58) e criou-se um envoltório para estabilizar o mobiliário (que no caso em questão foi confeccionado em madeira).

Essa solução apresenta a possibilidade de uso de materiais disponíveis no mercado para a projeção de ambientes flexíveis, assim como ilustra a necessidade de mobiliários desse tipo para a aplicação em ambientes com dimensões mínimas.

Figura 57: Divisória multifunção.

Fonte: RhOME TRE, Project drawings (2014).

Por fim, tem-se a proposta de quarto da casa Philéas Project (figura 59), que consiste em um armário com cama retrátil e divisórias móveis, que permitem que este cômodo se integre a sala, podendo ser utilizado como extensão da sala de estar.

Percebe-se que a adequação dessa solução funciona bem em paralelo ao uso das divisórias móveis apresentadas como solução desse protótipo aos problemas localizados no ambiente da sala, e já apresentados nesse trabalho.

Figura 58: Projeto de armário multifunção.

Fonte: Atlantic Challenge Team, Project drawings #7 (2014).

Quanto aos dois últimos ambientes que necessitariam de avaliação acerca de tecnologias construtivas identificadas nos projetos Solar Decathlon Europe, que seriam a área de serviço e a garagem, observou-se que nos projetos escolhidos para esta análise, não há propostas específicas de cômodos para este uso, pois, primeiramente, o ambiente da garagem não faz parte do que é cobrado no evento Solar Decathlon Europe e as casas, apesar de não terem área de serviço, apresentam soluções, em sua grande maioria nos quartos, para a alocação dos equipamentos necessários para lavagem e secagem de roupa.

Devido ao caráter incomum e pouco prático das soluções de serviço adotadas e a inexistência de uma solução para a garagem/espaço de trabalho satisfatória, decidiu-se por excluir esses ambientes da etapa de Apresentação de Possibilidades.

Finalizado o catálogo das soluções técnicas do Solar Decathlon Europe, inicia-se a fase de adequação das tecnologias, até então expostas, à configuração espacial da tipologia habitacional escolhida (Gervásio Maia), de forma a comparar quais se adaptam melhor ao projeto inicial, sem que se necessite de grandes mudanças estruturais.

Benzer Belgeler