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ARESTOS130 1 1 0 0 ORDENAÇÕES FILIPINAS 6 1 5 2 CÓDIGOS ROMANOS 1 1 0 1 DIREITO CONSUETUDINÁRIO 1 0 0 0

LEI DE 1769 - LEI DA BOA RAZÃO 2 0 1 0

CONSTITUIÇÃO DE 1824* 2 2 0 1

LEIS DE1831/1850** 0 0 2 2

JURISPRUDÊNCIA 0 1 3 1

LEI DE 1871 E REGULAMENTO DE 1872*** - - 25 15

LEI DE 1885 - LEI DOS SEXAGENÁRIOS - - - 6

SR**** 7 11 10 15

OUTRAS***** 4 3 7 9

Fonte: Ações Cíveis envolvendo escravos Iº e IIº Ofícios – ACSM – 1850-1888. *Artigos nº 6, 7, 8 e nº 179.

**As leis antitráfico são citadas de forma vinculada nos processos que as utilizam como referência.

***A lei do Ventre Livre de 1871 e o Regulamento de 1872 são citadas de forma vinculada nos processos que as utilizam como referência.

****Processos que não citam nenhuma legislação.

*****Se referem a Avisos, Instruções e leis civis de matrimônio.

A fala do curador Joaquim da Silva Braga Breyner, finalizando suas argumentações ao retirar a ação de liberdade movida em nome de Antonio Avellar, reitera as expectativas geradas pelos possíveis desdobramentos da questão escrava após a Lei de 1871: “(...) não somos escravagistas, antes entusiasta abolicionista, e por isso nossa fé se exalta com a esperança de que a sábia Lei de 28 de Setembro de 1871 há de ser nesta legislatura ampliada e que a emancipação se fará em breve tempo (...)”131

Mesmo com a diminuição à recorrência da Lei de 1871 na década de 1880, podemos inferir que uma nova lei – a dos Sexagenários – viria se somar às regulamentações anteriores estabelecidas em 1871.

Afinal, a Lei dos Sexagenários versava não apenas acerca da liberdade dos escravos maiores de 60 anos mas tratava também de procedimentos de nova matrícula, definia tabela de valor do escravo, liberdade pelo Fundo de Emancipação, liberdade por pecúlio e regulamentação do trabalho de libertos. O recurso a essa lei pode ser, por

130 Aresto: se origina do vocábulo grego aresco (apraz-me, agrada-me). É aplicado na terminologia jurídica atual

para designar a decisão de um tribunal sobre os casos litigiosos submetidos à sua apreciação. Acórdão. SILVA, De Plácido e. Vocabulário jurídico. p.188. Vol. I. O conjunto dos arestos ou acórdãos dos tribunais forma a jurisprudência possibilitando que se estabeleça a repetição e uniformidade de vereditos para os mesmos casos e iguais relações jurídicas.

131 ACSM, ação de liberdade, códice 448, auto 9680, ano 1883, Iº Ofício. O processo movido em prol da

liberdade é retirado em função do depoimento do próprio escravo negando seu interesse na mesma “por que se reconhece ser escravo”. Processo atribuído à vingança de terceiros contra o senhor do escravo.

conseguinte, somado aos da Lei de 1871, na medida em que uniformiza e normatiza os procedimentos relativos à alforria dos cativos132.

O uso da Lei de 1871 por Curadores ou advogados pode parecer contraditório. Contudo, se considerarmos a clareza da lei em relação aos requisitos básicos para a obtenção da liberdade, ela efetivamente se presta aos dois lados: ao da liberdade e ao da propriedade.

Considerando-a como definidora de um projeto gradualista governamental de abolição da escravidão, a flexibilidade em seu uso é intrínseca. Acreditamos que, ao mesmo tempo, o privado, ou seja, o desejo senhorial gradativamente seja relegado a segundo plano, enquanto o ato público (leis), uniformizador da prática jurídica, vem à tona.133

Por sua vez, as Ordenações Filipinas, Livros 3 e 4134, aparecem no decorrer de

todo o período estudado, embora subutilizadas, à medida que a legislação escrava ganha corpo. Tal ocorrência poderia ser justificada pela da ausência de um código civil,135 situação

que abre espaço para os arestos e jurisprudências que vão se estabelecendo e sendo divulgadas nos periódicos jurídicos.136

A Constituição de 1824 aparece relacionada diretamente ao seu artigo 179 que prevê a inviolabilidade do direito de propriedade e ao artigo 6 que define os requisitos para o direito à cidadania.

A recorrência a esses artigos não foi significativa, aparecendo em apenas 2,4% das ações de liberdade. Embora houvesse um crescimento das ações no decorrer do período abordado, e se compreendemos que implicitamente elas trazem em si as duas faces da moeda, propriedade e liberdade, os advogados marianenses se apegaram a outras leis para justificar a preservação dos bens de seus representados.

132 Todo o Art. 1º da Lei nº 3.270 de 28 de setembro de 1885, versa acerca da nova matrícula dos escravos, o Art.

3º era referente à alforrias e aos libertos e estabelecia ainda os valores a serem deduzidos do valor primitivo com que foi matriculado o escravo. Esta dedução anual valia para os cálculos do Fundo de Emancipação ou para qualquer outra forma legal de alforria.

133 Para as discussões acerca da Lei de 1871 apontamos aqui alguns autores: CHALHOUB, 1990; CASTRO,

1995; GRINBERG, 1994; PENA, 2005.

134 Os Livros 3 e 4 das Ordenações Filipinas tratam respectivamente das ações cíveis e criminais regulamentando

o direito subsidiário e o direito das coisas e das pessoas determinando regras para contratos, testamentos, tutelas entre outros. LARA, Silvia Hunold (org.). Ordenações Filipinas... p. 35.

135 O projeto preliminar de Teixeira de Freitas para o futuro código civil não previa a inclusão de disposições

relacionadas aos escravos, as leis relacionadas à escravidão seriam reunidas à parte formando o nosso Código Negro, ver PENA, Eduardo Spiller. Pajens da Casa Imperial... p. 72 O Código Civil brasileiro só foi sancionado em 1916 e entrou em vigor em 1º de janeiro de 1917 mesma data em que deixaram de vigorar as últimas determinações das Ordenações Filipinas. LARA, Silvia Hunold (org.). Ordenações Filipinas... p. 39.

136 Ao argumentar que a apresentação de provas da condição escrava cabe a quem contesta a liberdade o Curador

Florêncio Augusto da Silva se refere ao “julgado publicado no Direito a 15 de Janeiro de 1874 à página 20 – Revista Civil nº 7759 e Acórdão Revisor da Relação da Bahia firmado na lei de 6 de Junho de 1785 § 3º”. ACSM, ação de liberdade, códice 448, auto 9677, 1881, Iº Ofício.

A designação “Outras” se refere a leis, decretos, avisos, instruções e leis civis de matrimônio (no caso de disputas por escravos entre casados) e que não aparecem mais de uma vez nas ações de liberdade.

Quanto ao direito consuetudinário, e mesmo os códigos romanos, praticamente desaparecem enquanto recurso jurídico. Nas palavras do curador Egydio Antonio do Espírito Santo Saragoça, em longa argumentação em favor da liberdade de uma família de escravos

Os Brasileiros depois de independentes, traduziram em leis todas as aspirações da Filosofia. A Constituição política nivelando os homens, e só os guardando sob o ponto de vista dos seus talentos, virtudes e merecimentos, rodeou de animação e de prestígio e nobre privilégio de humanidade = a liberdade = O Artigo Cento e setenta e nove, garante a inviolabilidade dos direitos que nele se fundam. No artigo seis, definindo o cidadão brasileiro, abraça a humanidade brasileira, quer seja ingênua, quer seja liberta.137

Deixando, pelo menos por ora, a discussão acerca da cidadania, a fala do curador estabelece o diferencial jurídico do Brasil colônia e da nação independente. As leis positivas, sob clara influência das ideias liberais, seriam a marca distintiva da jovem nação. A liberdade não pertencia mais, em sua visão, ao desejo senhorial, mas era um direito garantido por lei.

GRÁFICO 1: A EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO CITADA NAS AÇÕES

Benzer Belgeler