1. GİRİŞ
1.2. Endokrin Bozucu Bileşikler
1.2.2. Fitalatlar
1.2.2.5. Dietilheksil Fitalatın Dişi Üreme Sistemi Üzerine Etkileri
Conforme apontei no capítulo anterior, os estudos sobre as possíveis causas das dificuldades de aprendizagem da leitura e da escrita se desenvolveram a partir dos estudos do campo médico da neurologia, apoiando-se nos conhecimentos científicos construídos a partir da busca pelo entendimento da relação entre a anatomia e a fisiologia cerebrais.
Neste ínterim, as dificuldades apresentadas pelas crianças têm sido justificadas pela possibilidade da presença de um déficit nos processamentos das informações, atribuindo a causa do fenômeno a um defeito neurobiológico.
Estas concepções têm sido fortemente questionadas por alguns pesquisadores e estudiosos do desenvolvimento humano sob a perspectiva histórico-cultural. Estes pesquisadores têm buscado compreender a relação entre os homens e a criação e o desenvolvimento da cultura como os processos responsáveis pela humanização e suas implicações para a evolução dos comportamentos tipicamente humanos. Assim, os questionamentos ao conceito vigente de dislexia nasceram a partir de estudos e discussões sobre o desenvolvimento humano e social, e não necessariamente para debater as dificuldades de aprendizagem da leitura e da escrita.
Estes estudos assumem a escrita como um revolucionário e empoderador objeto de cultura, responsável pelas importantes mudanças históricas fundamentais para a evolução do homem e das civilizações.
A associação destes estudos com os processos de aprendizagem escolar foi se dando à medida que os pesquisadores procuraram compreender as relações que os sujeitos estabelecem com a linguagem escrita enquanto objeto de cultura e como esta se constitui como função social.
A leitura prévia das teses e dissertações que compõem o escopo desta pesquisa apontou que os principais debates teóricos que questionam o conceito de dislexia vigente podem ser compreendidos em dois grandes grupos: aqueles permeados pela perspectiva sócio- histórica, e aqueles que se apoiam nos debates sobre os processos de medicalização e/ou patologização da educação.
As discussões destes dois grupos e suas considerações contra o conceito de dislexia têm apresentado algumas aproximações, entre as quais é possível destacar suas concepções acerca do desenvolvimento humano, e a maneira como concebem a relação entre a oralidade e a escrita durante o processo de alfabetização.
Sobre a relação entre a oralidade e a escrita, os estudos da Sociolinguistica têm contribuído significativamente para a compreensão e elucidação das ações infantis nas atividades de escrita, nos permitindo melhor entender as trajetórias que as crianças assumem durante a escolarização e desmistificando os erros cometidos, trazendo contribuições significativas e elucidativas para o debate.
A Sociolingüística procura compreender o desenvolvimento da língua a partir das relações que são estabelecidas entre os sujeitos falantes que, ao fazerem uso dela, a desconstroem e reconstroem em razão de suas necessidades e das exigências do contexto. Desta forma, a língua está sempre em constante movimento de construção, assumindo novas e antigas formas, para que a compreensão seja efetiva para todos os interlocutores envolvidos.
De acordo com a Sociolinguística, as constantes transformações da língua, assim como a relação entre a oralidade e a escrita, costumam se refletir durante o aprendizado da linguagem escrita, quando a criança expõe na forma gráfica seus conhecimentos sobre a língua que fala (BAGNO, 2009; SOUSA, 2009; BAGNO, 2011; HORA; AQUINO, 2012).
Portanto, é possível constatar que as perspectivas que têm embasado as críticas e questionamentos à maneira como a dislexia tem sido concebida e difundida têm encontrado apoio nas ideias e concepções abordadas nos estudos do campo da Sociolinguística, apontando a maneira como os ditos sintomas do distúrbio podem se tratar apenas de reflexos da oralidade na escrita.
Nas seções a seguir, abordarei as concepções advindas da Perspectiva Histórica- cultural, da Medicalização e/ouPatologização da Educação e da Sociolinguística, apontando a maneira como estas concepções têm questionado o conceito de dislexia e a maneira como se relacionam com a aprendizagem da leitura e da escrita.
3.1- A Perspectiva Histórico-Cultural
A perspectiva histórico-cultural nasceu da evolução promovida pelo advogado, literato e historiador Lev SeminovitchVigotsky nos estudos do campo da psicologia do início do século XX.
De acordo com Cole; Scribner (2007), o campo de estudos da psicologia se encontrava em crise em razão das divergentes concepções acerca do desenvolvimento e constituição das formas mais complexas do pensamento. E foi neste cenário que o trabalho de Vigotsky no Instituto de Psicologia de Moscou começou a se destacar.
Ao aproximar as concepções da teoria marxista e os métodos e princípios do materialismo dialético dos estudos da psicologia, Vigotsky postulou que a compreensão dos mecanismos pelos quais se constroem as formas complexas de pensamento e a maneira pela qual a cultura se torna parte constituinte dos sujeitos envolve o entendimento da maneira como as interações sociais implicam sobre os sujeitos de forma quantitativa e qualitativa, considerando, ainda, as constantes mudanças e transformações que ocorrem nas sociedades nas quais os sujeitos se encontram inseridos (COLE e SCRIBNER, 2007). Realizando estudos nesta perspectiva, Vigotsky e seus colaboradores descreveram e postularam a importância e o papel da linguagem dentro destes processos.
De acordo com o psicólogo e cientista social Alexis Nikolaevich Leontiev (1903 – 1979), importante colaborador de Vigotsky, as características tipicamente humanas de comportamento provêm da natureza social do homem e de sua vida em uma sociedade permeada pela cultura (LEONTIEV, 2004). Estas características e aptidões não são transmitidas pela via da hereditariedade biológica, pois só podem ser adquiridas por meio das relações interpessoais as quais permitem que os sujeitos se apropriem da cultura criada e desenvolvida por todas as gerações precedentes. Desta forma, os sujeitos aprendem a serhomens a partir das apropriações que fazem da cultura, e não fazendo uso exclusivo de seu aparato biológico (LEONTIEV, 2004).
Os estudos desenvolvidos por Luria (1986), Leontiev (2004) e Vigotsky (2007) apontaram que os processos de apropriação da cultura são dependentes da mediação oferecida pelos atos comunicativos entre os sujeitos do grupo social do qual o indivíduo faz parte desde