• Sonuç bulunamadı

YENİ BİR DİNİ HAREKET OLARAK TALİBAN

Um filme histórico, seja como agente, reflexo, representação ou documento, pode ser definido como um filme intensamente entrelaçado com os acontecimentos do passado e do tempo presente. Essa definição transforma- se, assim, em um conceito amplo, multifacetado e polissêmico. Formado por uma gama de cores e matizes, de formas e conteúdos diversos. Mensageiro, portanto, de um corpo semântico aberto, complexo e dinâmico com infinitas e significativas potencialidades epistemológicas, históricas e educacionais.

Nesse sentido, ao pensar o cinema como tecnologia teórica na sua interface com a História, necessariamente, precisamos partir das diversas categorias teóricas apresentadas anteriormente. Se, quando analisamos o campo interfacial do cinema com o jornalismo, apontamos três categorias interfaciais básicas que, por sua vez, constituem-se também em categorias formadoras, agora com a interface cinema-história e suas categorias a reflexão não percorrerá outros caminhos que não seja o da demonstração do desenvolvimento da síntese que alcançamos nesta Tese em uma experiência educacional.

Ao contrário da discussão do Capítulo 2, cuja síntese sobre o cinema como tecnologia formadora ocorre no âmbito da docência, a reflexão sobre as categorias interfaciais cinema-história como tecnologia teórica desenvolve-se no campo da orientação em um “Projeto de Extensão: Imagens do Passado” (financiado pela Pró-Reitoria de Extensão da Universidade

Federal do Rio Grande do Norte – UFRN e coordenado pelo Professor Dr. Arnon Alberto Mascarenhas de Andrade).

Neste projeto, juntamente com um grupo de estudos, composto por estudantes do curso de História, o coordenador do projeto e pela mediação educacional feita por nós no decorrer de todo o processo, desenvolvemos o

Catálogo de Filmes Históricos da História Geral e do Brasil, buscando elaborar

um catálogo de filmes históricos impresso que, posteriormente, seria disponibilizado online. O grupo de estudos era composto por três estudantes, sendo um bolsista e dois voluntários.

O processo de elaboração do Catálogo de Filmes Históricos, desenvolvido, semanalmente, na Base de Estudos e Pesquisas em Meios de Comunicação e Educação (coordenado pelo Professor Dr. Arnon Alberto Mascarenhas de Andrade, da qual faço parte como pesquisador enquanto estudante do Doutorado da Pós-Graduação em Educação da UFRN), basicamente, era estruturado em sessões de discussão coletiva, cujas etapas atendia aos aspectos necessários em um projeto acadêmico de orientação.

ETAPA 01:

Discussão de textos referentes às novas abordagens da interface cinema-história para catalogação dos filmes, feita a partir de uma ficha catalográfica.

Percebemos essa primeira Etapa como sendo uma etapa fundamental no desenvolvimento do Catálogo de Filmes Históricos e, sobretudo, no redimensionamento da concepção de filmes históricos dos alunos bolsistas e voluntários. A medida que as discussões semanais aconteciam, o que se observou por parte dos professores em formação (já que todos os alunos eram alunos da licenciatura e, portanto, futuros professores) foi uma total compreensão da abrangência da noção de filme histórico. Compreendido, por sua vez, não apenas em sua face representacional, assim como, equivocadamente, processa-se na prática docente em história.

ETAPA 02:

Cada participante escolhia um filme para ver e catalogar, a partir da ficha catalográfica, previamente, definida em seus itens: ficha

técnica, sinopse e temas para sala de aula.

Começamos a catalogar o acervo da Oficina de Tecnologia Educacional – OTE da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Mas, a medida que os participantes viam e catalogavam os filmes da OTE, percebíamos a necessidade de ampliar o projeto. Nesse sentido, fizemos um convênio com um das maiores redes de locadora da cidade do Natal – RN. De modo que, além dos filmes da Oficina de Tecnologia Educacional, passamos a catalogar também o acervo da locadora Yellow Vídeo.

ETAPA 03:

Orientação coletiva do trabalho de cada aluno bolsista e voluntário.

Nessa terceira etapa que acontecia, semanalmente, na OTE, desenvolvemos a orientação em conjunto com o grupo de estudos e discutimos o trabalho de cada aluno bolsista e voluntário e, conseqüentemente, o trabalho do grupo como um todo. O que gerava, em função do trabalho coletivo, muitas discussões, mesmo que o filme não tivesse sido visto por todos – o que, por sua vez, não se apresentava sempre como um problema, até porque trabalhávamos com alunos cinéfilos “que tudo já tinham visto e sabiam”, na irônica frase de Godard (1989), em seu famoso livro sobre a História do Cinema.

Com o tempo, além dos filmes clássicos sobre a História (o que em muitas fichas catalográficas atesta ainda a concepção reducionista dos estudantes sobre o que é filme histórico, principalmente porque foram os primeiros a serem catalogados e era possível observar nos alunos participantes do projeto a concepção de filme de época), outros filmes passaram a ser catalogados. Por exemplo, “Pixote” (1981, Hector Babenco) e “Socorro Nobre” (1996, Walter Salles), dentre tantos outros filmes.

No processo de discussão, elaboração e redimensionamento de conceitos e concepções percebemos um amadurecimento em relação a interface cinema-história. Um dos alunos participantes, ao final da elaboração do Catálogo de Filmes Históricos, evidencia um campo de possibilidades.

A grande mudança se deu ao longo do processo de elaboração do catálogo. Mas, respondendo a sua pergunta, acho que mudou no sentido de perceber o cinema como produção, como fonte mesmo e como problemática.

Lembramos mais uma vez que a reflexão sobre o campo interfacial cinema-história nasce antes da reflexão sobre o campo interfacial cinema-jornalismo. Sendo que este último, portanto, é uma conseqüência de um conhecimento quando estudamos a prática de professores de história quando da utilização de filmes no ato educativo.

Benzer Belgeler