2. DİNDARLIK
2.4 DİNDARLIK TİPLERİ
Os procedimentos de selecção dos instrumentos de avaliação para o programa de prevenção da violência tiveram em consideração os objectivos e conteúdos que tinham já sido definidos para a intervenção.
Neste processo avaliativo recorremos a instrumentos de carácter quantitativo, mediante a utilização de escalas de recolha de dados aferidas para a população portuguesa. Assim, optámos pela técnica do inquérito por questionário anónimo, por se tratar da forma mais fácil e mais rápida de obter informações e pela possibilidade de ser efectuado com reduzidos recursos humanos. Apesar de o questionário completamente não identificado ser claramente o mais adequado, pois evitaria constrangimentos por parte dos alunos no seu preenchimento, tivemos necessidade de algum tipo de identificação (neste caso a data de nascimento e a profissão dos pais) para permitir observar a evolução dos alunos do pré para o pós-teste, viabilizando a recolha de elementos para testar a eficácia da intervenção. Os dados elementares para a identificação recolhidos foram: data de nascimento, idade, género, ano e turma, profissão do pai e da mãe.
As crenças sobre a violência foram avaliadas através da Escala de Crenças da Criança sobre a Violência (ECCV), uma escala construída por Sani (2003) no âmbito da sua investigação sobre o impacto da Violência Interparental nas crianças (cf. Anexo 3.1). A escala não pretende a quantificação de crenças, mas sobretudo permite uma análise qualitativa das ideias que cada criança tem acerca de um fenómeno.
A escala apresenta-se num formato tipo Likert, com quatro opções de resposta definidas como 1 (não concordo), 2 (concordo pouco), 3 (concordo) e 4 (concordo muito). Para cada item, correspondente a uma crença, as respostas organizam-se no
Capítulo 5 -86-
geral (excepto em 3 itens do factor 4, que têm cotação invertida) desde menos irracionais (1) a mais irracionais (4), significando uma pontuação alta que a criança possui ideias bastante congruentes com as afirmações presentes em cada item, suscitando ter crenças erróneas quanto maior o grau de concordância com tais alíneas (Sani, 2006). Como exemplos podemos referir frases como “É porque se confia nas
pessoas que algumas abusam ou magoam outras” (item 5, determinantes individuais),
“Só conseguimos lidar com a violência se formos violentos também” (item 14, determinantes socioculturais), “Um pai ou uma mãe tem direito a tratar mal o seu filho,
porque eles é que mandam em casa” (item 17, determinantes educativos) ou “A violência é algo que se aprende” (item 27, etiologia da violência).
A E.C.C.V. é uma escala que apresenta uma estrutura diferenciada (heterogénea), que originou a emergência de quatro factores: 1) determinantes socioculturais (o qual remete para as assimetrias históricas e culturais que numa sociedade podem servir de fundamento para o exercício da violência; integra processos ligados com a discriminação, relacionados com a idade ou o género; e ainda crenças relacionadas com o coping com a violência; engloba os itens 7, 11, 13, 14, 21, 23, 24, 25, 26, 28, 29), 2) determinantes individuais (remete para a variedade de razões pessoais para a ocorrência de violência entre indivíduos: patologia, comportamentos aditivos, sendo que a aceitação destes aspectos pode pressupor uma desculpabilização da conduta violenta e/ou do ofensor, engloba os itens 1, 2, 5, 6, 8, 9, 10, 15, 16, 19, 20, 22), 3) determinantes educacionais (remete para a ideia da violência como justificada pela necessidade de utilizar uma estratégia punitiva para educar, o que a legitimaria; engloba os itens 4, 12, 17, 18, 30, 31) e 4) etiologia da violência (remete para as crenças centrais sobre a origem da violência: argumento biológico – assumpção de que a violência é inata e não adquirida - e argumento psicossocial, a violência não deriva das diferenças entre os indivíduos pelo que há igualdade psicológica e social; engloba os itens 3, 27, 32) (Sani, 2006a).
Considerando a análise factorial, o índice de consistência interna (alpha de
Cronbach de .84), e a validade discriminante, verifica-se que a presente escala apresenta
qualidades psicométricas adequadas, que possibilitam a análise das crenças sobre a violência (Sani, 2003).
Capítulo 5 -87-
A autora refere que esta é uma escala que tem subjacente a necessidade de identificação de problemas e irregularidades específicas com o objectivo de potenciar algum tipo de intervenção (Sani, 2003).
O Coping foi avaliado pelo SCSI – Schoolagers’ Coping Strategies Inventory (Ryan-Wenger, 1992), na versão traduzida e adaptada para Portugal por Lima, Lemos e Guerra (2002) (cf. Anexo 3.2). Este questionário revela um índice de constância interna, avaliada a partir do alpha de Cronbach de .77, para a totalidade dos itens. O estudo com a população portuguesa revelou a existência de três sub-escalas correspondentes a três tipos de estratégias de coping (Distracção cognitivo-comportamental, comportamentos de Acting-out e Activas), não obstante para Ryan-Wenger (1992) o SCSI ser um instrumento unidimensional.
A opção por este instrumento baseou-se em várias razões. A primeira diz respeito à conceptualização do coping inerente ao instrumento que o considera como uma resposta a acontecimentos geradores de stress, num processo dinâmico de interacção entre o sujeito e a situação; a segunda prende-se com o facto de discriminar três dimensões distintas de coping.
A versão do questionário utilizada é constituída por 21 itens que incluem frases como “Desenhar, escrever ou ler qualquer coisa” e avalia a frequência de ocorrência e a eficácia percebida das estratégias de coping. Da escala original de 26 itens, as autoras optaram por não incluir os itens 2, 16, 20, 22 e 23 devido, nomeadamente, ao facto de na análise da consistência interna da escala (alfa de Cronbach) esses itens apresentarem valores baixos, sugerindo que a interpretação que as crianças portuguesas fazem destes itens não é suficientemente consistente com a maioria dos outros itens e, que, portanto, há uma probabilidade elevada de que não estejam a avaliar o que se pretende (Lima, Lemos & Guerra, 2002).
A escala apresenta-se num formato tipo Likert, numa escala de 0 a 3, avalia a frequência de utilização de diferentes tipos de estratégias durante a ocorrência de um acontecimento stressante (“Quantas vezes fazes isto?”) e a sua eficácia (“Quanto é que isto te ajuda?”). Relativamente à frequência, as opções de resposta variam entre: o nunca (0) e a maior parte das vezes (3), e quanto à eficácia, as respostas variam entre nunca faço isto (0) e ajuda muito (3). A cotação do instrumento é feita separadamente
Capítulo 5 -88-
para a escala de Frequência e para a escala de Eficácia e a pontuação total varia entre 0 (mínima) e 126 (máxima) (Lima, Lemos & Guerra, 2002).
O instrumemento apresenta três dimensões de coping, para as sub-escalas de frequência e eficácia, conceptualmente definidas como de “distracção cognitivo- comportamental” (afastamento ou evitamento relativamente ao stressor – itens 2, 4, 6, 7, 8, 13, 14, 16, 19 e 20), de “acting-out” (exteriorização de afectos negativos – itens 9, 10, 11, 12 e 21), Activas (procurar lidar com os problemas ou situação stressante, centrando-se nos seus próprios recursos ou procurando ajuda exterior – itens 1, 3, 5, 15, 17 e 18). De entre estas estratégias as autoras consideram dois conjuntos que podem ser distinguidos do ponto de vista conceptual: um conjunto mais baseado nas emoções (1 e 3) e outro mais proactivo, de resolução de problemas (5, 15, 17 e 18) (Lima, Lemos & Guerra, 2002).
Num estudo realizado em 2005, com crianças e adolescentes do 5º ao 9º ano de escolaridade da zona de Lisboa, utilizando a escala de 26 itens adaptada por Lima, Lemos e Guerra (2002), foram encontrados os mesmos factores, tendo as autoras optado por diferenciar as estratégias Activas em Activas e de Isolamento social (Raimundo, 2005 citada por Raimundo & Pinto, 2006).
Optamos por utilizar a escala de 21 itens apresentada por Lima, Lemos e Guerra (2002) por considerarmos válido o argumento apresentado pelas autoras, de que a interpretação que as crianças portuguesas fazem destes itens não é suficientemente consistente com a maioria dos outros itens havendo, portanto, uma probabilidade elevada de que não estejam a avaliar o que se pretende. Acresce o facto de a adaptação apresentada por Lima, Lemos e Guerra (2002) ter sido realizada no mesmo concelho onde foi realizada a presente investigação enquanto que o estudo de Raimundo (2005) foi realizado em Lisboa.