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DİN VE MİTOLOJİDE AYNA

As professoras relataram a importância do grupo de estudos como um importante espaço de transformação da prática pedagógica. No que diz respeito à pesquisa em sala de aula, as docentes afirmaram ter sido indispensável as suas participações no grupo para que modificassem algumas concepções e conhecimentos. Para as docentes envolvidas, essa questão não é muito debatida nos eventos voltados à educação que têm participado, e, por isso, não questionavam esse aspecto. “O grupo foi um começo para esse estudo. Antes não

se ouvia falar em pesquisa. A pesquisa era vista como uma pergunta que era feita em casa para o pai e a mãe” (professora Sol).

A professora Sol afirma, ainda, que se não tivesse participado do grupo não teria conhecimento a respeito da metodologia da pesquisa, pois como ela não era colocada em análise, o professor acredita que a está encaminhando de forma correta em sala de aula. Autores como Alarcão (1996), Freire (1997), Elliot (1990), Contreras (1994) defendem a construção coletiva com o intuito de melhorar a prática docente. Para esses autores, há necessidade de o professor refletir de forma crítica como exigência para a integração entre a teoria e a prática.

As professoras do GE envolveram-se intensamente no problema de pesquisa, procurando compreender como realizar investigação na aula de Matemática. Nesse ato de refletir percebeu-se uma atitude investigativa.

Freire trata desse aspecto:

Fala-se hoje, com insistência, no professor-pesquisador. No meu modo de entender o que há de pesquisador no professor não é uma qualidade ou uma forma de ser ou de atuar que se acrescente à de ensinar. Faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa. O que se precisa é que, em sua formação permanente, o professor se perceba e se assuma, porque professor, como pesquisador (FREIRE, 1997, p. 32).

De acordo com Freire, o ato de pesquisar por parte do professor é inerente à profissão professor. Inerente para o professor que se assume como tal. “Se professor, então pesquisador”.

O GE, nesse sentido, foi muito importante para o processo de profissionalização das professoras no desenvolvimento da atitude reflexiva e investigativa. Por meio dos depoimentos, constata-se que a profissionalização foi um

processo que teve início no GE para algumas professoras. “Ele abriu novos

horizontes, porque animou para pesquisar, para ir atrás, e eu vejo agora na pós- graduação que iniciei que a pesquisa é fundamental para o bom andamento de um trabalho” (professora Terra).

As professoras Terra, Água e Ar iniciaram curso de pós-graduação após o grupo de estudos. Sentiram-se motivadas pelo estudo no grupo para ir em busca do que ainda as inquietava.

Durante a entrevista, a professora Ar afirmou a importância do grupo de estudos para a sua profissionalização.

O grupo é importante porque através dele sempre aprendemos coisas novas e aprendemos a buscar o que não sabemos. É muito válido estudar em grupo. Nós aprendemos muito neste grupo, é só analisar o quanto conversamos, debatemos e refletimos nos encontros e poderíamos ter continuado por muito tempo (professora Ar).

O espaço dos encontros objetivou justamente o que a professora Ar relata na citação acima, que é de apostar nos debates e reflexões como ponto de partida para encaminhar às mudanças que se espera na prática futura do professor. O questionamento e a reflexão auxiliam nesse processo, ainda que saibamos que as mudanças na prática do professor não acontecem com facilidade, e sim, as mudanças são parte de um processo próprio a cada professor.

Para Maldaner (2000, p. 15),

É importante considerar que as mudanças na prática pedagógica não acontecem por imposição ou apenas porque se deseja. Tornar-se reflexivo/pesquisador requer explicitar, desconstruir e reconstruir concepções, e isso demanda tempo e condições.

As mudanças na prática pedagógica são, conforme Maldaner, um processo complexo. Por isso, entende-se o trabalho desenvolvido no GE como um início de um processo de desconstrução e reconstrução de concepções e de rompimento com os condicionamentos.

De acordo com Maldaner (ibid, p. 399), “O fator tempo na vida dos professores é um dos limites mais decisivos na implementação de um processo de formação continuada com base no desenvolvimento da prática de professor/pesquisador”.

O fator tempo apontado pelo autor como essencial para as mudanças na prática pedagógica foi percebido pelo depoimento da professora Sol, como um fator determinante para as mudanças. Ela referiu a insatisfação de alguns professores

quando são solicitadas a participar de momentos extra-escolares para o desenvolvimento de atividades de formação.

As professoras que participaram do grupo de estudos passaram a compreender que a sua formação como docente é permanente. Elas acreditam que o tempo destinado a encontrar-se com outros professores traz mais benefícios a sua formação do que o estudo individual que o professor faz em casa. No entanto, o fator “tempo” continua sendo questionado.

Além do tempo, apontado na pesquisa, há outros fatores que dificultam o processo de profissionalização do professor e que, consequentemente, dificultam a mudança da prática pedagógica. O que se pode destacar, no entanto, com base nos depoimentos das professoras que participaram desta investigação, é que dificilmente um professor toma consciência e muda sua prática sem que tenha discutido, refletido e analisado em algum momento práticas semelhantes com outros professores. Quando sozinho, o professor não percebe a necessidade de mudar, porque a crítica é incipiente. Desenvolver o hábito de refletir sobre a prática de sala de aula é um desafio para todos os educadores, inclusive aos que já tomaram consciência da importância dessa ação. É necessário, principalmente, porque a formação do professor acontece também quando atua como docente. Porém, deveria estar mais presente na formação inicial, nos cursos de Licenciatura ou de Magistério, mas percebe-se que o ato de refletir não fez parte da maioria das ações dos professores enquanto alunos.

Profissionalizar-se, passa a ser, então, um desafio permanente para o professor, de encorajamento e busca de conhecimentos.

Benzer Belgeler