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Pode-se conceituar avaliação de desempenho como uma atividade de avaliação cuja meta é diagnosticar e analisar o desempenho de indivíduos ou grupos de indivíduos. Toda e qualquer organização precisa ser avaliada e, através desse processo, fazer ajustes, correção de rumos, redimensionamento financeiro, redefinição de projetos, dentre outros.

Para Gonçalves (2002), o primordial em um sistema organizacional é sua capacidade de realizar com sucesso a medição de seu desempenho, buscando conhecer seus processos para relacioná-los com seus pontos críticos dentro de uma avaliação contínua.

É na perspectiva de dar mais qualidade ao serviço público que os gestores trabalham com avaliação de desempenho e, trazendo para o campo da educação, buscam adaptar esse processo ao sistema por meio da aplicação de metodologias que permitam aos administradores públicos obter resultados em larga escala, possibilitando-lhes desenvolver projetos em políticas públicas que resolvam os problemas identificados, com vistas à melhoria do ensino e ao uso racional dos investimentos públicos.

Historicamente, o SAEB vem sendo desenvolvido desde a década de 80. Porém, em 1990, por uma adequação ao novo sistema de nomenclatura criado pela constituição do corrente ano, o então Sistema de Avaliação da Educação Pública (SAEP) passa a ser chamado SAEB. Em 1992, o INEP assume a responsabilidade de coordenar e administrar o desenvolvimento do SAEB.

É a partir de 1997 que se consolida a institucionalização da avaliação da educação básica no Brasil. Após essas transformações, poucas modificações foram realizadas nos ciclos seguintes. Faz-se necessário destacar que os ciclos do SAEB ocorrem a cada dois anos, avaliando de forma amostral alunos das redes de ensino público e privado do país do 5º e do 9º ano do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio.

Dentre as poucas modificações implantadas, podem-se destacar as seguintes: i) escala de proficiência única para cada disciplina avaliada; ii) terceirização dos serviços de impressão, aplicação e correção de provas; iii) metodologia na análise de dados.

Em 2005, o SAEB passou por novas transformações, dentre elas a divisão do processo em dois outros: Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb) e Avaliação Nacional do Rendimento Escolar (Anresc).

O Aneb avalia de forma amostral estudantes das escolas de ensino público e privado do país, conforme se vê no documento transcrito:

A avaliação denominada Aneb permite produzir resultados médios de desempenhos conforme estratos amostrais, promover estudos que investiguem a equidade e a eficiência dos sistemas e redes de ensino por meio da aplicação de questionários. (BRASIL, 2009, p.15)

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São realizadas a cada dois anos, avalia as habilidades em Língua portuguesa e Matemática, sendo aplicada a alunos de 5º e 9º anos da rede pública de ensino em área urbana e tem como prioridade evidenciar os resultados de cada unidade escolar da rede pública de ensino, com os objetivos de: contribuir para melhoria do ensino, redução de desigualdades e democratização da gestão do ensino público; buscar desenvolvimento de uma cultura avaliativa que estimule o controle social sobre os processos e resultados do ensino. (BRASIL, 2009, p.15)

É necessário salientar que o SAEB, em nenhum desses dois processos, avalia disciplinas de outras áreas que não seja a de Língua Portuguesa e a de Matemática, destacando que o foco da primeira é somente a leitura, não considerando a escrita dos alunos, e da segunda, a resolução de problemas.

Outra dificuldade do SAEB refere-se ao fato de ser um sistema regido pelo modelo de avaliação somativa de Michael Scriven, o qual, segundo Viana (2000), está ligado à decisão de continuar ou reformular a continuação de um programa educacional. Desse modo, apesar de o SAEB ser um instrumento de avaliação externa que permite avaliar as competências e habilidades desenvolvidas por estudantes em todo o país, ele possui as limitações discutidas na secção 1.3 do presente trabalho. Apesar disso, o SAEB tem se apresentado como o mais amplo e moderno sistema de avaliação em larga escala da América Latina.

2.1.1 METODOLOGIAS DE COLETA E ANÁLISE DE DADOS

UTILIZADAS PELO SAEB

De acordo com Araújo e Luzio (2005), o SAEB utiliza várias metodologias de coleta e análise dos dados sistematizados e instrumentalizados por meio das matrizes de referência, a saber:

a) Elaboração de testes psicométricos;

b) Estruturação de cadernos de testes, utilizando a técnica denominada blocos incompletos balanceados (bib);

c) Aplicação de testes padronizados para descrever o que os estudantes sabem e são capazes de fazer nas disciplinas de língua portuguesa (com foco em leitura) e matemática (com foco em resolução de

problemas), em momentos conclusivos do seu percurso escolar (5º e 90 anos do ensino fundamental e 3ª série do ensino médio);

d) Coleta de informações sobre diversos fatores escolares e de contexto que possam interferir na qualidade e efetividade do ensino ministrado, utilizando a aplicação de questionários para alunos, professores e diretores;

e) Uso da teoria de resposta ao item (tri), modelo matemático e estatístico que permite comparar o desempenho dos alunos em diferentes períodos;

f) Seleção de uma amostra probabilística dentro da população que se quer investigar e utilização de escalas de proficiência para interpretação e descrição do desempenho dos alunos.

Esses termos serão conceituados ainda no capítulo 2, em secções específicas.

Acompanhando a tendência nacional e internacional, os estados também instituíram seus sistemas de avaliação, seguindo os preâmbulos do SAEB. Destaque-se que o estado do Ceará foi pioneiro em relação à criação dos sistemas avaliativos no país e, em 1992, foi instituído o programa de avaliação do rendimento escolar dos alunos de 4ª e 8ª séries, o qual, a partir de 2000, consagrou-se como Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do Ceará (SPAECE).

2.2 Sistema Permanente de Avaliação da Educação Básica do

Benzer Belgeler